Nascido em 7 de fevereiro de 1943 pertence ao corpo docente do



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E o trabalho com Herbert Gutman foi antes...

Foi depois disso. Depois que voltei. Eu estava lecionando na Columbia 

University, mas ela me mandou embora. Basicamente, eles me demitiram, ou 

Revista Brasileira de História, vol. 35, n

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Entrevista: Eric Foner

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me disseram que eu não iria ganhar estabilidade no emprego. Herbert Gutman 

tinha acabado de ser contratado no City College [de Nova York] para renovar 

seu Departamento de História, e ele me ofereceu emprego. Tive sorte, muita 

sorte. Assim, foi nessa ocasião que realmente conheci Gutman. Lecionei por 

10 anos no City College. De 1973 até 1982, algo assim. E Gutman era real-

mente, na época, a figura mais destacada nessa história do trabalho nos Estados 

Unidos e na história social, relacionando as percepções britânicas com a his-

tória dos Estados Unidos. Aprendi uma enormidade com Gutman, trabalhan-

do com ele nessa história social profunda da qual ele era um dos pioneiros. Na 

época, Gutman estava trabalhando em seu livro sobre a família negra (Gutman, 

1977). Mas também fui muito fortemente influenciado – detesto dizer isso 

agora – por Eugene Genovese, que mais tarde enlouqueceu politicamente. Mas 

naquela época ele era realmente o mais importante proponente de uma espécie 

de historiografia marxista americanizada. E Genovese influenciou fortemente 

meu trabalho nesse período. De certo modo, meu primeiro livro foi uma ten-

tativa de fazer para o norte o que Genovese havia feito para o sul – examinar 

a ideologia do antiescravagismo. Ele havia estudado a ideologia do escravagis-

mo. E cheguei a conhecê-lo muito bem. Nos anos 1970, trabalhei no efêmero 

periódico do qual ele foi editor, chamado Marxist Perspectives. Isso foi – sequer 

sei exatamente quando – no final dos anos 1970, suponho. Mas foi uma ten-

tativa de introduzir uma forma de marxismo no discurso intelectual nos 

Estados Unidos. Então eu tinha esses dois. O problema é que Gutman e 

Genovese se odiavam, não queriam falar um com o outro. Assim, tentar ser 

amigo dos dois ou tentar ser influenciado pelos dois era complicado, sabe? Mas 

todas essas influências eram muito fortes na maneira como eu estava escreven-

do história.



Mas, de certa forma, você manteve a mescla da história social com uma espécie 

de abordagem política e cultural...

Bem, de certo modo, é isso que eu tento fazer. E então, quando comecei 

a trabalhar em Reconstruction (Foner, 1988); no fim das contas, esse livro é, 

exatamente, tudo isso junto. Boa parte dele é simplesmente história política, 

história política nacional. E aprendi a fazer isso na Columbia. Mas boa parte 

dele é a história social de ex-escravos, e aprendi a fazer isso com Hobsbawm, 

Thompson e Gutman. Mas ele tem também – não sei como se chamaria isso 

– uma “análise de classe” muito forte dos acontecimentos. E isso eu tenho de 

Genovese. Portanto, é uma combinação dessas várias influências que tinham 

me afetado durante 20 anos àquela altura da pesquisa. Assim, aspirava a ser o 

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Hebe Mattos e Martha Abreu

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que, na época, estávamos chamando de “síntese de tudo junto”, história polí-

tica, história social, história econômica, história intelectual. Isso nunca é pos-

sível, mas foi uma tentativa de fazer tudo isso, em vez de dizer: faça isto, faça 

aquilo, faça esta parte aqui, aquela parte lá. Porque uma das coisas que aprendi 

com Genovese foi que a escravidão era um sistema total. E a abolição da escra-

vatura significou que todo um sistema novo tinha de ser criado. Então, era 

necessário examinar todas essas outras dimensões. Não se tratava apenas de 

um conflito político, de um conflito em torno do trabalho, de um conflito 

racial – era tudo isso. Todas essas coisas juntas. Portanto, era preciso examinar 

todas elas. Foi isso que tentei fazer.






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