Ministra da cultura



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Encontro03.05.2021
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 Onde estaes Felicidade?
Não êxiste nêste mundo, quem não acalenta um sonho intimamente. Quem 
não aspire possuir algo que lhe proporcione uma existência isenta de sacrifícios. E 
o José dos Anjos, era mêsmo angelical nos modos de falar e tratar o próximo. Era 
piedoso. antes de tomar uma resolução refletia profundamente.
Um dia, êle viu a Maria da Felicidade e ficou cativo dos seus encantos. Ela 
era esbelta uns olhos negros e ovaes. Os cilios longos e arqueados. A bôca pequena 
e os dentes níveos e retos. Foi na festa de Santo Antonio que eles dançaram ao 
redôr da foguêira. Ela era a mais graciosa aos olhós de Jose dós Anjos. 
Seguia a Felicidade por todos os lados obedeçendo os impulsos do seu 
coração que transformou-se assim que ele viu a Felicidade. Quando se olhava para 
o alto confundia-se os balões com as estrelas. As damas usavam seus trages de 
gala. Dava mais encanto ao sarau sertanêjo. Convidóu-a para dançar e perguntou-
lhe onde era a sua residência.
Eu moro lá na fazenda Grotão – Fói a resposta lepida de Felicidade.
_ Eu sóu orfa. E a minha tia foi quem criou-me quando meu pai ficou 
viúvo, eu tinha só sêis anos. Não é nada agradavel a vida sem os afetos maternos. 
Mas o meu pai é extremíssimo. É o meu o melhor amigo. Tudo que é bôm ele 
reserva para mim.
_ A senhorita tem copromissós?
_ Oh! Não ninguem pensa em casar-se com uma pobre matinta como eu.
  
_ Eu penso em você!
 _ Oh Senhor ? ... Oh! Muito obrigada.
E desde aquêle dia Jose dos Anjos e Felicidade passaram a se encontrar 
todos os dias. Aos domingos êle e Felicidade iam passear na colonia e permaneciam 
até o sol recluir-se no poente. Todos os dias ele lhe dava um presente. Ora uma 
flôr que ela guardava num baú, embrulhada num lenço de sêda ou um favo de 
mel. Iam passear no bosque ouviam os gorgêios dos passaros. A brisa suave vinha 
acaricia-los. 
Carolina Maria de Jesus


Um dia ela estava com um vistido de chita e uma rosa nos cabêlos. Estava 
mais bonita do que os dias anteriores. José dos Anjos não póude domar os seus 
desêjos. Declarou-lhe o seu amôr. Nós havemos de ser felizes! Vou construir 
o nosso ranchinho de sapé. Vou plantar rosas para você ter rosas para por nos 
teus cabêlos. Penso que sou rei feliz ao teu lado. Que prazer quando eu voltar do 
trabalho e encontrar-te a minha espera. E nada ha de nos faltar se Deus quizer. E 
José dos Anjos ficou contente pensando nós progetos do futuro. Ele... também ia 
ter um lar!
O pae de Felicidade ficou contente. Era o seu sonho casa-la pórque ela 
ja era uma moça. E tinha recêio de mórrer e ela ficar sosinha neste mundo de 
meu Deus. Sóube que José dos Anjos era um homem bóm. Honesto, e amigo do 
trabalho. E para êle o homem não precisa ser rico. Basta ser bom ja era alguma 
coisa de valor. Marcara o casamento para o mês de Maio. José dos Anjós queria 
adórnar a capela com cuias e flôres de são josé e rosas. A flôr predileta Felicidade.
Plantóu sua rocinha para ter fartura em casa. Cavou a terra para dar curso 
ao regato e a agua passou perto do ranchinho. Dava gôsto ver o ranchinho com 
suas parades de pau a pique barreada. Construiu um altar para são josé. Felicidade 
preparava o seu enxoval com carinho. Quando chegou o ambicionado dia, José 
dos anjos rejubilar-se. Todas das amigas compareceram. As flôres que exalava 
seus perfumes mesclava-se com o ambiente. José dos anjos fez monjolo para ela 
tórrar farinha.
Um dia apareceu um viajante que vendia roupas a prestações. Assim que 
viu a Felicidade ficou encantado. Adimirando a sua belêza. Os córtes de sêda mais 
lindo êle deu-lhe de presentes.
_ Mas, eu não possó pagar-te _ Advertiu Felicidade.
_ Mas eu não estou vendendo-te. Estóu oferecendo-te para você ficar mais 
bonita.
Felicidade acariciou a sêda sórrindo. Que pano macio! Pareçe o ninho do 
colibri. Parece as plumas das painêiras. Eu vou fazer um vistido e o josé vae me 
achar mais bonita. O viajante sobressaltou-se e perguntou-lhe.
_ jose... quem é o josé ? 
_ É o meu espôso. Faz muito tempo ue nos casamos. Foi la na capela
Refletiu e disse-lhe:
_ Olha aqui você não dêixa o josé ver esses vestidos.


_ Ora pórque ? _Quiz saber Felicidade apreensiva.
_ Ele não vae góstar. Amanhã eu trago outros vistidos para você.
O viajante saiu ela ficou olhando aqueles vistidos. Pensava: Eu vóu ficar 
mais bonita do que a Dona Marina fazendeira. Com êste vistido eu vóu na festa 
de Santo Antonio. Com êste eu vóu na fésta de são joão. Era a primeira vez que ela 
ganhava um presente de valor o seu contentamento era imenso cinco anos casada 
com jose dos Anjos, e êle nunca preocupóu-se em dar-lhe uma coisa de valor. 
Onde sera que aquêle homem arranja estas coisas bonitas ?
_ Que homem bom! 
Todos os dias o viajante vinha visita-la sempre dizendo-lhe que ela, era 
bonita. Dizia-lhe as frases mais bela do mundo.
_ Se você fosse minha!... Eu te levava para uma linda cidade.
_ O que é cidade?
O viajante sorria achando graça da ingenuidade de Felicidade.
_ E ... Eu comprava uma casa bonita para você. Mais bonita do que a casa 
de Dona Marina. A fazendeira.
_ E tem casas mais bonitas do que aquela?
_ Tem sim. Os palaçetes. Se você quizer vir comigo para a cidade você vae 
ver.
E felicidade ficava apreensiva pensando. E aquêle homem estava pondo 
tantas côisas na sua cabeça. 
_A minha cabêça ta virando tuia _Ergueu os olhos e encontrou os olhos do 
viajante. Fitas no seu rosto. Sumiu-lhe.
_O que pensas querida Felicidade? 
_Nas coisas que o senhór diz e eu gostaria de conhecer. Eu pensava que 
o mundo era só até aonde a minha vista alcançava. O viajante deu-lhe colares e 
brincos.
_Oh! Que maravilha! 


_Onde eu ponho isto? _Quis saber Felicidade que estava abismada com 
aquêles adormos que ela via pela primeira vez. 
O viajante póis o colar no pescoso de Felicidade, e os brincos nas orelhas. E 
deu-lhe um espelho. Assim que ela viu o seu rosto refletido no espêlho exclamou!
_Eu sóu bonita assim?
_E você é muito bonita. E se fóres comigo para a cidade vae ficar mais 
bonita.
_Oh! Eu não sabia que eu era bonita.
_Ora Felicidade. Desde o dia que eu te vi, eu estou sempre dizendo-te, que 
você é bonita.
_Ah! então e pórisso que as pessôas que passam por mim param, e olham-
me. E eu, ficava nervósa. 
O viajante deu-lhe um vidro de perfume.
_Que cheiro gostoso o dia que você vistir o vistido de viludo você ponhe 
um pouquinho no vistido, e nos cabêlos se você for comigo para a cidade eu 
compro um automovel para você. 
_Eu tenho uma vontade de andar naquilo.
O coração de Felicidade ficou oscilando. O seu pensamento repetia só as 
palavras do viajante. Andar de avião. Andar de automóvel. Ela que havia visto 
avião só no ar. E ficou igual a uma criança quando desêja um brinquedo. 
_Será que eu vóu gostar de andar naquilo! E o avião quando passa faz um 
baruião! despertando as crianças _E aquelas palavras martelava o seu cérebro.
_Você vae ter as unhas pintadas igual a Dona Marina. Você vae ter que 
cuida dós teus cabelos. Vae ter uma empregada. Se você ficar aqui nunca irá gosar 
a sua vida. 
A tarde o jose dos anjos chegava da roça. A cariciava o rosto de Felicidade 
que assustava com o contato de sua mão. 
  
