Nascido em 7 de fevereiro de 1943 pertence ao corpo docente do



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Eric Foner (born February 7, 1943) is a 

faculty member of the Department of 

History at Columbia University since 

1982. Foner is the leading contempo-

rary historian of the post-Civil War Re-

construction period, having written Re-



construction: America’s Unfinished 

Revolution, 1863-1877, winner of many 

prizes for history writing, and more 

than ten other books on the topic. His 

free online courses on “The Civil War 

and Reconstruction,” published in 2014, 

are available at the website ColumbiaX. 

In 2011, Foner’s The Fiery Trial: Abra-

ham Lincoln and American Slavery won 

the Pulitzer Prize, Lincoln Prize, and the 

Bancroft Prize. In 2000, he was elected 

president of the American Historical 

Association.

Ao ler seu ensaio “My Life as a Historian” [Minha vida como historiador] (Foner, 

2002, cap. 1), fiquei sabendo da importância de seu pai e de seu tio [Jack e Philip 

Foner] e do chamado radicalismo de esquerda da primeira metade do século XX 

* Universidade Federal Fluminense (UFF), Centro de Estudos Gerais, Instituto de Ciências Humanas e 

Filosofia. Niterói, RJ, Brasil. hebe.mattos@gmail.com 

** Universidade Federal Fluminense (UFF), Centro de Estudos Gerais, Instituto de Ciências Humanas 

e Filosofia. Niterói, RJ, Brasil. marthabreu@terra.com.br 

Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 35, nº 69, p.345-363, 2015  

http://dx.doi.org/10.1590/1806-93472015v35n69016

Entrevista

Eric Foner

Columbia University, Nova York, 28 de março de 2014

Hebe Mattos* 

Martha Abreu **

Transcrição: Kristin McGuire; Tradução: Luís M. Sander.

1



Hebe Mattos e Martha Abreu

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em sua primeira abordagem da história. Em outro ensaio do mesmo livro, “The 

Education of Richard Hofstadter” [A formação de Richard Hofstadter], fiquei 

sabendo a respeito de seu orientador de doutorado na Columbia University. Você 

poderia nos falar um pouco sobre eles e a influência deles sobre sua formação?

Eu me criei nos anos 1950, basicamente naquilo que chamamos de velha 

esquerda, pessoas que tinham ligações com o Partido Comunista. Algumas já 

tinham saído, outras ainda tinham uma postura de simpatia; mas esse era um 

pequeno mundo na era do macarthismo. Era um mundo quase secreto e muito 

à parte. Havia uma atitude mental muito anticomunista, muito antiesquerdista 

no país. Mas esse era um mundo à parte onde, ao nos criarmos, tomamos 

conhecimento de coisas como as questões de raça nos Estados Unidos, a situa-

ção dos negros no país. Esse era um assunto sobre o qual ninguém falava, 

realmente; nenhuma pessoa branca falava sobre isso. Mas, em certo sentido, 

eu simplesmente aprendi de meu pai um modo diferente de pensar sobre a 

história dos Estados Unidos, em que a raça era o problema fundamental do 

país, em que os movimentos radicais eram tremendamente importantes na 

mudança da sociedade americana. Naquela época, na escola, só se ouvia falar 

de presidentes, magnatas que enriqueceram ilicitamente, diplomatas e esse tipo 

de coisas. Meu tio Philip Foner foi um historiador muito prolífico. Ele criou 

Frederick Douglass. Em 1950, mais ou menos, compilou quatro volumes – e 

naquela época ninguém jamais tinha ouvido falar de Frederick Douglass. 

Literalmente, ele não existia. Não constava em nenhum livro-texto de história 

dos Estados Unidos. Hoje em dia, todo livro-texto fala de Frederick Douglass. 

Mas meu tio o publicou na época, reuniu seus textos, reuniu seus discursos e 

ajudou as pessoas a se darem conta de que ele tinha sido uma figura significa-

tiva e brilhante. E, naturalmente, eles falavam sobre história dos trabalhadores, 

história dos afro-americanos e história das mulheres. Hoje em dia essas coisas 

são totalmente normais e comuns, mas naquela época estavam bem à margem. 

A pesquisa não lidava muito com isso. Eu me criei naquele mundo, embora 

não tivesse a intenção de ser historiador. Quando fui para a universidade, 

queria ser cientista, não historiador. Mas o que eu sabia de história era muito 

diferente do que normalmente se aprendia em uma sala de aula usual naquela 

época. E depois, quando eu estava na universidade, o movimento pelos direitos 

civis realmente começou. Não, na verdade ele não começou, já existia. Só que 

a fase militante do movimento pelos direitos civis começou em 1960, com os 

protestos [chamados sit-ins] de jovens estudantes negros. Eles se tornaram a 

linha de frente da mudança na época. E muitos de nós que estudávamos na-

quela época e estávamos interessados em história começamos a voltar nossa 

Revista Brasileira de História, vol. 35, n

o

 69  


  p.343-363




Entrevista: Eric Foner

347


atenção para a pergunta a respeito da origem disso na vida dos Estados Unidos, 

a respeito da história das questões de raça, da história da escravidão e do abo-

licionismo, e a tentar encontrar o que chamamos de passado utilizável, um 

passado que pudesse explicar o presente. Porque o tipo de história que eu tinha 

aprendido no ensino médio dizia basicamente que os Estados Unidos tinham 

nascido perfeitos e vêm melhorando desde então. Assim, isso não exatamente 

explicava por que o país estava desmoronando, o tumulto, os problemas da 

sociedade. Havia necessidade de uma historiografia diferente, que pudesse 

efetivamente levar até o presente. E na universidade, aqui na Columbia, tive 

aulas com James Shenton, um ótimo professor que estava muito comprome-

tido com essas questões da escravidão e da raça. E é dessa maneira que acabei 

me interessando por essa área que venho estudando de algum modo ao longo 

da maior parte de minha trajetória. Portanto, acho que o mundo em que me 

criei e o mundo que me cercava quando fui estudante moldaram a maneira 

como olho a história, de muitas formas.

Depois que me formei aqui na Columbia University, fui para a Inglaterra 

por 2 anos, para Oxford, onde estudei basicamente história da Europa. E de-

pois voltei e fiz meu doutorado aqui com Richard Hofstadter como orientador. 

É claro que essa também foi uma época muito, muito volátil. Estive aqui entre 

1965 e 1969. Esse foi o ápice do movimento contra a guerra [do Vietnã], das 

revoltas estudantis, do 68 da Columbia University, em que os estudantes to-

maram conta da universidade e ocuparam prédios. Bem, você conhece isso.






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