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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA 

INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS 

BACHARELADO INTERDISCIPLINAR EM CIÊNCIA HUMANAS 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

Thaís Melo de Souza 



 

 

 



 

 

PERSPECTIVAS SOBRE A MENSTRUAÇÃO: ANÁLISE DAS REPRESENTAÇÕES NA 



PUBLICIDADE E NA MILITÂNCIA FEMINISTA ONLINE 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

Artigo 



apresentado 

ao 


Bacharelado 

Interdisciplinar  em  Ciências  Humanas,  da 

Universidade Federal de Juiz de Fora, como 

requisito  parcial  para  obtenção  do  grau  de 

Bacharel (Trabalho de Conclusão de Curso). 

Orientador:  Prof.  Dr.  Raphael  Bispo  dos 

Santos. 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

Juiz de Fora 



2018 


DECLARAÇÃO DE AUTORIA PRÓPRIA E 

AUTORIZAÇÃO DE PUBLICAÇÃO 

 

 

Eu,  Thaís  Melo  de  Souza,  acadêmica  do  Curso  de  Graduação  Bacharelado  Interdisciplinar  em 



Ciências  Humanas,  da  Universidade  Federal  de  Juiz  de  Fora,  regularmente  matriculada  sob  o  número 

201672092A, declaro que sou autora do Trabalho de Conclusão de Curso intitulado PERSPECTIVAS SOBRE A 

MENSTRUAÇÃO:  ANÁLISE  DAS  REPRESENTAÇÕES  NA  PUBLICIDADE  E  NA  MILITÂNCIA  FEMINISTA 

ONLINE, desenvolvido durante o período de Novembro de 2017 a Abril de 2017 sob a orientação do Prof. Dr. 

Raphael  Bispo  dos  Santos,  ora  entregue  à  UNIVERSIDADE  FEDERAL  DE  JUIZ  DE  FORA  (UFJF)  como 

requisito parcial a obtenção do grau de Bacharel, e que o mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, 

não  tendo  sido  copiado  ou  extraído,  seja  parcial  ou  integralmente,  de  forma  ilícita  de  nenhuma  fonte  além 

daquelas  públicas  consultadas  e  corretamente  referenciadas  ao  longo  do  trabalho  ou  daquelas  cujos  dados 

resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho.

 

  



Assim,  firmo  a  presente  declaração,  demonstrando  minha  plena  consciência  dos  seus  efeitos  civis, 

penais e administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos 

direitos autorais. 

 

Desta forma, na qualidade de titular dos direitos de autora, autorizo a Universidade Federal de Juiz de 



Fora  a  publicar,  durante  tempo  indeterminado,  o  texto  integral  da  obra  acima  citada,  para  fins  de  leitura, 

impressão e/ou download, a título de divulgação do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciências Humanas 

e ou da produção científica brasileira, a partir desta data. 

 

 



 

Por ser verdade, firmo a presente. 

 

Juiz de Fora, ____ de ____________ de ________. 



 

 

 



 

 

_________________________________________ 



Thaís Melo de Souza 

 

 



 

 

Marcar abaixo, caso se aplique: 



Solicito aguardar o período de ( ) 1 ano, ou ( ) 6 meses, a partir da data da entrega deste TCC, antes de publicar 

este TCC. 

 

 

 



 

OBSERVAÇÃO: esta declaração deve ser preenchida, impressa e assinada pelo aluno autor do TCC e inserido após a capa da versão final impressa do 

TCC a ser entregue na Coordenação do Bacharelado Interdisciplinar de Ciências Humanas

.

 



 

 

 




PERSPECTIVAS SOBRE A MENSTRUAÇÃO: ANÁLISE DAS REPRESENTAÇÕES NA PUBLICIDADE E NA 

MILITÂNCIA FEMINISTA ONLINE 

 

Thaís Melo de Souza 



 

 

 



RESUMO 

Nesta  pesquisa,  tenho  como  objetivo  construir  uma  base teórico-metodológica  para  analisar  a  representação  da 

menstruação  na  publicidade  veiculada  no  Brasil,  entre  2015  e  2017,  bem  como  o  debate  fomentado  pela  produção 

audiovisual  online  realizado  por  militantes  feministas  nesse  mesmo  período.  Venho,  neste  trabalho,  explorar  referências 

antropológicas e sociológicas que abordem a representação do corpo feminino em geral e as imposições sociais sobre eles, 

especialmente  através  da  mídia  e  que  foquem  na  menstruação  e  nas  suas  implicações  sociais.  Busco  compreender  a 

constituição  dos  estigmas  em  torno  da menstruação  e me  indago  sobre  o  potencial  patologizante  que  podem  exercer.  As 

conclusões  desenvolvidas  ao  longo  da  pesquisa  indicam  o  quanto  os  tabus  acerca  dos  corpos  femininos  ainda  exercem 

grande influência na modelagem de nossos comportamentos: da mulher com o seu próprio corpo e da sociedade em geral 

com  a  organicidade  do  corpo  da  mulher.  Há,  de  um  lado,  a  militância  feminista  que  problematiza  a  “patologização”  da 

naturalidade feminina e vem ganhando força cada vez maior, e de outro, a publicidade hegemônica que, em geral, fortalece 

a rejeição das mulheres de suas “naturalidades”, intensificando o desconhecimento de seus próprios corpos.

 

Palavras-chave: menstruação, feminismo, publicidade, antropologia do corpo.



