Na década de 80 o Brasil abriu suas portas para reflexões acerca da acessibilidade graças a movimentos sociais organizados por grupos de pessoas com deficiência


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partir  daí,  o  assunto  cresce  continuamente  em  importância  nas  mesas  de 

debate,  nas  pranchetas  e  nas  esferas  legislativas  quando  promulgado  o 

Decreto  nº  5.296/2004,  pelo  governo  federal,  que  cita  em  seu  conteúdo  a 

norma e torna obrigatório o seu uso. (ORNSTEIN, PRADO, LOPES, 2010) 

 

A  história  modificou  seu  curso  quando  a  1ª  década  do  século  XXI 



confirmou  duas  tendências  demográficas:  a  primeira  é  a  urbanização,  a 

segunda  é  o  fato  do  envelhecimento  dessa  população.  Hoje,  mais  da  metade 

da  população  mundial  vive  na  cidade  e  esse  número  não  para  de  crescer, 

principalmente,  nos  países  em  desenvolvimento  como  o  Brasil,  conforme 

apontam as pesquisas da UNFPA - United Nations Population Fund

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 ao estimar 



que em 2030, cerca de três em cada cinco pessoas viverão em cidades.  

 

Paralelamente, há uma tendência, também mundial, de envelhecimento 



da população levando a Organização das Nações Unidas 

– ONU, a considerar 

o  período  de  1975  a  2025  como  a  “Era  do  Envelhecimento”.  O  aumento  da 

expectativa de vida é descrita em números avassaladores 

– “33,7% no início do 

século, 66,25% em 1995, 69,0% em 2000, 72,0% em 2005 e podendo alcançar 

77,08% em 2025” (MINAYO, 2006).  

 

Estes  números  são  facilmente  percebidos  nos  países  desenvolvidos 



onde  a  proporção  adulta  mais  velha  equivale  a  dos  grupos  mais  jovens  em 

cerca  de  80%,  nas  cidades.  Nos  países  em  desenvolvimento  o  volume  de 

pessoas idosas nas cidades aumentará 16 vezes, passando de 58 milhões em 

1998  para  908  milhões  em  2050  (NEPE,  2010),  sendo  o  equivalente  a  um 

quarto da população urbana total de países como o Brasil.  

 

Esta longevidade conquistada retira o idoso da situação de aposentado 



e  o  coloca  como  recurso  para  a família,  para  comunidade  e  para a  economia 

desde  que  as  cidades,  os  ambientes  e  as  comunidades  atendam  sua 

necessidade  de  viver  em  meios  envolventes  que  proporcionem  autonomia, 

                                                 

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 Disponível em:   em 21/08/2009.



 


 

 

 



apoio  e  capacitação  a  fim  de  compensar  as  mudanças  físicas  e  sociais 

associadas ao envelhecimento (OMS, 2009).  

Em termos gerais, as características do envelhecimento são: 

 

Universal 



– porque é para todos, 

 

Contínua 



– porque não para, 

 

Irreversível 



– porque não retrocede e 

 

Diferenciada 



–  porque  todas  as  pessoas  envelhecem  de  formas 

distintas. (DI VÉROLI, SCHMUNIS, 2008, p. 15.) 

 

Temos  então  um  quadro  maior  de  necessidades  a  serem  atendidas 



pelas normas técnicas visto que, envelhecer é inevitável, irreversível e contínuo 

para todos nós e precisamos nos preparar para este processo.  

 

Então,  a  mudança  no  quadro  demográfico  e  a  crescente  compreensão 



sobre  as  deficiências  e  suas  necessidades,  deixam  claro  que  as  normas 

técnicas  precisam  de  nova  revisão.  E  o  Comitê  Brasileiro  de  Acessibilidade 

– 

CB-40,  da  ABNT  em  conjunto  com  técnicos,  empresas  e  sociedade,  trabalha, 



ainda hoje, na reformulação da norma NBR 9050/2004 e provavelmente, estará 

disponível em 2011. Todo esse trabalho deve ser agregado ao reconhecimento 

do direito igual dentro da diferença entre as pessoas que estamos aprendendo 

a entender. 

 

Além  disso,  tem  sido  crescente  a  cooperação  entre  a  ABNT  e 



organismos  internacionais  de  normatização  técnica,  além  dos  debates  e 

estudos  das  implicações  de  acessibilidade  no  campo  virtual,  canalizando 

esforços  para  o  desenvolvimento  de  novas  normas  sobre  a  temática  da 

informação e inclusão digital.  

