Microsoft Word unicamp mestrado giovanna Sarôa doc


Figura 20: Seleção Brasileira, Pan-Americano, Winnipeg / Canadá.                                            fonte



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Figura 20: Seleção Brasileira, Pan-Americano, Winnipeg / Canadá. 
                                          fonte: Laberge, 1999.  
 
 
 
 
 
 
 
 


 
 
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                              Figuras 21 e 22: Seleção Brasileira, Olimpíadas da Grécia. 
                                                          fonte: Hewitt, 2004. 
 


 
 
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A História da Ginástica Rítmica em Campinas 
 
Para entendermos melhor a história da ginástica rítmica em Campinas, farei 
um breve retrocesso da história da mulher na ginástica, mostrando sua luta para 
conquistar um espaço dentro do esporte.  
De acordo com Soares (1998), no século XIX, a ginástica é vista pelos 
burgueses como uma grande revelação, um estudo de caráter cientifico capaz de 
modificar esteticamente o corpo, dar condição de uma vida mais saudável. Assim, 
lentamente, a ginástica passa a ser importante para a sociedade, e são esses aspectos 
que a torna multifacetada. 
Porém, perante a sociedade do século XIX somente os homens eram 
capazes de realizar exercícios propostos pela ginástica militar, enquanto o papel da 
mulher era servir ao seu marido e dedicar-se à família e as tarefas do lar. 
Com o tempo essa idéia foi sendo modificada, acreditando-se que a ginástica 
faria bem para as mulheres no sentido de prepará-las para a maternidade. E é através 
desse pensamento que na segunda metade do século XIX, as mulheres começaram a 
receber tratamento especial, e foram encorajadas a se libertarem dos artifícios da moda 
que as prendiam, como os espartilhos, portas seios, saltos altos, vestidos pesados, etc. 
Foram criados exercícios físicos específicos para tornar as mulheres capazes 
de exercitarem seus corpos, com o intuito de gerarem filhos mais fortes e saudáveis. 
Com o passar dos anos a ginástica para as mulheres foi sendo re-elaborada 
e transformada aos poucos numa ginástica cada vez mais feminina, utilizando-se do 


 
 
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auxílio da música para ter uma Ginástica mais “dançada”, denominadas “danças 
gímnicas”.  
Para Demeny: 
 
A música tem uma influência moral muito grande, é um estimulante encantador 
aos quais poucos sabem resistir. E valeria para as crianças e para as jovens 
infinitamente mais que uma lição enfadonha comandada militarmente e 
incapaz de prender a atenção. (DEMENY, 1924 p.13). 
 
Demeny acreditava nos encantamentos da música e da dança para as 
mulheres, encantamentos que elas não resistiriam, por isto ele incluiu em suas aulas de 
ginástica, a música, tornando uma modalidade especialmente desenvolvida para elas. 
Ele acreditava que a ginástica bem aplicada era o melhor meio de lhes acentuar a 
beleza e a graciosidade. 
Foi através da beleza e da graça, que a ginástica feminina se desenvolveu e 
se aprimorou até chegar em nossos tempos. As ginásticas Sueca e Francesa tiveram 
grande responsabilidade na inclusão da ginástica feminina, e foram os pioneiros e 
maiores incentivadores para a prática da mulher na ginástica. 
Já em Campinas, a história da ginástica inicia-se com a chegada dos 
imigrantes alemães.  
Conforme Fiorin (2002), em sua dissertação de mestrado, aqui chegaram no 
final do século XIX, imigrantes alemães que contribuíram para o desenvolvimento da 
cidade, pois eram pessoas instruídas. 
Com eles, a trajetória da ginástica se iniciou. Esse foi sem dúvida um dos 
legados mais importantes de sua presença. Carregando na bagagem, a tradição da 
ginástica, os alemães sentiram necessidade de montar uma associação, onde 


 
 
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pudessem se encontrar e manter acesa suas tradições, além de discutir interesses, 
referentes às suas vidas na cidade. 
A presença deles marcou a cidade de Campinas, pois fundaram importantes 
colégios da época, como o Colégio Culto à Ciência e o Colégio Florence, fundado por 
Carolina Florence, esse, destinado à educação de meninas. 
Foram nesses colégios que a população estudantil pode ter contato e 
aprender ginástica, também chamada de “Turnen” pelos alemães, e que possui vários 
adjetivos, dentre eles o que se considera expoente para definição da ginástica: 
“exercícios diversos em aparelhos, no solo ou em grande quantidade de pessoas”. 
A ginástica era bem recebida pela sociedade campineira, mas somente para 
os meninos, porém para os alemães era comum a presença das meninas nas aulas e 
nas associações, pois eles acreditavam que a prática traria benefícios a elas, 
proporcionando-lhes corpos mais saudáveis, tornando-as mais sábias e mais perfeitos. 
Tescher afirma que: 
 
 
(...) a menina deve sair da escola mais sábia e mais perfeita do que o menino. 
Para o menino permanece a vida após a escola no mundo turbulento, enquanto 
para a mulher não tem nada disso. Para ele, o homem é educado por opção, a 
mulher por sua determinação. (TESCHER, 1996, p.40). 
 
