Ministério da educaçÃo universidade federal rural do rio de janeiro dhri ichs mestrado profissional em ensino de história


 A Escolha dos Narrativas Míticas dos Orixás



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 3.3.2. A Escolha dos Narrativas Míticas dos Orixás 
 
       Quanto aos textos narrativos reproduzidos no Balaio de Ideias, optei pelo 
uso  de  mitos  ligados  ao  culto  dos  orixás  pela  riqueza  simbólica  deste  vasto 
repertório  cultural,  herdado  da  África  ancestral,  essencial  para  a  imersão  no 


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complexo  universo  espiritual  afro-religioso.  Além  de  sua  beleza  poética,  a 
mitologia  iorubana  foi  uma  das  tradições  espirituais  de  ascendência  africana 
melhor  preservadas  no  Candomblé  brasileiro,  primeiramente  pela  oralidade  e 
posteriormente  através  de  obras  acadêmicas  e  literárias  fundamentadas  em 
pesquisas antropológicas, sociológicas e etnográficas junto a seus praticantes.  
         O  ítàns  (narrativas  míticas)  exercem  um  papel  primordial  no  culto  aos 
deuses iorubanos, pois cada narrativa carrega em si uma mensagem codificada, 
ensinamentos destinados a orientar o ser humano em sua trajetória existencial, 
indicando  quais  caminhos  e  escolhas  o  indivíduo  deve  assumir  para  alcançar 
plenitude  e  felicidade  em  todos  os  setores  da  vida:  pessoal,  profissional, 
financeiro, familiar, saúde e equilíbrio emocional etc.  
        Na cosmovisão iorubana o tempo não é linear, pelo contrário, é um tempo 
cíclico  e  sagrado.  Onde  tudo  é  um  eterno  recomeço,  sendo  o  passado  um 
exemplo  para  o  presente.  Nada  é  novidade,  cada  fato  atual  já  ocorreu  num 
passado  remoto,  no  início  dos  tempos,  época  em  que  se  passam  os  eventos 
relatados  pela  tradição  mítica.  Por  isso  a  profunda  interconexão  entre  mito  e 
religião,  através  dos  rituais  realizados  no  culto  coletivo,  as  narrativas  são 
recriadas, os orixás refazem sua jornada do órum ao aiyê, trazendo a energia do 
axé  para  renovação  do  mundo  num  ato  de  ressacralização  da  vida  cotidiana, 
indispensável  para  a  manutenção  da  ordem  cósmica.  Pela  religião  o  mito  se 
recria, reatualiza, se torna história novamente pela atuação dos seres humanos. 
        Na  sociedade  tradicional  iorubana,  a  concepção  de  tempo  histórico  não 
segue  um  padrão  linear  ou  escatológico  típico  do  pensamento  ocidental 
moderno.  Na  afroteologia,  o  tempo  é  transcendental,  pois  segue  uma  lógica 
divina, de formato circular, seguindo o padrão dos ciclos naturais e biológicos. O 
passado sempre retorna, com outros personagens e situações, mas o mesmo 
enredo  se  reproduz  no  presente,  enquanto  o  futuro  nada  mais  é  do  que  a 
continuidade da realidade do presente.  
      É através da mitologia que se alcança o passado e se explica a  origem de 
tudo, por meio dos ítàns se compreende as questões do presente e se prediz o 
futuro,  nesta  e  na  outra  vida  (Prandi,2009,  pág:16).  Os  acontecimentos  do 
passado revivem através do mito, da narrativa dos ítàns de Ifá. Orunmilá não é 
apenas a divindade do oráculo, ele é a personificação da própria história, pois o 


