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na grande reserva de amostras (samples) de

sons".

O caráter rizomático, espaços de sociali-

dade nas nets e a criação de instrumentos

de difusão alternativa das informações ga-

rantem a permanência de conceitos autênti-

cos de uma estética que o mainstream (atu-

ando mais localmente, em função de um re-

torno financeiro mais urgente) não poderá

destruir e nem mesmo acompanhar. A rapi-

dez da transferência de informações de qua-

lidade underground, não comercial da Cul-

tura da Música Eletrônica (principalmente

através das redes de conectividade), permite

e reforça os conceitos mais "roots"(mais en-

raizados) de uma estética que o mercado de-

codifica com lentidão e sem a mesma des-

treza de quem integra e percorre os caminhos

da cena underground.

Esses conceitos são defendidos pelas co-

munidades virtuais ligadas a E.music e refor-

çados nos suportes que incrementam essas

comunidades dentro da Net (selos alternati-

vos de vinis, cd’s, listas de discussão, sites,

chat...) e fora dela (revistas especializadas,

festas, lojas alternativas, pontos de encon-

tro, bares e clubes, raves...). Nesse sentido,

a Cultura da Música Eletrônica, associada

sempre às tecnologias contemporâneas, não

perde seu fio condutor inicial (da cena rave,

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1999: 136



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Cláudio Manoel Souza

da música underground) pois conta com a

autonomia das tribos em relação ao mercado

tradicional. Aqui tambémse aplica a idéia de

Straw da prática musical contemporânea e da

herança cultural musical.

Douglas Rushkoff

4

(1999) identifica os



ravers (ativistas/frequentadores das raves)

como aqueles que "adotam a tecnologia por

sua capacidade de samplear e recombinar

sons e imagens de toda a história cultural, e

ainda mais pela capacidade da tecnologia de

forjar uma nova cultura global". Prática con-

temporânea e retomada da herança cultural.

Um dos artigos mais interessantes sobre a

cena dita rave e a mídia é o de Sarah Thorn-

ton


5

(1994). Ela se volta ao surgimento da

cena na Inglaterra (em fins dos anos 80 e iní-

cio dos 90) e retoma essa discussão nos cul-



tural studies, discutindo o que ela chama de

"pânico moral".

Thornton abre seu artigo criticando os es-

tudos anteriores que sempre procuram re-

cuperar a idéia de que "cultura"é o que

está fora das mídias. Ela acha que a pró-

pria academia reforça esse equívoco quando

utiliza termos que trazem um discurso

anti-mídia, com chavões "comercialXhege-

monia", "produtor vendávelXincorporado",

"undergroundXsubcultura". Thornton quer,

em seu artigo, mostrar que sempre houve

uma vinculação direta entre a mídia tradici-

onal e as culturas, inclusive as populares. E

que uma não sobrevive sem a outra; uma ne-

cessita da outra para se fortalecer.

A cena "acid house"(primeiro nome das

4

Ler o livro "Um jogo chamado futuro - como a



cultura dos garotos pode nos ensinar a sobreviver na

era do caos". Editora Revan. Rio de Janeiro. 1999

5

Ler o artigo "Moral panic, the media and bri-



tish rave culture", in Microphone fiends. Routledge.

Londres-New York (1994)

festas raves na Inglaterra, por tocar principa-

mente house music e ter a presença de dro-

gas como o lsd) sempre sofreu uma cobertura

sensacionalista dos tradicionais tablóides in-

gleses, que destacavam o uso de drogas. Ao

atacar a cena acid house, esses trablóides pu-

blicizam cada vez mais a cena e terminava

por fortalecê-la. As festas, nessa época che-

gam a ter um público de 8 mil a 15 mil pes-

soas e aconteciam nos campos da Inglaterra.

Passaram a ser uma preocupação oficial a tal

ponto que o governo britânico criou legisla-

ção específica que proibia festas fora da ci-

dade com "música repetitiva".

Thornton afirma que, se a mídia fazia dis-

curso sensacionalista e distorcia a informa-

ção, isso por outro lado criava a necessidade

da cena da acid house inventar seus instru-

mentos de comunicação para rebater as in-

formações, fazendo sugir suporte alternati-

vos de mídia, como fanzines, flyers, uso de

redes de computadores.

Se a cultura un-

derground é tida como ilícita, a mídia (ao

invés da polícia) é quem aprisiona, através

da intrepretação (construção de sentido) para

as outras camads socias. Daí a necessidade

de isntrumentos de respostas. Nesse vai e

vem de discursos, de construção de senti-

dos, é a própria cena quem ganha espaço,

quem cresce e o jornalismo sensacionalista

vende. Ao desaprovar moralmente as acid

house parties, os tablóides mostram um pâ-

nico moral que é nada mais que a "metá-

fora que descreve uma sociedade moderna

cheia de medos sobre suas próprias virtu-

des"(Thornton).

Para melhor entender essa relação de con-

flitos entre cultura jovem e mídia, de dis-

cursos, de construção de sentidos, Thornton

pede ao pesquisador que observe: 1. de que

forma o discurso jovem posiciona a mídia?;



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Música pop, e-music, mídia e estudos culturais

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2. como a mídia se instrumentaliza diante



dessa cultura? Thornton quer alertar que na

verdade a juventude se ressente mais se os

mass media aprovam sua cultura: sua cultura

é rebelde e não deve ser aprovada pela mídia,

representante do status quo. Se a juventude

tiver sua cultura rejeitada, aí sim, há radica-

lidade nela. Por outro lado, os estudos cultu-

rais tendem a posicionar, segundo Thornton,

a cultura jovem como "inocente vítimas das

versões negativas da mídia", quando a mí-

dia trata a cultura jovem como qualquer ou-

tro produto de mercado, vendável, enquanto

notícia.

Ela cita o exemplo de como se dá o pâ-

nico moral. Enquanto a BBC londrina afir-

mava através de um dj entrevistado que a

cena acid house nada tem a ver com dro-

gas, o selo de vinil acid tracks descreve o

som como "drug induced", "psychedelic". O

pânico moral se dá sempre na relação entre

mídia e cultura jovem, mas é, significativa-

mente uma estrátégia eficaz de marketing.

A indústria cultural, ao contrário do que se

defendia, gera idéias e incita a própria sub-

cultura. É o caso da disseminação da droga

Ecstase (MDMA) que terminou amplamente

sendo divulgado pela própria mídia, ao ponto

da revista Melody Maker produzir um guia

de uso da droga.

Thornton, na discussão sobre cultura jo-

vem e mídia, afirma que os cultural stu-

dies exageram: vêem de forma estereotipada

os produtos da indústria cultural e exage-

ram a presença da resistência (subculturas),

quando os dois sempre estiveram interdepen-

dentes historicamente. Os mass media tor-

nam as subculturas politicamente relevantes.

O que fica, nessa trajetória dos estudos

culturais em destacar a cultura jovem para

suas análises (desde as abordagens iniciais)

é que os estudos da comunicação humana

tornaram-se definitivamente interdisciplinar

e capaz de pensar, com a ajuda de novos ins-

trumentos teóricos inclusive de outras ciên-

cias e até da arte, todas as atividades huma-

nas como expressões resultantes da relação

entre cultura e comunicação.






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