 

 

ABSTRACT 



 

My  objective  in  this  research  project  is  to  construct  a  theoretical  and  methodological  basis  to  analyze  the 

representation  of  menstrual  blood  in  advertising  campaigns  presented  in  Brazil,  between  2015  and  2017,  as  well  as  the 

debate  promoted  by  audiovisual  production  online  made  by  feminist  activists  during  the  same  period.  I  examine 

anthropological and sociological references on the representation of the female body in general, and the social  impositions 

over  them,  specially  through mass media  and  focusing  menstrual  blood  in  its  social  implications.  I  look  for  understanding 

stigma  constitution  about menstrual  blood,  questioning  the  pathologizing  potential  it  can  exert.  The  conclusions  developed 

through  out  this  research  can  indicate  in  what  extent the taboo  around  female  bodies  remains  its  deep  influence  over  the 

modeling  of  our  behaviors:  the  relationship  of  women  and  their  own  bodies,  and  between  society  and  the  naturalness  of 

women bodies. There is, on one hand, the feminist activists who calls into question the pathologization of female naturalness 

and which has had more and more impact on social media, on the other hand, the hegemonical producers of advertising that, 

generally, reinforce the rejection of this “nature” from women themselves, intensifying the ignorance on their own bodies. 

 

1. INTRODUÇÃO



 

 

Este artigo apresenta reflexões acerca das imposições que se dirigem socialmente ao corpo feminino e 



as  relações  que  estas  estabelecem  com  as  manifestações  político-comunicacionais  que  emergem  ou  se 

adequam ao âmbito das redes sociais e de compartilhamento de vídeos. Analiso as formas sociais de censura 

do sangue menstrual e como elas moldam o comportamento feminino e a relação das  mulheres com os seus 

próprios corpos, presentes desde a criação das meninas e potencializadas, também, através da mídia. 

Com a análise e apresentação de campanhas publicitárias da mídia brasileira, procuro abordar como a 

menstruação é representada e como, com a patologização do sangue menstrual, a mídia vende uma ideia de 

“liberdade”  feminina  que  pode  ser  adquirida  com  o  consumo  dos  produtos  feitos  para  lidar  com  todos  os 

“malefícios” do período menstrual. Busco analisar também como a dominação e o silenciamento dos corpos é 

realizada e como algumas mulheres – na maioria das vezes, jovens, militantes e feministas – constroem suas 

ações no sentido oposto dessa estigmatização. Correntes feministas que lutam pelo entendimento e aceitação 

de uma outra concepção de natureza do corpo feminino e questionam os padrões de representação dos fluidos 

corporais  de  maneira  constante  e  diversificada  em  termos  de  criticidade  e  perspectivas  ideológica  e  teórica 

adotadas, configurando-se em um meio de visibilidade, informação, debate e também como fonte para pesquisa.

 

Procuro  evidenciar  as  formas  de  censura  que  moldam  o  comportamento  feminino  e  afastam  as 



mulheres do reconhecimento do próprio corpo. Dessa forma, também busco aqui incentivar o questionamento e 

a desconstrução desses valores, tendo em vista que a publicidade se apresenta, em geral, como ratificadora de 

um ideal que não tem a ver com a “natureza” do corpo feminino. O conflito cotidiano da mulher com os fluidos 



corporais  chama  atenção  para  uma  dimensão  da  publicidade  que  é  a  falsificação  e  a  desnaturalização  da 

experiência corpórea. Em contrapartida, entra em jogo também na plataforma digital YouTube a voz de militantes 

feministas que passam a difundir o debate e dão visibilidade ao tema. Elas abordam suas experiências de vida e 

as  formas  como  lidam  com  seus  corpos  e  com  os  julgamentos  sociais,  possibilitadas  através  de  processos 

complexos de percepção do corpo, mesmo estando inseridas em uma sociedade considerada machista e que 

não  incentiva  a  autonomia  feminina.  Discutir  esse  tema  em  âmbito  acadêmico  é  trazer  para  o  debate  e  dar 

visibilidade a um assunto que permanece sendo constrangedor para muitas mulheres de diferentes gerações, 

que ocupam distintos espaços na sociedade.

 

 

1 – De impureza a patologia 



 

Uma mulher que tem um fluxo, seu fluxo é sangue de seu corpo. Ela estará sete dias em sua 

incapacidade  cúltica  devido  à  sua  menstruação,  e  quem  a  tocar,  estará  impuro(a)  até  o 

anoitecer. Tudo sobre o que ela se deitar menstruada está impuro, e tudo sobre o que ela se 

senta, está impuro. Cada um que tocar seu leito, lave suas vestimentas e banhe-se em água, 

e ele estará impuro até o anoitecer. Cada pessoa que tocar qualquer objeto sobre o qual ela 

senta, lave suas vestimentas e banhe-se em água, e estará impura até o anoitecer. (Levítico 

15, 19-22) 

Algumas passagens da Bíblia, como a reproduzida acima, refletem o quanto a mulher é considerada 

pelo cristianismo como “impura” no período menstrual. Através desses escritos, a sociedade ocidental cristã é 

influenciada pela concepção do corpo da mulher que estigmatiza o sangue menstrual. Essa postura diante da 

naturalidade corpórea e de como deve ser o comportamento (de rejeição) durante esses dias, tem resquícios 

fortes até a atualidade, uma vez que o assunto segue sendo um tema vergonhoso e constrangedor para muitas 

pessoas, de diferentes gerações. 

