O falinventar alegórico em estórias abensonhadas, de mia couto



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O FALINVENTAR ALEGÓRICO 

EM ESTÓRIAS ABENSONHADAS, DE MIA COUTO 

 

Rosemary Conceição dos Santos (PUC-MINAS) 



José Aparecido da Silva (USP-RP) 

 

RESUMO:  Este  trabalho  trata  da  construção  alegórica  alcançada  por  Mia  Couto  no  exercício 

do  “faliventar”  por  ele  praticado  em  Estórias  Abensonhadas  (2012).  Este  “falinventar”, 

entendido  como  recriação  estética  da  linguagem,  buscando  resgatar,  refletir  sobre  e 

compreender,  o  processo  identitário  moçambicano  que,  reconciliado  com  a  oralidade  e  a 

textualidade,  resulta  em  metáforas  de  elevado  potencial  inventivo.  A  complexidade  destas 

metáforas,  entretanto,  deixando  entrever  um  viés  alegórico  da  temática  que  o  autor  realmente 

quer  tratar.  Entendendo  palavras  e  conceitos  como  materialidades  em  movimento  constante, 

temas  como  tradição,  religião,  terra,  tempo,  identidade,  diálogo  e  diferenças  culturais,  entre 

outros, encontram-se alegorizados nos termos recriados pelo autor, preenchendo e revestindo o 

desenvolvimento  de  diversas  reflexões.  Tais  alegorizações  sendo  reforçadas  pela  topofilia,  elo 

pessoal  que  suas  personagens  estabelecem  com  os  ambientes  físico  e  imaginário,  responsável 

pela multiplicidade de significações culturais e individuais manifestadas por todos os elementos 

que nela se encontram inseridos. Experiências literárias por excelência, ao conferirem sentido de 

pertencimento,  e  lugares  da  memória,  ao  espaço  que  as  circunda,  tais  experiências  viabilizam 

vivências  individuais  e  coletivas,  promotoras  de  inscrições  textuais  em  complexidades 

alegóricas,  aqui  entendidas  como  metáforas  continuadas.  Analisadas  pelo  viés  teórico  pós-

colonialista,  constroem  enunciações  das  traduções  culturais,  tradições  e  transformações  do 

mundo  contemporâneo.  Direção,  esta,  que  também  viabiliza  reflexões  histórico-literárias  e 

antropológico-míticas de questões propostas ora por narradores e personagens, ora pelo discurso 

autoral,  ensejando  localizar  similaridades  e  diferenças  nos  enredos  analisados.  Assim 

focalizados,  os  contos  integrantes  de  Estórias  Abensonhadas  (2012)  se  revelam  matrizes 

literárias  capazes  de  revelar  o  antigo  no  atual,  o  real  no  imaginário  e  o  individual  no  social 

descerrando  um  microcosmo  de  dialogismo  entre  a  literatura  moçambicana  e  a  literatura 

universal, qualquer que seja seu contexto de origem. 




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