Monografia situaçÕes que mimetizam avc


QUADRO 1 - Diagnóstico da Enxaqueca segundo “International Classification of



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QUADRO 1 - Diagnóstico da Enxaqueca segundo “International Classification of 

Headache Disorders” 

 



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VI.2.2 Convulsões 



 

A  convulsão  pode  ser  definida  como  uma  atividade  muscular  anormal,  associada  a 

alterações de comportamento ou inconsciência, causada por atividade anormal do cérebro. A 

epilepsia é caracterizada por crises  convulsivas recorrentes devido a uma desordem cerebral 

determinada geneticamente ou adquirida (Chang, 2003). Qualquer outro distúrbio convulsivo, 

como o que pode ocorrer numa alteração metabólica, num distúrbio neurológico agudo como 

AVC ou encefalite, não são considerados convulsões epiléticas. Existem, ainda, as crises não 

epilépticas  que  são  mudanças  bruscas  de  comportamento  que  se  assemelham  a  ataques 

epilépticos,  mas  não  estão  associados  com  as  mudanças  neurofisiológicas  típicas  que 

caracterizam as crises epilépticas (Vossler, 1995). 

A incidência de crises convulsivas é alta, 9% da população apresentará ao menos uma 

crise ao longo da vida. A recorrência de ataques é bastante variável, entre 27% - 71%, mas se 

admite que a taxa de recorrência em oito anos é menor do que 50% (Carvalho, 2002). 

A epilepsia é caracterizada clinicamente por alterações subjetivas ou comportamentais 

súbitas (crises epilépticas) com tendência a se repetirem ao longo da vida do paciente (Costa, 

1998). A prevalência de epilepsia na comunidade é de 1%, mas a maioria, cerca de 70% dos 

indivíduos,  quando  tratados  adequadamente  com  drogas  antiepilépticas,  tem  suas  crises 

completamente controladas (Costa, 1998). 

A  classificação  do  tipo  de  epilepsia  é  baseada  em  dois  aspectos  principais:  a 

localização cortical de origem e a alteração ou não da responsividade do paciente ao ambiente 

durante a crise. Desta forma, classifica-se a epilepsia em crise focal ou parcial, se esta deriva 

da disfunção de uma área  localizada; crise generalizada  se acomete  múltiplas áreas corticais 

em ambos os hemisférios; e simples, caso o paciente mantenha a responsividade preservada, 

ou  complexas  se  o  paciente  apresentar  alterações  na  responsividade  ao  ambiente.  A 

combinação das duas classificações é o mais usado atualmente (Costa, 1998). 

As  crises  parciais  simples  (CPS)  podem  ser  do  tipo  motor,  sensitivo/sensorial, 

autonômico  ou  psíquico,  mas  por  definição,  em  nenhum  dos  casos  pode  haver  alteração  na 

responsividade do paciente. Exemplos  comuns de CPS são:  motoras  –  movimentos clônicos 

de uma extremidade corporal; sensitiva – parestesia em uma extremidade ou flashs luminosos; 

autonômicas - sensações súbitas  na região epigástricas, como peso ou mal estar; psíquicas  – 

sensação de familiaridade com uma cena ou situação (Déjà-vù), ou sensação súbita de medo 

imotivado, acompanhado de facies de medo ou pavor (Costa, 1998). 




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As  crises  Parciais  Complexas  (CPC)  são,  via  de  regra,  CPS  que  após  algum  tempo 



passaram a cursar com comprometimento da responsividade:  olhar  vago e distante, ausência 

de  resposta  a  comandos  verbais  e  bloqueio  na  memória,  com  consequente  esquecimento  do 

ocorrido. As manifestações motoras são baseadas em automatismos, como engolir, mastigar, 

lamber-se,  esfregar  as  mãos  uma  na  outra,  todas  sem  propósito  e  repetitivamente.  Após  o 

término da crise, o paciente pode apresentar-se confuso e letárgico, durante minutos ou horas 

(período  pós-ictal), situação que permite distinguir as alterações comportamentais da  CPC  e 

da crise de ausência (Costa, 1998). 

Crises Generalizadas (CGEN) são definidas pelo acometimento simultâneo de grande 

parte ou mesmo da totalidade dos hemisférios cerebrais, podendo a crise iniciar-se já de forma 

generalizada  (primariamente  generalizada),  ou  iniciar-se  como  uma  crise  focal,  que  evolui 

para crise generalizada (secundariamente generalizada). Quatro são os tipos mais comuns de 

