Monografia situaçÕes que mimetizam avc



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III. OBJETIVO 



 

 

 Identificar  e  descrever  as  principais  situações  clínicas  que  podem  mimetizar  o 

AVC. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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III.  FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 



 

 

IV.1 Acidente vascular cerebral  

 

IV.1.1 Características clínicas e epidemiológicas 

 

O  acidente  vascular  cerebral  (AVC),  ou  ainda  acidente  vascular  encefálico  (AVE), 

pode ser definido como disfunção cerebral focal de início agudo e duração superior a 24 horas 

levando à morte, sem causa aparente que não de origem vascular (Gomes, 1998). No mundo, 

segundo a OMS, é a segunda causa mais comum de morte em países de média e alta renda, e, 

segundo o DATASUS, a principal causa de morte no Brasil. 

Atualmente se tem conhecimento de vários fatores de risco para AVC,  dentre eles os 

fatores  modificáveis  e  os  não  modificáveis.  Os  principais  fatores  em  cada  categoria  são:  1. 

modificáveis - hipertensão, principal fator de risco no Brasil; um estudo mostrou que 85% dos 

pacientes  com  AVC  são  hipertensos  (Charles,  2000),  diabetes  mellitus,  importante  fator  de 

risco,  principalmente  para  infarto  cerebral  aterotromboembólico  (Charles,  2000),  fumo  tem 

efeito  sinérgico  ao  da  hipertensão  e  do  diabetes  e  efeito  causal  direto  na  aterosclerose, 

fibrilação  atrial  (FA),  risco  aumentado  de  quatro a  cinco  vezes;  2.  não  modificáveis:  raça  e 

fatores sócio-econômicos, é difícil dimensionar a influência individual de cada um desses dois 

fatores,  embora  tenha-se  visto  que,  tanto  incidência,  quanto  mortalidade  por  AVC,  foram 

maiores  em  negros,  do  que  em  brancos  e  em  pessoas  com  história  familiar,  principalmente 

para hemorragia subaracnóidea (Charles, 2000). 

O AVC pode ser categorizado em dois grandes grupos: anóxico-isquêmicos (AVCi) - 

resultado  da  falência  vascular  para  suprir  adequadamente  o  tecido  cerebral  com  oxigênio  e 

substratos - e hemorrágicos (AVCh) - resultado do extravasamento de sangue para dentro ou 

para o entorno das estruturas do sistema nervoso central (Charles, 2000). 

No Brasil, estudo realizado numa população de  idosos  mostrou que 62,2% dos AVC 

foram  isquêmicos,  9,8%  hemorrágicos,  e  28%  não  especificado  (Pereira,  2009).  Num  outro 

estudo,  realizado  com  pacientes  atendidos  consecutivamente  num  Hospital  de  emergência, 

mostrou  que  74,7%  dos  pacientes  tiveram  AVCi,  e  25,3%,  AVCh  (Martins,  2007).  Nos 

Estados  Unidos,  87%  dos  AVC  são  isquêmicos  ou  de  causas  não  definidas,  e  os  13% 

restantes, são hemorrágicos

 

(Yew, 2009). 




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Os  AVCi  se  devem  a  uma  diminuição  ou  bloqueio  completo  do  fluxo  sanguíneo 



cerebral,    resultando  em  dano  cerebral  (Caplan,  2009).  Várias  são  as  causas  possíveis  de 

desenvolvimento de um  AVCi, e  se costuma classificar  isquemia cerebral  em três principais 

subtipos, cujo tratamento e desfecho são diferentes, a saber: trombose,  que de forma geral se 

refere a uma obstrução arterial local gerada in situ, como aterosclerose; embolismo, refere-se 

a uma obstrução arterial local gerada à distância, como um trombo gerado no coração de um 

paciente com Fibrilação atrial e hipoperfusão sistêmica (Caplan, 2012). 

A trombose pode ser devida à obstrução de grandes  vasos, podendo ser extracranial, 

como  uma  aterosclerose  na  carótida  interna  ou  intracranial.  A  obstrução  de  pequenos  vasos 

intracraniais  pode  se  dar  por  dois  mecanismos:  lipohialinose  (principalmente  em  pacientes 

hipertensos)  e  degeneração  fibrinóide;  ou  formação  de  ateroma  na  origem  arterial,  ou  na 

artéria que a origina (Caplan, 2012). 

AVCi embólico costuma ter inicio abrupto, pela impactação do êmbolo, com sintomas 

variando  conforme  a  região  acometida,  podendo  ocorrer  flutuação  dos  sintomas  ou  até 

melhora radical dos sintomas, caso o êmbolo se movimente. Atualmente costuma ser dividido 

em quatro categorias: aqueles de fonte cardíaca conhecida; aqueles de possível fonte cardíaca 

ou aórtica, baseada em achados na ecocardiografia transtorácica e/ou transesofágica; aqueles 

de fonte arterial (embolismo artéria-artéria); aqueles de fonte desconhecida, mesmo depois de 

exames que busquem a fonte do embolismo (Caplan, 2012).  

Na  hipoperfusão  sistêmica,  os  sintomas,  tipicamente,  são  difusos,  o  que  já  traz  uma 

diferença  para  as  outras  duas  categorias  de  AVCi,  que  apresentam  caracteristicamente 

sintomas  focais.  Várias  situações  clínicas  podem  levar  a  um  hipofluxo  sanguíneo  corpóreo, 

dentre  elas:  arritmias,  Infarto  Agudo  do  Miocárdio  (IAM),  tromboembolismo  Pulmonar 

(TEP),  derrame  pericárdico,  sangramento.  Nesses  casos;  a  maioria  dos  pacientes  apresenta 

evidências de comprometimento circulatório, como taquicardia ou bradicardia, hipotensão ou 

hipofluxo urinário (Caplan, 2012). 

Os AVCh, são divididos em duas principais categorias, baseadas em sua localização: 

intracerebral,  que  se  refere  ao  sangramento  diretamente  no  parênquima  cerebral,  ou 

subaracnóideo, que se refere ao sangramento para o LCR, dentro do espaço subaracnóideo. 

Hemorragia  intracerebral  (HI)  é  comumente  originada  em  arteríolas,  e  como  o 

sangramento vai direto para o cérebro se forma um hematoma localizado que tende a espalhar 

pelo parênquima cerebral. O acúmulo de sangue se dá de minutos a horas após o rompimento 

do vaso e o hematoma tende a aumentar de forma centrífuga até que a pressão intracraniana 

chegue ao limite ou o sangue seja drenado pelos ventrículos cerebrais, ou passe para o LCR 



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ou para a superfície cerebral. As causas mais comuns de HI são: hipertensão, trauma, diátese 



hemorrágica,  deposição  amiloide,  uso  de  drogas  ilícitas,  como  cocaína,  e  malformações 

vasculares.  Os  sintomas  dependem  da  região  acometida  e  costumam  se  iniciar  de  forma 

gradual, minutos ou horas após o inicio do sangramento, o que contrasta com os sintomas da 

hemorragia  subaracnóidea  (HSA),  que  comumente  aparecem  de  forma  abrupta.  Pequenas 

hemorragias  podem  apresentar-se  assintomáticas,  mas  quanto  maiores,  maior  a  chance  de 

apresentar sintomas como dor de cabeça, vômitos e rebaixamento do nível de consciência e 

maior a taxa de morbi-mortalidade (Caplan, 2012).  

A  hemorragia  subaracnóidea  (HSA)  apresenta  duas  principais  fontes:  1.  rompimento 

de  aneurismas  (85%  dos  casos)  em  artérias  da  base  do  cérebro  e  2.  sangramento  de 

malformações vasculares  na superfície cerebral (Yew, 2009). Caso o sangramento seja  fruto 

da ruptura de um aneurisma, o sangue se mistura ao LCR, levando rapidamente a um aumento 

da Pressão Intracaniana (PIC);  esse sangramento costuma durar pouco tempo, mas a chance 

de um novo sangramento é alta.  

Como  já  comentado,  os  sintomas  ocorrem  de  forma  abrupta,  já  que  a  PIC  aumenta 

rapidamente  pela  mistura  do  sangue  com  o  LCR,  podendo  levar  a  déficits,  como  perda  de 

memória. Dor de cabeça aparece em  virtualmente todos os casos, tem  forte  intensidade  e se 

espalha  por  toda  a  cabeça,  podendo  irradiar  para  a  nuca  ou  até  para  as  costas  e  membros 

inferiores. Não é comum a ocorrência de déficit  focal, a  menos que ocorra uma  hemorragia 

intracerebral concomitante, caracterizando a hemorragia  meningocerebral. Em comparação à 

HI,  a  dor  de  cabeça  no  início  do  quadro,  é  mais  comum  na  HSA;  em  comparação  com  os 

AVCi,  esta  dor  de  cabeça  é  associada  a  vômito  (entidade  comum  em  HSA),  que  é  bastante 

incomum em AVCi. Uma dor de cabeça de forte intensidade e inicio abrupto pode ser o único 

sinal de uma HSA minor, que precede uma HSA major (dor de cabeça sentinela), por isso tem 

sempre de ser valorizada (Caplan, 2012). 

 




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