Ao fazer uma análise de como a menstruação é tratada em sociedades diferentes, como os aleutas, os 

persas  e  os  egípcios,  Simone  de  Beauvoir  (1949)  afirma  que  desde  a  infância  é  imposto  às  meninas  o 

silenciamento diante da menstruação. O assunto é um dos mais difíceis de ser abordado no âmbito familiar, que 

não ensina para as meninas o que vai acontecer com seu corpo e como lidar com o processo menstrual.  Ao 

contrário,  é  ensinado  que  a  menstruação  será  o  pior  período  do  mês,  porque  além  das  dores  e  alterações 

constantes de humor, virá o sangue, retratado como algo sujo e vergonhoso (SARDENBERG, 1994), que logo se 

torna motivo de desconforto e rejeição, como se a partir da primeira menstruação a mulher se tornasse impura 

(BEAUVOIR, 1949). 

Emily Martin (2006) analisa textos de autores do século XIX e livros didáticos de medicina, nos quais a 

menstruação era relacionada a um processo patológico, tida como um distúrbio, no qual as mulheres ficam fora 

de  controle  (MARTIN,  2006),  assim  como  no  período  da  menopausa.  Além  disso,  o  fato  da  mulher  não  ter 

engravidado  aparece  nos  livros  de  medicina  sempre  associados  a  termos  negativos,  ligados  à  perda,  falta, 

desintegração  e  privação:  “considerar  a  menstruação  como  uma  produção  que  deu  errado  também  contribui 

para vê-la de forma negativa” (MARTIN, 2006, p.92). 

Devido ao constrangimento e à falta de informação  decorrentes do incômodo existente ao abordar o 

assunto, a menstruação “passou a ser vivida solitariamente por cada jovem” (CAMPAGNA & SOUZA, 2006, p. 

11).  Muitas  meninas  não  contam  nem  para  suas  mães  quando  menstruam  pela  primeira  vez  por  causa  de 

vergonha  e,  como  não  são  comuns  as  conversas  sobre  o  assunto,  estas  ficam  sem  respostas  para  diversas 

dúvidas e aprendem a lidar sozinhas com algo que, até então, era desconhecido, ou procuram em outras fontes, 

que não a família, para sanarem a falta de informação: “um processo vivido isoladamente,  não compartilhado 

com a família, nem com amigos” (CAMPAGNA & SOUZA, 2006, p.26). Portanto, a ausência de discussão sobre 

a  menstruação  a  invisibiliza,  prejudica  a  relação  das  mulheres  com  o  próprio  corpo  em  nossa  sociedade  e 

fortalece a marginalização existente acerca do tema (RATTI; AZZELLINI; BARRENSE & GROHMANN, 2015). 

É possível observar que a reprodução ainda é considerada a principal finalidade do corpo feminino: “a 

mulher esboça o trabalho da gestação” (BEAUVOIR, 1949, p.48), o que atribui à menstruação um símbolo de 

fracasso,  já  que  representa  que  a  sua  finalidade  não  foi  atingida.  Em  suas  análises  sobre  menstruação, 

menopausa e parto, Emily Martin (2006) explicita essa ideia: 

a menstruação não apenas traz consigo a conotação de um sistema produtivo que fracassou 

na  produção,  como  também  transmite  a  noção  de  uma  produção  desvirtuada,  fabricando 

produtos  sem  uso,  fora  das  especificações,  invendáveis,  desperdícios,  sucatas.  Por  mais 




repugnante que possa ser, o sangue menstrual irá sair. Uma produção desvirtuada é também 

uma imagem que nos enche de horror e consternação. (MARTIN, 2006, p. 93)

 

 

2 – “Liberdade feminina” como mercadoria 



 

 Os mercados biotecnológicos lucram com as possibilidades de correção para os “defeitos” dos corpos 

femininos  (LE  BRETON,  2003),  o  que  faz  com  que  os  anticoncepcionais  contínuos,  que  suspendem  a 

menstruação, sejam cada vez mais comercializados.  Através de campanhas e propagandas, os discursos que 

patologizam a menstruação são potencializados, como na propaganda da marca de absorvente Intimus, com o 

seguinte  slogan:  “Crie  suas  próprias  regras  com  Intimus  Evolution  Center  Sec”  (2014),  analisada  por  Ratti, 

Azzellini, Barrense & Grohmann (2015).  A propaganda aborda o medo que as mulheres têm do vazamento do 

sangue  menstrual  e  algumas  atitudes  decorrentes  disso,  como  a  escolha  das  roupas  (como  se,  no  período 

menstrual, a mulher só pudesse usar roupas escuras, para que não corra o “risco” do sangue ficar visível se 

vazar  do  absorvente),  a  preocupação  presente  em  todos  os  momentos  com  a  roupa  deixar  transparecer  de 

alguma  forma  o  absorvente  ou  o  sangue  e  o  medo  de  manchar  algum  assento.  Ao  expor  os  “incômodos” 

advindos da menstruação, a propaganda traz a ideia de liberdade associada ao uso do absorvente de sua marca 

ao garantir que o produto “prende o fluxo longe da pele e previne vazamentos” (Intimus, 2014).

