Ministério da educaçÃo universidade federal rural do rio de janeiro dhri ichs mestrado profissional em ensino de história


 Aplicando a metodologia do Balaio de Ideias Axé na Sala de Aula



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1.6. Aplicando a metodologia do Balaio de Ideias Axé na Sala de Aula: 
breve relato da experiência no CIEP Brizolão Irmã do Céu 
 
Para  confecção  de  nosso  Balaio  de  Ideias  foi  necessária  a  testagem 
prévia  da  metodologia  a  ser  utilizada  no futuro  dispositivo  de  ensino,  junto  ao 
público escolar para o qual foi destinado. Assim, tendo em vista a elaboração de 
uma  estratégia  pedagógica  realmente  eficaz  para  a  abordagem  das  religiões 
afro-brasileiras no ensino de história, realizei uma experiência de aplicação das  
atividades que comporiam o Balaio de Ideias: Axé na Sala de Aula com meus 
próprios discentes.  
O  local  escolhido  foi  a  unidade  escolar  CIEP  Brizolão  Irmã  do  Céu, 
pertencente à Rede Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro, situado 
numa comunidade rural do município de Itaguaí, Baixada Fluminense do Rio de 
Janeiro, na qual atuo desde 2008 como professora de história nos segmentos 
fundamental e médio, nas modalidades ensino regular e educação de jovens e 
adultos (EJA). 
A opção pela investigação no CIEP Irmã do Céu não se deu por acaso, 
minha  longa  trajetória  de  atuação  docente  na  unidade  escolar,  marcada  por 
embates  e  enfrentamentos  no  âmbito  das  problemáticas  nas  questões  étnico-
raciais,  inter-religiosas  e  da  diversidade  humana  de  forma  mais  ampla,  me 
possibilitaram  desenvolver  um  olhar  crítico  e  diagnosticar  as  tensões, 
silenciamentos e tabus subjacentes no cotidiano daquela comunidade escolar. A 
experiência  docente  na  referida  unidade  de  ensino  me  despertou 
questionamentos  de  ordem  ética  e  reflexões  teórico-epistemológicas  sobre 
identidade/alteridade  e  multiculturalidade  na  tentativa  de  compreender  os 
fenômenos  de  racismo,  preconceito,    discriminação  e  intolerância,  presentes 
(ainda que de forma velada e difusa) nas relações interpessoais entre discentes, 
docentes e demais funcionários da unidade.  
          Inicialmente,  foi  pensada  a  análise  das  estratégias  desenvolvidas  pela 
unidade  escolar  como  um  todo,  a  fim  de  perceber  os  limites,  desafios  e 


