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Mamíferos

Em São Tomé e Príncipe existem 10 espécies nativas de mamíferos terrestres, 6 espécies introduzidas e 8 espécies domésticas. Dutton (1994) afirma que algumas das espécies das últimas duas tipologias podem representar uma ameaça para a fauna nativa das ilhas, nomeadamente: porcos, cabras, bovinos, ovelhas, mas sobretudo gatos e cães. Dados existentes vão no sentido de indicar que cavalos e burros, praticamente desapareceram sendo que sobrevive apenas um individuo nas ilhas para cavalos e os burros encontram-se reduzidos a um número mínimo de animais (< de 5).

Tudo indica que aquando da descoberta das ilhas no século XV não havia populações de mamíferos de tamanho maior e estas tiveram que ser importadas, ou introduzidas, em diferentes períodos (Exell 1956) e de diferentes pontos. Hoje, o território do PNOST alberga populações estáveis de espécies de mamíferos introduzidas. Uma das espécies mais conhecida e comum é o primata Cercopithecus mona que possui populações distribuídas por todo o País. Em S. Tomé também existem populações de gatos e porcos selvagens, de ratos (Rattus rattus e R. norvegicus), ratos domésticos (Mus musculus) (Bocage, 1903; 1904; Frade, 1958) e de carnívoros como a civeta africana Civettictis civetta e a grande doninha de raça ibérica Mustela nivalis numidica, as duas introduzidas provavelmente para combater os roedores nas áreas agrícolas (Bocage, 1903; Frade, 1958).

A fauna autóctone de mamíferos da ilha de São Tomé constituía-se somente para espécies de morcegos e de insectívoros. O território do PNOST alberga as populações duma espécie endémica de musaranho Crocidura thomensis (Heim de Balsac & Hutterer, 1982; Dutton & Haft, 1996) e de dez espécies de morcegos nomeadamente: os morcegos frugivoros Eidolon helvum, Myonycteris brachycephala e Rousettus aegyptiacus e os morcegos insectívoros Chaerephon pumila, Hipposideros commersoni, H. ruber, Miniopterus minor, M. newtoni, Tadarida tomensis e Taphozous mauritianus (Juste & Ibañez, 1994). Do mesmo modo que para os outros grupos de vertebrados terrestres, também para os morcegos é considerável o nível de endemismo. O grupo inclui duas espécies endémicas (Chaerephon tomensis e Myonycteris brachycephala) e três subespécies endémicas (Rousettus aegyptiacus thomensis, Hipposideros commersoni thomensis e Miniopterus minor newtoni).

O musaranho Crocidura thomensis e duas espécies de morcegos (Tadarida tomensis e Myonycteris brachycephala) enconrtam-se incluídos na Lista Vermelha da UICN (2008). A estas adicionam-se, ainda segundo os especialistas da UICN: uma espécie considerada “próxima a ameaça” (Eidolon helvum) e duas espécies de Miniopterus com estatuto “indeterminado” devido aos escassos dados disponíveis sobre as suas populações.

Aves

De toda a fauna São-Tomense, a das aves constitui-se no grupo animal cuja ecologia e estado de conservação são os mais conhecidos. Os estudos remontam dos séculos XVII, XVIII e XIX e estendem-se aos tempos mais recentes envolvendo instituições e especialistas de diversas partes do mundo, em expedições bem identificadas.

Expedições mais recentes redescobriram duas espécies endémicas de aves consideradas extintas nomeadamente: Bostrychia bocagei e Lanius newtoni. Uma outra expedição (Sargeant et al., 1992) redescobriu-se também a presença de Neospiza concolor depois de mais de cem anos sem registos. A maioria das expedições ornitológicas na ilha de São Tomé nos anos 1990 e primeiros anos deste século, desenvolveu-se sobretudo no âmbito do Programa ECOFAC (Christy & Clarke, 1998). Nos anos mais recentes continua a haver um interesse evidente pelo Arquipélago e pelo território dos Parques Naturais por parte de ornitólogos profissionais.

A importância das florestas de São Tomé e Príncipe para a conservação da biodiversidade das aves no contexto internacional foi claramente sublinhada pelo trabalho de Collar & Stuart (1985). Os referidos autores classificaram as florestas pluviais do Arquipélago como as segundas mais importantes entre as 75 florestas do continente africano consideradas.

São Tomé e Príncipe possui também cinco IBAs (Important Bird Areas) no sistema de classificação adotado pela BirdLife International (BirdLife International, 2008). Três destas IBAs encontram-se no interior do PNOST.

O número de aves endémicas terrestres de São Tomé e Príncipe varia entre 21 e 28 segundo o tratamento sistemático dos diferentes autores (Dallimer et al., 2002; Olmos & Turshak, in press). Este número de endemismo é parecido ao equivalente índice para o Arquipélago das Galápagos (22 espécies), que é oito vezes maior do que São Tomé e Príncipe e é mais do que o dobro do mesmo índice para as Seychelles (11 espécies), que são dum tamanho ligeiramente inferior do que São Tomé e Príncipe. São Tomé alberga três géneros mono-específicos (Amaurocichla, Dreptes e Neospiza) e mais de 50 espécies que nidificam na ilha, quinze são endémicas de São Tomé e cinco são espécies endémicas compartilhadas com Príncipe (uma destas cinco espécies encontra-se também presente em Annobón) (Jones & Tye, 2006).



Répteis

Excluindo as tartarugas marinhas, São Tomé alberga catorze espécies de répteis. Estas espécies têm uma sobreposição entre a sua área de distribuição e o território do PNOST, ou a sua Zona Tampão. Sete destas espécies são endémicas de São Tomé e Príncipe (uma espécie encontra-se também em Annobón).

As espécies abaixo descriminadas habitam nas águas marinhas do país e utilizam também as praias do PNOST e da sua Zona Tampão para a reprodução e encerram um valor particular em matéria de conservação com interesse nacional e além-fronteira. Trata-se de: Eretmochelys imbricata, mais conhecida por “tartaruga sada”. É das mais cobiçadas devido ao alto valor da sua carapaça no fabrico de artigos de artesanato. A mesma utiliza com mais frequência as praias da zona sul do Parque e da Zona Tampão da ilha de São Tomé para a sua reprodução; Dermochelys coriácea, normalmente conhecida por “tartaruga ambulância”, é das mais raras nas águas do país. Ela também utiliza com mais frequência as praias da zona sul do PNOST e da Zona Tampão da ilha de São Tomé para a sua reprodução; Lepydochelys olivácea, mais conhecida por “tartaruga bastarda” ou “tatô”, predomina nas águas do país e utiliza as praias do norte da ilha de São Tomé para desovar (incluídas as praias no interior do PNOST). A sua carapaça não é utilizada, mas os seus ovos são muito apreciados pela população. É objeto de um acentuado declínio populacional quando comparada com outras espécies, devido ao fato de ter menores dimensões e, por isso, ser mais facilmente transportável por caçadores furtivos, Chelonia mydas, que é mais conhecida por “tartaruga mão branca”, muito comum nas praias de São Tomé. Os seus ovos e a carne são muito apreciados. Atualmente deve ser mais abundante que a espécie anterior, Caretta caretta, que é mais conhecida por “tartaruga de cabeça grande”, em relação à qual não existem registos recentes de nidificação no Arquipélago.




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