Modelagem computacional de um acelerador linear e da sala


  Doses fora do campo de irradiação



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2.10.  Doses fora do campo de irradiação 
 
O advento de equipamentos e técnicas de radioterapia  sofisticados possibilitou 
um  controle  cada  vez  maior  na entrega  de  dose  na  região  a  ser  tratada mas,  por  outro 
lado, não pode evitar que a própria natureza dos processo de interação da radiação com 
a matéria exponha tecidos fora da região a ser tratada à radiação. Técnicas diferentes de 
teleterapia  causam  diferentes  níveis  de  exposição  fora  do  campo  de  irradiação  e, 
levando-se em conta a maior sobrevida dos pacientes após o tratamento, eventualmente 
mesmo  pequenas  exposições  de  órgãos  sadios  distantes  do  local  do  tratamento  podem 
aumentar o risco do desenvolvimento tardio de cânceres secundários, ou ainda provocar 
complicações cardíacas. Levando-se ainda em consideração o fato de que os sistemas de 
planejamento  não  se  ocupam  do  cálculo  de  doses  em  órgãos  fora  do  campo  de 
tratamento,  faz-se  mister  avaliar  o  potencial  risco  à  saúde  advindo  dessa  exposição 
indesejada. 
A  preocupação  com  os  possíveis  efeitos  advindos  da  exposição  de  tecidos 
sadios  fora  do  campo  de irradiação  em  seções  de  radioterapia  não  é  recente.  Para  não 
regredir muito no tempo pode-se citar uma série de estudos de KRY et al., nos quais os 
pesquisadores  elaboraram  modelos  computacionais  para  o  cálculo  de  doses,  devido  a 
fótons e nêutrons, fora do campo de irradiação de aceleradores lineares de uso médico 
(KRY  et  al..,  2006,  2007,  2005a),  bem  como  calcularam  os  riscos  associados  ao 
surgimento tardio de cânceres radioinduzidos devidos ao tratamento usando a técnica de 
IMRT (KRY et al.., 2005b). XU et al. (2008) apresentaram um extenso review sobre o 
assunto, farto de referências. 
TAKAM  et  al.  (2011)  também  investigaram  os  efeitos  das  doses  devido  a 
nêutrons  e  fótons  secundários  no  risco  de  indução  de  cânceres  secundários  em 
pacientes. Em seu estudo esses pesquisadores apresentaram uma extensa compilação de 
dados clínicos e técnicos disponíveis na literatura referentes a medições e simulações de 
Monte Carlo para obtenção de doses, devido a fótons e nêutrons, ao redor de cabeçotes 
de aceleradores lineares, bem como riscos e/ou incidência de cânceres secundários em 
tecidos distantes do local de tratamento. 
Mais  recentemente  KRY  et  al.  (2017)  publicaram  um  relatório  do  grupo  de 
trabalho  158  da  AAPM  (American  Association  of  Physicists  in  Medicine)  sobre 
medições e cálculos de doses fora do volume tratado em seções de radioterapia. Nesse 
estudo  os  pesquisadores  destacam  os  riscos  desse  tipo  de  exposição,  apresentam 
estimativas  gerais  de  doses  associadas  a  diferentes  técnicas  de  teleterapia,  discutem 
diferentes formas de medir e calcular tais doses, sugerem formas de reduzir exposições 
de tecidos fora do volume de tratamento e fazem recomendações para a prática clínica e 
de pesquisa nesse contexto. 
 
 


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Para  fins  de  avaliação  dos  diferentes  níveis  de  exposição  a  que  o  paciente 
estará  sujeito  na  radioterapia  pode-se  comparar  as  técnicas  de  3D-CRT  e  IMRT.  O 
controle  de  entrega  de  dose  da  técnica  IMRT  é  superior,  traduzindo-se  em  menos 
exposição  de  tecidos  sadios  adjacentes  quando  comparado  com  a  3D-CRT.  Por  outro 
lado,  o  procedimento  de  IMRT  demanda  maior  tempo  de  exposição  devido  ao  uso  de 
um maior número de segmentos quando comparado ao 3D-CRT, podendo ser aplicado 
no modo step-and-shoot
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 ou permanecer ligado durante toda a aplicação, resultando em 
maiores doses em tecidos distantes do local de tratamento. A figura 2.35 apresenta uma 
comparação  qualitativa  dos  níveis  de  dose  associados  a  essas  duas  técnicas,  proposta 
por BEDNARZ (2008).  
 
 
Figura 2.35 – Comparação qualitativa de níveis de dose em pacientes sujeitos a técnicas 
IMRT e 3D-CRT. Os intervalos dos níveis de dose foram arbitrados com base no estudo 
de Xu (2008). Fonte: (BEDNARZ, 2008) 
 
Segundo esse pesquisador órgãos adjacentes ao tumor estariam compreendidos 
na  região  de  alta  dose,  órgãos  próximos  na  região  de  dose  intermediária,  e  órgãos 
distantes na região de baixa dose. Nas regiões de doses altas e intermediárias a radiação 
espalhada  pelos  colimadores  (primário,  jaws  e  MLC)  e  pelo  paciente  seriam  as  fontes 
predominantes  de  dose  de  radiação.  Na  região  de  baixa  dose  a  radiação  de  fuga  do 
cabeçote  seria  predominante  para  a  dose  sobre  o  paciente.  E  quanto  à  radiação 
espalhada pela sala? Os níveis de dose apresentados baseiam-se nos percentuais de 5 e 
50% de uma dose total prescrita de 100 Gy no volume a ser tratado.  Na figura, quanto 
maior a dose, maior o risco associado ao surgimento de doenças radioinduzidas tardias. 
O gráfico apresentado sugere que tanto a técnica 3D-CRT quanto a IMRT podem expor 
tecidos sadios a doses relevantes (50% ou mais da dose prescrita no volume tumoral), 
em especial na região adjacente ao tumor, mas que a técnica 3D-CRT estaria associada 
                                                     
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  Técnica  em  que  o  feixe  terapêutico  de  radiação é  desligado  durante  a  movimentação  das  folhas  para 
formação do próximo segmento 


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a  um  maior  risco  de  complicações  tardias.  Nas  regiões  distantes,  por  outro  lado,  a 
técnica IMRT poderia ser mais preocupante. 
Neste  trabalho  buscou-se  avaliar  os  efeitos  da  radiação  espalhada  pela 
blindagem  da  sala  sobre  as  doses  no  paciente.  Do  exposto  no  parágrafo  anterior  é 
possível concluir que  embora tanto as regiões próximas quanto as regiões distantes do 
local tratado recebam doses indesejadas, no tratamento 3D-CRT espera-se que os órgãos 
adjacentes  sejam  os  mais  afetados.  No  entanto,  nada  foi  dito  sobre  o  efeito  do 
espalhamento causado pelo bunker onde o equipamento está instalado. Portanto, resta a 
oportunidade  para  investigação  dos  efeitos  da  radiação  espalhada  pela  sala  sobre  os 
diferentes órgãos do paciente, dentro e fora do campo de irradiação. 
 



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