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tempo é  sagrado,  gravado  pelos  deuses no  tempo  antes do tempo,  anterior  à 
criação dos próprios seres humanos, perpetuado pelos ítàns.  
       Esse passado remoto, de narrativa mítica, é coletivo e fala do povo como 
um todo. Passado de geração a geração por meio da oralidade, é ele que dá o 
sentido da geral da vida para todos e fornece a identidade grupal, moldando os 
valores  e  normas  essenciais  para  a  ação  naquela  sociedade,  confundindo-se 
plenamente  com  a  religião.  O  tempo  cíclico  é  o  tempo  da  natureza,  o  tempo 
reversível, e também o tempo da memória, que não se perde mas se repõe. O 
tempo  histórico,  na  perspectiva  ocidental,  em  contrapartida,  é  o  tempo 
irreversível,  um  tempo  que  não  se  liga  à  eternidade  nem  ao  eterno  retorno 
(Prigogine,1991, pág:59 apud Prandi,2001, pág:7). 
        O tempo do mito e o tempo da memória descrevem um mesmo movimento 
de reposição; sai do presente, dirige-se ao passado e retorna ao presente 
– não 
há uma ideia de futuro enquanto ruptura ou descontinuidade com o passado e o 
presente. A religião é a ritualização desta memória, desse tempo cíclico, ou seja, 
a  reatualização,  no  tempo  presente,  através  de  símbolos  e  encenações 
ritualizadas, desse passado que garante a manutenção da identidade do grupo, 
-  quem somos, de onde viemos, para onde vamos? - . Em suma, é o tempo da 
não-mudança,  da  continuidade,  da  eternidade  da  tradição,  da  manutenção  da 
ordem  e  da  autoridade.  Tempo  sagrado  que  reitera  no  cotidiano  a  memória 
coletiva, perpetuada pela tradição religiosa (Prandi, 2001, pág:8). 
        No Candomblé cada elemento ritual, liturgia, oferenda, oração, cerimônia, 
interdição (èèwò), preceito, gesto, dança, cantiga segue uma tradição oriunda de 
um passado mítico, das histórias primordiais que aconteceram num tempo divino 
antes  do  tempo  humano.  Os  mitos  conferem  explicação  e  sentido  para  as 
práticas  e  concepções  do  candomblé,  justificando  a  composição dos  atributos 
dos  orixás  e  os  tabus  presentes  no  cotidiano.  Os  mitos  estão  impregnados 
marcadamente  nos  arquétipos  ou  modelos  de  comportamento  dos  filhos  de 
santo, os quais herdam as características de seus deuses (Prandi,2009). 
        Na concepção iorubana os mitos são a chave para desvendar os segredos 
e mistérios que regem o destino (odu) dos seres humanos. S
er um “guardião dos 
mitos”  é  um  ofício  sagrado  exercido  pelos  “pais  conhecedores  do  segredo” 
(babalaôs), sacerdotes dedicados ao culto do deus Orunmilá, senhor do destino, 


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da sabedoria e da adivinhação, inventor do sistema de adivinhação denominado 
Ifá.  
       Dentro da teologia nagô, Orunmilá possui uma posição de grande destaque. 
Considerado  o  senhor  do  destino  e  detentor  do  saber  transcendental,  possui 
culto próprio e independente do culto dos orixás. Ele  conhece o destino (odu) 
escolhido  por  cada  pessoa  antes  do  nascimento  e  o  orixá  pessoal  que  irá 
acompanha-la  por  toda  a  vida.  Portanto,  Orunmilá  é  a  única  divindade  que 
conhece  a  vontade  de  Olórun  e  transmite,  por  meio  do  oráculo,  as 
recomendações  necessárias  que  devem  ser  cumpridas  através  de  oferendas 
(ebo) adequadas ou o atendimento às interdições (Jagum, 2015). 
        Diferente  do  jogo  de  búzios  (mérìndílógún)  praticado  por  babalorixás  e 
ialorixás no Candomblé brasileiro, o sistema de Ifá é uma arte divinatória mais 
complexa que envolve a manipulação de um colar de coquinhos de dendezeiro 
(opelê)
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,  restrito apenas aos membros da confraria dos babalaôs (bàbáláwo), 
tradição  ligada  ao  culto  dos  orixás  iorubanos,  existente  apenas  em  território 
africano,  porém  possuindo  hierarquia  e  organização  independentes.  Embora 
Orunmilá e o sistema de Ifá sejam partes importantes da religião iorubana dos 
orixás, eles compõem um complexo oracular-filosófico-religioso tão detalhado e 
peculiar, que originou um culto à parte. Desde a África, havia uma iniciação para 
Ifá,  distinta  da 
iniciação  para  os  demais  deuses,  é  o  chamado  “Culto  de  Ifá” 
(Jagum, 2015).  
       Atualmente,  em  decorrência  do  fenômeno  da  globalização,  o  Culto  de  Ifá 
tem atravessado o atlântico em direção ao continente americano. Renomados 
sacerdotes provenientes da Nigéria e outras regiões de população iorubana tem 
promovido a expansão do Culto a Orunmilá entre outros povos e culturas, por 
meio de cursos, iniciações e publicações literárias na América Latina, sobretudo 
no Brasil e em Cuba. 
       Através  do  processo  de  decifração  oracular  que  envolve  numerologia  e 
geomancia,  o  babalaô  identifica  no  passado  mítico  qual  passagem  está 
associada  aos  problemas  vivenciados  pelo  consulente  em  seu  dia  a  dia,  de 
                                                           
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 Segundo  PRANDI (2009,  pág:568),  o opelê é um instrumento de adivinhação específico do 
sistema iorubano de Ifá, composto por oito metades de caroços de dendê (chamados de ikins) 
unidos numa cadeia de palha da costa trançada ou fios de algodão. O babalaô lança esta cadeia 
ao chão e a configuração obtida, - quantidade de faces côncavas ou convexas formadas em cada 
caída -, determina o odu (destino) do consulente. 


