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Década de 1970 
 
Esta década foi marcada pela personagem principal: a mulher. 
Os anos setenta figuram como aquelas onde as mudanças que começaram 
ainda nos anos 1960, ganharam forma e fizeram uma verdadeira revolução nos 
costumes, nas mentalidades e nas várias formas de exercitarem o corpo. 
Ainda nesta década surgiu nos Estados Unidos e na França o movimento 
feminista. Lutando por uma igualdade social e contestando os costumes da época e o 
trato com a mulher, esse movimento veio com toda força para pregar a liberdade 
feminina, os direitos políticos, o poder no mundo do trabalho, na vida privada e, 
sobretudo e talvez o maior de todos os marcos, a pílula anticoncepcional pregando o 
amor livre. Elas jogam fora o soutiens e colocam os seus corpos à mostra, em 
liberdade, sem amarras. Com esse movimento, a mulher ganha um maior controle 
sobre sua vida e seu corpo. 
Sousa reafirma o papel importante da mulher na década de 1970 ao dizer: 
 
Uma das maneiras de compreender o ressurgimento das mulheres nos anos 
setenta é conhecer que mudanças estruturais na sociedade brasileira afetaram 
as condições de vida das mesmas. Isso pode ser visto na participação das 
mulheres no mercado de trabalho, na política, no acesso à educação formal, 
nas mudanças em legislações especificas sobre a mulher e na ampliação do 
seu acesso aos meios anticoncepcionais, entre outros.
 (
SOUSA, 1994, p.176). 
 
 
 
 
Foi a partir dessa década que as revistas femininas ganham força no 
mercado e ditam modas importantes, como por exemplo, a idéia do corpo saudável, 
magro, esbelto e elegante e assim as mulheres freqüentem cada vez mais o espaço 
social.  


 
 
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Segundo a Fonte Campinas Século XX, 100 anos de História da Rede 
Anhanguera de Comunicação (2000), Campinas elege a primeira mulher a ocupar um 
cargo na Assembléia Legislativa como titular, Enéa Caldatto Raphaelli, eleita com 3.060 
votos contribuindo com grande importância na área social da cidade. 
Ainda nesse ano, grandes acontecimentos movimentaram a cidade de 
Campinas, a inauguração do Parque Portugal (Lagoa do Taquaral) e a construção da 
Rodovia D. Pedro I. Paralelo a isso, a cidade começava a sentir os impactos do 
processo de miséria, com o aparecimento das primeiras favelas. 
Em 1972 os presidentes de catorze clubes reuniram-se em assembléia, no 
dia sete de fevereiro, para fundar a Associação dos Presidentes de Entidades Sociais e 
Esportivas de Campinas (APESEC). Em poucos anos a APESEC tornou-se uma grande 
força, representando trinta clubes de Campinas, que tem em conjunto atualmente cerca 
de setenta mil associados. 
A união dos clubes de Campinas em uma associação foi idealizado por 
Romeu Nucci, aqui nascido em 2 de dezembro de 1916, se integrando junto à Seleção 
Campineira de Basquete no ano de 1939. 
Entre outros, participaram da assembléia de Fundação o próprio Nucci, 
presidente do Regatas, e José Roberto Magalhães Teixeira, presidente do Tênis Clube 
de Campinas, depois prefeito em dois mandatos na cidade. 
A APESEC passou a estimular e apoiar o esporte nos clubes de Campinas. A 
partir de 1976 passou a organizar a Olimpíada Inter-Clubes de Campinas (Olimpesec), 
sendo o Clube Fonte São Paulo o primeiro campeão seguido do Tênis Clube de 
Campinas e da Sociedade Hípica de Campinas. 


 
 
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Nessa mesma década, Campinas se consolidou como um dos principais 
pólos de futebol no Brasil, revelando craques que fizeram e marcaram histórias, como 
Careca, Amaral e Zenon do Guarani e Oscar da Ponte Preta. 
A equipe da Ponte Preta foi vice-campeã Paulista, em 1970, 1977, repetindo 
o feito em 1979, sob a liderança de Dicá.  
Em 1978, outra equipe de Campinas, Guarani Futebol Clube, se destacou no 
futebol, sendo Campeão Brasileiro. 
Ainda nesse ano, a Seleção Brasileira, disputou a Copa do Mundo da 
Argentina, tendo a participação de vários jogadores que atuavam em Campinas, como 
Oscar, Amaral, Jorge Mendonça e outros. 
Foi nesse cenário que despontou o trabalho pioneiro de nossa primeira 
entrevistada, a professora Vilma Leni Nista-Píccolo, que iniciou sua carreira como 
atleta ainda jovem na escola Culto à Ciência, onde praticava nas aulas de Educação 
Física, ginástica olímpica, com o professor Pedro Stucchi Sobrinho. Apaixonada por 
esse esporte, Vilma seguiu carreira treinando e adquirindo mais técnica no Esporte 
Clube Pinheiros em São Paulo. Após esse período de experiência, ingressou na 
Faculdade de Educação Física da Pontifícia Universidade Católica de Campinas 
(PUCCAMP), onde se tornou monitora devido à vasta experiência como atleta. Na 
PUCCAMP, pôde ter contato com outras modalidades de ginástica, como por exemplo, 
a ginástica feminina moderna (ginástica rítmica), onde somente mulheres a praticavam, 
pois era uma ginástica “dançada” utilizando diferentes tipos de materiais como o 
pandeiro. Concomitantemente a isso, Vilma apresentou um projeto ao Clube Regatas
que concordando, autorizou o início da ginástica de solo. 


 
 
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 A primeira equipe de ginástica olímpica foi então formada no dia 15 de 
dezembro de 1970 com duas alunas. 
Fui muito engraçado, eu queria muito abrir uma turma de ginástica, então 
peguei minha prima Silvinha que adorava virar de ‘ponta cabeça’ e uma 
amiguinha dela, e pronto estava  formada  a  minha  primeira  turma.                     
(Vilma Leni Nista-Píccolo, 2002). 
 
Sem desanimar e confiante em seu projeto, Vilma segue adiante com sua 
turma e no ano seguinte a equipe passou de duas para cinqüenta ginastas. 
 
Foi uma grande surpresa este crescimento na modalidade, eu nem esperava 
isso. Confesso que fiquei emocionada e cada vez mais animada, pois eu 
estava no caminho certo. Também, eu levava minha equipe para se apresentar 
em tudo quanto era evento, e isso a motivava. Lembro-me que chegamos a 
nos apresentar em mais ou menos setenta cidades do interior. Onde nos 
chamavam, nós íamos. (Vilma Leni Nista-Píccolo, 2002). 
 
Houve uma certa dificuldade na aceitação dessa nova modalidade 
competitiva, porém, mais difícil ainda, foi enfrentar as primeiras competições na Capital, 
pois esse novo esporte lá praticado há alguns anos, já contava com ginastas fortes e 
expoentes. 
Em 1972 as ginastas do Regatas se filiou na Federação Paulista de Ginástica 
e enfrentou seu primeiro campeonato estadual, conquistando o título de campeã, além 
de classificar a ginasta Silvia Nista Gozzi, como a primeira ginasta do Clube Regatas a 


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