Aos poucos, a ginástica feminina foi se firmando nas escolas e sendo aceita 
pela sociedade. 
Ainda Fiorin (2002), enquanto na década de 1920, a ginástica começava a se 
tornar disciplina escolar, os clubes campineiros se proliferavam nos esportes. O Clube 
Campineiro de Regatas e Natação, com os esportes náuticos, o Tênis Clube Campinas, 


 
 
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com o tênis, a Sociedade Hípica Campinas, com o hipismo e a Associação Atlética 
Ponte Preta e o Guarani Futebol Clube com o futebol. 
Campinas apresentava um crescimento significativo no esporte e esse novo 
tempo fazia com que as práticas corporais ganhassem mais destaque na sociedade. 
Todo esse crescimento mudava também a concepção de corpo. O padrão de 
beleza era aquele considerado pela sociedade, de corpo “tratado”, corpo trabalhado 
através da prática da ginástica, corpo saudável, visto com bons olhos perante a 
sociedade. Ser gordo era sinônimo de lerdeza.  
A ginástica para as mulheres tinha que ser graciosa, ter beleza e feminilidade
enquanto a ginástica de aparelhos que exigia força e destreza era destinada aos 
homens. Esta separação de gênero esteve presente desde a criação da ginástica. 
(FIORIN, 2002). 
Em 1938, a ginástica fazia parte das disciplinas nas Escolas Superiores, 
como a USP (Universidade Estadual de São Paulo), que formou os principais 
professores das modalidades esportivas.  
A ginástica foi ganhando cada vez mais respeito e prestígio na cidade. Havia 
apresentações em festas comemorativas e a presença das mulheres era notável, e elas 
passaram a utilizar materiais como arcos e bolas, difundidos pela ginástica feminina. 
Fernando Azevedo, educador e um dos incentivadores das atividades físicas 
do século XX deixa claro esta posição ao afirmar que: 
 
Os exercícios, pois, que mais convém à mulher são aqueles que aumentam a 
flexibilidade e a destreza da coluna vertebral, isto é,, os movimentos que 
sujeitos as leis da cadência e do ritmo, se tornam, por assim dizer, a poesia da 
locomoção. E que da flexibilidade do tronco, da harmonia dos movimentos 
depende um dos maiores encantos das mulheres: a GRAÇA. A educação física 
para moças deve ser, pois, higiênica e estética, e nunca ‘atlética’, deve visar, 
sobretudo o desenvolvimento da parte inferior do corpo, dar a graça e a 


 
 
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destreza dos movimentos, procurando antes a ligeireza do que a 
força.(AZEVEDO, 1960, p.67). 
 
Foi nos anos sessenta que a ginástica ganhou outras formas de expressão 
dentro dos clubes, escolas e das primeiras academias de ginástica estética. Nessa fase 
a presença de mulheres na ginástica olímpica tornou-se notável, sendo comum 
encontrar equipes femininas nas escolas. 
O crescimento da ginástica olímpica nas escolas se expandiu para os clubes, 
assim, inicia-se uma trajetória de competições e conquistas para as equipes de 
ginástica olímpica campineira e dentro de todas essas mudanças e manifestações 
culturais a ginástica ganhou em 1970 novas formas de expressão. 
E é nesse clima extremamente envolvente e de grandes mudanças sociais da 
década de 1970 até os nossos dias, que inicio os estudos sobre a nova modalidade 
feminina.   
A ginástica conquistou seu espaço e ganhou adeptos ao longo desse século, 
firmando suas raízes nas escolas campineiras e nomeando grandes ginastas, como foi 
o caso do Colégio Culto à Ciência, que com sua equipe de ginástica olímpica 
consagrou-se no Estado de São Paulo. Ganhou reconhecimento mundial, quando em 
1974, enviou o primeiro ginasta brasileiro José Fernando Costa Abramides a um 
campeonato mundial realizado na Bulgária. 
Isso nos mostra a dimensão da ginástica olímpica em Campinas que se 
consolidou através de práticas escolares, a partir da década de 1920.  
Aos poucos, alguns clubes começaram a investir nesse esporte, tornando-o 
importante para a sociedade campineira. Em 1942, o Clube Campineiro de Regatas e 
Natação (C.C.R.N.) aderiu a esse esporte, adquirindo do Clube Concórdia alguns 


 
 
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aparelhos de ginástica com a intenção de criar um departamento próprio para a nova 
modalidade. Em 1946 promoveu o campeonato de ginástica de solo, organizado pela 
Associação dos Professores de Educação Física de São Paulo, tendo como Campeão 
Paulista e Campineiro, o atleta do “vermelhinho” Henrique Huck. Em 1949 o Clube 
Regatas constrói seu primeiro barracão para abrigar a nova modalidade.  
Nas décadas de 1950 e 1960 a modalidade foi crescendo gradativamente, 
sempre buscando melhorias e investimentos para esse esporte. Porém, foi na década 
de 1970 que a ginástica se firmou no C.C.R.N., quando a presidência do Clube estava 
sob o comando do Senhor Orlando Nista, pai da primeira entrevistada Vilma Leni Nista-
Píccolo. 



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