 

Assim,  poderíamos  repetir  o  que  popularmente  ouvimos 



–  “o  céu  é  o 

limite”  para  a  construção  da  acessibilidade  no  Brasil  que,  pela  qualidade 

técnica  das  nossas  normas,  não  resta  dúvida  do  sucesso  a  ser  alcançado  e 

que  o  material,  já  publicado  sobre  acessibilidade,  é  suficiente  para  orientar  a 

aplicação  das  normas  em  projetos  e  construções,  resultando  em  espaços 

favoráveis a acessibilidade. 




 

 

 



Acessibilidade: Possibilidade e condição de alcance, percepção 

e  entendimento  para  a  utilização  com  segurança  e  autonomia 

de  edificações,  espaço,  mobiliário,  equipamento  urbano  e 

elementos. (ABNT, 2004, p. 2)  

Depois  de  percorrermos  o  caminho  da  acessibilidade,  precisamos 

pensar  na  sua  aplicação.  Cabe  ao  arquiteto  desenvolver  projetos  construtivos 

com um sistema integrado de previsão que o obriga a antecipar situações que 

podem  não  existir  no  presente,  mas  em  um  futuro  mais  ou  menos  próximo. 

Então  ao  projetar  uma  casa  para  um  jovem  casal,  deveria  ser  antecipada  a 

necessidade  de  circulação  de  um  carrinho  de  bebê  para  um  futuro  próximo  e 

uma  cadeira  de  rodas  para  a  velhice  na  pior  situação  de  um  futuro  distante. 

Este arquiteto tem o amparo das normas de acessibilidade para guiá-lo nessa 

tarefa.  

 

Estamos falando de uma situação ideal de projeto com responsabilidade 



social que evitaria gastos de reformas futuras ou mesmo abandono da casa por 

falta de condições de acessibilidade. A realidade diante da deficiência e velhice 

no Brasil é carente de recursos como comprova o  estudo SABE

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, cerca de 50 



%  dos  idosos  entrevistados  disseram  não  ter  recursos  econômicos  para 

satisfazer suas necessidades diárias que dirá adaptar sua habitação. 

 

Porém,  enfrentamos  dois  problemas.  Um  deles  é  que  ao  projetamos 



prevendo  a  acessibilidade  ficamos  presos  em  normas  técnicas  cumprindo  a 

tarefa  de  pensar  os  espaços  para  as  pessoas  idosas  e/ou  pessoas  com 

deficiências,  a  partir  de  orientações  normativas  ou  determinações  técnicas 

específicas a cada necessidade e isso nos leva a uma arquitetura de ortopedia.  

(FRANK, 1998). 

 

Chamamos  a  atenção  para  a  indústria  que poderia  abrir  seu  campo  de 



trabalho  no  desenvolvimento  de  instrumentos  de  auxílio  a  deficiência  com 

potencial  estético  que  evitaria  o  aspecto  de  hospital  na  casa  de  um  jovem 

casal. Ou produtos que fossem passíveis de mudanças sem quebras ou trocas, 

somente  ajustes  para  melhor  atender  a  situação  atual  de  necessidade  do 

indivíduo. Falamos aqui de produtos, projetos e construções dentro do conceito 

de  “Vida  Toda”,  ou  seja,  que  acompanham  cada  fase  da  vida  do  usuário 

                                                 

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 Estudo SABE – Salud, Bienestar y Envejecimiento dirigido pela OPS (Organización Panamericana de la 



Salud) 


 

 

 



adaptando as necessidades do momento sem grandes prejuízos emocionais ou 

materiais. 

 

O  outro  problema  é  o  uso  de  elementos  compensatórios  da  deficiência 



que  não  garantem,  na  maioria  dos  casos,  uma  solução  igualitária,  como  por 

exemplo,  uma  plataforma  que  substitui  as  escadas  centrais  de  acesso  ao 

edifício,  resolve  o  problema  de  entrar  no  prédio,  mas  não  conserva  o  valor  e 

direito  que  toda  pessoa  tem  de  entrar  pela  porta  principal.  Isso  quando  a 

plataforma esta disponível para uso e não com a chave no bolso do segurança. 

 

Enfim,  os  espaços  urbanos,  sejam  públicos  ou  privados,  combinam 



construção  física  e  atores,  falamos  então,  de  uma  arquitetura  acessível 

baseada  em  normas,  mas  que  também  deverá  conter  elementos  filosóficos, 

éticos,  sociais,  dados  referentes  ao  comportamento,  saúde,  ergonomia  e 

espacialidade  em  relação  ao  idoso  e  a  pessoa  com  deficiência  que  levará  o 

profissional  a  projetar  espaços  que  possam  ser  ocupados  por  todos  ou 

facilmente adaptados aos seus ocupantes.  

 




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