_O que foi Felicidade ? 


_Você não era assim. O que você esta sentindo? Fala Felicidade! Eu não 
quero ver você sofrendo.
É que as mãos de jose dos anjos eram rusticas, chêias de calos. E as mãos 
do viajante eram macias aveludadas. Ela notava a diferença. Ela preparava o jantar 
para o Jose dos anjos, e afastava o viajante do seu pensamento. José lhe fitava igual 
a onça quando olhava a lua.
_Oh! José você vae me pór quebranto.
_Eu sei benzer. Dizia o josé sórrindo ao lado daquela mulher que lhe 
estimulava na vida. Ele ia trabalhar e a Felicidade preparava-se para reçeber o 
viajante pensando!
_O que será que elê vae dar-me hoje? 
Assim que elê chegou ela disse-lhe: 
_Até que enfim! 
O viajante compreendeu e sorriu. 
 
_Bom dia, minha flôr maracujá
Ela sorriu. A flôr de maracujá é mais bonita do que eu. O viajante deu-lhe 
um cinto de couro com uma fivela.
_ Que engracadinho! Isto eu sei é da cintura. E coloca o cinto para ver o 
realce. 
_Como é você vae comigo ? _Perguntou o viajante acariciando o seu rósto.
_Eu ... não posso! _E Felicidade pois os olhos no chão pensativa.
O senhor vigario disse que a mulher não pode separar-se do espôso.
O viajante coçou a cabêça impaciente. E disse-lhe: 
_Você vae ser minha mulher ?
_Credo! É pecado! _Exclamou Felicidade horrorissada. 


_O vigario disse-me, que uma mulher não pode ter dôis homens. Que 
precisa ser só do espôso. Ele falou tudo isto quando eu fui confessar para casar-me 
Ele falóu numa tal de fidelidade ou felicidade. É uma palavra que pareçe 
com o meu nome Que a tal de fidelidade da valôr as mulheres.
_Eu tenho dó do josé ! côitado! Quem e que vae fazer a comida para elê? 
Quem e que vae lavar as roupas d’êle? Quem é que vae fazer-lhe chá quando êle 
adoecer?
Ela pensava tudo isto, mas estava indecisa. O viajante era a auróra 
suplantando a noite. O viajante saia cabisbaixo. Ela ficava olhando êle andar 
pensava: Ele é tao agradavel o que eu sei é que se ele ir-se embóra eu vóu sentir 
saudades. E se eu deixar o jose e ir com êle, eu vou sentir remorços. Ela estava tão 
desnorteada que ja estava dormindo pouco e não sentia fome.
Ela estava esperando o viajante. Ficou contente quando ele chegou.
_Vim ver-te. Como vae?
    
_Assim, assim.
_Pensóu em mim?
_Pensei 
_O que ressolveu?
O senhor vigario disse-me que a esposa não deve deixar o lar. Que a 
separação dos casaes deve ser só com a mórte.
_Então eu vou-me embora. 
_Espera mais um pouco! Fica mais uns dias... Se o senhor partir eu vóu me 
sentir saudades 
_se é êste o teu desejo! E o viajante somio, convencido do seu êxito.
Ela pensou, pensóu, e ressolveu acompanhar o viajante. Foi com anciedade 
que esperou o dia surgir para dizer-lhe que ia com ele. José dos anjos notava a 
indiferença de Felicidade. De manhã José dos Anjos saiu para o trabalho. Felicidade 
preparóu-se para receber o viajante passava horas e horas diante do espêlho. Ficou 
contente quando êle chegou. Lhe reçebeu risonha. Pensóu: Ele me ama. Vem ver-


me todos os dias. O seu olhar transbordava ternuras. Suas palavras, eram lindas. 
Ressôava aos ouvidós de Felicidade como o som de uma harpa tocada por um 
anjo.
_Estóu disposta a obedecer-te em tudo. Foste o unico homem a dizer que 
o meu corpo de fada mereçe ser adórnado com sédas linho e víludo. Agóra eu 
quero conhecer o que é cidade e palacete _A lumasidade despertou a sua mente 
letárgica. 
_Então o mundo é maior do que isto aqui?
Que bom viajar! de avião! Conhecer outras cidades. Aspirar o ar bem la 
no alto. Sentar-se perto do piloto observar o altimetros para ver quantos metros 
galgara. Ela ouvira tudo isto embevecida. Perçebeu que amava o viajante. Ele 
afastou o José dos anjos do seu coração. Agora ele era o dono exclusivo dos seus 
olhares que falava a linguagem dos córações enamoradós. 
_Como vae indo minha bonequinha olhos de esmeralda? Como vae minha 
orquidéa? _Era assim que o viajante lhe comprimentava. 
_Estóu apenas com saudades do senhor _O viajante assumia. 
_É ótimo ouvir isto. Agrada-me, imensamente. A saudade, é amostra do 
amôr. Eu so serei feliz quando tu dizer que me ama. E que deseja- me, sempre ao 
teu lado. Você quer ir comigo para uma linda cidade que se chama São Paulo? 
Felicidade não sabia o que fazer Quando estava perto do viajante lhe queria. 
Quando estava perto do José dos Anjos lhe queria. Aquêle silencio aborreceu o 
viajante que disse-lhe: 
_Se eu partir, você nunca mais, ha de ver-me pór aqui. 
Felicidade sobressaltóu-se.
_Não! _Forte implorou-lhe.
O viajante sórriu percebeu que já era amado. 
_Não sei viver aqui sem atração. 
Esperóu impaciente. Vendo que ela não dicidia fez menção de partir. Ela 
seguróu-lhe o braço. 


_Não vae! Eu vou tenho muita confiança em você, sei que não vou sofrer, e 
nem me arrepender-me. Crêio que vou sentir saudades dêste recanto. Mas como 
hei de sair? Se eu fugir, vão maldizer-me. O meu espôso é pobre, mas sempre 
honróu-me. Trata-me bem. E é tão dedicado. É meu amigo. Ofereceu-me o seu 
nome. Não dêvo ser-lhe ingrata. O que dêvo fazer?
O viajante pensóu antes de responder-lhe.
_Você finge que esta lóuca.
Deu-lhe todos pormenores. A tarde josé dos anjos chegou. Não encontrou o 
jantar pronto a sua espera. Estava exausto. A casa estava numa desórdem hórrível. 
Felicidade pôis os travesseirós em cima do fogão as panelas em cima da cama. 
Pôis as cadeiras de pernas para o ar. Carregava agua e jogava na estrada que não 
era calçada e dizia eu quero deixar a casa bem limpa. Esfregava com a vassoura 
e dizia vêja como a casa esta bonita os curiosos paravam para olhar. Felicidade 
lhe atirava água. José dos anjos veios busca-la para levar-lhe para dentro de casa. 
Amava sua esposa e não queria vê-la ridicularisada. Uns riam. Outros diziam 
coitada. Assim que êle tocou-lhe ela tentou rasgar o vistido e dizia: 
_Vae !  Vae embóra diabo! E tentóu erguer o vestido. 
José dos anjos impediu-lhe. Felicidade estava no auge do dessespero 
quando o viajante chegóu disse que era médium e prontificou-se a dar-lhe um 
passe. 
_Ela, acalmóu-se.
O viajante disse lhe para sentar-se ela sentou-se. Disse ao josé dos anjos 
que ela precisava ser internada num hospicio imediatamente que ela estava louca. 
E que a loucura ia aumentar-se. José dos anjos deu um longo suspiro. Não tinha 
dinheiro para gastar em caso de emergência.
Nunca havia sofrido um revez na sua vida. Disse soluçando:
_Ha dias que estou notando a sua transfórmação.  Mas, eu não tenho 
dinheiro! E a minha Felicidade vae mórrer! Oh! Deus! Não deixa a Felicidade 
mórrer! Eu preciso dela! Eu não posso viver sem ela!  
O viajante prometeu leva-la no seu proprio carro. Amarrou as mãos de 
felicidade que estava linda com seus cabêlos revoltos. Puzeram ela no carro. Ela 
não falava, apénas chorava. O viajante entróu no ranchinho de sapé pegóu uma 
trouxa que estava em cima de sua mêsa. Era os vistidos de Felicidade. José dos 
Anjós estava tão nervoso que não perçebeu o viajante entrar dentro de sua casa. 


