Mulheres e feminismo no Portugal Moderno (1899-1913)



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Considerações finais
Com todas essas mudanças implementadas a partir da colaboração de Ana de Castro Osório, como a discussão constante da questão feminista e republicana, a ligação cultural entre a colônia lusa e o Brasil, a atração de outras colaboradoras, a discussão cosmopolita do tema, o jornal dos imigrantes se tornou também um órgão de divulgação da propaganda feminista. Até mesmo redatores e colaboradores começaram a discutir o tema nessa folha, defendendo uma maior participação das mulheres e mesmo a busca por uma situação mais igualitária. A essa presença na imprensa periódica, Ana aliou a rede de sociabilidade que ela articulou durante sua estada no Brasil, de modo a ampliar seu reconhecimento como autora e a conquistar mercado para seus livros.

A nova república portuguesa defendida por Ana de Castro Osório junto aos imigrantes era a materialização da liberdade do povo português. Com o novo regime vieram algumas leis que melhoraram as condições sociais das mulheres, mas não era suficiente. A plena emancipação ainda dependia de luta. Sua propaganda republicana não era pelo partido, mas pela possibilidade de novas conquistas feministas que o novo sistema de governo promoveria.



Por seu histórico na imprensa periódica e na propaganda feminista, Ana sabia que seu discurso não deveria ser um ataque frontal à nação. O que ela fez no jornal carioca foi reconstruir o imaginário da comunidade lusa, valorizando o perfil de independência do povo português, algo já valorizado pela própria data de fundação do Portugal Moderno, 1 de dezembro, aniversário da restauração da independência. A essa imagem ela associou a luta republicana e uma história de participação política das mulheres, oculta e pressionada durante a monarquia, incentivada e aberta na nova situação. Assim, em meio à colônia de imigrantes portugueses no Brasil, Ana de Castro Osório amplificou a participação de escritoras na imprensa periódica e discutiu temas como o divórcio, o sufrágio feminino e uma equiparação legal entre homens e mulheres. Ela e outras mulheres que ela agregou deram passos importantes na longa e árdua luta por uma sociedade mais igualitária. Por isso, é preciso recordar uma de suas frases, retirada do artigo “As mulheres nas leis da República Portuguesa”, do número especial do Portugal Moderno de 5 de outubro de 1913, comemorativo do terceiro aniversário da proclamação da república em Portugal: “Os povos só se libertam por si mesmos, e às mulheres há de suceder o mesmo”.
Fontes
No setor de Publicação Seriadas da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro:
Portugal Moderno: orgam portuguez no Brasil. Rio de Janeiro: 1899-1913.

O Juquinha. Rio de Janeiro: 1912-1913.

O Paiz n.º 8299. Rio de Janeiro: 24 jun. 1907.
No setor de reservados da Biblioteca Nacional de Portugal:
Espólio da Família Castro Osório, Correspondência de Ana de Castro Osório.

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