Monografia situaçÕes que mimetizam avc



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IV. 1.2 Diagnóstico 

 

O  diagnóstico  precoce  de  AVC  tem  importância  fundamental  no  desfecho  e  no 



tratamento do paciente. Mais do que apenas suspeitar de um AVC, deve-se buscar classificá-

lo quanto ao subtipo e reconhecer quando se trata de um AVC verdadeiro ou de uma situação 

que o está mimetizando. Para tanto, o médico deve  lançar  mão de anamnese  e exame  físico 

detalhados  (pilares  do  diagnóstico),  bem  como  de  exames  complementares  (o  que 




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normalmente leva a se definir entre AVC e outras situações que o mimetizam) (Yew, 2009). 



A neuroimagem tem importância fundamental em distinguir AVCi de AVCh, bem como, para 

avaliar  outras  entidades  que  não  AVC;  a  escolha  do  teste  irá  depender  da  capacidade  de 

avaliação do médico, da sua elegibilidade para intervenções agudas, e das contraindicações do 

paciente (Yew, 2009). 

Existem muitas característica clínicas que levam a suspeitar de AVC; por exemplo, o 

início  abrupto  dos  sintomas  -  característica  mais  comum  na  história  de  um  paciente  com 

AVCi  -  da  mesma  forma  que  uma  paresia  focal,  ou  distúrbios  na  fala  são  os  achados  mais 

comuns no exame físico, nesses pacientes (Yew, 2009). 

 Baseado  na  história  e  no  exame  físico  e  visando  a  padronização  no  atendimento  e 

agilidade no diagnóstico, foram criados protocolos de atendimento (devem ajudar a confirmar 

a  impressão  clínica  geral  do  médico,  sobre  o  AVC);  dentre  eles  um  dos  mais  utilizados  é  o 

NIHSS – a escala de AVC do NIH (NIHSS) é um instrumento de uso sistemático que permite 

uma  avaliação  quantitativa  dos  défices  neurológicos  relacionados  com  o  AVC  -,  que  foi 

designado  para  ser  realizado  em  cinco  a  oito  minutos,  e  consiste  numa  exame  neurológico 

estruturado  e  que  dá  como  resultados  valores  de  diagnóstico  e  de  prognóstico.  Outra  dessas 

ferramentas  de  auxilio  diagnóstico  é  o  ROSIER  (Reconhecimento  de  AVC  na  Sala  de 

Emergência), uma escala mais recente, validada em 2005, que é mais simples, mas apresenta 

alta sensibilidade (93%) e especificidade razoável (83%). 

Deve-se  sempre  considerar  outros  possíveis  diagnósticos.  As  taxas  de  falso  positivo 

em  AVC  são  descritas  como  variando  entre  19  e  31%;  dentre  as  situações  que  mimetizam 

AVC  Epilepsia  e  hipoglicemia  são  as  mais  comuns  (Yew,  2009).  Sintomas  como  tontura  e 

vertigem, isoladamente, diminuem muito a chance de que o paciente avaliado tenha um AVC 

ou  AIT  (Yew,  2009).  Além  disso,  situações  como  história  prévia  de  comprometimento 

cognitivo,  achados  não  neurológicos  anormais  ao  exame  físico  e  rebaixamento  do  nível  de 

consciência  são  preditores  de  situações  que  mimetizam  AVC,  num  paciente  em  que  se 

suspeita de AVC (Yew, 2009). Outros sintomas como confusão, afasia e inicio dos sintomas 

mais  de  48  horas  após  o  evento  inicial  são  fatores  que  tornam  a  suspeita  de  AVC  menos 

confiável (Yew, 2009). 

Os  exames  complementares  (como  glicemia  capilar, ECG,  eletrólitos  séricos  e  testes 

de  função  renal)  ajudam  na  separação  entre  AVC  e  situações  que  mimetizam  AVC  (stroke 

mimics),  além  de  auxiliar  no  diagnóstico  de  comorbidades  clínicas  (como  IAM)  e  na 

avaliação da segurança de uma possível terapia trombolítica no paciente. A neuroimagem em 

caso  suspeito  de  AVC  tem  como  objetivos  primários  avaliar  a  presença  de  outros  tipos  de 



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lesões no SNC (como tumores ou abcessos) e auxiliar na distinção entre AVCi e AVCh (Yew, 



2009).  

A  tomografia  tem  um  papel  importante,  pois  tem  boa  sensibilidade  para  detectar 

possíveis  stroke  mimics  (como  tumores),  bem  como  para  detectar  uma  hemorragia  aguda; 

porém  não  tem  sensibilidade  suficiente  para  diagnosticar  com  precisão  um  AVCi  (Yew, 

2009).  Imagens  provenientes  de  ressonância  magnética,  principalmente  as  mais  modernas, 

com  Diffusion-weighted  imaging,  ou  gradient-recalled  echo,  tem  maior  capacidade  de 

detectar  lesões  isquêmicas  agudas  e  capacidade  semelhante  de  detecção  de  hemorragias 

cerebrais agudas (Yew, 2009). Entretanto, como a ressonância magnética (RM) ainda não está 

difundida  como  a  Tomografia  Computadorizada  (TC)  e  devido  ao  seu  maior  custo,  os 

guidelines  tem  recomendado  o  seu  uso  caso  a  imagem  possa  ser  obtida  tão  rapidamente 

quanto  seria  na  TC  (Yew,  2009).  Quando  se  suspeita  de  hemorragia  subaracnóidea,  a  TC 

continua  a  ser  a  imagem  de  escolha,  com  95%  a  100%  de  sensibilidade  se  realizada  nas 

primeiras  12  horas;  porém  vai  perdendo  sensibilidade  ao  longo  do  tempo  (em  uma  semana 

passa para 50%, em duas ou três, fica praticamente indetectável), e caso a TC não confirme o 

diagnóstico, deve colher o líquor em busca de bilirrubina (Yew, 2009). 




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