Ministério da educaçÃo universidade federal rural do rio de janeiro dhri ichs mestrado profissional em ensino de história


Partindo  do  diálogo  com  os  estudos  culturais  e  pós-coloniais  podemos



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Partindo  do  diálogo  com  os  estudos  culturais  e  pós-coloniais  podemos 
problematizar esta questão, desvelando o quanto a ideologia racista se perpetua 
nas  práticas  pedagógicas  por 
meio  de  “presenças”  (cultura  herdada  do 
colonizador)  e  “ausências”  (cultura  do  colonizado).  Com  destaque  para 
reprodução do processo de imposição cultural e dominação simbólica a que são 
submetidos  estudantes  de  origem  indígena,  afro-brasileira  e  de  outros  grupos 
politicamente minoritários relegados à marginalidade epistêmica.  
Através  da  legitimação  de  um  discurso  monocultural  pseudo-
universalizante de fundo autoritário, perpetua-se a colonização/subalternização 
                                                           
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  Para  aprofundamento do  conceito  de  multiculturalismo  interativo,  ver  CANDAU,  Vera  Maria 
Ferrão  (org).  Multiculturalismo:  diferenças  culturais  e  práticas  pedagógicas.7ª  ed.  Petrópolis: 
Vozes,2011. 


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das  mentes,  desconsiderando  -  se  a  validade  de  outras  modalidades  de 
conhecimento constituídas sobre paradigmas, saberes, valores e práticas sociais 
não reconhecidos em condição de igualdade no ambiente escolar. Geralmente 
quando  incorporadas em espaço  escolar,  estas  manifestações  são  abordadas 
de forma  caricatural e folclorizada,  as atividades  realizadas  tendem a  assumir 
um caráter de celebração criticamente vazia e a-
histórica do “exótico” que pouco 
ou  nada  contribuem  para  a  efetiva  inclusão  destes  componentes  na  cultura 
escolar. Sobretudo em se tratando da religiosidade afro-brasileira, sem dúvida 
um  dos  temas mais  polêmicos  na  atualidade  brasileira  e  por  isso,  interdito  na 
grande maioria das escolas. 
Dentro desta vertente, utilizaremos também as contribuições conceituais 
do  círculo  teórico  latino-americano  denominado  Modernidade/Colonialidade 
formado  por  intelectuais  como  Aníbal  Quijano  (2005,  2007,  2010),  Ramón 
Grosfoguel  (2007),  Nelson  Maldonado-Torres  (2007),  Walter  Mignolo  (2003, 
2005),  Edgardo  Lander  (2005)  e  Damián  Pachón  Soto  (2007)  que  discutem 
colonialidade  como  subalternização  do  ser  e  do  saber  x  multiculturalismo 
epistêmico.  
Esta  corrente  teórica  denuncia  o  “racismo  epistêmico”  universalizante 
(termo cunhado por Grosfoguel) presente nas propostas curriculares dos países 
da  América  Latina.    Mignolo  (2005)  distingue  o  conceito  de  colonialismo,  - 
sistema  político  -  econômico  de  dominação  das  potências  europeia  sobre  os 
continentes  americano  e  africano  vigente  na  Era  Moderna,  -  da  ideia  de  
colonialidade. O termo colonialismo refere-se ao conjunto de relações políticas 
e econômicas nas quais um povo ou nação submete outro grupo, ocupando seu 
território e exercendo sua tutela sobre ele.  
A  categoria  de  colonialidade  diz  respeito  a  um  padrão  de  poder, 
conhecimento, autoridade e relações sociais moldado no discurso eurocêntrico 
resultante  do  colonialismo  moderno  e  que  sobrevive  a  ele.  Quijano  (2010) 
enfatiza  uma  dimensão  importante  da  ideia  de  colonialidade  que  remete  ao 
fascínio  provocado  pelo  imaginário  europeu,  onde  a  cultura  se  converte  em 
sedução, em aspiração, num modo de afirmação de status social e econômico, 
franqueando o acesso ao poder por intermédio de sua assimilação como padrão 
normativo de civilização. 


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Como tais elementos de fascínio se hegemonizam nos hábitos sociais e 
no currículo  de fato, embora também perpassem os parâmetros curriculares e 
materiais didáticos no Brasil, mesmo quando se coloca na agenda as questões 
étnico-raciais  e  das  africanidades,  ainda  é  pertinente  falar,  portanto,  em 



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