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maneira  a  orientar  quais  as  providências  (realização  de  oferendas  e  rituais 
específicos propiciatórios) devem ser tomadas para resolução das dificuldades 
e restauração do equilíbrio.    
        Os ítàns estão organizados em dezesseis capítulos, cada qual subdividido 
em  dezesseis  partes,  totalizando  256  narrativas  míticas,  memorizadas  pelos 
babalaôs no decurso de sua longa formação sacerdotal, tendo em vista que o 
culto  tradicional  aos  deuses  iorubanos  permaneceu  na  oralidade  até 
recentemente. Durante sua formação para o exercício da atividade oracular, o 
sacerdote de Ifá aprende todos os poemas míticos primordiais que estruturam o 
sistema religioso iorubano.  
      Os capítulos destas narrativas correspondem aos signos de odu resultantes 
do  jogo  de  Ifá.  Os  odus  são  os  signos  representativos  deste  sistema oracular 
africano, é através deles que os babalaôs conectam-se a Orunmilá e aos orixás. 
Cada odu está  correlacionado aos  ìtáns  que  são  interpretados  pelos  iniciados 
em Ifá, indicando a origem e o destino do consulente.  
          Os ìtáns não devem ser lidos ou interpretados cegamente, todavia, devem 
ser  entendidos  por  uma  ótica  metafórica,  profundamente  impregnada  de 
conteúdos  e  sentidos  simbólicos.  Dentro  destas  narrativas  míticas,  quando 
interpretadas corretamente, pode-se extrair mensagens de profunda sabedoria 
filosófica  que  em  nada  perdem  em  grandeza  e  complexidade  para  outras 
mitologias como a grega, a romana, a egípcia ou a escandinava.  
        Por esta razão, a interpretação dos ìtáns não é um exercício fácil, pois não 
se tratam simplesmente de lendas folclóricas de fundo pitoresco. Sua verdadeira 
finalidade  consiste  em  explicar  os mistérios  ligados  à  existência  humana e  ao 
universo dos deuses, inspirando o autoconhecimento e o desenvolvimento pleno 
de suas potencialidades. 
        O sistema de Ifá é o livro sagrado da tradição espiritual e filosófica iorubana, 
porém  ao  invés  de  palavras  escritas,  ele  utiliza  a  memória  e  a  oralidade  para 
registrar sua sabedoria ancestral, gravado na mente dos iniciados. Os ìtáns de 
Ifá, ou narrativas sagradas, contam a história do universo (cosmogonia), desde 
a  criação  dos  deuses  (teogonia),  passando  pela  criação  dos  seres  humanos 
(antropogonia)  até a  criação  das  leis  e  códigos  de  conduta  coletivos  (conduta 
moral) e individuais (caráter ético).  


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       O Ifá é composto por dezesseis odus ou caminhos. Cada odu representa um 
capitulo desta imensa narrativa épica que remonta aos tempos imemoriais, às 
origens  do  universo,  dos  deuses  e  seres  humanos.  Por  sua  vez  estes  odus 
subdividem-se  em  dezesseis  versos  (esé),  totalizando  4096  versos.  Estes 
servem para explicar a realidade, a sociedade, a ritualística, a teologia, a filosofia 
e a ética do modo de vida tradicional iorubano. 
      O odu é obtido ao acaso, pelo lançamento de dezesseis cocos de dendê, ou 
pela cadeia de adivinhação do opelê. Na África, os odus estão relacionados a 
histórias em forma de poemas recitados de memória pelos iniciados de Orunmilá. 
Em Cuba, os babalaôs mantêm os mitos dos odus escritos em cadernos secretos 
denominados de pataquis.  
     Em nosso país, muitos poemas estão esquecidos, conservando-se apenas o 
nome dos odus, dos orixás que regem o signo e fazem parte da narrativa, e os 
presságios ligados a eles. Segundo a mitologia iorubana, os odus são divindades 
enviadas por Orunmilá, muitas vezes representados nos ìtáns como seus filhos, 
para auxiliar os seres humanos a encontrarem e cumprirem seu destino na terra 
(Prandi, 2009). 
     Resumidamente,  o  mito  desempenha  um  papel  estruturante  no  sistema 
sociopolítico  e  religioso  iorubano  tradicional.  As  narrativas  míticas  conferem 
racionalidade, legitimidade e sentido ao universo, tendo em vista que, de acordo 
com o pensamento iorubá, todas as ações individuais e coletivas presentes no 
cotidiano social estão permeadas pela religiosidade.  Os mitos exercem funções 
indispensáveis:  A)  exprimem,  enaltecem  e  codificam  as  crenças;  B) 
salvaguardam  e  impõem  princípios  de  conduta  ética  e  moral;  C)  garantem  a 
eficácia  dos  rituais  religiosos;  e  D)  moldam  as  regras  sociais  que  pautam  as 
ações individuais e coletivas do grupo. Portanto, o mito é um elemento essencial 
no  sistema  de  crenças.  Não  é  absolutamente  uma  teoria  abstrata  ou  uma 
fantasia  artística,  mas  codifica  em  seu  cerne  toda  a  sabedoria  deste  sistema 
religioso (Beniste,1997). 
      Os mitos selecionados para compor o Balaio de Ideias narram as aventuras 
vivenciadas  deuses  pelos  iorubanos,  utilizando  uma  linguagem  simples, 
direcionada  ao  público  adolescente.  São  histórias  para  serem  narradas  pelo 
professor  aos  alunos  de  uma  forma  descontraída  (porém  sem  banalizações), 
recriando as estratégias pedagógicas ancestrais dos antigos babalaôs e griots 