 

Após três anos dessa propaganda, a mesma marca de absorvente lançou o comercial “Siga em Frente” 



(2017),  mostrando  conquistas  profissionais  de  algumas  mulheres,  que  realizaram  suas  atividades  sem  que  a 

menstruação  as  “atrapalhasse”,  trazendo  a  frase:  “Vamos  tratar  a  menstruação  como  ela  é.  Algo  natural, 

saudável, não um problema”. Contrapondo as duas propagandas, é possível perceber que com o  passar dos 

anos, o discurso foi sendo transformado, o foco principal mudou e a forma como o assunto é abordado antes de 

fazer a propaganda do produto também. Passasse de uma abordagem que evidencia os incômodos, propondo o 

uso  do  absorvente  como  uma  saída  para  uma  desmistificação  de  que  as  mulheres  são  menos  capazes  no 

período  menstrual,  tratando  o  sangue  com  mais  naturalidade  e  evidenciando  o  poder  feminino  de  lidar  com 

essas  situações.  A  partir  dessa  análise,  me  questiono  sobre  a  intenção  presente  na  mudança  de  foco  dos 

comerciais, se é para a desconstrução e para dar visibilidade ao assunto, sem estigmatizá-lo com a ideia de 

rejeição e de perda de liberdade, ou se com o fortalecimento cada vez maior da luta feminista, as marcas veem a 

necessidade  de  mudar  suas  propagandas  para  não  ser  alvo  de  críticas  e  se  adequarem  ao  que  o  público 

consumidor vem discutindo e assistindo nas redes sociais. 

O  blog  “Viva  sem  menstruar”,  analisado  por  Ramalho  (2013),  aborda  o  direito  que  a  mulher  tem  de 

mandar em sua própria vida e fazer suas escolhas, o que significa poder optar pela supressão da menstruação. 

Os discursos presentes no blog enfatizam sempre a ideia de “liberdade”, “escolha” e “direito”, evidenciando as 

dores da cólica e nos seios, a inconstância de humor no período pré-menstrual, o inchaço do corpo e o aumento 

da acne, trazendo o fim desses sintomas através do uso contínuo de remédios, que passa a ser considerado 

como um direito importante das mulheres:

 

Você decide, não o seu ciclo menstrual. Isso vale para tudo: viajar, namorar, trabalhar e o que 



mais  o  seu  estilo  de  vida  decidir.  A  menstruação  odeia  solidão.  Está  sempre  em  má 

companhia: dor de cabeça, inchaço, dor mamária, alterações de apetite, mudanças de humor 

etc. […] Nenhuma mulher quer viver sofrendo. E nem precisa. Deixamos o mais importante 

para o final. Viver sem menstruar não é apenas conveniente, confortável ou moderninho. Não 

menstruar pode ajudar a prevenir e tratar doenças bem complicadas. Algumas muito graves, 

como anemia, mioma e endometriose. (Viva sem menstruar, acesso em: 04/11/2016) 

 

A campanha que potencializa a tendência de suspender por completo a menstruação é divulgada em 



páginas  nas  redes  sociais  e  possui  um  site  próprio  que  conta  com  um  canal  de  comunicação  via  web  para 

esclarecer dúvidas. Trazendo a ideia de que a menstruação é um sofrimento que impede a mulher de exercer 

diversas atividades, apoiada na idealização de felicidade ao suspender a menstruação, dando a ideia do direito e 

da liberdade que a mulher possui para fazer isso.

 

É  possível  observar  diversos  outros  tabus  acerca  do  sangue  menstrual  que  são  disseminados  nos 



discursos dessas propagandas, como o líquido presente no absorvente representando o sangue menstrual, que 

é azul, fluído e transparente, não é vermelho, viscoso, grosso, com coágulos e opaco como o da menstruação. 

Além de trazer um cenário que ajuda a corroborar com a ideia de limpeza, com as mulheres das propagandas 

sempre com roupas claras, felizes e dispostas. Ao analisar estas propagandas é evidente a dicotomia entre “as 

ideias  de  pureza/impureza  e  limpeza/sujeira”  (NATASOHN,  2005),  o  que  aumenta  o  silenciamento  sobre  a 



naturalidade do corpo das mulheres, distanciando-as do conhecimento sobre si mesmas, porque faz com que 

acreditem que o sangue é sujo, tem cheiro ruim e deve ser escondido, e consequentemente rejeitado. 

Ao  associar  a  menstruação  aos  sintomas  corporais,  como  dores,  doenças,  cólica  e    estresse,  a 

biopolítica  ajusta  os  corpos  aos  padrões  que  geram  lucros  aos  mercados  biotecnológicos  e  biomédicos.  É 

importante  questionar  se  há,  por  trás  da  crescente  comercialização  destes  produtos,  a  preocupação  com  a 

liberdade  e  a  autonomia  das  mulheres;  se  os  remédios  anticoncepcionais  são  realmente  benéficos  e  a  quem 

seus  benefícios  favorecem,  tendo  em  vista  que  se  de  um  lado,  evitam  cólicas,  dores,  sintomas  da  TPM, 

possíveis doenças, gravidez indesejada e permitem que as mulheres tenham maior controle sobre a data que 

ocorrerá  seu  período;  por  outro  lado,  o  uso  apresenta  efeitos  colaterais,  aumenta  a  probabilidade  do 

desenvolvimento  de  doenças,  como  câncer  de  mama  e  trombose,  pode  diminuir  a  libido  e  alteram  o 

funcionamento  natural  do  corpo,  uma  vez  que  os  hormônios  presentes  nos  anticoncepcionais  e  ingeridos 

diariamente fazem com que os hormônios naturais parem de ser produzidos em sua forma e quantidade normais. 

Também é válido discutir sobre as “regras de higiene” vendidas para as mulheres, se estas revelam cuidado com 

o  bem-estar  de  seus  corpos  ou  apenas  um  aumento  na  insegurança  para  criar  a  necessidade  em  consumir 

produtos que geram lucro através da garantia de esconder as naturalidades de seus corpos de várias maneiras, 

aumentando a venda de produtos, como desodorantes íntimos e clareadores vaginal e anal. 

