Modelagem computacional de um acelerador linear e da sala


 Geometria da Irradiação no Paciente



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2.8. Geometria da Irradiação no Paciente 
 
A  execução  de  qualquer  protocolo  de teleterapia é  sempre  precedida  da  etapa 
de  Planejamento,  onde  a  aplicação  da  radiação  é  otimizada  em  função  das 
características  físico-anatômicas  do  paciente  e  das  possibilidades  técnico-materiais  da 
clínica.  Nesse  contexto  pode-se  dividir  a  anatomia  do  paciente  em  três  regiões.  A 
primeira  é  a  região  do  volume  alvo  (tumor).  A  segunda  região  é  composta  dos  órgãos 
em  risco  (organs  at  risk  –  OAR),  os  quais  podem  ou  não  estar  localizados  na  região 
irradiada, mas que ainda assim impõem restrições ao planejamento. A terceira região é 
constituída  pelo  restante  do  corpo  do  paciente  que  normalmente  não  é  coberta  por 
nenhum exame diagnóstico por imagem nem é considerada no sistema de planejamento. 
Essa  região  usualmente  é  exposta  a  baixas  doses  de  radiação  secundária,  tipicamente 
devido  à  fuga  do  equipamento  e  ao  espalhamento  no  próprio  acelerador,  no  corpo  do 
paciente ou nas estruturas da sala. 
Acredita-se  que  as  doses  terapêuticas  de  radiação  matem  as  células  tumorais, 
com pouca probabilidade de que sobrevivam sofrendo mutações, e que o mesmo ocorra 
com células sadias ao redor do volume tumoral  (BEDNARZ, 2008). Por essa razão, as 
regiões  “fora  do  volume  de  tratamento”  frequentemente  são  objeto  de  estudos 
dosimétricos sobre tumores secundários causados pela radiação, uma vez que as células 
dessas  regiões  teriam  maior  probabilidade  de  sobreviver,  sofrer  mutações 
radioinduzidas  e  eventualmente  originar  novos  tumores.  O  estudo  epidemiológico  de 
DÖRR  e  HERMAN  (2002)  concluiu  que  quase  metade  dos  tumores  radioinduzidos 
ocorre fora do volume de tratamento. Resta evidente, portanto, a relevância dos estudos 
sobre  o  efeito  das  radiações  espalhadas  pela  sala  sobre  as  doses  absorvidas  nos 
diferentes órgãos do paciente durante a radioterapia. 
A  fim  de  uniformizar  os  procedimentos  de  planejamento  foi  necessário 
convencionar-se terminologia e metodologia para definição do  volume alvo (região do 
tumor a ser tratado) de forma que profissionais de diferentes clínicas e fabricantes dos 
equipamentos  pudessem  realizar  suas  atividades  e  intercambiar  informações.  Os 
conceitos apresentados nesta seção dizem respeito, portanto, à caracterização do volume 
alvo e órgãos em risco de acordo com as convenções contidas em diferentes publicações 
da ICRU. 
 
2.8.1. Definição do volume alvo 
 
A  definição  do  volume  a  ser  tratado  é  um  pré-requisito  básico  para  o 
planejamento  de  qualquer  técnica  de  teleterapia  3D  ou  para  realização  de  cálculos 
dosimétricos. As publicações número 50 e 62 da ICRU (ICRU, 1993a, 1993b) fornecem 
orientações  e  sugestões  específicas  que  servem  como  guia  para  o  planejamento  da 


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radioterapia,  e  o  relatório  número  83  (ICRU,  2010)  da  mesma  comissão  avança  um 
pouco mais ao discutir volumes e orientações gerais para execução da técnica de IMRT, 
a qual foge ao escopo deste trabalho. 
Os  relatórios  50  e  62  da  ICRU  definem  e  descrevem  vários  volumes  alvo  e 
estruturas críticas que auxiliam no processo de planejamento radioterápico e fornecem 
uma base para comparação dos resultados de diferentes tratamentos. De acordo com os 
relatórios supracitados, para tratamentos 3D os volumes principais para o planejamento 
do  tratamento  são  o  gross  tumour  volume  –  GTV,    o  clinical target  volume  –  CTV,  o 
internal target volume – ITV, e o planning target volume – PTV. Esses volumes estão 
ilustrados na figura 2.31 e serão abordados em maior detalhe nos próximos tópicos. 
 
 
Figura 2.31 – Representação gráfica dos volumes de interesse para fins de planejamento 
da radioterapia, conforme definido nos relatórios 50 e 62 da ICRU 
 
2.8.1.1.  Gross tumour volume (GTV) 
 
Segundo o relatório 50 da ICRU, o gross tumour volume – GTV – é o volume 
que contém a extensão visível ou palpável (clinicamente detectável) do tumor. O GTV é 
estabelecido  usualmente  pela  combinação  de  exames  de  imagem,  como  a  tomografia 
computadorizada e a ressonância magnética, exames laboratoriais e clínicos. É o menor 
dos volumes no planejamento da radioterapia e pode eventualmente nem estar presente 
no  planejamento  radioterápico  quando,  por  exemplo,  o  tratamento  é  executado  após 
cirurgia de remoção do volume tumoral principal. 
 
 
 
 
ITV 
CTV 
PTV 
GTV 
Organ  
at 
Risk 

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