O carro seguio e José dos Anjós ficou olhando o carro ate desapareçer na curva. 
Não perguntóu ao Viajante onde ia com sua espósa. Ficou tão triste! 
E os anos passaram. Ele esperou. Esperóu o seu regresso. Ele não podia 
ir procura-la. E a saudade fói multiplicando. E de tanto pensar na sua esposa 
ressolveu procura-la. Ja não dórmia, não comia. Ele ia em tôdas cidades que 
tivesse hóspicio. Vendeu tudo que possuía. Empreendeu na viajem. Chegóu numa 
cidade perguntóu onde era o hospício lhe indicaram chegou desconfiado pórque 
nunca tinha visto uma cidade. 
Aquelas casas agrupadas, tantas gentes nas ruas. Muitas musicas. Ele 
atrapalhava porque não sabia ler. Pagou um menino para conduzi-lo ao hospício. 
Olhóu assustado para aquela casa enórme de vários andares e perguntou ao 
porteiro.
_A Felicidade esta aqui?
O pórteiro sórriu. Depôis ficou sério e respondeu-lhe:  
_Meu filho! A Felicidade nunca passóu pór aqui. Os que aqui ressidem são 
todos infelizes. 
_Ela ha de estar em outro hospício e eu, vóu procura-la. 
Ele se foi. Quando chegóu procurou o hospicio e perguntou ao porteiro:
_O senhór pode fazer-me o favôr de dizer-me se Felicidade passóu por 
aqui?
_Não! Não passóu por aqui então o senhór esta procurandó a felicidade? 
Se o senhór encontra-la diz-lhe para vir visitar-me.  
José dós Anjos começou chorar. 
_Meu Deus! Meu Deus... Mas eu, era tão feliz com minha Felicidade.
O pórteiro respondeu-lhe:
_Pôis então o senhór é mais feliz do que eu, que dêsde o dia nasci, não sei 
o que e felicidade. É a única cóisa que não poderei cóntar na minha vida é o que 
é ser feliz. 
E Jose dós Anjós percorreu. Varias cidades. E as respostas eram como 


espadas a perfurar-lhe o coração. Ele fói perdendo o interesse pela vida. Não mais 
procuróu barbeiro. Os cabêlos e as barbas confunde se. Cresçeu até a cintura. 
Quando êle chega num hospicio e pergunta:
_ A Felicidade passou por aqui?
Eles dizem... êle é louco! Abatido e sem ilusão, ressolveu voltar para gratão 
o seu desêjo é mórrer no seu ranchinho de sape onde êle e Felicidade fôram felizes. 
Isolóu-se por completo. Permaneçe sentado na pórta com os olhos fitós na estrada 
até a curva onde o automóvel dobróu. Esperando a Felicidade voltar. As vêzes êle 
impacíenta-se e brada: 
_Onde estaes Felicidade! 
Os cabêlos e as barbas de Jose dos Anjos, avulumou-se  tanto, que parece 
a juba de um leão.


Favela
Era o fim de 1948, surgio o dono do terreno da Rua Antonio de Barros 
onde estava localisada a favela. Os donos exigiram e apelaram queriam o terreno 
vago no praso de 60 dias. Os favelados agitavam-se. Não tinham dinheiro. Os 
que podiam sair ou comprar terreno saiam. Mas, era a minoria que estava em 
condições de sair. A maioria não tinha recursos. Estavam todos apreensivos. Os 
policiaes percorria a favela insistindo com os favelados para sair. So se ouvia dizer 
o que será de nós? 
São Paulo modernisava-se. Estava destruindo as casas antigas para 
construir aranha céus. Não havia mais porões para o ploletario. Os favelados 
falavam, e pensavam. E vice-versa. Ate que alguém sugerio.
_ Vamos falar com O dr Adhemar de Barrós. ¬_ Ele, é um bom homem. 
E a Leonor, é uma santa mulher. Tem bom coração. Tem dó dós pobres O Dr 
Adhemar de Barros, não sabe dizer não a pobreza êle é um enviado de Deus. 
Tenho certeza que se nos formos falar com o Dr. Adhemar de Barros, êle soluciona 
o nosso problema.
E assim os favelados acalmaram. E durmiram tranquilos. Ainda não 
tinham ido falar como Dr Adhemar de Barrós. Eles confiavam nêste grande lider. 
Reuniram e foram. E foram bem recebidos pelo Dr. Adhemar que não faz seleção. 
E abria as portas do palacio para a turba. Foi por intermedio do Dr. Adhemar de 
Barros que o ze povinho conheceu as dependências dos campos eliseos. Citaram 
ao Dr. Adhemar os seus problemas angustioso.
_Dentro de 3 dias eu arranjo lugar para voçeis. 
E o Dr. Adhemar que não decepciona que tem noção de responsabilidade 
das palavras conferenciou com o Dr. Paulo Lauro que era o nobre perfeito de 
S. Paulo. e ressolveram instalar os favelados as margens do Rio Tietê, no bairro 
do Canindé. E ficou ao cargo do patrimonio colocar os favelados. E começou a 
transferência. E os favelados mais de mil pessôas só falavam no Dr. Adhemar. 
Enalteciam o Dr.  
Os terrenos eram medido por um fiscal. 6 de frente, 12 de fundós. Uns 
ficava contente, outros achava que era pouco. O grave problema. A agua para 
beber. Para lavar usavamos o Tietê. Os visinhos não queriam dar agua Quem 
tinha torneira no jardim chegaram até arrancar o cano para não nos dar água. 
Carolina Maria de Jesus


Nos estavamos com sorte. Os cargos politicos eram ocupados pelo Partido 
social progressista. Já denominado o Partido de Deus. O partido dos homens 
filantrópicos surgio o Dr. Armando de Arruda Pereira pareçe que ele foi vacinado 
com o sangue de São Vicente de Paula. Era filantrópico compreensivel isento de 
orgulho. Mandou instalar uma caixa d’água paraos favelados Que bom quando 
vimos a agua jorrar.
Quantas pessôas que moravam em casas de tijolos invejava os favelados 
dizia que nós eramos favorecidos pelo políticos. No inicio isto aqui era um primor. 
Todos os dias, chegava um barracão. Não havia divergência. Reuniram cotisavam 
e estalavam a luz. Quem tinha radio tocava e a favela, era mais alegre. Eu morava 
na rua Riachuelo. A casa foi demolida eu passei a residir no Hotel todas admirava. 
Dizia: granfina!
As vêzes eu empregava, dormia nos empregos. Não procurava quartos. Era 
a crise de habitações. E quando eu não tinha dinheiro dormia no albergue noturno. 
Nem sempre os bons ventos me favorecia. Ressolvi ir no patromonio pedir um 
lugar aqui na favela eu ia ser mãe. E conhecia a vida infausta das mulheres com 
filhos e sem lar. Vi muitas crianças morrer ao relento nos braços das mães.
Fui feliz. Ganhei. No inicio eu fui morar com o casal que bebiam. Todos 
utensilios cheiravam alcool. Eu trabalhava numa pensão. Quando eu chegava em 
casa estava exausta dormia enquanto eu dormia eles vasculhavam meus bolsos. 
De manhã, eu não tinha dinheiro para condução.
Eu queria fazer o meu barracão e não dinheiro para comprar tabuas. 
Estavam construindo a igrêja Nossa senhora do Brasil. Eu resolvi pedir umas 
tabuas para monsenhor carvalho. Ou sêja o padre João batista de Carvalho. Ele 
deu-me e eu não tinha dinheiro para pagar condução carreguei as tabuas na 
cabêça da Avenida Brasil ate o ponto final do Canindé.
Todas as nôistes eu dava duas viagens. Eu ia de bonde, e voltava a pé com 
as tabuas na cabêça.  Treis dias eu carreguei tabuas dando duas viagens. Dêitava as 
duas horas da manhã. Eu ficava tão cançada que não conseguia dórmir. Eu mesma 
fiz o meu barracaozinho. 1 metro e mêio por um metro e mêio. Aquêle tempo eu 
tinha tanto mêdo de sapo. Quando via um sapo gritava pedia socorro. Quando eu 
fiz o meu barracão era um Domingo. Tinha tantos homens e nenhum auxiliou-
me sobrou uma tabua de  quarenta centimetro de largura era em cima dessa tabua 
sem colchão que eu  dórmia. 
Sempre fui muito tolerante pensava melhores dias ha de vir se Deus quizer  
comecei preparar o exonval do meu João José. Fazia o tratamento pre Natal no 
Hóspital das clinicas. Eu sentia tonteiras e caia mêia inconsiente. Alguns passava-
me e não me olhava. Outros fitava-me e dizia.