As imposições sociais operam nos corpos moldando a forma como as mulheres entendem seus corpos, 

sua  vagina  e  seu  ânus,  e,  consequentemente,  interferindo  no  autoconhecimento  e  no  hábito  de  lidar  consigo 

mesmas, 

O controle da sociedade sobre os indivíduos não se opera simplesmente pela consciência ou 

pela ideologia, mas começa no corpo, com o corpo. Foi no biológico, no corporal que, antes 

de tudo, investiu a sociedade capitalista. O corpo é uma realidade biopolítica. A medicina é 

uma estratégia de biopolítica. (FOUCAULT, 2011 [1979], p. 80) 

 

Dessa forma, se torna evidente que o silenciamento acerca do sangue menstrual não está em falar ou 



não sobre, pois existem muitos discursos que abordam a menstruação, não é um tema silenciado na sociedade. 

Mas o que procuro evidenciar nesta pesquisa é a forma como são constituídos os discursos existentes, como 

eles abordam a menstruação, quais discursos estão vinculados a ela e quais ideias são atribuídas, como a 

menstruação aparece nesses discursos e por quem eles são feitos:

 

 

Como  se,  para  dominá-lo  no  plano  real,  tivesse  sido  necessário,  primeiro,  reduzi-lo 



ao  nível  da  linguagem,  controlar  sua  livre  circulação  no  discurso,  bani-lo  das  coisas  ditas  e 

extinguir  as  palavras  que  o  tornam  presente  de  maneira  demasiado  sensível.  Dir-se-ia 

mesmo  que  essas  interdições  temiam  chamá-lo  pelo  nome.  Sem mesmo ter  que  dizê-lo,  o 

pudor moderno obteria que não se falasse dele, exclusivamente por intermédio de proibições 

que se completam mutuamente: mutismos que, de tanto calar-se, impõe o silêncio. Censura. 

[…] Talvez tenha havido uma depuração – e bastante rigorosa – do vocabulário autorizado. 

Pode ser que se tenha codificado toda uma retórica da alusão e da metáfora. Novas regras 

de  decência,  sem  dúvida  alguma,  filtraram  as  palavras:  polícia  dos  enunciados.  Controle 

também das enunciações: definiu-se de maneira muitos mais estrita onde e quando não era 

possível  falar  dele;  em  que  situações,  entre  quais  locutores,  e  em  que  relações  sociais; 

estabeleceram-se, assim, regiões, senão de silêncio absoluto, pelo menos de tato e discrição: 

entre pais e filhos, por exemplo, ou educadores e alunos, patrões e serviçais. É quase certo 

ter  havido  aí  toda  uma  economia  restritiva.  Ela  se  integra  nessa  política  da  língua  e  da 

palavra  –  espontânea  por  um  lado  e  deliberada  por  outro  –  que  acompanhou  as 

redistribuições sociais da época clássica. […] A discrição é recomendada cada vez com mais 

insistência.  Quanto  aos  pecados  contra  a  pureza  é  necessária  a  maior  reserva:  “Essa 

matéria assemelha-se ao breu que, qualquer que seja a maneira de manuseá-lo, mesmo que 

para jogá-lo longe, ainda assim mancha e suja, sempre.” (FOUCAULT, 1984, p.22)

 

 

E  importante  também  é  pensar  como  esses  discursos  determinam  até  que  ponto  falamos  e  quais 



termos  usamos  para  retratar  o  sangue  menstrual,  como  se  constitui  a  “discrição  exigida”  (FOUCAULT,  1984) 

acerca  do  assunto,  moldando  nossa  forma  de  olhar  para  a  menstruação  e  determinando  como  falamos  dela, 

como a enxergamos e, consequentemente, como a rejeitamos:

 

É  preciso  tentar  determinar  as  diferentes  maneiras  de  não  dizer,  como  são  distribuídos  os 



que  podem  e  os  que  não  podem falar,  que  tipo  de  discurso  é  autorizado  ou  que  forma  de 


discrição  é  exigida  a  uns  e  outros.  Não  existe  um  só,  mas  muitos  silêncios  e  são  parte 

integrante das estratégias que apoiam e atravessam os discursos. (FOUCAULT, 1984, p.30)

 

 

3 – Compartilhar, questionar e desconstruir



 

 

 



Nesta pesquisa, realizo análises em rede de manifestações político-comunicacionais que emergem ou 

se adequam ao âmbito das redes sociais, como o YouTube, sendo esta uma plataforma de compartilhamento de 

vídeos  muito  difundida  entre  os  usuários  da  internet,  em  que  é  possível  ter  maior  acesso  a  construções  de 

narrativas autônomas e com diferentes abordagens sobre um mesmo tema.

 

Na  barra  de  pesquisa  do  YouTube,  foram  pesquisados  os  termos  “feminista  menstruação”,  “tabu 



menstruação”  e  “tabus  femininos”,  resultando  em  um  conjunto  de  32  vídeos,  nos  quais  apenas  7  foram 

selecionados para um estudo mais atento. Foram incluídos apenas os vídeos em português, com a publicação 

datada de 2015 a maio de 2017, feitos por mulheres que se apresentam como feministas, tendo como foco a 

abordagem sobre o tabu acerca do sangue menstrual, do desconhecimento e vergonha presentes antes mesmo 

da  primeira  menstruação.  Na  primeira  seleção,  muitos  vídeos  abordavam  outros  assuntos  da  corporeidade 

feminina e dos estigmas que a cercam, ou focavam em fornecer informações gerais sobre a menstruação, como 

acontece  o  período  menstrual  e  quais  são  os  sintomas  da  tensão  pré-menstrual,  sem  entrar  no  assunto  da 

estigmatização propriamente dito e, por isso, não foram selecionados para esta pesquisa.

