Nascido em 7 de fevereiro de 1943 pertence ao corpo docente do



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E você participou?

Um pouco. Eu realmente não participei tanto assim. Eu era velho demais 

a essa altura. A verdadeira linha de frente eram os alunos de graduação. Nós, 

alunos de pós-graduação, fizemos algumas coisas, mas éramos muito mode-

rados em comparação com os jovens alunos de graduação. Mas essa foi uma 

época muito movimentada para estudar história porque, como disse, a socie-

dade toda estava em tumulto. Isso também influenciou meu interesse dura-

douro por movimentos sociais, movimentos radicais. Meu segundo livro, após 

minha tese, foi sobre Thomas Paine e a Revolução Americana (Foner, 1976). 

Interessei-me por isso por causa de toda a sublevação social que ocorria na 

sociedade.

Há pouco você mencionou que foi para a Inglaterra. Em “My Life as a Historian” 

(Foner, 2002, cap. 1) você cita quatro historiadores conhecidos com os quais 

esteve em contato ou pelos quais foi influenciado entre o final dos anos 1960 e 

Revista Brasileira de História, vol. 35, n

o

 69  


  p.343-363




Hebe Mattos e Martha Abreu

348


o início da década de 1970: Winthrop Jordan, E. P. Thompson, Eric Hobsbawm 

e Herbert Gutman. Você se encontrou com Thompson ou Gutman durante essa 

época em Oxford?

Quando fui para a Inglaterra, em 1963-1965, li Thompson, mas isso ainda 

não tinha penetrado muito na formação em Oxford. E em meu livro com a tese 

de doutorado, que foi o primeiro, havia muita histórica política, história ideo-

lógica, mas muito pouca história social (Foner, 1995[1970]). Era, em grande 

parte, uma tese de doutorado da Columbia University. Columbia – e aqui me 

refiro ao próprio Hofstadter – era muito forte nessa história política, intelec-

tual, ou cultura política, como se poderia chamá-la. E aprendi uma enormidade 

com Hofstadter sobre a maneira de estudar ideias políticas, que é realmente o 

assunto da tese. Acho que foi um bom livro, e é disso que ele tratava. Mas 

depois de isso ter terminado, e depois de eu ter lecionado alguns anos, consegui 

ganhar uma bolsa para ir à Inglaterra. Isso foi no início da década de 1970, e, 

na verdade, eu queria escrever um livro sobre o radicalismo americano. E es-

tava começando com Thomas Paine. No fim das contas, Thomas Paine preen-

cheu o livro todo. Mas quando eu estive lá, de 1972 para 1973, foi que realmente 

me encontrei com Hobsbawm, Thompson, George Rudé e o trabalho deles – 

história social da Grã-Bretanha, a versão britânica da historiografia marxista. 

Participei do seminário que Hobsbawm estava dando em Londres. E realmente 

me reeduquei lá, ou ampliei minha formação. Em outras palavras, a história 

social havia surgido recentemente – a história de baixo para cima, como era 

chamada. Assim, meu livro sobre Tom Paine é sobre ideias, mas também sobre 

história social, de uma forma que meu primeiro livro não era. Eu fui muito 

influenciado por essa forma britânica de história radical na historiografia, de 

modo que meu livro sobre Paine fala sobre o papel dele entre os artesãos, os 

artesãos radicais, tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, e tenta radi-

cá-lo nesse conflito social, um pouco mais do que meu primeiro livro tinha 

feito. Realmente nessa época, nos anos 1970, é que fui muito influenciado pelo 

que acho que se chamaria de historiografia marxista britânica – Christopher 

Hill também. Eu realmente não tinha me defrontado tanto assim com eles 

quando estudei em Oxford. Isso aconteceu 7 ou 8 anos mais tarde, quando 

voltei à Inglaterra.




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