Modelagem computacional de um acelerador linear e da sala


 Próstata – conceitos básicos



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2.9. Próstata – conceitos básicos 
 
Fazendo  parte  do  sistema  reprodutor  masculino,  a  próstata  é  uma  glândula 
localizada no interior da pelve, na base da bexiga, atrás do púbis e acima do reto. Seu 
tamanho normal assemelha-se ao de uma noz e circunda os primeiros 2,5 cm da uretra. 
É  responsável  pela  produção  do líquido  seminal  e  seu  funcionamento  normal  depende 
da testosterona, hormônio masculino produzido nos testículos a partir da puberdade. A 
próstata é um órgão singular pois é o único no organismo que naturalmente cresce com 
o  envelhecimento  (após  os  40  anos),  processo  chamado  hiperplasia  benigna  da 
próstata, ou adenoma (CAMARGO, 2015). A figura 2.33 ilustra a anatomia da próstata 
e órgãos adjacentes. 
 
 
Figura  2.33  -    Localização  anatômica  da  próstata  e  órgãos  circunvizinhos.  Fonte: 
(DAHLKE & CAVAGNOLLI, 2011) 
 
No fantoma REX a próstata é constituída pela justaposição de  diversos voxels 
prismáticos, constituídos de um tecido com densidade de 1,030 g/cm
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, massa de 17,01 g 
e  cuja  composição  inclui  doze  elementos  distintos,  conforme  descrito  no  anexo  A  da 
publicação  110  da  ICRP  (ICRP,  2009).  As  dimensões  aproximadas  desse  órgão  no 
fantoma  são  de  3,5  x  4,0  x  4,0  cm,  conforme  ilustrado  na  figura  2.34,  obtida  por 
intermédio  do  código  VISED.  Devido  ao  tamanho  dos  voxels  empregados  não  é 
possível distinguir a uretra, órgão envolvido pela próstata. 
 
 


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Figura 2.34 – Representação em 3D da próstata no fantoma REX, obtida com o código 
VISED 
 
2.9.1. Câncer de próstata - tratamento 
 
O câncer de próstata é o de maior incidência em homens no Brasil, atrás apenas 
do  câncer  de  pele  não-melanoma,  com  maior  frequência  a  partir  dos  50  anos,  sendo 
curável  na  maioria  dos  casos  quando  detectado  precocemente.  É  considerado  uma 
doença típica de terceira idade já que três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir 
dos 65 anos (INCA, 2017b). 
Quando ocorre uma disfunção celular  nos tecidos da próstata com reprodução 
desordenada e formação de tumor (benigno ou maligno), este pode comprimir e invadir 
tecidos sadios adjacentes. Caso haja o espalhamento dessas células tumorais poderão ser 
afetados os nódulos linfáticos, bexiga, ossos da bacia e da coluna lombar, num processo 
conhecido por metástase. 
As opções terapêuticas disponíveis atualmente levam em conta a agressividade 
do tumor e as características do paciente e incluem (CONITEC, 2015): 
a)  Apenas  observação:  quando  o  tumor  é  localizado  e  não  agressivo,  em 
paciente  idoso  ou  que  apresenta  comorbidades  relevantes  (expectativa  de  vida  até  10 
anos); 
b) Vigilância  ativa:  em  casos  de  bom  prognóstico  ou  em  pacientes  com 
comorbidades. Consiste em não iniciar tratamento com intenção curativa salvo em caso 


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de  evolução  da  doença,  aplicando-se  a  tumores  localizados  e  com  baixo  risco  de 
evolução; 
c)  Conduta invasivas: incluem a prostatectomia radical (cirurgia de remoção da 
próstata)  ou  a  radioterapia,  aplicáveis  nos  pacientes  com  tumores  de  comportamento 
agressivo.  No  caso  da  radioterapia,  pode-se  utilizar  a  braquiterapia  ou  a teleterapia.  A 
braquiterapia não será objeto de estudo neste trabalho. 
 
2.9.2. Radioterapia de próstata com feixe externo 
 
A  radioterapia  do  câncer  de  próstata  com  feixe  externo  inclui  diversos  tipos, 
tais como a convencional 2D, tridimensional conformada (3D-CRT), e a de intensidade 
modulada  (IMRT),  guiadas  ou  não  por  imagem  durante  o  tratamento.  A  forma  de 
aplicação  pode  ser  isolada  ou  combinada  (DEVITA  et  al.,  2015).  As  chamadas 
radioterapia  externa  hipofracionada  e  ultrahipofracionada,  radioterapia  estereotática 
(radiocirurgia  fracionada)  e  a  com  planejamento  em  tempo  real  (intraoperatório) 
necessitam  de  estudos  consistentes  para  que  possam  estabelecer-se  como  uma  boa 
prática terapêutica do câncer de próstata (CONITEC, 2015). Neste trabalho escolheu-se 
simular  um  tratamento  do  tipo  3D-CRT,  razão  pela  qual  as  demais  técnicas  não 
receberão maiores detalhamentos. 
Os volumes-alvo de tratamento são a próstata, ambas as vesículas seminais e os 
linfonodos pélvicos. Não há consenso na identificação dos pacientes que se beneficiarão 
da radiação de linfonodos pélvicos, podendo ser considerada nos casos de pacientes de 
risco  alto  (ROACH  et  al.,  2003).  Os  órgãos  sob  risco  de  toxicidade  tardia  são, 
principalmente,  o  reto,  a  bexiga  e  em  menor  proporção  as  cabeças  femorais.  A  dose 
padrão por fração é de 1,8 a 2 Gray (Gy), totalizando 70-74 Gy, dividida em 5 frações 
por semana durante 7 a 8 semanas, embora já existam protocolos de hipofracionamento 
com  aplicação  de,  por  exemplo,  26  seções  de  2,7  Gy.  Técnicas  de  radioterapia 
conformacional  tem  permitido  a  aplicação  de  doses  ainda  maiores,  de  76  a  80  Gy  ou 
mais, com toxicidade aceitável (CONITEC, 2015).  
Segundo  THALHOFER  (2013),  o  protocolo  de  tratamento  de  câncer  de 
próstata padrão adotado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevê o uso de uma 
dose  terapêutica  de  74Gy,  sendo  37  seções  de  2Gy  cada,  divididas  em  4  direções  ou 
campos. O gantry do equipamento se inclina a 0, 90, 180 e 270 graus, em cada campo. 
Como  cada  dose  de  2Gy  é  dividida  igualmente  para  cada  um  dos  4  campos,  isso 
equivale  à  aplicação  de  0,5Gy  por  campo.  O  paciente  é  posicionado  de  forma  que  o 
isocentro  do  linac  coincida  com  o  centro  de  massa  da  próstata.  Esse  é,  portanto,  o 
protocolo que se objetivou simular neste trabalho. 
 
  

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