 

Os relatos e conversas dessas mulheres – na maioria jovens, militantes e feministas que lutam contra a 



dominação  e  o  silenciamento  dos  corpos  femininos  e  pelo  fim  do  tabu  acerca  da  naturalidade  dos  fluídos 

corporais  –  abrem  espaço  para  conversas  sobre  a  menstruação  que  ainda  não  são  comuns  entre  muitas 

pessoas. Ao expor suas experiências e incômodos, falando abertamente sobre o que é visto como tabu acerca 

do assunto, estas youtubers rompem com o silêncio que envolve a temática. Os vídeos constituem-se como uma 

forma de debate, seus canais também funcionam como meios de tirar dúvidas, de se informar sobre o assunto 

de maneiras diferentes e problematizar os tabus enraizados na sociedade.  A divulgação no Youtube amplia a 

visibilidade do assunto, pois o acesso é facilitado e pode conectar em rede várias mulheres que recorrem às 

buscas online sobre o fenômeno da menstruação que as afeta diretamente.

 

Na análise dos vídeos selecionados, é possível notar que os assuntos abordados pelas youtubers não 



são  muito  diferentes  dos  mencionados  anteriormente  neste  artigo.  Apesar  do  recorte  e  da  abordagem  se 

diferenciarem um pouco, considerando que algumas youtubers fazem uma contextualização histórica ou contam 

suas  próprias  experiências,  as  abordagens  principais  e  os  questionamentos  são  muito  semelhantes  aos 

realizados ao longo da minha pesquisa.

 

O  primeiro  vídeo  analisado  foi  intitulado  como  “#PorQueMulher  MENSTRUA  AZUL?  |  Episódio  8”, 



divulgado pelo canal “Nunca te pedi nada”, de Maira Medeiros, contando com a sua participação e de mais duas 

mulheres: Mariana Torquato do canal “Vai uma mãozinha?” e Gabi Oliveira do canal “DePretas”. Este vídeo foi 

divulgado no YouTube em 30 de março de 2017, tendo duração de cinco minutos e doze segundos.

 

Na primeira cena do vídeo é apresentada uma dramatização de tom irônico: uma das personagens é 



atingida por uma bola e começa a escorrer um líquido azul de sua narina. Com isso evocam o líquido utilizado na 

publicidade  de  forma  corriqueira  para  representar  o  sangue  menstrual.  As  três  personagens  trajam  roupas 

características da Idade Média e da Grécia Antiga. Saindo da cena dramática, se posicionam em tomada frontal 

para desenvolver uma contextualização histórica, explicando como o sangue menstrual era visto na Antiguidade, 

como as mulheres eram tratadas, como tinham que se portar durante o período menstrual e como a abordagem 

médica, realizada por homens, era feita. 

As youtubers questionam a forma silenciosa e patologizante como o sangue menstrual é tratado pela 

sociedade:

 

É  um  processo  absolutamente  natural  e  normal.  Então  por  que  um  pouquinho  de  sangue 



uma  vez  por  mês  causa  tanto  desconforto  em  homens  e  mulheres?!  Por  que  não  se  fala 

abertamente  sobre  esse  assunto?  E,  principalmente,  o  que  é  esse  negócio  azul  nos 

comerciais de absorventes?!!! (Maira Medeiros) 

Nesta pesquisa, ressaltei uma passagem da Bíblia que caracteriza como impuros tanto a menstruação 

quanto a mulher em seu período menstrual, o que pode ser entendido como uma influência muito forte para um 

comportamento  de  rejeição  à  menstruação  na  sociedade  ocidental  cristã.  No  vídeo,  também  é  abordado  de 

forma sucinta como a religião cristã impôs alguns comportamentos a respeito do sangue menstrual e como as 

mulheres foram excluídas da medicina, sendo esta desenvolvida apenas por homens, ou seja, a forma como a 




menstruação  era  estudada  e  entendida  foi  desenvolvida  por  pessoas  que  não  viviam  a  menstruação:  “O 

sentimento  de  culpa  imposto  pela  religião  e  a  exclusão  da  mulher  da  medicina  deixaram  suas  marcas,  a 

menstruação ainda é tratada como um tabu”, diz Maíra Medeiros. 

Ao  mesmo  tempo  em  que  é  ressaltado  no  vídeo  que  a  sociedade  pode  estar  tratando  o  assunto  de 

forma mais madura, é enfatizado o quanto as mulheres ainda são culpabilizadas e se  sentem envergonhadas 

por  estarem  menstruadas  e  como  ainda  relacionam  ser  uma  mulher  eficiente  com  saber  “controlar”  sua 

menstruação, sabendo como não  torná-la pública: “Apesar de ser um processo natural, a nossa cultura ainda 

carrega muita vergonha em relação a esse assunto”, diz Mariana Torquato.

 

Existem  comportamentos  cotidianos  que  mostram  o  quanto  essa  vergonha  está  enraizada  no 



comportamento das mulheres desde a primeira vez que menstruam: “Muitas meninas menstruam e se sentem 

constrangidas  em  falar  com  os  pais  sobre  isso  […]  E  mulheres  escondem  dos  seus  parceiros  que  estão 

menstruadas  […]  E  um  vazamento  em  público  é  visto  como  o  pior  que  pode  acontecer  na  vida  da  mulher”, 

apontam Mariana Torquato e Gabi Oliveira. 

