O fantástico e o duplo na obra Esaú e Jacó, de Machado de Assis



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Revista Pandora Brasil - Edição Especial Nº 6 - Maio de 2011 - ISSN 2175-3318  - "O insólito e suas fronteiras" 

http://revistapandora.sites.uol.com.br/

 

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Minicurrículos dos autores

 

 



O fantástico e o duplo na obra 

 Esaú e Jacó, de Machado de Assis 

 

 

Laércio Rios Guimarães

1

 

 



RESUMO: Concentrando-se nos gêmeos Pedro e Paulo, personagens centrais 

da  obra  de  Machado  de  Assis,  este  artigo  compara  os  personagens  bíblicos 

que  dão  nome  à  obra  aos  seus  personagens  centrais,  analisando  seu  perfil 

psicológico  tendo  como  base  os  referenciais  teóricos  de  Otto  Rank  e  Tzvetan 

Todorov para o estudo do fantástico na narrativa machadiana.  

Palavras-chave: duplo; fantástico; gêmeos; intertextualidade 

 

Apresenta-se aqui uma breve análise do fantástico e, com maior ênfase, 



o  exame  da  questão  do  duplo  na  obra  Esaú  e  Jacó,  de  Machado  de  Assis, 

tendo como ponto de partida os personagens  bíblicos que dão nome à obra 

– 

encontrados no Antigo Testamento 



–, bem como Paulo e Pedro, presentes no 

texto bíblico do Novo Testamento e  que nomeiam os personagens centrais do 

romance.   

Machado de Assis pode ser analisado sob a ótica do gênero fantástico, 

sabendo-se  que  foi  leitor  e  admirador  das  obras  de  Ernst-Theodore-Amadeus 

Hoffman (1776-1822) e de Edgar Allan Poe (1809-1849), que o influenciaram e 

o  levaram  a  adotar  uma 

“ocorrência  de  um  fantástico  mitigado,  diferenciado, 

quase  sempre  ambientado  em  sonhos  e,  na  maioria  das  vezes,  explicável

” 

(FERNANDES, 2004). Vários aspectos quanto à instância narrativa podem ser 



mencionados  na  obra  sob  análise:  muitos  críticos  atribuem  ao  Conselheiro 

                                                           

1

  Mestrando  do  Programa  de  Pós-Graduação  em  Letras  da  Universidade  Presbiteriana 



Mackenzie, São Paulo 

– 2011.  




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Revista Pandora Brasil - Edição Especial Nº 6 - Maio de 2011 - ISSN 2175-3318  - "O insólito e suas fronteiras" 

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Aires a autoria do relato de Esaú e Jacó, nesta narrativa marcada pela primeira 



pessoa (um narrador observador

2

); outro ponto polêmico é a passagem em que 



se  fala  sobre 

a  “sombra”  no  momento  em  que  Flora  imagina  os  irmãos  no 

jardim de sua casa (ASSIS, [198-], p. 191

3

); ou, ainda, a ocasião em que eles 



visitam  o  túmulo  de  sua  “querida  comum”  (p.  207).  Nosso  objeto  de  estudo, 

porém, recai na análise do fantástico, inscrito na relação de duplicidade vivida 

por Pedro e Paulo, protagonistas de Esaú e Jacó. 

Para  entender o  desenvolvimento  dessa  relação,  tratamos  do  intertexto 

bíblico, que narra a história de Esaú e Jacó, bem como a dos apóstolos Pedro 

e Paulo, já que ambas lançam mão do duplo e são base para os nomes usados 

pelo autor da obra. 

 




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