No último fim de semana, é provável que você tenha visto postadas aos montes no Instagram



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Documento sem nome-8
Keep calm
Curiosamente, a visão do especialista em novas
mídias se aproxima do olhar milenar do budismo.
“O trânsito não é bom nem ruim, tudo depende de
como encaramos. A gente projeta a felicidade nos
prazeres sensoriais, nos bens materiais e na
nossa imagem”, afirma o monge Daniel, do centro
Dharma da Paz, em São Paulo. Para o budismo,
os fatos concretos importam menos que a maneira
como os encaramos. “É na sua relação com as
coisas que você define sua vida. E ela pode ser
muito mais harmoniosa”, garante.


Segundo Daniel, falta educação espiritual para
encarar o dia a dia. “Principalmente no mundo
ocidental, vivemos à mercê das emoções. E elas
nos levam para uma montanha-russa: gira, vira de
ponta-cabeça, endireita de novo. Isso cansa,
porque exige muita energia.” Um desgaste que
chega não só aos templos, mas também aos
consultórios. “As pessoas vêm perdidas, sem
saber mais do que gostam”, diz a psicanalista
Maria Lucia. Para ela, as cenas de perfeição
compartilhadas à exaustão têm a ver com isso.
É o caso de se afastar das redes sociais? Não
necessariamente. Mas vale colar um post it no
computador para lembrar que, ali, se trata mais da
vida como a gente gostaria que fosse do que da
vida como ela é de fato.
Curti
O que significa o botão curtir? Três especialistas
dão suas visões
“Ele não significa nada. É equivalente a uma
palma protocolar, um tapinha nas costas, um
sorriso. E é tão efêmero quanto. Se você dissesse
pra mim: ‘Nesta semana recebi 180 sorrisos’, eu


diria que você precisa de um psiquiatra urgente.
Porque não se acumula esse tipo de coisa. É uma
coisa bacana, espirituosa e bem colocada que
você falou. As pessoas sorriram e pronto. Todo
mundo move adiante. O problema é, na verdade,
que isso se acumula, paralisa no tempo. E daí o
indivíduo valoriza isso. E começa a falar: ‘Contei
uma piada e ninguém riu. Meu Deus! Então vou
contar uma piada mais incorreta para achar
alguém para rir’.” Luli Radfahrer, estudioso e
consultor de mídias sociais
“Uma das maneiras de entender o curtir é como
uma indicação de que se está reconhecendo o
outro publicamente. Isso seria parecido com
chegar no trabalho ou na escola e dizer ‘oi’ para
as pessoas. Você não quer iniciar uma conversa,
mas pode ser considerado uma desatenção (no
Brasil, pelo menos) entrar em um lugar desses
sem falar com ninguém. Para algumas pessoas,
portanto, curtir pode significar esse
reconhecimento, esse ‘bom dia’, essa
demonstração de que esse outro existe e que é
importante para mim demonstrar publicamente a
importância dele como um amigo.” Luciano Spyer,
antropólogo digital


“É o superego contemporâneo. O superego tem o
ideal de eu. Ele diz como você tem que ser,
manda mensagens como ‘não faça isso’, ‘pare de
comer’, ‘seja assim’. E o botão curtir reforça esse
ideal. Aí, você faz tudo por ele.” Maria Lucia
Homem, psicanalista

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