_ Negra nova podia e pode trabalhar mas prefere embriagar-se.
 Mal sabiam êles que eu não me sentia bem alimentação deficiente, 
aborrecimentos moraes,  e físicós. Quando eu me sentia em condições de 
aguentar-me de pé levantava e prosseguia As vêzes eu ia na Igreja imaculada pedir 
pão. Quantas vezes a criança debatia no meu ventre Quando eu chegava no meu 
missero barraco dêitava.
Os visinhos murmurava. Ela é sosinha Deve ser alguma vagabunda. 
É crenca generalisada que as pretas do Brasil são vagabundas. Mas eu nunca 
impressionei-me com o que pensam ao meu respêito. Quando os engraçadinhos 
quiseram dizer-me gracólas, eu disse: 
_Eu sou poetisa. Peço respeitar-me mais um pouco.
_A senhora não bebe? 
_Não! E reprovo os que bebem. E ôdeio os que me ofereçe bebidas. O meu 
estomago é fidalgo não vóu deturpa-lo com toxicos.
Ninguem aborrecia-me. Dia 27 de janeiro de 49 percebi que estava prestes 
a ser mãe. Pedi a D. Adelia minha visinha que entendia de parto para me fazer 
companhia. Disse: 
_Não posso!
E eu gostava muito dela. Tudo de bom que eu tinha casa eu dava, como pêixe 
tudo que eu comprava dividia com ela. Diante de sua recusa o meu afeto por ela, 
arrefeçeu. Eu gemia. E nenhuma visinha interessou-se por mim. A extinta Marina 
do Adalberto condoeu-se, vendo-me ali sosinha e Deus. Chamóu assistência e 
levou-me para o Hopital das clinicas. Eu estava matriculada lá. Açeitaram-me. As 
dôres multiplicava-se passei treis dias mo extertôr. Dia 1 de Fevereiro de 1949, as 
cinco horas o menino nasçeu. A parteira D. Amelia apressentou-me o menino e 
disse:
_Olha aqui o seu zolhudo!
Os medicos aproximaram para saber se o parto foi Nórmal. Quando o sol 
surgio, eu estava livre da agonia. Olhei a parteira perguntei-lhe como a senhora 
chama?
_D. Amelia!
Vou trazer uns frangós, uns frangos bem gordo para a senhora. Oh! se os 


medicos e parteiras, e as enfermeiras reçebessem o que lhe prometem os dóentes. 
E eu não cumpri a promessa. Não esqueci. É que eu nunca tenho dinheiro 
dispunivel para dar presentes. Permaneci vinte dias no Hospital das clinicas. Fui 
muito bem tratada. E aqui na favela circulava um bôato que eu tinha falecido. 
Quando cheguei encontrei uma mulata no meu barracão. As curiósas vieram ver 
o menino. Umas dizia. 
_Êle vae ser um cachasêiro ou então vai ser um Dr. porque a  mãe dêle só 
fala em Drs.
_É precisa batizá-lo!
Quando a D. Amelia sugerio que eu devia dar o menino para o senhor Jose 
Nogueira batisa-lo. E dia 18 de Abril de 1949. Batisamós o menino. A D. Adelia 
tómava conta do menino para eu ir catar papel. Eu pagava 10 cruzeiro por dia. 
Mas quem deve cuidar do filho é a própria mãe. Mas eu preciso tolerava. Um dia 
eu pedi a D. Amelia um pouco de gurdura. Ela disse: 
_Pôis sim!
Eu pensei: como a senhora é. Só quer reçeber. E nunca mais lhe dei nada! 
Eu mêsma passei a cuidar do meu filho. Ela resentiu-se com minha ausência. De 
vez enquando eu lhe encontrava, na ressidencia do meu cómpadre José Nogueira. 
Um dia eu passava o terno de linho do meu compadre. Quando eu olhei o meu 
filho que estava dêitado êle estava prestes a cair. Eu sai correndo para ampara-lo  
deixei o ferro ligado perto do terno. Quêimou-se. Eu notei o descontentamento. E 
jurei não mais passar roupas para eles. 
No principio que passei a residir aqui na favela. Eu expantava-me quando 
via a radio patrulha ou uma discussão. A primeira briga que presenciei na favala, 
foi quando a Juana jogou agua quente no rôsto de seu companheiro Germano. 
Pensei: que coragem jogar agua quente no rôsto de uma pessôa!  E se queimar a 
vista? Será que estas pessôas não sabem dominar seus impulsos? Não tem nervos 
iducadós? Depôis fui habituando-me com as atrocidade dos favelados. A nôite 
sempre havia bate fundo. Eu queria saber se o senhór Germano estava melhor. 
Mas, eu não tinha intimidade com êles. Mas ouvia as mulheres dizer que êle saiu 
correndo e foi banhar o rôsto no rio. Que o homem chorava altas horas da noite.
Sempre a gente despertava com um grito de soccôrro. Era mulheres 
apanhando dos esposos. No outro dia as vezes eu interferia como conselheira 
depôis, vendo que não obtinha resultados com os meus conselhos, deixei de 
imiscuir. O meu João José tinha 6 mêses. Eu catava papel no bairo da luz. A casa 
tra-lá-lá me dava papel. O seu mello da livraria muito iducado  e  muito bom e 
outros. 


Quando conheci um espanhol, por nome Antonio Garcia todos me dizia que 
êle era um bom homem. E varias pessôas aconselhou-me para viver maritalmente 
com êle. Que eu não ia arrepender-me. Ele vendia linguiça. E era conhecido como 
“O linguiçeiro. Ele me dava muita linguiça... Depois fui aborreçendo. Quando ele 
me dava linguiça eu distribuía com os visinhos. 
Eu deixava o menino sosinho e Deus no barracão e de manhã eu saia para 
catar papel, o deposito era na rua Joaquim Murtinho. Eu recebia o dinheiro e 
vinha correndo. Eu dizia para o dono do deposito,
_Pesa o meu papel depressa pórque os meus seios estão chêios de leite.
E o lêite dôia-me. As vezes transbordava.
Um dia surgio um preto e sua companheira fizeram o barracão perto do 
meu. Cobriram o teto era de papelão. E naquele tempo chovia quase todos os 
dias. Era pior barracão mais humilde da favela. Mas, quando o preto saia a rua 
tinha aspecto de Dr. ternos de linho otimo relógio aneis de ouro. etc. Todos lhe 
chamavam de Manôlo. Um dia por motivos futeis insultaram me, e discutimos. 
No outro dia o meu filho amanheçeu evacuando verde. A D. Adelia disse: 
_Ele mamóu lêite raivoso.
Eu quis saber o que era lêite raivôso. Ela explicou-me dizendo que havia 
discutido e quem amamenta não pode exaltar.
O linguiçeiro vinha sempre as segunda e quartas. E eu lhe reçebia 
amavelmente. Mas não contava os aborrecimentos que as mulheres da favela 
inflingia-me. Ele repreendia-me. Para eu não ir na ressidencia do meu compadre. 
Dizia:
_Eles te explóra. 
Eu carregava agua, ia fazer compras tudo que a comadre me mandava 
fazer, eu fazia.
Um dia, eu disse ao espanhol que é o linguiçeiro mas eu lhe chamava de 
espanhol.
_Eu vóu ser mãe. E voçê precia me dar dinheiro para eu erguer um barracão.
Como é que eu vou ter mais um filho neste barracão de 1 metro e meio 
de largura não tinha espaço. Oh! eu não posso! Ele me dava só vinte cruzeiros 
por semana. Dizia voçê ganha mais do que eu. Revoltei interiormente. Noutro 


