Norte-americano


. Weber, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo



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. Weber, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Gráfica 

Urupês, 1967. 



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. Weber, esclarece que o tipo de conduta moral que lhe interessa pode ser encontrado 

entre os adeptos de denominações variadas do protestantismo além do Calvinismo: no 

Pietismo (depois incorporado ao Luteranismo), o Metodismo e em seitas derivadas do 

movimento batista. O autor assume o conceito de puritanismo no sentido da linguagem 

popular do século XVII, cujas referências eram os movimentos de inclinação ascética da 

Holanda e da Inglaterra, incluindo batistas, quakers e outros. Ver na obra citada, capítulo 

IV, nota 2, p. 163. 




 

88 


 

                    

De acordo com o discurso de Shriver, a tarefa dos voluntários 

seria de uma grandiosidade exemplar: a de levar a Revolução 

Americana

14

, até então inconclusa, a seu termo, conduzindo a 

humanidade a um destino de paz, iluminado pelos preceitos da igualdade 

e da liberdade, originariamente americanos. Por sua vez, ao retornarem 

aos EUA, os voluntários, mais capazes de autocrítica, dilatariam o 

horizonte cultural e infundiriam mais tolerância em seus compatriotas. A 

tese da excepcionalidade da experiência norte-americana, que por tanto 

tempo embasara políticas externas isolacionistas, ganhava um novo 

contorno: o caso particular dos EUA poderia ser generalizado e 

transmitido a outros povos, que antes foram e mais tarde com Nixon 

ainda seriam vistos como incapacitados para democracia e para o 

desenvolvimento, definitivamente condenados pelos seus males de 

origem. A perspectiva assumida pelos Corpos da Paz certamente não 

garantia, mas deixava aberta a possibilidade para uma nova síntese na 

dialética do particular e do geral, para um encontro com aqueles cuja 

diferença deixava de ser vista como uma barreira irremovível, um fator 

impeditivo da relação. 

As idéias de fronteira e de sacrifício, vinculadas à experiência 

histórica da conquista do Oeste e à matriz religiosa puritana recuperadas 

com tanta ênfase pelo governo Kennedy moldariam aquela que foi a 

agência governamental mais representativa da Nova Fronteira, a tradução 

mais completa da retórica lançada por Kennedy. Os Corpos da Paz

encarnando a possibilidade de a um só tempo reafirmar e reformular as 

tradições nacionais, podem ser vistos como uma expressão moderna dos 

mitos de origem norte-americanos.  

No entanto, é importante esclarecer que os voluntários, apesar de 

imbuídos do ideal de serviço e ação social, recusaram, até onde tiveram 

consciência dele, o papel de missionários do americanismo. Cientes das 

ciladas inerentes à situação de imersão cultural, em geral os voluntários, 

mesmo afirmando a importância de tal experiência em suas vidas, 

repudiaram a mística da pureza e do heroísmo que os cercava. 

 

14

. Não é gratuito que Shriver tivesse tentado que a aprovação dos Corpos da Paz no 

Congresso ocorresse no dia 4 de Julho, coincidindo com as comemorações pela 

independência. Em memorandum ao presidente Shriver afirmava os Corpos da Paz eram 

“a new manifestation of the spirit of the American Revolution.” (“uma nova manifestação 

do espírito da Revolução Americana”). Memorandum for the Presidente, 18/6/1963, US 

Peace Corps Collection, Box 2, JFK Library. 




 

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Nas diferentes estórias contadas pelos voluntários é possível 

apreender a coexistência de identidades contraditórias, competitivas e 

deslocadoras. A nacionalidade, a condição social, o ofício, a origem 

urbana ou rural, a condição sexual, as convicções políticas e religiosas 

pressionaram em diferentes direções, facilitando ou dificultando a relação 

com o Outro. Através da análise das experiências e memórias dos 

voluntários, dificilmente redutíveis a um padrão, é possível se chegar a 

uma visão menos unidimensional tanto da agência, quanto dessa 

“América”, para nós ainda um tanto calibânica.  

Ante o crescimento do individualismo, da indiferença e da 

anomia social neste final de século, parecem proféticas as admoestações 

de Tocqueville em favor da construção de referências morais coletivas 

que possam conceder sentido e coesão às sociedades, permitindo que os 

princípios universalistas e de inclusão se imponham sobre particularismos 

excludentes. 

 

ABSTRACT 



This article examines the concepts and myths associated to one of the 

most important international attendance programs crated by President Kennedy: 

The Peace Corps. From this case some matters are raised regarding identity, 

political and religious traditions and intercultural dialogues. 






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