Ministério da educaçÃo universidade federal rural do rio de janeiro dhri ichs mestrado profissional em ensino de história



Baixar 2.25 Mb.
Pdf preview
Página50/124
Encontro20.06.2021
Tamanho2.25 Mb.
1   ...   46   47   48   49   50   51   52   53   ...   124
2.4.2. Sacralidade da natureza
 
      Na  cosmovisão  africana  existe  a  indissociabilidade  do  vínculo  religião-
ecologia,  a  adoração  aos  deuses  é  feita  na  natureza,  utilizando-se  seus 
elementos  em  todo  o  processo  litúrgico  (folhas,  frutas,  sementes,  animais, 
alimentos, água, fogo, pedras, elementos minerais). A natureza percebida como 
a  face  do  criador  supremo  e  é  uma  fonte  inesgotável  de  energia  vital  (axé, 
ngunzo).  
      Todo  o  meio  ambiente  é  passível  de  sacralização  e  é  profundamente 
respeitado  enquanto  manifestação  visível  do  divino.  Os  deuses  são 


99 
 
representações  antropomórficas  de  forças  ou  elementos  da  natureza  e  para 
reverenciá-los é necessário acessar estas energias presentes no mundo natural 
e canalizá-las para o bem-estar individual e comunitário.  
      Através  da  entonação  de fórmulas  e  orações  específicas  (orikis),  somente 
conhecidas  por  pessoas  iniciadas  no  culto,  retira-se  a  energia  que  está 
impregnada na essência espiritual das plantas, pedras, alimentos, na água e no 
próprio  sangue  dos  animais  sacrificados,  possibilitando  o  acesso  às  bênçãos 
divinas. O próprio corpo do iniciado torna-se um templo das divindades, assim 
como  são  as  florestas,  montanhas,  ventos,  chuvas,  relâmpagos,  lagos,  rios, 
mares, plantas, minerais e a própria terra. 
 



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   46   47   48   49   50   51   52   53   ...   124


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal