O abstracionismo informal em face da



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Ano 2  | n. 3 | novembro 2017



ARTIGO

MULTIPLICIDADES IDENTITÁRIAS:

O ABSTRACIONISMO INFORMAL EM FACE DA 

CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA VANGUARDA BRASILEIRA

Ananda Muylaert

O artigo busca apresentar as formas pelas quais a produção abstracionista informal nipônica do 

decorrer da década de 1960 atravessam os ideais da construção de uma vanguarda de referências 

plurais, e ao mesmo tempo questionar sua marginalidade em relação à ideia vanguardista. Coube 

à arte e à identidade imigrante se estabelecerem em um entre-lugar de altíssima densidade, às 

margens da oficialidade, absorvendo tudo ao seu redor em um processo superantropofágico.

Palavras-chave: Arte moderna brasileira; abstracionismo informal; tachismo; Japão; Nova 

Objetividade Brasileira.

Em 1932, o sociólogo Oliveira Viana afirmara que 

“o japonês é como o enxofre, insolúvel”, se refe-

rindo  à  suposta  impossibilidade  da  assimilação 

completa dos imigrantes ao Brasil, que então já 

eram milhares, espalhados principalmente pelo 

Sudeste do país. De fato, a integração dos japone-

ses ao país jamais se mostrou como tarefa fácil; 

o governo brasileiro, em 1890, decretou a proibi-

ção da entrada de cidadãos asiáticos e africanos 

ao mesmo tempo em que estimulava a imigração 

de europeus – ainda que a medida tenha durado 

apenas dois anos, delineava um cenário de clara 

segregação e de desejo de europeização do país. 

Então, os japoneses que chegavam ao Brasil en-

contravam-se  culturalmente  e  socialmente  iso-

lados do resto da população, tanto pela barreira 

linguística quanto pela discriminação racial.

É justificável e até natural, que, inicialmente, as 

diferenças e barreiras socioculturais entre os bra-

sileiros e os imigrantes tenham sido vistas como 

intransponíveis, e como se não houvessem esfor-

ços por parte dos últimos para uma verdadeira 

adaptação, já que muitos dos japoneses que aqui 

chegavam  tinham  em  seus  planos  retornar  em 

breve à sua terra natal (arranjo que para mui-

tos foi adiado, ou simplesmente cancelado, com o 

advento das duas grandes guerras mundiais). O 

Brasil, então, pode ser tratado como uma espécie 

de 


purgatório para esses imigrantes – um entre

-lugar onde se espera o retorno ao Japão. 

É  num  entre-lugar,  também,  onde  o  abstracio-

nismo informal, tendência aderida pela parcela 

mais expressiva de artistas nipo-brasileiros, era 

colocado  na  conjuntura  da  arte  brasileira:  às 

margens da oficialidade, dividido entre casa (lu-

gar de pertencimento físico, Brasil) e 

lar (lugar 

de  pertencimento  emocional,  Japão).  Construí-

am-se, então, paisagens de lavouras de café e pe-

quenas casas coloniais com as linhas definidas e 

cores pouco saturadas do 

shin-hanga

1

, que se no 



Japão eram azuladas, no Brasil assumiam tonali-

dades terrosas e amareladas, como as de Tomoo 

Handa. A distância geográfica implicava também 

em  uma  disparidade  estética,  que  por  sua  vez 

não  se  apresentava  somente  em  grande  escala, 

no observacional, mas nos preceitos das próprias 




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práticas  semióticas  dos  ambientes;  também  na 

arte, na filosofia, e, principalmente, na socializa-

ção e na educação recebida pelo grupo.


Catálogo: 2017
2017 -> A construçÃo das personagens femininas em a bela e a adormecida, de neil gaiman
2017 -> Kelleny brasil rodrigues
2017 -> Relatório de Atividades 2016-2017 correção patronos indd
2017 -> Introdução à Genética  Conceito de Genética
2017 -> Neste arquivo estão contempladas a publicação em doe 09/06/2017 e retificações em doe 13/06, 14/06, 15/06 e 21/6/2017 coordenadoria de gestão de recursos humanos concurso público para provimento de cargos de professor educaçÃo básica
2017 -> Diretor : Sonia Vieira dos Santos Professor Coordenador Geral
2017 -> Diretor : Sonia Vieira dos Santos Professor Coordenador Geral
2017 -> O primeiro foi criado em 1770, por um engenheiro de guerra francês, e há mais de 100 anos o desenvolvimento
2017 -> A língua portuguesa em perspectiva histórica


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