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Floresta seca constitui-se numa formação vegetal que ocupa as regiões limítrofes de Guadalupe, englobando as margens de Água Castelo, Água de Guadalupe, Rio de Ouro e concentra-se sobre zonas com pluviosidade compreendida entre 1.000 e 1.500mm por ano, com um período seco bem definido (Oliveira, 2002). Algumas áreas marginais desta tipologia vegetacional estão incluídas na componente setentrional do PNOST (área de Praia das Conchas). A camada mais alta desta formação é constituída por árvores de folha caduca tais como Ficus mucuso, Milicia excelsa e Spondias microcarpa. No sub-bosque encontram-se arbustos (ameaçados pelos incêndios, comuns nesta área) tais como, Oncoba spinosa (malimboque) e Ophiobotrys zenkeri (stala-stala).

Mangal que se desenvolve nas costas baixas ou em áreas lagunares tais como as fozes dos rios perto de Praia das Conchas e nos arredores de Porto Alegre e Lagoa Malanza (que é o Mangal mais extenso do País). Os Mangais são geralmente influenciados pelas contínuas oscilações de salinidade provocadas pela evaporação e pelas chuvas tropicais e têm uma função importante na proteção dos peixes nas primeiras fases do seu desenvolvimento e no controlo da erosão costeira. Esta vegetação é dominada por duas espécies, nomeadamente: Avicennia germinans e Rhizophora mangle. A segunda concentra-se sobre os depósitos de turfa e domina as partes mais baixas da zona inter-marés não só graças às suas raízes, mas também porque as plantinhas desta espécie resistem melhor as condições de um ambiente adverso para a maioria das espécies. A Avicennia germinans é dominante nas zonas de água pouco baixa e nas áreas com fundos fangosos que se formam devido ao movimento das marés. Esta espécie apresenta uma maior tolerância ao sal que a R. mangle. A vegetação caracteriza-se também pela abundância de Acrostichum aureum e por algumas cyperaceaes (Sleria depressa) (SECA, 1999). A riqueza biológica do mangal suscita preocupações para o risco que a biodiversidade deste delicado ambiente venha a ver perdida por causa da ação humana. A recuperação de um mangal tende a ser difícil se não mesmo impossível. O abate de arbustos pode induzir mudanças irreversíveis na estrutura do ecossistema. Pode acontecer que o corte de Avicenias favoreça a expansão de espécies arbustivas e herbáceas que tolerem a elevada salinidade, reduzindo assim o espaço disponível para as mesmas Avicenias cuja reprodução é muito lenta. Por outro lado, o corte de Rizhophora, pode facilitar a erosão do solo turfoso provocada pelas marés e pelo vento, o que pode dificultar a germinação de novas plantas de mangais. O abate das árvores dos mangais é também prejudicial devido ao facto de as sementes e as plantinhas germinarem e crescerem melhor à sombra do que na presença da luz (Oliveira, 2002). O mangal é um ecossistema extremamente delicado, merecedor de atenções específicas para a sua conservação.

Também existem outras classificações vegetacionais como por exemplo a de Lains Silva (1958), que é um pouco diferente da apresentada acima e que divide a floresta são-tomense em quatro grandes tipologias: 1. tropical, entre 0 e 300m de altitude; 2. subtropical, entre 300 e 1.500m de altitude; 3. de montanha baixa, entre 1.500 e 1.900m de altitude; 4. de montanha alta, entre 1.900 e 2.024m de altitude. Esta última é talvez muito mais prática para os interesses do presente documento e nesta fase inicial dos estudos.

A lista de plantas endémicas nas duas ilhas compreende 148 grupos taxonómicos endémicos, dos quais 123 se encontram em S. Tomé e 50 no Príncipe. Em termos da sua preservação estes 148 grupos taxonómicos endémicos foram avaliados da seguinte forma: (i) 14,9% são considerados extintos; (ii) 12,8% encontram-se seriamente ameaçados; (iii) 10,8% encontram-se ameaçados; (iv) 41,9% são vulneráveis; (v) 12,2% encontram-se quase ameaçados; e (vi) 7,4% suscitam menos preocupação (GOSTP, 2007).

No quadro das políticas e diretivas de desenvolvimento sustentável abraçados pelo país nas mais de duas décadas desde a Conferência do Rio em 1992, as autoridades São-Tomenses querem ver revertida ou pelo menos não agravada a situação acima descrita acerca da extinção de espécies de plantas. Isso supõe o cumprimento rigoroso do conjunto de leis e regulamentos em vigor e outros instrumentos de gestão sã dos recursos naturais existentes no país e fora dele por parte de todos os atores envolvidos em iniciativas de desenvolvimento compreendendo os dos setores público, privado e da sociedade civil incluindo os micro, pequenos e médios produtores e os produtores familiares.

Na ilha de S. Tomé 46% das espécies em zonas não protegidas foram consideradas extintas, 41% na zona tampão em redor do Parque Obô, que tem áreas de interseção com a área do projeto estão ameaçadas e podem desaparecer se não forem tomadas medidas, e 39% das espécies ameaçadas estão localizadas dentro do Parque Obô.

        1. Fauna


A avaliar pelas ocorrências no PNOST, que se pode considerar como sendo a área mais representativa do cenário natural da Ilha de S. Tomé, destaca-se que os níveis de endemismo são elevados em todos os grupos de vertebrados terrestres. Em geral e à exceção das aves S Tomé é relativamente pouco dotado em termos de número absoluto de espécies indígenas, em comparação com áreas (principalmente as protegidas) de equivalente extensão na região continental. Isto deve ser resultado do caráter insular de São Tomé e da prolongada separação da ilha do continente africano e visto sob a perspetiva da conservação, constitui-se num desafio acrescido para as autoridades do país e todos os demais agentes interessados no património natural do país. Em traços muito gerais apresentam-se abaixo as caraterísticas gerais das espécies faunísticas em S. Tomé e Príncipe, S. Tomé e particularmente dentro e nos arredores do PNOST.




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