O conceito de Cultura Na Antropologia



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cita art
Low-context
e high-context são traduzidos usualmente por diretividade e 
indiretividade. Os alemães são conhecidos por sua diretividade, Direktheit como 
se diz em alemão, um brasileiro diria “curto e grosso” – e isso já revela quão 
desagradável é o fato de uma informação ser direta “curta” - e essa é por vezes 
uma fonte de desentendimentos entre indivíduos das duas culturas.
O fato de uma cultura high-context necessitar menos do que é dito 
explicitamente pelos interlocutores nos remete à importância das redes de 
relacionamentos pessoais. Enquanto um indivíduo socializado em uma cultura 
low-context
aprende a segmentar, compartimentar os campos profissional/pessoal, 
nas culturas high-context como a brasileira nota-se uma tendência à 
interpenetração entre esses dois campos. Como diz Hanke (2006 : 6)
em seu 
estudo sobre o ambiente corporativo: 
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A contraposição entre culturas de baixo- e de alto-contexto explica também as 
diversas formas de cumprimentar. Nas culturas de baixo-contexto, dá-se pouca 
importância ao estabelecimento de uma rede pessoal, de forma que o 
cumprimento é reduzido a um mínimo (por exemplo um aceno de cabeça ou até 
mesmo um olhar de certa distância pode bastar). 
Em culturas de alto-contexto existe, ao contrário, um ritual que toma tempo. Sem 
uma troca de beijos e palavras, surge a impressão de que algo está errado ou os 
colegas sentem-se ofendidos. Num relato, um empregado de uma firma 
americana no Brasil reclama que o chefe toda manhã só dizia um “hi” aos 
empregados e dirigia-se, rapidamente, ao seu escritório. Este comportamento era 
interpretado como grosseiro e ofensivo, enquanto que, para o executivo 
americano, era coerente com sua prática cultural (valorizar tarefas mais que 
relações, cultura de baixo contexto (...)”.
DaMatta (1997) descreveu tal fenômeno com muita propriedade em sua 
famosa dicotomia casa e rua. Segundo ele, a tendência do brasileiro a englobar a 
rua na casa - que não representariam espaços físicos, mas sim simbólicos – 
significaria principalmente a tentativa de fugir da impessoalidade e tornar o 
ambiente hostil do não-familiar em amistoso, onde suas redes de contatos possam 
fluir, fazendo com que todos pertençam à mesma “família”. 
O termo homem cordial, cunhado por Sérgio Buarque de Holanda em seu 
clássico Raízes do Brasil, descreve exatamente esse tipo de redes de 
relacionamentos tão caras aos brasileiros que nem sempre é compreendido por 
pessoas de culturas low-context, como diz Silva (2006 : 6): 
Assim é a cordialidade brasileira, que muitos gringos confundem com amizade. 
Ser cordial fornece uma desculpa para se forjar um relacionamento pessoal com 
alguém que, embora tênue, poderá abrir portas no futuro. É o oposto da polidez: a 
polidez levanta muros, a cordialidade lhe permite aconchegar-se no colo de 
alguém e ajustar-lhe a gravata.
Outra categoria detectada por Hall (1977) em seus estudos foi a de 
percepção do tempo nas diversas culturas do mundo. Segundo Hall, há sociedades 
em que o tempo é encarado como sendo efetivamente uma linha i.e. linear e 
indivisível. Como na máxima da física segundo a qual dois corpos não podem 
ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, para as culturas por ele batizadas de 
monocrônicas é inconcebível que se façam duas coisas ao mesmo tempo. A 
interrupção de uma tarefa é considerada inadmissível e deve ser evitada.
As culturas policrônicas por sua vez admitem a simultaneidade de ações, 
pois ela permite aquilo que já foi mencionado acima para o par high/low-context
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maior interação entre os indivíduos. As relações interpessoais são consideradas 
mais importantes do que as ações em si.
Nesse ponto, cabe observar que o famoso “jeitinho” – que é 
frequentemente visto como um aspecto negativo da cultura brasileira - é muitas 
vezes de fato um elemento ligado à capacidade de improvisação do brasileiro que 
advém justamente da relativa facilidade que temos em lidar com imprevistos. Os 
planos podem ser mudados mais facilmente - já que esquemas organizados e 
calculados milimetricamente não são necessariamente seguidos tão à risca como 
nas culturas low-context

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