Modelagem computacional de um acelerador linear e da sala


  Dose equivalente em fantomas



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2.11.  Dose equivalente em fantomas 
 
A obtenção de doses equivalentes em órgãos de um paciente in vivo é inviável 
por questões de ordem prática. Portanto, usualmente o procedimento para realização de 
medições  com  essa  finalidade  envolve  o  posicionamento  de  dosímetros  ou  detectores 
em  cavidades  de  fantomas  antropomórficos  físicos,  tais  como  o  RANDO,  já 
mencionados  previamente.  Diversos  estudos  reportando  resultados  de  medidas 
experimentais foram compilados por XU em seu review (2008). 
As  preocupações  referentes  à  questão  das  doses  fora  do  campo  de  irradiação 
naturalmente levaram pesquisadores a investigar o risco associado a diferentes técnicas 
e  protocolos  de  tratamento.  Os  protocolos  de  radioterapia  de  próstata,  3D-CRT  ou 
IMRT,  aparentemente  servem  bem  ao  propósito  desse  tipo  de  investigação  devido  a 
diversos fatores.  KRY et al. (2005a) argumentam que um grande número de pacientes 
com câncer de próstata é tratado anualmente no mundo todo e o diagnóstico desse tipo 
de doença tem sido cada vez mais precoce, culminando em sobrevidas muito maiores. 
Considerando ainda que o tratamento de próstata demanda usualmente maior tempo de 
irradiação quando comparado a outros locais (em função da posição e da profundidade 
do  órgão  em  meio  a  outros  tecidos)  e  que  a  próstata  é  rodeada  por  diversos  órgãos 
radiossensíveis  (como  a  bexiga  e  o  reto),  pacientes  que  agora  vivem  mais  após  o 
tratamento também  poderiam  vir  a  ter  maior  probabilidade  de  desenvolver  algum  tipo 
de câncer secundário causado pela radioterapia. Soma-se a essa argumentação o fato da 
próstata  ser  um  órgão  relativamente  pequeno  e  razoavelmente  simétrico,  não  muito 
complicado para modelagens computacionais. Portanto, essas particularidades fazem da 
radioterapia  de  próstata  uma  escolha  frequente  tanto  para  medições  experimentais 
quanto para simulações de Monte Carlo para o cálculo da dose equivalente em órgãos 
sadios próximos ou afastados. Para mencionar apenas alguns trabalhos correlatos pode-
se citar o estudo de KRY et al. (2005b) em que os pesquisadores fizeram medições de 
doses  devido  a  fótons  e  nêutrons  em  um  tratamento  3D-CRT  (18  MeV)  e  seis 
tratamentos IMRT (6, 10, 15 e 18 MeV). HOWEL et al. (2006b) e VANHAVERE et al. 


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(2004) também estudaram doses devido a fótons e nêutrons em tratamentos 3D-CRT e 
IMRT,  a  diversas  energias.  WANG  e  XU  (2007)  utilizaram  MOSFETs  (Metal  Oxide 
Semiconductor  Field  Effect  Transistors)  para  medir  doses  devido  a  fótons  em  dois 
tratamentos  3D-CRT  e  um  IMRT.  O  review  de  KRY  et  al.  (2017)  traz  muitos  outros 
estudos a esse respeito. 
Simulações de Monte Carlo, por outro lado, são mais versáteis que as medições 
experimentais e, executadas e validadas corretamente, podem fornecer um conjunto bem 
mais amplo de informações, sem as restrições de ordem prática dos fantomas físicos. 
Estudos  envolvendo  doses  equivalentes  em  órgãos  de  um  paciente  durante 
seções de radioterapia, utilizando fantomas antropomórficos completos, são bem menos 
numerosos.  Cita-se  os  estudos  de  DIFILIPO  et  al.  (2003),  os  quais  investigaram  a 
produção  de  fotonêutrons  em  fantomas  computacionais  estilizados  submetidos  a  um 
feixe  terapêutico  simplificado.  BARQUERO  et  al.  (2005)  estudaram  doses  devido  a 
nêutrons  em  um  fantoma  computacional  sujeito  a  nêutrons  gerados  em  um  cabeçote 
simplificado.  SANDRINI  (2012)  e  THALHOFER  et  al.  (2013)  utilizaram  o  código 
MCNPX  para  simular  um  protocolo  de  tratamento  de  próstata  e  calcular  doses 
equivalentes  e  efetivas,  devido  a  fótons  e  nêutrons,  no  fantoma  antropomórfico  MAX 
(KRAMER  et  al.,  2003)  submetido  a  um  feixe  terapêutico  de  15  MeV  e  18  MeV, 
respectivamente, gerado por um modelo simplificado do cabeçote do linac Varian 2300. 
BEDNARZ  et  al.  (2009)  utilizaram  o  código  MCNPX  para  desenvolver  um 
modelo computacional do cabeçote desse mesmo linac, baseado no trabalho de MAO et 
al. (1997), para calcular doses fora do campo de irradiação em diversos órgãos em dois 
fantomas  antropomórficos  submetidos  a  um  tratamento  de  próstata  (RANDO  e  RPI-
Adult  male).  O  mesmo  modelo  de  fantoma  e  linac  do  estudo  de  THALHOFER  foi 
utilizado por BRAGA (2016) para avaliar os efeitos da radiação espalhada e produzida 
na  blindagem  de  uma  sala  de  radioterapia  sobre  as  doses  equivalentes  em  diversos 
órgãos  e  tecidos,  bem  como  nos  fatores  de  risco  de  desenvolvimento  de  câncer 
secundário.  
 



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