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ravers acredita(va)m no dogma Plur (peace,

love, unity and respect - paz, amor, unidade e

respeito). A música, "executada"em pick ups

(pratos toca-discos de vinil) por dee jays, en-

volvia os clubbersravers em danças por ho-

ras a fio, numa grande celebração tribal de

alegria e êxtase.

Acontecendo fora das mídias, essa cena

sempre usou suportes de divulgação inde-

pendentes das mídias comerciais. Flyers, te-

lefones móveis, sites, chats, listas de discus-

são na Internet eram - e são - os principais

recursos de divulgação dos eventos e idéias

em torno da música eletrônica, sempre ba-

seados na alta tecnologia. A cena, portanto,

é marcada pelos conceitos do underground

(música experimental sem caráter comercial,

formas alternativas de informação...) até que

foi se tornando - as raves, as technoparties -

uma possibilidade de lucro, um negócio, um

empreendimento. Promoters mais comerci-

ais entram na cena e levam-na para o mains-

tream, para o mercado: as raves passam a

ser produto de consumo e ganham espaço em



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Cláudio Manoel Souza

mídias tradicionais. Se compararmos histori-

camente a trajetória desta cultura nos EUA e

Europa, essas características comerciais es-

tão presente desde o início da cena, con-

forme escreve Stiens:

“A cena rave cresceu nos EUA entre

1993 e 94.

Enquanto as cenas raves

na Inglaterra e Alemanha estavam se

tornando "impérios"comerciais, a cena

americana ainda tinha um idealismo

"fresco". Existem agora raves aconte-

cendo em todo o país, em todos os esta-

dos. A cena rave chegou.”

2

Embora esse aspecto - a comercialização



- não caracterize toda a cena da música ele-

trônica atualmente, mostra, por outro lado,

uma nova face; face essa que traz consigo

o outros públicos e surgimento de novas tri-

bos de ravers, clubbers. Agora, uma década

depois,temos novos contextos, novos dados

em torno do que conhecemos como Cultura

Rave.


Um outro aspecto é que as tribos não exis-

tem apenas e nem se formam estritamente a

partir do dogma paz, amor, unidade respeito

e da música, mas, principalmente, em torno

das vertentes, dos estilos da música eletrô-

nica (house, tecno, trance breakbeats...) -

gerando novos comportamentos e formas de

socialidade. Webzines se especializam em

vertentes. Listas de discussão específicas são

criadas para debater cenas dentro da cena.

Ou seja, surgem e se consolidam novas co-

munidades virtuais em torno da Cultura da

Música Eletrônica; novos agrupamentos flo-

rescem associados especificamente a estilos

da música binária. No artigo Tecno - o fu-

2

tradução nossa



turo acelerado, a jornalista Erika Palomino

identifica e existência de clãs:



"...turmas mais fechadas, grupo de ami-

gos, subgrupos dentro de um subgrupo.

Os clãs frequentam a lugares específicos;

atendem também a determinadas prefe-

rências dentro do próprio tecno; ficam

em lugares pré-estabelecidos por eles

mesmos dentro dos clubes e não se mis-




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