dia eu levantei dicidida. Fui trabalhar com o obgetivo arranjar dinheiro para eu 
erguer o barraco. Eu estava catando papel para o Estefenson. Eu catava papel das 
sete até as 11. Quando eu ia receber ele dizia deu vinte cruzeiros. Noutro dia eu 
mandava mais papel. Pensava: hoje eu ganho mais. Ele dizia deu vinte cruzeiros. 
Passei a mandar o papel para a rua guarapé. O primeiro dia, ganhei 45 cruzeiros. 
Fiquei contente. Noutro dia 55 cruzeiros pensei: Agora sim! posso mandar fazer 
o barracão.
Quando eu transitava pela rua Nestor Prado vi varios caixotes. Perguntei: 
_O senhor vende esses caixotes?
_Vendo-os. Por oitenta cruzeiros a senhora pode leva-los. 
Arrangei os Oitenta cruzeiros paguei, e dei o endereço. O homem trouxe 
no seu proprio caminhão, e não cobrou á transporte. Passei a trabalhar com dono. 
Todos os dias eu comprava uns caibros se ganhava cinquenta cruzeiros comprava 
treis caibros. Se ganhava quarenta comprava dôis. E assim, eu fui cómprando 
ripas. pregos e telhas... 
Precisava comprar dormentes porque Os barracões tinham que ser 
construído. Chovia dava enchente. E eu tinha passado uma enchente dentro 
d’água. O antigo barracão foi construido na terra sem assoalho passei treis dias 
em cima da cama. Puis o fogareiro nos pes da cama comprei uma lata de carvão e 
ali naquela posição imcomoda eu preparava minhas refeições.
Fui na estação do Bras cómprar os dormentes paguei vinte e quatro 
cruzeiros. E para comprar os dormentes, a gente precisa ir em varios lugares. Quem 
fez o barracão para mim, foi o extinto Belisario e o senhór Juaquim Mathias. Eu 
ganhava quarenta e cinco por dia, catando papel, E pagava cinquenta cada um. 
Reservava o dinheiro para o senhor Juaquim Mathias. Que era o mais exaltado. 
Eu comprei o material do Senhor Eduardo seis caibros e uma porta a credito para 
pagar depois. Ele disse: 
_Voçê paga os outros primeiro eu espero! 
Um dia o senhor Juaquim Mathias vêio cobrar-me. Eu não tinha dinheiro 
em o 
Quando lhe entreguei o dinheiro, ele sórrio.
_Muito obrigado D. Carolina! A senhora é uma mulher e tanto. E preta de 
primeira. Não é preta de segunda categoria. Quando a senhora precisar de mim, 
eu estou as ordens. A senhora não quer entrar? Venha tómar um cafezinho D. 


Carolina!
Mas, eu jurei não mais ocupar o senhor Juaquim Mathias pra nada. No 
outro dia era sete horas quando recebi a visita da tal D. Guiomar. Irmã do senhor 
belisario. Vêio cobrar-me. Gritou: 
_É habito das mulheres da favela gritar quando falam.
_A senhora precisa pagar meu irmão! Pagou todos, e ele é doente. Trabalhóu 
sem poder. Precisa receber. 
O linguiçeiro me dava linguiça, eu fazia macarrão com linguiça para mim 
e o meu filho João José. O menino chorava quando comia o macarrão porque, a 
linguiça tinha pimenta. Mas, eu não podia comprar banha. As vezes eu encontrava 
o senhor Eduardo Pêra no empório êle comprava leite para meu filho. 
Ressolvi arranjar um emprego que me aceitasse com o menino. Fui na radio 
Piratininga o Chico carretel anunciou e me apareceu um emprego. Fui tratar deixei 
meus documentos como penhor. Trabalhei ôito dias fui despedida. Achavam que 
eu, e o menino dava prejuizo. Percebi que eram nóvos ricos. Continuei catando 
papel. Todos os o que ganhava recebia.
Um dia, eu estava indispósta, Não queria sair. Depois dicidi fui a pé. 
Quando cheguei na estação da luz achei um relogio. Era sete horas no relogio da 
luz. Era sete hóras no rélogio que estava no chão. Passei a usar relogio. Alguns 
perguntava.
_ Voçê achou êste relogio no lixo?
Quando cheguei na favela encontrei um bate fundo. As mulheres falavam 
que o senhor Francisco kiss, tinha segurado uma senhora, para a sua esposa 
expanca-la. E que a vitima estava com o braço engessado. Todos os dias a radio 
patrulha vinha na favela.
27 de maio de 1950 eu sai na Epoca. Quando os faveladós viram o meu 
retrato no jornal ficaram habismadós. Dizia: 
_A D. Carolina esta no jornal. O que ela fez? Róubou?
_Não! É poetisa. Esta dizendo que um dia, há de ser escritora!
Ah! vóu comprar o jornal para eu ver. Foi a quadra mais hedionda da 
minha vida! Eu não tinha roupas não tinha agassalhós. E o frio naquela época, 
era de estarrecer. Era a época da campanha elêitoral pra candidatura de Getulio 


Vargas. E o jornal que enaltecia
o extinto presidente. Era o Defensôr. Dirigido pelo jórnalista Jorge 
Corrêia. Cómo eu era getulista pedi ao senhor Jórge Córrêia, se açêitava minhas 
colaborações. E passei a escrever no “O defensôr”.
       (Eis o artigo) 17 de junho de 1950.
   
Getulio será presidente pela redação a dentro num gesto sincero e 
expontaneo chegou ate nos a senhora Carolina Maria inspirada poetisa negra, 
em os retoques e ilustrações exigidos pela cultura que vêio trazer seu testemunho 
até nós de gratidão, e veneração pelo insigne estadista GetulioVargas. Em poucós 
mómentos, e screveu o artigo abaixo e alguns versos que transcrevemos.
Nobre povo brasileiro, para eliminar-mos a prepotencia dos politicos sem 
noção devemos unir-mós e votar incondicionalmente no ilustre e nobre senadôr 
Getulio Dormeles Vargas. Precisamos de homem de sua tempera de capacidade 
indiscutível e larga tirania politica para dirigir o futuro do nosso pais tão 
sacrificado pela imcompetencia dos politicos irresponsaveis. O nosso Brasil esta 
necessitando de um homem para dirigi-lo. E não deixa-lo a merçê dos gananciósós 
que dia- a-dia aumenta os pêco dos generos de primeira necessidade. E abusam 
da minguada bolsa de um povo quase faminto. O nosso Brasil e um pais rico 
e fecundo, Campôs de produzir de tudo não havendo nenhuma necessidade de 
espantôso custo de vida. O preço exorbitamte da vida atual nos leva a recordar com 
saudade os dias das eleições presidenciais. Assim sêja, quinze anos de governo, do 
ilustre Getulio Vargas. Quando então, tinhamos tudo em abundancia e por prêço 
mais em conta. Apesar da guerra.
Hoje vivemos apertados, ou exprimidos no toniquête dos tubarões... Os 
filhos dos operariós não tem infancia. Não tem brinquedos. Não tem distrações 
e tão logo terminem os cursos primariós são obrigados a trabalhar nas fábricas, 
onde muito cedo perdem os sonhós tao propriós da puericia. Muitos se esforçam 
para estudar, mas dessanimam e intérrompem os estudós quando sentem a penósa 
e embaraçosa situação, sêja pela dificuldade finançêira com que lutam. Sêja pelo 
grande esforço fisico. dispendido.
O estudante não tem proteção. Não tem desconto nós livros didaticos. As 
taxas escolares aumentam extorsivamente. É preciso interessar pelo jovem pobre 
que estuda, auxiliando-o pois precisamos que garantam um futuro melhor para 
nóssa terra. Essas razoes e inumeros outros problemas é que nos impele a almejar 
um governo democratico imbuído da essencia da alma nacional. Que realize 
apenas o bem estar da coletividade. Não oprimindo o seu já tão martirisado povo.
O Brasil sem presidente Vargas anarquisou-se ao extremo. O presidente 
Dutra só nos tem causado decepções apesar de nele havermos depositado tôda 


nossa confinça Qual foi o decreto do presidente Dutra que favoreçeu os pobres? 
O aumento da carne do café e do pão. dos viveres, dos alugueis de casa etc. Ate 
agora só tem assinado decreto oprimindo o poco em favor dos tubarões. Não 
devemos e nem podemos votar nesses politicos inconcientes. Devemos dar 
nossos vótós ao grande e inesquecivel Getulio Vargas. O maiór dos brasileiros 
a quem conhecemos e em quem o Brasil muito confia. Ele pertence o núcleo 
dos inteligentes e observadores que medem suas palavras e não enganam os 
que lhe depositam confiança. Nós, os humildes pobres operario de cor ficamos 
imensamente satisfeitos com a candidatura do eminete estadista a quem tanto 
devemós. Se Deus quizer ele voltará. 
Findando o que havia transcrito a senhora Carolina maria dedicou ao 
senhor Getulio Vargas os seguintes versinhos.
É orgulho da nossa gente
É opinião Brasileira
Que temos um presidente
Que honra a nóssa Bandeira
Getulio heroico e potente
Grande alma Nacional
Devia ser presidente
Desde o tempo de catedral
Getulio é competente
Para guiar a Nação
Foi um grande presidente
Deixo minha impressão
Nas minhas orações peço


