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participar do campeonato brasileiro



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participar do campeonato brasileiro. 
 
 
 
 
Esse campeonato foi engraçado. Quando nós chegamos em São Paulo, todo 
mundo olhava torto para nós como se dissessem ‘o que essas caipiras estão 
fazendo aqui?’ E quando nós ganhamos, eles não acreditaram, enquanto nós, 
estávamos nas nuvens, realizadas. Esse campeonato foi o que mais marcou 
minha vida, porque além de ser o primeiro, veio junto a primeira vitória e a 
certeza de que eu estava no caminho certo. Lembro-me também que quando 


 
 
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nós voltamos para Campinas, todas empolgadas, com a taça e com as 
medalhas penduradas no peito, meu pai estava na porta do Clube nos 
aguardando com um brilho nos olhos que me emocionou “. 
                                 (Vilma Leni Nista-Píccolo, 2002). 
 
 
 
Com a ginástica olímpica tomando proporções significativas devido a tudo o 
que estava acontecendo, o crescimento do departamento no clube foi inevitável, então 
nesse mesmo ano, mais um esporte foi criado dentro do Regatas, a ginástica olímpica 
masculina. Também, foi inaugurado o “ginasinho”, sala construída especialmente para o 
departamento de ginástica de solo e aparelhos especializados.  
Todos os envolvidos nesse processo tinham a certeza de estarem investindo 
num ideal, em que tinha como pano de fundo uma visão educacional e não somente o 
fazer pela prática, pela busca de talentos, mas também pelo desenvolvimento integral 
da criança.  
Ainda nesse ano, Vilma realizou o 1º festival de ginástica que deu início a 
uma série de festivais tornando famosos na cidade, onde os atletas demonstravam o 
trabalho do ano todo em coreografias que reuniam graça, beleza e força. Nesse 
primeiro Festival a professora convidou as oito melhores ginastas do Brasil, sendo a 
oitava a atleta Silvia Nista Gozzi do próprio Clube Regatas, culminando então, numa 
apresentação de primeira categoria. 
Foi também em 1974 que Campinas recebeu o título de Capital da Ginástica 
no Estado de São Paulo,  devido ao número de praticantes na cidade. Só no Clube 
Regatas havia trezentas e cinqüenta ginastas, divididas entre a ginástica olímpica 
feminina e masculina e a ginástica estética. Havia também praticantes do Tênis Clube 
de Campinas, Colégio Culto à Ciência, Escola Vitor Meireles e Colégio Imaculada.  


 
 
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Com todo esse crescimento começou a surgir outras formas de expressão da 
ginástica no Clube Regatas, e a oportunidade de implantá-las surgiu em 1974, quando, 
para atender a um convite, Vilma cedeu  sua aluna Salete Cypriano, da Ginástica 
Olímpica e destaque no solo, para fazer parte da equipe da Ginástica Rítmica em São 
Paulo, a fim de participar da recém-criada competição de Ginástica Rítmica no JEB’s 
(Jogos Estudantis Brasileiro). 
Esse ano foi sem dúvida um ano de mudanças para a ginástica campineira. A 
fim de investir na nova modalidade surge a professora pioneira da ginástica rítmica em 
Campinas,  Cleide Aparecida Albrecht Ribeiro, até então trabalhando no Clube 
Regatas com a professora Vilma.  
Encantada pela nova ginástica, montou sua própria equipe de ginastas, 
conseguindo espaço para treiná-las no Clube Semanal de Cultura Artística.  
Tudo isso foi possível, graças à amizade com a professora Daisy Barros, 
técnica da equipe de ginástica rítmica de um clube no Rio de Janeiro há oito anos 
nessa modalidade. Deyse apoiou e deu suporte técnico para que a amiga pudesse 
investir em sua equipe campineira. Foi paixão a primeira vista. Desde então Cleide 
vestiu a camisa da nova modalidade e fez tudo para que Campinas conhecesse e se 
interessasse por esta nova ginástica para mulheres.  
No dia 09 de maio de 1975, uma nota no Jornal Correio Popular de 
Campinas, foi colocada pela professora Cleide, chamando a atenção da população para 
o novo esporte que nascia na cidade, onde falava que a nova modalidade, antes 
chamada ginástica rítmica moderna, era agora ginástica rítmica desportiva, o mais novo 
esporte competitivo para as mulheres, com a utilização dos aparelhos bola, corda, arco, 