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perspectivas em torno das práticas políticas e pedagógicas mobilizadas no que 
se  refere  à  implementação  das  diretrizes  curriculares  antirracistas  e  contra  a 
intolerância  numa  unidade  escolar  da  rede  estadual  situada  em  comunidade 
rural,  marcada  por  condições  sócio-econômicas  e  culturais  extremamente 
precárias e população predominantemente evangélica.  
          Contudo,  no  decorrer  da  pesquisa,  verificou-se  a  impossibilidade  de 
tamanha  abrangência  do  objeto  pesquisado,  afinal  trata-se  de  uma  unidade 
escolar consideravelmente grande, com cerca de 800 alunos matriculados, três 
turnos,  três  modalidades  (segundo  segmento  do ensino fundamental  e  ensino 
médio regular, ensino de jovens e adultos e programa de correção de fluxo para 
jovens  e  adultos  nos  segmentos  fundamental  e  médio),  e  cerca  de  setenta 
professores.
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            Diante  desta  constatação,  optei  pelo  recorte  e  o  trabalho  com  uma 
pequena  amostragem,  de  forma  a  facilitar  minha  investigação  e  adequá-la  às 
exigências de tempo impostas para a conclusão do Programa de Mestrado ao 
qual  ele  está  vinculado.  Por  conseguinte,  foram  elencadas  para  a  pesquisa 
somente duas turmas do módulo III (terceiro semestre) do Programa Autonomia 
de correção de fluxo e distorção idade-série, uma de ensino fundamental e outra 
de ensino médio. 
           A  escolha  das  mesmas  se  deu  por  duas  razões:  primeiramente  pela 
disponibilidade de tempo oportunizada pela modalidade de ensino do Programa 
Autonomia, tendo em vista que uma das especificidades desta modalidade de 
ensino é a exigência de um perfil de regência unidocente. Ao contrário da exígua 
carga horária destinada à disciplina de História na educação básica, no sistema 
regular  de  ensino  da  Rede  Estadual,  de  apenas  dois  tempos  de  cinquenta 
minutos semanais cada (com exceção do 9º ano do Ensino Fundamental com 
carga  de  três  tempos).  Diferentemente,  no  Programa  Autonomia,  o  professor 
dispõe de uma convivência pedagógica bem maior com a turma, passando vinte 
horas semanais em sala de aula com o mesmo grupo.   
       Em segundo lugar, optei pelo grupo pesquisado também devido ao fato de 
já  estar  atuando  com  os  mesmos  estudantes  há  três  semestres,  portanto,  já 
existia  um  vínculo  de  confiança  construído  entre  os  estudantes  das  turmas  e 
                                                           
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Dados 
fornecidos 
pelo 
Censo 
Escolar/INEP 
de 
2015. 
Disponível 
no 
site: 
http;//academia.qedu.org/censo-escolar/notas-tecnicas/ 


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também comigo. A   duração total do curso é de dois anos, divididos em quatro 
semestres, onde a cada período são ministradas as disciplinas de uma área de 
conhecimento diferente. No terceiro módulo do programa, a área privilegiada foi 
Ciências  Humanas  e  Sociais,  no  qual  ministrei  aulas  apenas  de  história  e 
geografia para o ensino fundamental e médio. No caso do ensino médio, o tempo 
de  convivência  ainda  era  maior,  pois  os  mesmos  eram  egressos  do  ensino 
fundamental do próprio Programa Autonomia, tendo sido meus alunos por quatro 
anos consecutivos, em regime de unidocência.  
      O Programa Autonomia é uma modalidade de ensino voltada ao atendimento 
das demandas educacionais específicas do público jovem/adulto, em situação 
de  defazagem/distorção  idade-série,  motivada  por  evasão  escolar  e  elevado 
índice  de  repetência  na  Rede  Estadual.  Nesta  modalidade  de  ensino,  o  nível 
fundamental destina-se à estudantes com idade igual ou superior a treze anos 
que ainda estejam cursando o 6º ou 7º ano até a idade máxima de dezoito anos. 
No nível médio, a faixa etária do programa é de dezessete a vinte e quatro anos. 
       Este Programa é o resultado de uma parceria pedagógica público-privada 
entre o governo estadual e a fundação Roberto Marinho, pautado na metodologia 
do telecurso 2000. Dentro desta metodologia, o mesmo professor trabalha por 
dois anos com uma única turma, com carga horária de 20 horas semanais, em 
regime  de  unidocência,  tendo  suporte  pedagógico  especializado,  cursos  de 
formação  específicos  e  material  didático  diferenciado  (livros  didáticos,  DVDs, 
material do professor) fornecido pelo parceiro. 
         O referido programa foi implantado na Rede Estadual do Estado do Rio de 
Janeiro  entre  os  anos  de  2009/2015  como  estratégia  para  a  redução  dos 
elevados índices de repetência, baixo rendimento e evasão escolar obtidos pelos 
estudantes  dos  segmentos  fundamental  e  médio,  constatados  ao  longo  do 
segundo  quinquênio  da  década  de  2000.  Período  de  intensa  crise  no  setor 
educacional estatal, inclusive com o alcance da segunda posição mais baixa no 



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