Ao bom Deus, justo e potente
Para ter breve regresso
O Getulio a presidencia
      Carolina Maria
Eu estava gestante. E não podia auxiliar o nobre senhor Jorge Corrêia. 
Quem escrevia era o senhor Ribeiro, Nelson Branco Ribeiro, Jorge Corrêia, Luiz 
Brasil e D. Luzia. Esposa de Jorge Córrêia que as vezes levava eu para o edificio 
America onde era a redação. Notava o caso de D. Luzia. Mas ela não se abatia. O 
seu interesse era a Vitoria de Getulio Vargas. Pensei. Para grandes esforços grandes 
recompensas. Será que o presidente Vargas ira recompensar estes colabôradores?.
O Senhór Jórge Correia, açêitaria qualquer colaboração. O Luiz Brasil me 
falava de sua esposa que não sabia ficar longe dela. E assim fiquei conheçendo o 
grande compositor Peter pan. Que é o senhor Luiz Brasil. Escrevi outro artigo no 
“O defensor” 23 de junho 1950. 
O minha filha querida parabens, pôis vaes casar!
Queres ser feliz na vida
Ouça-me o que vòu citar
Dizem que é a mulher
Que faz feliz o seu lar
É feliz se ela souber 
- Viver, e pensar


Trate bem o seu marido
Com tôda dedicação
Não o deixes aborrecido
Não lhe faças ingratidão
Se o teu marido falar
Não te custa obedeçer
O que se passa no lar
Ninguem precisa saber
Se teus filhos, da-lhes prazer
Enquanto são meninos
Pórque depôis de crescêr
Ninguem sabe seus destinos
Cónfórma-te, é não protesta
As agruras de pobresa
Ser pobre e honesta
É uma grande riquêsa


Sêja muito carínhosa!
E agradavel no falar
Uma mulher nervósa
Não prende o esposo no lar
Seu espôso, deves honrar
O matrimonio, é ato sério
A vaidade, faz a mulher transviar
A sociedade, reprova o adulterio
Não mais fui na redação. Faltava dois mèses para eu ser mãe. Já andaria com 
dificuldades. Deixei de colaborar na candidatura Getulio Vargas. Mas desêjava o 
seu retorno. De manhâ eu ia catar papel já andava com dificuldade. Mesmó assim, 
eu consegui dinheiro e mandei ligar a luz. Paguei cento e vinté de depósito e 
passei a pagar dez cruzeiros por lucro. Eu saia um dia sim, um dia não. Dia 6 de 
Agósto, eu fui para a maternidade.
Era Dómingo. Olhei o relogio era quatro horas pensei. É melhor eu sair 
agora. Se eu deixar o dia surgir estas faveladas, entram aqui dentro do barracão 
e começam aborreçêr-me vesti e sai. Tomei o bonde e fui para cidade. Quando 
cheguei na estação da luz a dor aumentou-se e eu começei gemer. O Condutôr 
Pedro perguntou-me: 
_O que tem?
_Eu vóu para a maternidade! Olha as roupinhas para trazer a criança.
Ele gritou:
_Toca o bonde! 
E o bonde seguio rapido como flexa. Quando cheguei no largo São Bento 
eu não mais pude desçêr do bonde. E o senhor Pedro queria me ver fora do bónde. 


Dizia:
_Desce! desçe. desçe. 
Eu, gemendo. Desci. Deis uns passós e sentei. Um senhór que ressidia aqui 
na favela chamou um taxi pagou para levar-me para maternidade. Dentro do carro 
eu já não podia sentar. Quando cheguei na maternidade São Paulo receberam-
me. E a parteira perguntou-me:
_A senhora vêio sosinha? 
Eu vinha de bonde. Quando cheguei no largo São Bento, a dôr aumentou-
se e um senhor pagou o carro para mim. Quem vae para maternidade não pode ir 
sosinha. precisa vir acómpanhada. Olhou-me e perguntou-me: 
_A senhora não é louca?
_Não. E nem pretendo enlouqueçêr-me.
Levei uns jórnaes e umas revistas para eu ler. A enfermeira disse: 
_Eu nunca vi ninguém ler com dôr de parto. 
Uma hora o bebé surgira. A parteira disse: 
_É homem. 
Fiquei contente. Exclamei:
_Agóra tenho dois homens. 
E pensei no João José que tinha ficado com a Florênciana ela cobrou cem 
cruzeiros, para olhar o menino. Permaneci quatro dias no hóspital. Quando 
cheguei aqui na favela eu soube que o Cyrillo tinha espalhado que eu tinha tido 
filho no bonde. Pensei. Até os homens de favela são mentirosos. 
As curiosas, vieram ver o menino. Eu não tinha nada para comer. Fui 
na rua dós gusmões na livraria Jose Olimpio, e pedi cinquenta cruzeiros ao Seu 
Mello. Eu lhe escrevi um bilhête nêstes termos: Seu Mello depôis de vasculhar 
meus pertençes vi que o que eu tenho é apénas sal. Como não estou em condições 
de trabalhar vim pedir ao senhor cinquenta cruzeiros emprestado. Ele, deu-me o 
dinheiro. O Seu Mello já sabia que era póetisa. Ele, leu meus versos no Defensôr.


Dôis dias depôis, o espanhol vêio ver o menino. Achóu que parecia cóm 
êle, e foi a primeira vez que ele me deu cinquenta cruzeiros. Disse para eu registrar 
o menino no meu nóme. E por o nome de José Carlós. Fiquei apreensiva precisava 
comprar lêite em pó para o menino. Talco, açucar, e outros pertençes. E os 
cinquenta cruzeirós, não dava! Quando cómpletei dez dias de dieta fui trabalhar. 
Puis uma cinta saia as 6 da manhã e voltava ao mêio dia. Vinha pensando no 
menino. Meus seios dôia de tanto lêite. Chegava abluia-me, e dava de mamar o 
menino.
Arrangei uma mocinha para olhar o menino até eu voltar. E passeia 
trabalhar mais socégada. Todos dias eu lhe dava dinheiro. Ela comprava alcool. 
Mas o menino ela olhava bem. Minha vida pioróu porque todos os dias eu lhe 
dava dinheiro e não guardava um centavvo. Mas mêsmo assim, eu ia tolerando 
pórque ela trocava o menino e lhe dava mamadeiras na hóra certa. O espanhol me 
dava apénas niquel e linguiça. Um dia, eu exaltei. Eu não fiz promessa de comer 
linguiça todos os dias. Eu preciso e de dinheiro para alimentar o seu filho. Percebi 
que não adiantava insistir. 
Apelei pelas minhas fôrças. Trabalhava em escesso. O seu Mello disse: 
_Não arranja mais filhós. A senhóra luta muito. 
Dei-lhe meus cadernos de poesia para ele ler. No principio tinha vergonha 
de catar papel. Quando começêi achar anel de ouro e outras obgetos de valôr no 
lixo, começei interessar pelo oficio mas, a gente precisa fazer qualquer cerviço 
para ganhar e custear a vida. Quando eu exibia os obgetos que encontrava no lixo. 
A minha pessima visinha disse:
_Ela roubou. 
E porisso comecamos discutir. E o titulo que não aprecio é o de ladra. E a 
Lêila passóu a insultar-me. Eu sempre tive linha. Não sóu muito cumunicativa na 
favela para ver se estas faveladas respêita- me. Aqui na favela residia uma louca 
por nome Segunda. E um dia a D. Francisca Kixx que então já era denominada a 
lampeân da favela expancou-a a pobre demente. Lhe rasgando as vestes. Era eu 
que defendia a pobre Segunda. Penso que quem discute com louco e a mêsma 
coisa que discutir com um difunto. Vários jovens disseram-me: 
_Dona Carolina a senhóra não quer nos ensinar a ler? Nos lhe pagamós.
_ Pôis não. 
Arrangei uns caderno e comecei lecionar. Para mim, era um prazer ser util 
aos faveladós. Eu arrangei dois alunos. O Raymundo e o José Preto. O Raymundo 


já sabia ler. Já conhecia as letras. O José Preto é que não sabia nada. E não decórava 
nada mas, eu perssistia. Lia para êle ouvir-me. Percebi que êle não interessava 
pelas liçôes. Um dia ele disse-me: 
_Sabe dona Carolina, eu queria amasiar com a senhora. Mas, como a 
senhora não sai a nôite. Não para nas esquinas, anda sempre córrendo, eu pensei:
_Eu peco-lhe para ensinar-me a ler e só assim, terei a oportunidade de lhe 
falar.
Disse-lhe que não! E no outro dia, os alunos não vieram. Continuei a 
minha vida atribulada. Adiquiri o habito de andar depressa porque quando eu 
saia deixando os meninos e precisava retornar logo para preparar-lhes as refêições. 
Em Março de 1951 eu comprei um radio. Quando o espanhol viu o radio ficou 
admirado. Eu lhe pedi dinheiro para comprar um ferro eletrico.
–Vamos ver!
Foi a resposta indiferente. Mas eu sabia que se eu fôsse esperar por êle, 
nunca eu teria ferro. Quando ele apareçeu encontrou o ferro. Eu tinha comprado 
cinco quilos de toucinho. Êle disse: 
_Voçê podia aprender economisar. 
Quando eu tinha casa o espanhol dava-me algum dinheiro, duzentos 
cruzeiros. E quando eu não tinha nada, êle não me dava um centavo.
Em 1943 no mês de Abril a Leila fundou um Centro Espirita. Mas a 
seção iniciava as sete da nôite e terminava as 3 da manhã. Gritavam Choravam. 
Bebiam. Dançavam. Eu reclamava. Pedia ao Manolo para nos deixar dormir. 
Eles exaltavam e ameaçavam expancar-me. Quem frequentava o Centro Espirita 
eram a Aparecida e sua mãe Guiomar. Faziam seção durante o dia. Elas não 
trabalhavam. Dormiam durante o dia. E eu, e outras que tinha mas que trabalhar 
é que sofria. Eles mandavam buscar bebidas. E a fama de Lêila começou circular 
que ela consertava vidas. Que arranjava empregós. Que retirava espíritos e a fama 
do centro espirita da favela foi médrando. Começóu surgir pessôas de todos ladós. 
Os meses passavam e o centro não nos deixava em pas. Aqui na favela é assim. 
As mulheres falavam na ausência. E eu, sou diferente falo diretamente. 
Em maio de 43, dia 27 eu sai no Ultima hóra. Como eu disse que havia feito meus 
estudos no colegio Allan Kardec. Sugio varias pêssoas procurando-me para ir 
nos centros que eu era média, que precisava frequentar seções para dessinvolver. 
Mas, eu nunca acreditei nas religiões criada pelo homem. Crêio no catlholicismo 
criado por Jesus Cristo. Depôis a unica religião onde os milagres manifesta é no 


catholicismo. As pessôas que santificam, eram catholicos fervorôsos. E o titulo 
mais distinto é “Santo! É um titulo dôado pela Naturêza. 
A D. Guiomar um dia falou-me de espiritismo no colégio Allan kardec. 
Porque era obrigatório o estudo mas não fascinei-me... Dei preferência a religião 
de me meu avô. A tal D. Guiomar é metida a dominar. Quis exercer seu dominio 
sobre a minha pessôa mas não lhe dei muita confiança lhe evitava. E assim surgio 
nossa divergência. 
Em Agosto eu não mais podia suporta a fraquesa por não domir. Não era 
so eu quem sofria. A D. Julieta tambem. Dia 18 de Novembro ressolvi chamar 
a radio patrulha. Era duas horas até as crianças estavam dispertas. O barulho 
havia multiplicado. A tal Lêila quis penetrar no meu barracão para expancar-
me. A policia nos levóu. Eu levei meus fillhós. Eles tremiam de frio. Levei todos 
documentos. Pediram um carro de preso. Demorou surgir. 
E enquanto espéravamós o carro trocavamos insultos. Os guardas pediram 
o carro com urgencia que os detidos estavão turbulentós. E estação da Radio 
patulha perguntóu se precisava auxilio. O guarda disse que não. Um guarda 
noturno que transitava vendo o outro sosinho ressolveu auxilia-lo. O guarda nos 
mándou andar e esperamos o carro de prêso na rua Padre Vieira. Fomos andando. 
Eles dizia que o centro Espirita, era útil. Eu disse que o que eu achava no seu 
centro, é Espirito de pôrco, para nos pertubar, para não nos deixar dormir. 
_Vocês não trabalham, podem dormir ate tarde são uns animâis que não 
tem problemas. Não pensam em mudar o curso de vida.
Assim que surgio o carro de preso entramos. Era dua hóras da manhã. 
A nôite estava tépida. Os guardas civis, iducados e comprensiveis mandavam eu 
sentar na frente com os meninos. Quando chegamos na central o delegado disse:
_O Centro Espirita e vadiós tem que ir para o gabinete. Fiquei contente 
pensando: Agora êles ficam lá uns dias, depôis a policia depórta-os E pensei: No 
Amazonas mandar êstes turbulentos para as flôrestas virgens. Que otimo manjar 
para os indios antrópófogós. Os guardas nos mandou entrar no carro de prêso. 
Assim que chegamos eu dei a quêxa e asinei um papel. E não vi mais os mediuns 
Espiritas. Fiquei com dó só do Manôlo. Um preto estilôso. E era sábado. Pensei: 
Ele gósta tanto de baile! Eles eram oitos Amir Castilho, Zerico, Binidito, Manôlo 
e os médios. Quando cheguei na favela era sêis horas. Deitei e dórmi.
Quando abri a porta vi a Dona Juliêta Castilho lavando róupas. Dirigiu-
me um olhar furioso. Eu disse: 
_O seu filho foi prêso, pórque quis. Ele não pode ver briga fica mêio louco. 
Tudo fiz para impedi-lo. O irmão de Amir Castilho esforçou-se para leva-lo para 


dentro de casa.
Equanto êles estava presos, que soçego na favela! Que nôite gostosa! Quem 
resside em favela a nôite que dorme dá graças a deus. Os favelados agitam-se. 
Quando a Lêila sair ela vae ver! A Lêila, é a lamipan, a Lêila, é o Pancho Villa, 
A Lêila, é o Diaguinho. Mas, eu não temia. Fiz tudo para ver se conseguia 
deporta-los. Mas foi abolida e deportção. Sairam segunda-feira a noite. A Lêila e 
seu companheiro, fóram buscar os filhós. Assim que chegavam com as crianças 
disseram-me esta negra me paga!
_Se voçês estão dicididos a lutar, vamos já! O que tem que fritar antes de 
assar já põe direto na brasa. Se voçês estão quente, eu estou fervendo. 
O Binidito vêio insultar-me. Ele e o Amir Castilho. A Dona Julieta Castilho 
queria que seu filho, expancasse-me. O Manôlo interviu e fôram dórmir. A Lêila 
deçepcionóu os favelados. Perdeu o seu brasão de violenta.  Comecou a coferência 
entre Lêila, Aparecida filha de D. Guimar e Dona Guiomar. A D. Guiomar, era 
instigadôra. Dizia: 
_Isto não pode ficar assim! Temos que dar um gêito. 
E foram na segunda delegacia na Rua Corrêio de Mello dar quêixa. E 
disseram ao Dr Binidito de Carvalho Veras que eu lhes insultava. E era mentira! 
Era viçe-versa. Eu estava gestante esperando o terçeiro filho, tinha muitas dôres, e 
tunturas e nauseas seguindo indispocisão. As vezes eu recebia intimação e não ia. 
As varizes dôia demais impedindo-me de andar. Eles compareciam. E eu não. Eu 
ia dêitar. Trabalhava em excesso. Elas prevaleciam de minha ausência para variar. 
Dizia para o Dr. Biniditode Carvalho Veras.
_Ela disse que não vem que é poetisa. Que tem cartas com a policia. 
Eu recebia outra intimação. A Frorenciana dizia vae Carolina. O delegado 
disse que vae mandar um carro de preso para te levar. Eu já estava chêia de ouvir 
o disse, disse. Fui e levei meus filhos. O Dr. Binidito de Carvalho Verás disse. 
_Quando eu lhe mandar chamar, venha! A senhoras comigo não tem 
cartás. A senhora anda dizendo que tem cartás com a policia.
_Tenho muito senso. Sóu poetisa. E o poetas não diz futilidade.
A senhora é turbulenta, anda pertubando estas senhoras honestas. 
_Sem vergonha!


