Índice resumo bibliografia Glossário resumo



Baixar 131.7 Kb.
Pdf preview
Página1/10
Encontro06.05.2021
Tamanho131.7 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   10


Música pop, e-music, mídia e estudos culturais

Cláudio Manoel Souza

Universidade Federal da Bahia

Índice

1 Resumo


1

2 Bibliografia

7

3 Glossário



9

1

Resumo

O texto faz um percurso para identificar

desde quando surgiu o interesse do cultural

studies em pensar a música pop(ular), em de-

trimentos de estilos mais "clássicos", discu-

tindo que em torno desta música pop reside

uma cena - um conjuntos de manifestações -

e que essa cena gera novos comportamentos

e construção de sentidos, inclusive na inter-

relação entre mídia e subcultura.

Os estudos culturais desenvolvidos nos

anos 80 e 90, com a "descoberta da subje-

tividade", abriram efetivamente espaço para

aplicação desses estudos às subculturas e à

cultura jovem, com destaque para os temas

da subjetividade, alteridade e diferença, as

análises de recepção e as configurações iden-

titárias.

Stewart Hall estabeleceu as bases entre o

marxisimo e a filosofia da linguagem: pen-

sar a cultura significa pensar a linguagem.

Os estudos culturais, em suas origens, passa

a dar destaque então ao "texto"como tudo

que articula uma expressão física da comu-

nicação. É o signo (semiológico) que em

última instância significa a cultura. Mas o

próprio signo traz subjetividades, não tem

conceito radicalmente fechado em seu sgni-

ficante. Ele depende de interpretações, é po-

licêmico - pois não existe alheio ao contexto.

Há por traz do signo um processo de constru-

çaõ do sentido: o signo é ideológico. Ele só

é signo quando é lido, sob alguma ótica. Os

estudos culturais se voltam aos estudos da re-

cepção: de que forma o leitor ler o signo, que

processo ideológico há no leitor que o levará

a interpretar o signo (policêmico)?

Há, a nosso ver, um avanço fundamental

desses estudos nesse momento, pois retira da

própria linguaguem o poder de bastar em si

mesma, como "expressão física da comuni-

cação"e desloca para o receptor o domínio

(quase total) de fazer essa linguagem existir.

Não são mais os signos apenas; mas se es-

ses signos são reconhecidos e de que forma.

A interpretação é fundamental; mais funda-

mental do que a linguagem ela mesma. As

alteridades, diferenças e manifestações iden-

titárias passam a assumir um posto de des-

taque nos estudos culturais, pois é a partir

dessas pontuações que podemos pensar de

uma forma mais concreta a recepção, a lin-

guagem, a interpretação dos signos.



Cultural studies se tornam mais interdis-

ciplinar e pensam a comunicação sob vários




2

Cláudio Manoel Souza

aspectos, inclusive o antropológico, identifi-

cando a linguagem (e os estudos de recepção

dos signos) com o comportamento de grupos

identitários.

É o caso dos estudos da música popular.

Foi a pesquisadora Sara Cohen em seu ar-

tigo de etnografia (1987) sobre os produ-

tores de "young music"quem atentou para

o comportamento desses jovens que produ-

ziam música pop em Liverpool (UK) durante

os anos 80 - eram mais que 100 bandas pops

em Merseyside. Em seguida, a antropóloga

Ruth Finnegan (1989) também tem sua aten-

ção chamada pela intensa produção cultu-

ral/artística desses jovens. Finnegan levanta

3 questões acerca do envolvimento desses jo-

vens e sua arte: 1 - Ele se firma num corpo

substancial de conhecimento e num ativo

senso de escolha por parte dos músicos e pú-

blico - os quais têm um claro entendimento

das regras do gênero, das histórias, sem hesi-

tação sobre fazer julgamentos do valor e sig-

nificado musical. Ou seja, existe uma cul-

tura presente na "young music"que tem ba-

ses internas, próprias, auto-referente, o que

já levanta a questão de que qualquer discurso

"externo", midiático, sobre a "young mu-

sic"significaria ter uma "aprovação"ou não,

ser submetido a uma leitura da recepção,

nesse caso especializada.

O segundo ponto levantado por Finnegan

(na verdade mais defendido por Cohen) é o

de que as jovens bandas de rock e músicos

colocam um alto valor na "originalidade"e

auto-expressão: a música significa a identi-

dade de cada um. A nosso ver, esse segundo

ponto coloca a idéia de cultura emergente,

fora das mídias tradicionais, nascida fora do

mainstream, quase pessoal de tão identitária

e existencial. Finnegan, enfim, em sua ter-

ceira observação, afirma que a performance

(a apresentação das bandas) é o ponto vital

de seu trabalho, o principal ritual, onde tanto

o público como os próprios músicos assu-

mem enorme importância. É a circunstân-

cia onde acontece a verdadeira experiência






Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   10


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal