Ministério da educaçÃo universidade federal rural do rio de janeiro dhri ichs mestrado profissional em ensino de história



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Oxumarê, o grande adivinho
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      Antigamente,  Oxumarê,  -  também  conhecido  por  Bessem  na  terra  dos 
daomeanos (República do Benim) -, era um talentoso adivinho do grande rei de 
Oni-Ifé,  ele  era 
um  “pai  do  segredo”  (babalaô)  que  dominava  as  técnicas  do 
Oráculo de Ifá.  
       No dia propício ao jogo do Ifá, - que é o primeiro dia da semana de quatro 
dias  dos  iorubás  -,  ele  se  dirigia  ao  suntuoso  palácio  para  consultar  o  destino 
reservado pelos deuses ao reino de Oni-Ifé.  
      Entretanto,  apesar  de  sua  importância,  Oxumarê  recebia  apenas  uma 
quantia  irrisória  do  monarca  em  troca  de  seu  trabalho,  vivendo  em  profunda 
miséria com sua família.  
      Por sua condição de pobreza e desprestígio, Oxumarê não era respeitado na 
cidade, todos o menosprezavam. Magoado com a situação, o adivinho consultou 
o  Ifá.  Orunmilá,  deus  da  sabedoria,  patrono  deste  oráculo,  aconselhou  seu 
devoto a oferecer algumas oferendas. Ifá aconselhou Oxumarê a oferecer uma 
faca de bronze, quatro pombos e quatro sacos de búzios da costa. 
     Quando estava realizando sua oferenda, o rei de Oni-Ifé mandou convocá-lo. 
Mas  ele  pediu  a  seus  emissários  que  aguardassem  o  término  da  cerimônia. 
Irritadíssimo  com  a  desfeita  de  seu  súdito,  o  rei  avarento  humilhou  Oxumarê 
ainda mais. Recusou-lhe a remessa de seus pagamentos habituais. 
                                                           
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  Narrativa adaptada da obra de VERGER, Pierre Fatumbi. Op. Cit.; p:56. 


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      O  babalaô  ficou  em  situação  calamitosa,  porém  Orunmilá  não  abandonou 
seu  devoto.  Voltando  a  casa,  Oxumarê  recebeu  um  recado  de  que  a  rainha 
Olokum, de um país vizinho, precisava de seus serviços, pois seu filho estava 
muito doente.  
      Rapidamente  o  adivinho  se  dirigiu  à  corte  da  poderosa  rainha  Olokum  e 
consultou o Ifá para ela. Seguindo as recomendações do oráculo, as moléstias 
do jovem príncipe foram curadas. 
      Em  agradecimento,  a  rainha  recompensou  generosamente  Oxumarê,  com 
roupas,  dinheiro,  cavalos  e  até  servidores.  O  adivinho  retornou  à  sua  terra 
triunfalmente como se fosse um grande senhor.  
      Vendo a entrada triunfal do adivinho, o rei de Oni-Ifé quis saber como ele, 
um  pobre-coitado,  conquistou  tantas  riquezas.  Oxumarê  explicou  que  eram 
presentes  da  rainha  Olokum,  rival  do  monarca.  Enciumado  pelos  favores 
concedidos por sua inimiga a seu súdito, o governante não se permitiu ficar em 
desvantagem. 
      No  mesmo  dia,  o  monarca  mandou  seus  servos  entregarem  na  casa  no 
adivinho  um  pesado  fardo  de  tecidos  e  brocados  finos,  acompanhado  de 
presentes dignos da mais alta nobreza.    
      Desde esse episódio, o rei de Oni-Ifé passou a recompensar Oxumarê com 
grande  opulência,  oferecendo-lhe  um  pagamento  ainda  maior  do  que  a 
recompensa dada pela rainha Olokum.  
      Assim oxumarê conseguiu mudar sua sorte e alcançar  uma vida próspera. 
Sempre que era requisitado para atender à rainha Olokum, quando retornava a 
seu país, o rei de Oni-Ifé também solicitava consulta, cumulando-o de magníficas 
riquezas. Oxumarê tornou-se, pois, o adivinho mais rico e respeitado de todas 
as terras iorubás. 
     A única coisa de que Oxumarê não suportava era a chuva. Quando as nuvens 
escuras  se  reuniam  para  produzi-la,  o  adivinho  erguia  seu  facão  mágico  de 
bronze, e o apontava em direção ao céu, como se o riscasse de um lado a outro. 
A  chuva,  assustada,  fugia.  E  o  arco-íris  aparecia.  Todos  passaram  a  louvar 
Oxumarê como o “fazedor de arco-íris”. 
    
 
      

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