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africanos, em círculo, ao redor de uma fogueira imaginária, aos pés das árvores 
de irokô nos bosques oníricos. Selecionei apenas uma pequena amostra deste 
imenso  repertório  mítico  que  compreende  uma  infinidade  de  histórias 
envolvendo deuses e seres humanos, animais e plantas, elementos da natureza 
e a vida em sociedade. 
       As narrativas reproduzidas em nosso trabalho foram extraídas e adaptadas 
por  mim  a  partir  dos  relatos  presentes  na  magnífica  coletânea  de  301  mitos 
africanos e afro-americanos, compilada pelo sociólogo Reginaldo Prandi no livro 
“Mitologia  dos  Orixás”,  a  maior  coleção  de  mitos  relacionados  aos  orixás 
iorubanos já realizada em língua portuguesa. 
      Além  da  utilização  desta  fonte,  também  selecionei  alguns  mitos  coletados 
pelo  etnólogo  e  fotógrafo  Pierre  Fatumbi  Verger,  organizados  na  maravilhosa 
obra
:  “Lendas Africanas dos Orixás”, publicada em 1985.  Ao apresentar cada 
narrativa mítica que compõe nosso dispositivo de ensino, cito a fonte da qual a 
mesma foi retirada. 
      Em alguns mitos, minha interferência foi além de simplesmente adaptar para 
prosa as narrativas em verso livre selecionadas como fontes para o Balaio de 
Ideias, uma vez que na tradição iorubana, os ìtáns sempre apresentam-se em 
formato  de  poemas.  Em  algumas  histórias  ousei  assumir  uma  certa  liberdade 
poética, entretecendo outras fontes das minhas memórias pessoais e vivências 
estéticas/literárias/espirituais.  Pois, apesar de  não  ser  uma  iniciada  nos  cultos 
afro-brasileiros,  venho  de  uma  família  multiétnica  com  várias  influências  afro-
religiosas, fui uma criança e adolescente 
“de terreiro” e li/ouvi muitos mitos dos 
orixás antes de me dedicar ao presente trabalho.  
          Evidentemente, ao escrever os textos que acompanham as ilustrações do 
mestre Heitor Caribé, outras palavras e outros discursos emergem, misturando-
se à base, que são os dois autores supracitados: Verger (1985) e Prandi (2001).  
         A  seguir,  estão  reproduzidas  as  pranchas  dos  orixás  que  compõem  o 
Balaio  de  Ideias  Axé  na  Sala  de  Aula,  dispostas  na  ordem  em  que  estes 
aparecem no xirê da tradição Jêje-Nagô, conforme consultoria recebida por duas 
pessoas iniciadas no candomblé Jêje-Mahin que me ofereceram o suporte para 
que  esta  pesquisa  possa  refletir  tanto  o  olhar  acadêmico  e  pedagógico,  mas 
também a perspectiva de quem vive a religião no seu cotidiano. 


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        Esta  foi  uma  das  minhas  maiores  preocupações  metodológicas  ao  tecer 
este  Balaio  de  Ideias:  era  necessário  enxerga-lo  como  fazem  os  deuses 
indianos,  -  utilizando  três  olhos  na mesma fronte-,  ao  invés  de  apenas  dois  -, 
afim de ensinar história com o corpo, a mente e o coração. Enxergar a minha 
pesquisa  como  historiadora,  educadora  e  amiga  do  axé.  Sem  esquecer  ou 
desrespeitar  as  regras  e  preceitos  de  nenhum  dos  três  universos  distintos: 
escola, academia e terreiro. 
      
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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