O componente laical da comunidade salesiana


A verdadeira marca do Salesiano coadjutor



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5. A verdadeira marca do Salesiano coadjutor

Para determinar os conteúdos e os hori­zontes próprios da dimensão laical do Salesiano coadjutor não bastava, como vimos, descrever ofícios (ou o seu “fazer”), mas era preciso aprofundar o seu “ser no fazer”. Vimos que sua atitude interior envolve uma consagração religiosa ani­mada pelo espírito de Dom Bosco e especificada pela escolha consciente e positiva do tipo de união com o aspecto laical próprio da Sociedade de São Francisco de Sales.



Sentido de pertença comunitária

Voltamos assim, de certa maneira, ao ponto donde havíamos partido, mas com maior rique­za de reflexão e clareza.

Havíamos partido do significado global da vocação salesiana considerando a Congregação como um todo ou uma comunhão de figuras de sócios complementares: somente a partir da característica específica da nossa comunidade (sujeito da vida e da missão salesiana) podía­mos colocar corretamente um aprofundamento da figura do Coadjutor. Pois bem, analisando os diferentes níveis da laicidade, justamente para melhor esclarecer a figura e o papel desse irmão, vemo-nos levados a refletir de novo sobre o significado global da Congregação como tal.

É sintomático que não se possa explicar a figura de um Salesiano sem partir da nossa comunidade genuína e sem chegar a ela. A fa­mosa “dimensão laical” que procuramos exami­nar, ainda que um tanto rapidamente, nos levou novamente, na análise do seu terceiro aspecto vocacional, ao ideal unitário percebido e querido à luz do Carisma global do próprio Instituto religioso.

E é justo. Antes, é só com essa espécie de circulação que encontramos os vários elementos que estabelecem a verdadeira marca do Salesia­no coadjutor. Mais, tal busca mostra novamente que não nos encontramos na presença de uma crise exclusiva de uma categoria de sócios, mas na crise da própria tipologia da nossa Comunidade perante o desafio da nova cultura.

Com razão, introduziram os últimos Capí­tulos Gerais uma variação significativa também na terminologia em uso: não “Coadjutor ou Clérigo ou Padre-salesiano”, mas “Salesiano-coadjutor ou clérigo ou padre”. E isso não é simples jogo de palavras, mas um fruto (capi­tular) significativo do aprofundamento da nossa identidade. O Coadjutor enquanto tal, ou seja, justamente em vista da opção que fez da dimen­são laical, é um verdadeiro Salesiano com as responsabilidades (juntamente com os demais sócios) de toda a Comunidade.

Compreende-se ainda por que, após o apro­fundamento destes últimos anos, o próprio termo ‘Coadjutor’ – já familiar para nós graças ao seu uso histórico – crie de certa forma um problema. Um pouco já aconteceu, mesmo nos tempos de Dom Bosco, o qual adaptou-se ao uso oficial que dele fazia a então Congregação dos Bispos e Regulares.3 Talvez, ele não se adapte claramente à originalidade “genial” do projeto do Fundador. O uso na Congregação dos outros termos Salesiano “padre” ou “clérigo” ou “diá­cono”, indica a natureza ou característica eclesial de um tipo de sócio, ao passo que o de Sale­siano “coadjutor” indica de per si antes uma função e deriva de uma terminologia eclesiás­tica (“Fratres coadiutores”) de outros tempos. Também certas incompreensões do verdadeiro projeto de Dom Bosco poderiam ser atribuídas ao uso eclesiástico desse termo. De fato, na linguagem comum, fora da Congregação, ele se mostrou sempre um tanto hermético e pouco expressivo de um ideal original; teve até em alguns lugares uma intepretação redutiva e ne­gativa.

Entretanto, não foi fácil encontrar outro termo mais apropriado que pudesse substituí-lo com clareza e precisão. De qualquer maneira, após os últimos aprofundamentos Capitulares e após as reflexões que acima fizemos, compreende-se por que a denominação de “Salesiano-leigo” vá encontrando maior aceitação, sempre que se dê ao vocábulo “Salesiano” o conteúdo substantivo da condição eclesial de “religioso”, membro da Sociedade de São Francisco de Sales, fun­dada por Dom Bosco.

Devemos reconhecer que a linguagem tem também suas exigências para exprimir a origi­nalidade do “componente laical” da nossa Con­gregação.

Ela, como dizíamos, é um carac­terístico Instituto de vida ativa explicitamente inscrito nas preocupações também seculares da vida humana, tanto é verdade que está no centro de toda uma vasta Família que abrange numero­síssimos leigos. Não tem, digamos assim, uma “alma monástica” de fuga do mundo (ainda que entendida no sentido positivo e característico de tantas Ordens beneméritas), mas cultiva em si um “impulso profano” de fermento apostólico na história (tanto é assim que deu origem a alguns Institutos seculares) pelo qual vive “religiosa­mente” imersa e interessada nas vicissitudes concretas da sociedade humana.

A dinâmica da consagração do Salesiano coadjutor (idêntica à de todos os outros sócios) move-se de forma indissoluvelmente unida a determinados problemas de promoção humana.

O nosso “ser salesiano” não nos obriga a catalogar-nos num esquema pré-fabricado. E o aprofundamento da figura do Coadjutor oferece-nos um “teste”, que poderíamos qualificar com o P. Rinaldi de “genial”, pelo esclarecimento do componente laical da nossa comunidade. Dom Bosco, com efeito, como já dissemos, fundou nos albores da civilização industrial a Sociedade de São Francisco de Sales para a juventude po­pular, considerada como a “porção mais deli­cada e mais preciosa da sociedade humana, sobre a qual se fundam as esperanças de um futuro feliz” (MB II 45); e nas primitivas Regras ele mesmo afirmou que “da boa ou má educação dela depende um bom ou triste futuro da sociedade” (MB V 931). Há claramente na mente de Dom Bosco Fundador uma preocupa­ção ‘social’. Antes, acredito seja justo falar de certo “talho laical”, seja pelas circunstâncias históricas da fundação, seja pela originalidade da forma de vida que ele quis, seja pela própria natureza da missão apostólica que escolheu. Tratarei dela brevemente.






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