 
 
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fita e maças. Chamava a atenção dizendo ser o “esporte mais completo para as 
mulheres”.  
Com isso, ela proporcionou os primeiros eventos de GR na cidade, eventos 
importantes que marcaram história, como o primeiro festival de GR em Campinas, em 
maio de 1975, e o primeiro campeonato Brasileiro, realizado no ginásio do Taquaral em 
setembro de 1975.  
 Cleide divulgou numa matéria extensa no jornal Correio Popular, o sucesso 
desses eventos realizados, que repercutiu de forma absoluta. Nessa reportagem fala do 
apoio recebido pelo Governo Brasileiro: 
 
O Governo da República Federativa do Brasil, através do ministério da 
Educação e Cultura – Departamento de Educação Física e Desportos, tem 
incentivado a difusão e a prática da Educação Física e dos Desportos como 
valiosos elementos de aperfeiçoamento dos valores morais do indivíduo e de 
elevação de sua capacidade física, componentes indispensáveis de uma 
política e desenvolvimento social e de integração nacional, principalmente 
apoiando atividades desportivas, artísticas e culturais que estimulem a 
criatividade e que possibilitem acesso ao nosso rico patrimônio cultural. (Jornal 
Correio Popular, 1975. Esporte). 
 
 
Cleide continuou divulgando o crescimento da ginástica rítmica, com matérias 
nos jornais para que a população entendesse cada vez melhor esta nova modalidade 
Desportiva. Cursos de aperfeiçoamento foram programados para divulgação do 
esporte. Ainda nesse ano, com essa ginástica em evidência, o Brasil enviou uma 
equipe para a Gymnaestrada Mundial, um evento reconhecido pela Federação 
Internacional de Ginástica – FIG, que acontece de quatro em quatro anos. 
 
 
 


 
 
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Esse festival tem como objetivo promover a ginástica no mundo inteiro e de 
fazer conhecer seu valor absoluto como esporte e como importante atividade 
no quadro geral da Educação Física. Visa através da reunião de jovens do 
mundo inteiro, contribuir para maior aproximação dos povos e uma melhor 
compreensão das opiniões e dos diferentes sistemas. Não existe premiação, 
pois é um evento apenas de demonstração. 
                                   
(Cleide Ribeiro, Jornal Correio Popular, 1975. Esporte). 
 
Esse evento reuniu cerca de vinte mil atletas do mundo inteiro e contou com a 
presença de uma equipe brasileira composta por três grupos de ginastas, que levou 
para Berlim/ Alemanha, toda a graça e jinga brasileira representada em coreografia com 
nossas danças folclóricas. 
 
Os grupos que compuseram a Seleção Brasileira nessa Gymnaestrada foram 
Grupo do Departamento de Educação Física e Desportos – MEC – Professora 
Dayse Barros (G.R.D.) e Professora Dalvanira Fontes (Folclore “xaxado”) – R.J., 
Grupo da Associação Atlética Banco do Brasil – Professora Sonia Nogueira – 
R.J., Grupo Unido de Ginastas do Rio de Janeiro – Professora Ilona Peuker – 
R.J. – apoio C.B.D. (SOUZA, 1997, p.136). 
 
 
Nessa época, a professora Cleide já contava com duas equipes de ginastas 
que praticavam a Ginástica Rítmica no Clube Semanal de Cultura Artística. 
 

 
 

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