Ministério da educaçÃo universidade federal rural do rio de janeiro dhri ichs mestrado profissional em ensino de história



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           A  escolha  pela  temática  das  religiões  afro-brasileiras  no  ensino  de 
História como objeto de pesquisa na presente dissertação partiu dos desafios e 
inquietações,  -  tanto  metodológicos  como  epistemológicos  -,  vivenciados  em 
minha  experiência  de  treze  anos  como  docente  da  área  na  educação  pública 
básica, em diversas comunidades periféricas situadas no município de Itaguaí, 
na região da Baixada Fluminense e Zona Oeste carioca. Ao longo desta trajetória 
profissional,  constatei  a  dimensão  da  resistência  e  dificuldade  em  apresentar 
qualquer conteúdo curricular vinculado, mesmo que indiretamente, às tradições 
culturais oriundas da matriz religiosa afro-brasileira.  
         O racismo, o preconceito afro-religioso e a quase completa desinformação 
histórica a respeito do tema, infelizmente, ainda predominam na cultura escolar 
de  grande  parte  das  instituições  escolares  públicas  brasileiras,  gerando  uma 
aversão/rejeição sistemática tanto direcionada a docentes/discentes adeptos da 
Umbanda e do Candomblé, bem como à sua abordagem em sala de aula. 
         A construção desta dissertação consubstancia o compromisso político e a 
concepção  teórico-metodológica  que 
“sulizam
1
”  meu  trabalho  enquanto 
historiadora/docente,  pesquisadora  do  programa  de  Mestrado  Profissional  em 
Ensino de História (ProfHistória) e professora do segundo segmento do Ensino 
Fundamental e do Ensino Médio, atuante nas questões relacionadas à ética da 
alteridade
2

aos 
direitos 
humanos, 

mais 
especificamente 
ao 
resgate/valorização da pluralidade cultural, étnica e religiosa que constituem a 
identidade do povo brasileiro .  
                                                           
1
 Sulizam é um neologismo que tenta mudar o ponto objetivo da bússola, isto é, o rumo que o 
ponteiro indica é o sul, rompendo com a perspectiva de orientação do norte eurocêntrico. 
2
  Este  conceito  representa  o  posicionamento  político  e  teórico  assumido  pela  autora  deste 
trabalho  que  adotou  o  termo  em  lugar  do  discurso  da  “  tolerância”  inter-religiosa.  Optei  em 
substituir o conceito de “tolerância” pelo de “ética da alteridade” porque o segundo expressa uma 
ideia  de  relações  interpessoais  pautadas  em  respeito  absoluto  e  sem  pré-julgamentos 
hierárquicos,  entre  indivíduos  e  coletividades  que  reconhecem  suas  diferenças:  culturais, 
étnicas,  religiosas,  de  opção  ideológica,  gênero,  vivência  da  sexualidade  etc;  porém, mais  do 
que  isto,  estão  conscientes  de  sua  igualdade  imanente  enquanto  seres  humanos  da  mesma 
espécie,  sujeitos  históricos  e  cidadãos  de  direitos.  Acredito  que  respeitar  vai  além  de 
simplesmente  “tolerar”,  pois  neste  caso  a  relação  não  admite  uma  paridade,  pressupondo  a 
superioridade identitária de quem tolera (sem a aceitação plena das diferenças) o outro que é 
apenas  “tolerado”,  sem  um  esforço  maior  pela  compreensão  de  sua  alteridade  como  um 
processo histórico e sociocultural em constante deslocamento/transformação. 


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        Esta pesquisa desenvolveu-se no intuito de contribuir para o enfrentamento 
desta  problemática,  partindo  de  reflexões  teórico-epistemológicas  envolvendo 
relações étnico-raciais, religiões afro-brasileiras no currículo escolar e ensino de 
História,  interfaces  que  precisam  ser  devidamente  analisadas  para  uma 
compreensão mais completa do preconceito afro-religioso arraigado na cultura 
escolar e em nossa sociedade como um todo, tendo em vista a elaboração de 
estratégias eficazes afim de promover sua desconstrução/superação. 



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