CGEN:  1.  crises  generalizadas  tônico-clônicas  (CGTC),    as  mais  facilmente  reconhecíveis, 

caracterizadas  pela  contração  inicial  das  musculaturas  axial  e  apendicular,  seguida  de 

interrupções  intermitentes  dessas  contrações  (nesse  tipo  ocorrem  os  episódios  em  que  os 

pacientes reviram os olhos e/ou mordem a língua); 2.  crises de ausência, as mais comum que 

por  definição  são  episódios  em  que  cessa  a  atividade  motora  do  paciente,  deixando  o  olhar 

parado  e  distante,  durando,  na  maioria  das  vezes,  alguns  segundos,  às  vezes  associado  a 

tremores  na  boca  ou  piscamento,  não  ocorrendo  o  período  pós  ictal;  3.  crises  mioclônicas, 

breves abalos musculares, geralmente envolvendo as raízes das extremidades, em especial dos 

MMSS  e  com  acometimento  bilateral  e  simétrico,  se  acompanha  de  sensação  de  sustos  ou 

choques  elétricos  –  em  geral,  preciptados  por  uso  de  álcool,  privação  de  sono,  estresse 

emocional  e  estímulos  luminosos  e  4.  drop  attacks,  nos  quais  o  paciente  sofre  de  quedas 

abruptas,  e  está  associado  com  um  pior  prognóstico  dentro  das  epilepsias,  muitas  vezes 

associada a retardo mental e outras alterações neurológicas (Costa, 1998). 

O diagnóstico deve ser  feito baseado  na  história  clínica,  no exame  neurológico e em 

exames  complementares.  Na  anamnese,  deve-se  avaliar  a  presença  e  o  tipo  de  aura  –  a 

presença de aura indica uma síndrome epilética parcial, o tipo de aura indica a área cortical de 

onde se originam as crises -, caracterizar o inicio da crise, avaliar a presença de alterações no 

período pós-ictal, avaliar história familiar de epilepsia. No exame neurológico pode-se avaliar 

se  o  tipo  de  lesão  cerebral  que  está  causando  a  epilepsia  causa  também  outras  disfunções 

neurológicas. O EEG exerce três papéis fundamentais na investigação da epilepsia: 1. permite 

corroborar o diagnóstico de epilepsia, já que a ocorrência de descarga de ponta ou ponta onda 

lenta  nesse  exame  é  altamente  específica  e  permite  diferenciar  de  outros  tipos  de  crises;  2. 



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permite  localizar  a  área  do  foco  epiléptico,  ajudando  tanto  no  diagnóstico  sindrômico 



(epilepsia  parcial  x  epilepsia  generalizada),  quanto  do  diagnóstico topográfico  (ex.  frontal  x 

temporal) e 3. permite mostrar o contexto da atividade elétrica cerebral e com isso avaliar o 

nível de organização/desorganização da atividade elétrica, o que influencia no prognóstico do 

paciente.  Exames  de  imagem  como  ressonância  nuclear  magnética  (RNM)  e  tomografia 

computadorizada por emissão de fóton único (SPECT) permitem avaliar topograficamente as 

lesões que estão relacionadas à síndrome epiléptica em questão e são úteis naquelas epilepsias 

de  difícil  controle,  não  havendo  necessidade  de  realização  destes  exames  na  rotina  (Costa, 

1998). 


O tratamento das epilepsias se baseia em três pilares (Merrit, 5ªed): 1.a eliminação de 

fatores  importantes  na  determinação  das  crises,  com  o  tratamento  das  anormalidades 

fisiológicas ou estruturais  subjacentes; 2. a higiene  física e  mental  – os pacientes devem  ser 

estimulados  a  trabalhar  e  serem  produtivos,  a  estudar,  na  tentativa  de  manter  a  vida  o  mais 

próximo da normalidade possível e 3. o tratamento medicamentoso. De acordo com um artigo 

que considerou as opiniões de especialistas de todo o Brasil, o tratamento deve ser  iniciado 

com  monoterapia  medicamentosa,  tendo  como  próximas  alternativas  uma  segunda  e  uma 

terceira  monoterapias,  ou  uma  segunda  monoterapia  e  uma  terceira  já  com  associação  de 

drogas. Especificamente para a epilepsia generalizada idiopática, o valproato e o divalproato 

são  as  drogas  de  escolha.  Para  os  tipos  de  crises  tônico-clônica  generalizada,  ausência  e 

mioclônica,  as  terceiras  opções  foram  respectivamente  lamotrigina,  etossuximida  e 

clonazepam.  Para  a  epilepsia  focal  sintomática,  carbamazepina  e  oxcarbazepina  foram  as 

drogas de primeira escolha; tanto para crises parciais simples quanto para parciais complexas 

ou  secundariamente  generalizadas.  Para  a  epilepsia  generalizada  sintomática,  as  três  drogas 

mais  indicadas  são  valproato,  divalproato  e  lamotrigina,  esta  última  como  3ª  opção.  As 

melhores associações de dorgas na opinião dos especialistas são: carbamazepina + valproato e 

fenitoína + clobazam (Betting, 2003). 




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