No último fim de semana, é provável que você tenha visto postadas aos montes no Instagram



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No último fim de semana, é provável que você
tenha visto postadas aos montes no Instagram
fotos de festas incríveis, piqueniques no parque,
drinks na praia, pés na areia, crianças fofas e
cachorros mais fofos ainda. E pode ter caído na
armadilha de acreditar que seus amigos – e os
amigos dos amigos – estavam se divertindo muito
mais do que você.
Não é de hoje que se espelhar nos outros para
avaliar a sua própria vida é um comportamento
comum. Mas é fato que as redes sociais
conseguem deixar a felicidade alheia mais
sedutora, transformando pessoas e situações em
ideais. Imagens de “vida perfeita” sempre
estiveram por aí, carregando a mensagem
inquietadora: “Você poderia ser melhor”.
Ao ver amigos questionarem a própria vida depois
de navegar pelo Facebook, o psicólogo Alexander
Jordan, da Universidade de Stanford, na
Califórnia, foi pesquisar o assunto a fundo. Em
2011, publicou uma série de estudos sobre como
universitários avaliavam as emoções dos seus
amigos. Concluiu que a maioria superestima a
felicidade dos outros e subestima sentimentos
negativos. Ao mesmo tempo, quanto menos os
estudantes enxergavam experiências negativas na


vida dos outros, mais reportavam solidão e tristeza
na sua. Na apresentação do estudo, citou o
filósofo iluminista Montesquieu: “Se quiséssemos
apenas ser felizes, seria fácil. Mas queremos ser
mais felizes que os outros, o que quase sempre é
difícil, já que pensamos que eles são mais felizes
do que realmente são”.
Um dos erros mais comuns nessa busca é ignorar
que, por trás de cada imagem de perfeição, existe
a vida real. A headhunter Josiane Menna, 30
anos, cai nesse engano quando acompanha as
fotos de viagens alheias. “Instagram de quem viaja
muito é o que mais mexe comigo. Eu queria estar
ali”, confessa. Embora duas vezes por ano faça
viagens para fora do Brasil, não consegue evitar a
inveja quando as paisagens estrangeiras invadem
o seu celular.
E Josi sabe que, claro, os viajantes mostram só os
melhores ângulos. Ela faz o mesmo. “Fui para
Nice [na região de Côte d’Azur, na França] e
postei uma foto do mar azul, calmo, lindo. Só eu
sabia que a minha perna estava toda marcada
porque a praia é cheia de pedregulhos, e que
paguei seis euros numa garrafinha de água”, ri.


Mas esse é o jogo do aplicativo de fotos, acredita.
“É a rede social dos momentos felizes.”
Para o teórico britânico Tom Chatfield, autor de
Como viver na era digital, lançado pela editora
Objetiva com o selo da The School of Life (do
escritor e filósofo suíço Alain de Botton), “tentar
mostrar ao mundo a melhor imagem de si mesmo
é um pouco como se dedicar a um trabalho: você
desenvolve habilidades, escolhe melhor as
palavras e aparências que vai usar e obtém
satisfação quando vê que seu produto teve
sucesso”. O produto, no caso, é você mesma.
“Vender-se como um objeto é uma espécie de
busca pela perfeição. Mas ela pode te levar para
longe do que você é, e para longe da felicidade e
das relações honestas”, afirma Chatfield à Tpm.
Faz-se muito isso na internet, diz ele, ainda que a
rede não seja a responsável pela busca da
perfeição – apenas oferece novas ferramentas
para isso.
A publicitária Gleidys Salvanha, 44 anos, vê o bom
uso dessas ferramentas na sua timeline. “Sigo
muita gente do meio e, nesse mundo da
publicidade, as pessoas têm um supersenso
estético, postam fotos maravilhosas. Então, às
vezes penso: ‘O que eu e minhas fotos estamos


fazendo ali? [risos]’.” Por sorte – e por causa dos
oito anos de terapia, que ela diz terem trazido
calma – a angústia é passageira. “Logo volto a
ficar satisfeita com o que tenho”, garante a
diretora de mídia de uma das maiores agências do
mundo, a Publicis.
Porém, dizer que “está satisfeita com o que tem”
não significa que a vida está perto da ideal. Por
trabalhar muitas horas por dia, Gleidys sente falta
de passar mais tempo com a filha. “O mundo
perfeito seria trabalhar oito horas diárias dia, levar
e buscar a Sophia na escola, e acordar cedo com
ela”, diz. Mas, em seguida, corrige essa imagem
de vida ideal. “Ela não é perfeita para mim, que
não consigo viver sem o meu trabalho.” Então por
que ainda nos cobramos perfeição?

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