_O senhor é o primeiro homem no Brasil que me chama de sem vergonha. 
Sua fraca opinião não me abala. 
_Prende ela Dr. 
Ouvi alguem dizer no interior casa. Meus filhos subiam em cima dos 
bancos. O Dr. Binidito de Carvalho Veras disse:
_Que crianças sem iducação. 
_A idade deles não lhes permite senso. Eles estão habituados, ir nas 
redações, e os jornalistas estão habituados, estão ao lado, de pessôas iducadas.
A Lêila disse:
_Sabe Dr... ela disse porque a policia não prende o sete dêdos? 
_Eu disse dr. O poeta não nega o que diz! 
_Vae embóra. Eu não gosto da senhora.
Vim embora. A Guiomas espalhõu na favela que o Dr. Binidito de Carvalho 
Veras maltratara-me enquanto o Dr. maltratava-me. Eu ia escrevendo para passar 
no meu diário. Toda semana elas iam dar quêixa contra minha pessoa. E o Dr. 
Binitido de Carvalho Veras dizia: 
_Faça um abaixo assinado e vamos obriga-la assinar um têrmo de bem-
viver. 
Pensei: Eu tiro meu atéstado de anteçedentes peço assinaturas nas casas 
que trabalhei, aos jornalistas que me conheçe, os de São Paulo, e Rio de Janeiro e 
envio para o ministro da justiça e processo estas caluniadoras exijo indenisação 
em dinheiro!
O desêjo da instigadôra Guiomar era me ver no carçere. As mentiras de 
Guiomar eram infindas que eu disse que as filha Aparecida era meretriz. Quem 
aprovava tudo, era Leila a inimiga do trabalho. Depôis transfériram a delegacia 
para Rua Itaqui elas paravam com as intrigas.
Dôis mêses depôis, tive a miha filha Vera Eunice. Nasceu dia 15 de julho de 
1953. Quem assistiu-me foi a Flôrela e D. Maria puerta. Depôis do parto, eu fiquei 
na cama. A. D. Zulmira deu-me de comer para mim, e meus filhós. Não apareçeu 
uma mulher para auxiliar-me carregar uma lata d’água, ou lavar minhas roupas. 


Foi o dia que passei uma cêde hórrivel não podia levantar para tomar agua. Meus 
filhos ficaram sujos, e tôda hora vinham na minha cama pedir pão. Eu tinha uns 
pedaços de pão duro que eu havia catado no lixo, descascava os pães, e dava para 
eles comêr. O pae de minha filha apareçeu, mas não me deu um tustão. Disse que 
estava ressidindo no Rio de Janeiro, para eu não procura-lo. E eu pensava. Se eu 
tivesse tido essa criança no Butantan, quem sabe se as cobras auxiliava-me. Entre 
os animais talvez, êxiste solidariedade. 
E pensei na Juana do Germano quando tinha filho eu lhe lavava as róupas. 
E o Germano me deu uma garrafa de cervêja. Na Theodora. Conhecida por Darça. 
Também fui eu quem lhe lavei as roupas. Até fiquei adimirada porque ela tem 
mãe, irmã e a tia guiomar. Quando a filha dela nasceu veio pedir para eu lavar 
roupas pensei. Pucha! Ela tem mãe! Que especie de mãe e essa? Fui buscar as 
roupas e ela disse-me: 
_Ninguem tem fêito nada para mim. Se eu quis comer tive que fazer.
Pensei: Esta tambem devia ir para o Butantan.
A Silvia quando teve filhos e eu lhe lavei as roupas. E o seu espôso, o cinico 
Antonio de Andrade disse que havia róubado sabão. Relembrei tudo isto. Ninguem 
apareceu a porta dórmiu aberta. Os meninós não sabiam fechar. Foi a primeira 
vez que meus filhos dórmiram sem tomar banho. No outro dia eu levantei. Fui 
buscar agua. As mulheres dizia:
_Credo! Faz mal. Voçê e lóuca?
Pensei: Estas falastronas. Só servem para dar palpite. De tanto falatorio 
fiquei com dôr de cabeça. Mas jurei nada fazer para os faveladós. O pior problema 
era alimentção. A reçem nascida churumingando. Os dôis filhos pedindo comida. 
Pedi as mulheres da favela que amamentava, para dar mamar a minha filha.
_Não posso! Não tenho! 
_Pensei: Se fôsse para presencear uma briga ou falar mal de alguem, elas 
tinham tempo. Voltei pra casa fiz um mingau de fubá. Puis gurdura adôçei e deu 
uma colherada para a menina a bôca era tão pequenina precisei usar uma colher 
de café. A menina dormiu. Pensei num velho proverbio: O que não mata, engorda.
Fui lavar minhas róupas. Começaram o falatório.
_Eu nunca vi niguem ter filho num dia, e levantar no outro. 
_A sénhora não tem mêdo? 


_A senhora não e louca? 
Eram tantos palpites. Não tinha nada para eu comer. E estava tonta. Fui 
no deposito que cata papel e pedi cem cruzeirós. Ficaram admiradós, não faziam 
nem quarenta e oito horas de parto. Todos adimiravam dizendo: 
_Que mulher forte! 
Eu quase não podia andar de fraquêsa. Foi a fome que impeliu-me a levantar. 
Comprei uma lata de lêite em pó, açucar, e um bico de mamadeira. Quantas 
pessôas que me viam córriam ocultavam-se com reçêio de lhes pedir dinheiro 
emprestado. Fui na Avenida. A senhora de um tenente me deu uns pedaços de 
pão, e um pouco de arroz e fêijão. Seis dias depois fui catar papel. Cançei. Sentei. 
Tive desêjos de chorar. Pensei: As lagrimas não soluciona as dificuldades. 
A D. Nair O. Barrós foi quem deu-me dôis colchôes sinão, eu tinha que 
dormir em cima das tabuas. Lembrei de D. Nair eu fui lhe pedir um póuco de 
açucar emprestado. Ela deu-me pão macarrão arroz e açucar. Quando eu comia 
me dava sono. Pensei pedir qualquer coisa a mãe do Dr. Fausto Bornidino. Ela é 
filantrópica mas, fiquei com vergonha. Não tenho gêito para mendigar. 
Quando a menina tinha 11 dias eu fui ao juiz pedir para obrigar o pai dela 
lhe dar pensão. Atendeu-me Dr. Valter Aynhêre. Deu-me a intimação. Cheguei 
em casa lhe escrevi na carta: Você, é um monstro. Voçê tem rabo. O seu rêino, é 
no inferno, junto como diabo. Voçê precisa lavar sua consciência. Puis a carta e 
a intimação dentro de um envelope e levei, e puis na caixa. A tarde êle apareceu. 
Bateu na porta. Disse:
_ A senhóra não precisava arranjar advogado. Eu sóu um homem distinto. 
Eu não quero ver o meu nome na policia. A senhóra retira a queixa e todos mêses, 
eu venho lhe trazer dinheiro! Todos dias 12. 
Convidei-lhe: 
_Entra.Vem ver a menina!
_Ha! É menina! 
Percebi seu descontentamento. 
_Não entro. Estou nervôso! Eu hoje não almocei. 
_Voçê pórque não quis! E eu, pór não ter o que comêr! 


Ele deu-me duzentos cruzeiros bruscamente. 
_Voçê não devia ter levantado no primeiro dia de parto. 
_Se eu ficasse na cama o que ia comer? A única côisa que a gente me pode 
transferir é a fome. 
Concluimós que eu ia retirar a quêixa. Cómprei carne fiz uma sôpa 
reanimei-me. Fui para o juizado. Disse ao Dr. Valter que êle havia dito que era um 
homem importante e que não ia faltar. Que todos os dias 12 me dava dinheiro. 
Para eu retirar a queixa. O dr. Valter não açêitou. Escrevo para êle que o advogado 
não aceitou as condições que êle expos. Aquelas viagens fatigava-me. Passei uns 
dias sem ir ao juiz. Ressolvi esperar o dia 12 de Agosto para ver se êle apararecia 
com o dinheiro.
O dia 12 surgiu, e êle não vêio. Fui lá no juizado. Procurei o meu advogado. 
Ele ja esteve aqui. Assinou o compromisso é só a senhora assinar. Assinei. Ele disse 
que era opérario que podia dar só duzentos e cinquentas. Pássamos a discutir por 
correspondencia. Eu lhe escrevia: voçê, é pão duro! Unha de fome! o dinheiro não 
dá, maldita hora em que te conheci. Antes tivesse conhecido o diabo Mas, quando 
encontrávamos nós falava-mos amigavelmente. Eu dizia:
_A menina é muito bonita! 
_Qualquer dia, vóu vê-la! 
Que suplicio para sair, para o trabalho deixava as treis crianças só e Deus. 
O recêio de acontecêr qualquer cóisa funésta. Aqui na favela a gente não tem 
vizinho. Se acontecer qualquer coisa êles estão pronto para comentar e aumentar 
e não favoreçem.

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