Ministério da educaçÃo universidade federal rural do rio de janeiro dhri ichs mestrado profissional em ensino de história


  Racismo  epistemológico  e  colonialidade  do  currículo:  uma



Baixar 2.25 Mb.
Pdf preview
Página23/124
Encontro20.06.2021
Tamanho2.25 Mb.
1   ...   19   20   21   22   23   24   25   26   ...   124
1.3.  Racismo  epistemológico  e  colonialidade  do  currículo:  uma 
reflexão sobre descolonização do ser e do saber. 
 
Em  suas  análises  políticas  e  sociológicas,  a  perspectiva  descolonial 
denuncia  a  natureza  epistêmica  do  currículo  como  narrativa  étnica  e  cultural 
hegemônica produtora de um discurso autolegitimador e excludente, colocando 
em evidência as relações de dominação exercidas sobre as minorias políticas, 
sejam  elas  categorias  de  gênero,  raça,  etnia  e/ou  orientação  sexual.  Esta 
perspectiva critica o “racismo epistemológico” herdado do passado colonial como 
mecanismo  de  perpetuação  das  narrativas  hegemônicas  de  identidade, 
propondo  uma  abordagem  intercultural  como  estratégia  para  desconstrução 
deste paradigma. 
O  quadro  teórico  desta  pesquisa  dialoga  com  a  perspectiva  teórico-
epistemológica pós-colonialista que enfatiza o caráter hegemônico, eurocêntrico 
e  monocultural  do  currículo  escolar,  para  questionar  as  relações  de  poder 
subjacentes às formas de conhecimento engendradas com base na premissa de 
superioridade do modelo civilizatório europeu.  
A  partir  das  contribuições  epistemológicas  dos  estudos  pós-coloniais 
propostos  por  intelectuais  como  Frantz  Fanon  (2006,  2008),  é  possível  refletir 
crit
icamente sobre as implicações da “colonialidade do currículo” no ensino de 
história  e  a  produção  de  valores,  representações  e  discursos  identitários  que 
negam/silenciam/menosprezam  as  influências  de  outras  matrizes  culturais  e 
epistêmicas não-europeias. 
Em meados da década de 1960, a produção acadêmica de Fanon (2006, 
2008) já apontava em direção a um projeto de transformação da ordem social 
por  intermédio  da  descolonização  psicológica  e  intelectual  dos  povos  latino-
americanos  e  africanos.  Para  o  autor,  o  processo  de  independência  dos 


29 
 
territórios subjugados pela dominação colonial só seria completo quando todas 
as estratégias e práticas discriminatórias de cunho racista herdadas do passado 
escravocrata, 

marginalização, 
negação, 
estereotipia, 
invisibilização, 
demonização,  rejeição,  inferiorização,  exclusão,  folclorização,  silenciamento  -, 
forem reconhecidas enquanto tal, rejeitadas e superadas.  
Segundo o psiquiatra martinicano, fazia-se necessária a conscientização 
e articulação em prol da isonomia de direitos civis e políticos, por parte dos povos 
que  vivenciaram  o  processo  histórico  colonialista  de  subjugação  política, 
econômica  e  ideológica,  para  que  os  mecanismos  complexos  de  opressão 
cultural  legados  pelo  eurocentrismo  ainda  operantes  na  sociedade 
contemporânea fossem realmente ultrapassados.  
A partir das contribuições críticas de Frantz Fanon (2006,2008), pode-se 
pensar  a  noção  de  colonialidade  do  currículo 
–  ou  seja,  a  presença  de 
representações e discursos identitários que negam, silenciam, menosprezam ou 
atenuam  as  influências  de  matrizes  culturais  e  epistêmicas  não-europeias 
– 
como forma de categorização crítica que nos possibilita desdobrar, para o âmbito 
do Ensino de História, a abordagem do multiculturalismo interativo
10
 como uma 
resposta crítica importante de abordagem para lidar e desenvolver agendas de 
diversidade  cultural  na  escola,  sem  cair  em  subalternizações  culturais, 
essencializações identitárias ou folclorizantes, quando se pretende combater os 
componentes temáticos e epistêmicos que ainda apontam para a colonialidade 
do currículo no Ensino de História no Brasil.  


Compartilhe com seus amigos:
1   ...   19   20   21   22   23   24   25   26   ...   124


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal