Ministério da educaçÃo universidade federal rural do rio de janeiro dhri ichs mestrado profissional em ensino de história



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de  Ideias  não  estão  engessadas,  não  consistem  em  fórmulas  prontas  para 
serem  reproduzidas  pelo  docente  e  aplicadas  em  sala  de  aula.  A  partir  dos 
dezesseis ítàns dos orixás compilados neste trabalho e dos temas de discussão 
advindos do conteúdo simbólico/cultural a que eles se remetem, naturalmente, 
surgirão  outras  práticas  pedagógicas,  inspiradas  no  repertório  mítico  ligado  à 
natureza arquetípica de cada divindade. 
        O  docente  não  precisa,  necessariamente,  utilizar  todas  as  pranchas  do 
Balaio 
de 
Ideias 
com 

mesma 
turma, 
ele 
pode 
elencar 
as 
narrativas/temas/atividades  adequadas  para  a  sua  realidade  e  adaptá-las  de 
acordo com os conteúdos/objetivos planejados para suas aulas.  
        O objetivo do trabalho com a mitologia Jêje-Nagô é inspirar e sensibilizar 
os  docentes  da  área  quanto  às  infinitas  possibilidades  de  articulação  entre 
ensino de história e religiosidade afro-brasileira. Por isto a escolha intencional de 
formular  um  repertório  de  mitos,  imagens  e  atividades  pedagógicas  composto 
por dezesseis deuses.  
        Dezesseis é um número místico dentro da cosmologia iorubana, ele abarca 
o conjunto dos dezesseis odus primordiais. Divindades responsáveis por auxiliar 
o  criador  Olorún/Olodumare  na  criação/ordenação  do  universo.  Além  de 


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conterem  dentro  de  si  os  segredos  cósmicos,  encerrados  de  forma  alegórica 
dentro da narrativa mítica evocada pelo odu. O que se quer expressar com este 
número, é a concepção de que existe todo um universo inexplorado (nas aulas 
de história da educação básica) que é a mitologia afro-brasileira.  
         Acessá-lo  é  permitir-se  a  si  mesmo  e  ao  educando  a  oportunidade  de 
mergulhar nestas águas profundas e sagradas, fonte inesgotável de sabedoria 
que  alimenta  a  humanidade  há  milhares  de  anos.  Valorizar  a  ancestralidade 
negra  é  conhecer-se  e  reconhecer-se,  tornar-se  mais  completo  enquanto  ser 
humano, em suas dimensões éticas, estéticas e socioafetivas. Como no antigo 
ditado congolês: “Uma árvore que não possui raízes, não fica de pé. ” 
        Recomendo que os encontros pedagógicos com o uso do Balaio de Ideias 
aconteçam 
de 
forma 
natural, 
descontraída 
(o 
que 
não 
significa 
descomprometimento),  acompanhado  de  música  étnica  ambiente,  de  forma  a 
propiciar  a  abertura  psicológica  do  educando  pela  afetividade,  pois 
frequentemente  os  mesmos  chegam  ao  ambiente  escolar  impregnados  de 
resistências  e  preconceitos  raciais  e  religiosos.  Se  for  possível,  seria 
interessante  que  alguns  encontros acontecessem  na área externa  da unidade 
escolar, em contato com a terra e a natureza do entorno, se houver. 
         A produção do memorial, tanto do individual (do docente e do discente), 
quanto  do  coletivo  (da  turma  como  um  todo)  é  uma  ferramenta  indispensável 
dentro da metodologia do Balaio de Ideias, pois ele é um canal de comunicação 
entre professor/estudante, principalmente para os indivíduos mais introvertidos 
expressarem  seus  sentimentos  e  pensamentos.  Também  é  um  instrumento 
valioso para desenvolver a autorreflexão, o letramento histórico, a memória e a 
orientação temporal dos estudantes ao longo do processo de interação com o 
dispositivo de ensino. 
         
É  um  importante  “termômetro”  para  perceber  os  deslocamentos 
hermenêuticos  e  os  estranhamentos  diante  de  uma  nova  abordagem 
epistemológica de descolonização do olhar sobre a alteridade. Por isso destaco 
a  relevância  tanto  da  valorização  da  escrita  como  momento  importante  de 
registro das experiências vividas na interação com o produto e posterior leitura, 
pelo professor, dos memoriais produzidos pelos estudantes. O feedback trazido 
pelos  estudantes,  certamente,  enriquecerá  a  aplicação  de  nosso  produto, 
gerando  novas  ideias  e  propostas  de  atividades,  num  movimento  circular  e 


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espiral de renovação do axé pelo fluxo criativo da prática pedagógica em sala de 
aula. É com esse intuito que o Balaio de ideias foi desenvolvido. 
       
               
          
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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