Alguns questionamentos são feitos sobre a postura da sociedade que faz a mulher se sentir mal por 

estar menstruada, dessa forma é abordada a “vilanização” da tensão pré-menstrual (TPM). É possível observar 

que  muitas  pessoas  relacionam  o  comportamento  de  mulheres  como  se  qualquer  sinal  de  tristeza  ou  raiva 

estivesse associado aos sintomas pré-menstruais e, assim, não devessem ser levados tão a sério, por ser algo 

passageiro: 

Outro resquício medieval é o costume de vilanizar a “tpm”, por trás de cada piadinha há uma 

tentativa de estereotipar a mulher como fraca, problemática, descontrolada, inferior. Por outro 

lado,  os  eufemismos  da  publicidade  pouco  contribuem  para  discussão  ao  associar  a 

menstruação  a  passear  de  bicicleta,  andar  a  cavalo,  pular  de  bungee  jumping,  sempre 

usando roupas brancas. E senhores, pelo amor de Deus! O nosso sangue é vermelho! Igual 

ao seu, querido… (Maira Medeiros) 

Também  é  problematizada  a  postura  machista  da  sociedade,  uma  vez  que  a  menstruação  é  um 

processo biológico do corpo das mulheres e talvez seja esse o motivo que o faz ser tão patologizado e silenciado, 

cabendo a reflexão de como a menstruação seria vista se fizesse parte do corpo masculino. “Menstruar é um 

processo biológico que nunca vai mudar […] Já o machismo é um processo social que precisa mudar e é muito 

mais perigoso que uma simples TPM […] TPM é só às vezes, machismo é sempre!”, afirmam Gabi Oliveira e 

Mariana Torquato. 

O  segundo  vídeo  analisado  tem  como  título:  “MENSTRUAÇÃO?  QUE  NOJO!”,  do  canal  “Dobruskii”, 

publicado em 27 de novembro de 2015, com duração de oito minutos e doze segundos. O vídeo conta com a 

participação  de  uma  única  youtuber,  a  dona  do  canal,  que  relata  como,  a  partir  de  experiências  pessoais  e 

algumas observações, ela começou a questionar sobre os tabus acerca do sangue menstrual e o porquê dos 

comportamentos sociais serem de tanta rejeição e até mesmo tratarem o assunto como piada e brincadeira.

 

É relembrado pela youtuber um dia em que ela precisou de absorvente e teve que pedir um em silêncio 



para sua sogra, recebendo o absorvente que foi escondido no bolso enquanto a outra mulher passava perto das 

pessoas que estavam no local. A partir daí, a youtuber conta que notou que a vergonha por estar menstruada 

sempre fez parte de sua vida:

 

A  sociedade,  desde  quando  uma menina  nasce,  ela  já  coloca  tão  evidentemente  na  nossa 



cara  de  que  menstruar  é  repulsivo,  é  nojento  e  é  sujo.  Gente,  enfim,  em  muitos  lugares 

dizem isso e, principalmente, na Bíblia, eu acredito que vem daí o maior nojo que as pessoas 

sentem  por  menstruação.  Porque  tem  certas  coisas  que  eu  estava  lendo  na  Bíblia,  eu  vi 

antes  desse  vídeo  que  são  coisas  assim,  sabe,  tão  profundas,  são  coisas  tão  repulsivas, 

mostra  como  se  a  menstruação  fosse  uma  coisa  extremamente  nojenta  e  pecaminosa. 

(Drobuskii) 

São  diversos  os  acontecimentos  na  vida  da  mulher,  principalmente  durante  o  período  menstrual  que 

revelam esse silenciamento sobre a menstruação. Como se lidar com isso de forma natural fosse agressivo e 

uma atitude que não é  adequada para as mulheres.  A youtuber conta sobre um outro momento marcante do 

início de sua adolescência, quando o sangue vazou e transpareceu na calça em que ela vestia, sendo motivo 

para brincadeira de alguns meninos da escola.  Ao aprofundar mais nesses questionamentos, a youtuber nota 

que não achava errado a atitude dos meninos que debochavam dela, mas se via como culpada e repugnante. 

Dessa forma, é possível observar que esses comportamentos estão tão enraizados na sociedade que fazem as 



meninas acreditarem que a natureza de seus corpos é suja e tem algo errado acontecendo com ela enquanto 

menstrua:

 

Menstruação  não  é  repulsivo,  não  é motivo  de vergonha,  é  extremamente  normal.  […]  nós 



mulheres  devemos  nos  amar,  nos  respeitar  e  gostar  do  jeito  que  a  gente  é,  sem  ligar  pras 

opiniões  de  terceiros.  Eu  espero  muito  que  a  sociedade  em  que  a  gente  vive  mude  esse 

pensamento,  que  é  debochar  de  certos  seres  humanos  de  algo  que  nasceu  com  eles,  de 

algo que é deles. (Dobruskii) 

O  canal  “Conexão  Feminista”  publicou  o  vídeo  “Precisamos  falar  sobre  menstruação”,  no  dia  31  de 

março de 2017, com duração de trinta e oito minutos e dez segundos. O vídeo consiste em uma conversa online 

entre  as  duas  mulheres  que  compõem  o  canal,  Renata  e  Heloisa.  É  abordado,  inicialmente,  sobre  coletor 

menstrual, que além de ser sustentável por não poluir tanto quanto o absorvente, permite que a mulher saiba 

melhor qual é a quantidade de sangue liberado no seu período menstrual. É questionado no vídeo o cheiro forte 

que não é intrínseco à menstruação, e sim, é exacerbado devido ao uso do absorvente, o que não acontece 

quando  o  coletor  menstrual  é  utilizado,  no  qual  é  sentido  apenas  o  cheiro  próprio  do  sangue.  Porém,  é 

ressaltado  que  para  as  empresas  que  fabricam  e  vendem  absorventes,  a  divulgação  e  consumo  do  coletor 

menstrual não é tão favorável, porque o lucro gerado pela venda dos absorventes é muito maior, tendo em vista 

que são descartáveis, sendo utilizados cerca de doze absorventes por mulher em um ciclo. 

No vídeo, é apontada a necessidade de discutir e questionar o discurso religioso e tradicional, que ao 

mesmo tempo que caracteriza as mulheres como impuras quando estão menstruadas e silenciam esse assunto, 

vangloriam a gravidez, como se não fosse possibilitada pelo sangue menstrual. 

As youtubers apontam neste vídeo como ato político uma atleta que não usou absorvente e durante a 

maratona  o  sangue  vazou  e  marcou  sua  roupa,  sendo  motivo  de  susto  para  os  telespectadores,  gerando 

polêmica  sobre  o  assunto  nos  dias  seguintes  ao  ocorrido.  É  questionado  porque  quando  atletas  urinam  ou 

defecam durante uma maratona as pessoas reagem de forma mais pacífica, sem se assustar e gerar notícia 

sobre isso:

 

[…] me  lembrou  que meu maior medo  quando  ficava menstruada  quando  era  adolescente, 



era  passar,  vazar! […]  E  eu  lembro  que  até mais  velha,  quando  eu  ia  sair  de  casa  […]  eu 

perguntava meu marido ‘Tá aparecendo? Tá aparecendo que eu to com absorvente?’ É um 

desespero, um desespero! (Heloisa) 

É notável que para muitas mulheres conhecer o próprio corpo, o seu sangue menstrual e seu ciclo não 

é  algo  tão  comum  e  natural,  porque  ainda  é  um  assunto  muito  abafado  na  sociedade,  apesar  de  ser  tão 

importante. Esse comportamento que invisibiliza o período menstrual é muito influenciado pelo machismo e pela 

ideia de que a mulher tem que estar sempre impecável, escondendo toda naturalidade que não é vista como 

sensual ou agradável aos olhos dos homens, e não só com a menstruação isso acontece, mas também com o 

uso de maquiagens, cirurgias para padronizar diversas partes do corpo feminino. Nesse vídeo isso também é 

abordado: 

O reconhecimento do seu próprio ciclo, eu acho muito benéfico pro mundo! É isso, de você 

entender que nada funciona de um determinado jeito 24 horas por dia, que é o que cabe na 

nossa sociedade, que é o que exigem da gente o tempo inteiro, que a gente esteja sempre 

nessa  nossa  melhor  versão,  que  nossa  melhor  versão?!  Então,  isso  eu  acho  muito 

importante, porque quebra um paradigma. Não vou funcionar o tempo inteiro, porque eu não 

sou uma máquina pra funcionar, eu sou uma pessoa! (Renata) 

As youtubers também conversam sobre sexo enquanto a mulher está menstruada, que em vários casos 

reflete a misoginia da sociedade, porque muitas pessoas sentem nojo e acreditam que a mulher não pode ter 

relações sexuais durante esse período. Existem sociedades (não são apontados nomes no vídeo) que fazem a 

mulher ficar reclusa durante o período menstrual, baseando-se na impureza da mulher e da menstruação:

 

Do ponto de vista da nossa sociedade que parabeniza as mulheres porque elas podem ser 



mães,  parabeniza  e  estimula,  e  julga  quem  não  quer  ser  mãe,  faz  muito  sentido  a 

menstruação ser uma vergonha. Porque cada vez que você menstrua, você falha como uma 

pessoa  que  não  reproduziu.  […]  O  nosso  corpo  não  funcionou  como  a  sociedade  pede. 

(Renata) 

O quarto vídeo analisado “Papo de amigas: menstruação, coletor menstrual e tpm”, do canal “Clube do 

Bordado”,  foi  divulgado  no  YouTube  dia  3  de  agosto  de  2016,  tendo  dezesseis  minutos  e  cinco  minutos  de 




duração. Quatro youtubers conversam sobre o coletor menstrual e contam suas experiências, como fazem para 

colocar  ou  tirar  e  quais  são  suas  impressões,  vendo  a  mudança  de  cor  do  sangue  ao  longo  dos  dias,  tendo 

contato com a quantidade de sangue, além de estar relacionado ao conhecimento do próprio corpo, apesar de 

não ser utilizado por muita gente. “Gente, no final das contas o copinho é igual à liberdade. E autoconhecimento. 

É você se descobrir de uma forma que você não tinha se descoberto antes”.

 

Também é questionado a sensação ruim que as mulheres sentem sobre o próprio sangue e como isso 



foi mudando para elas em decorrência do uso do coletor menstrual. “Eu perdi o nojo. Essa história do cheiro é 

muito  maravilhosa!  Até  porque  quando  a  pessoa  usa  absorvente,  principalmente  o  externo,  fica  um  fedor  do 

caralho. E aquilo ali fica em contato com o seu corpo, por fora, eu não acho legal”. 

As youtubers citam que há uma relação entre o ciclo menstrual e as fases da lua, por exemplo, na lua 

cheia  o  fluxo  fica  mais  intenso  e  mulher  sente  mais  dores.  Contam  como  mudaram  a  relação  com  o  próprio 

sangue e com a tensão pré-menstrual também: “A partir daí, eu parei de me importar com a minha TPM. Eu sei 

que eu vou ficar mais sensível ou mais irritada, mas eu abraço ela. Dar lugar pra ela se manifestar, né?! Vamos 

abraçar a nossa TPM!”.

 

Por  fim,  é  abordado  sobre  descobrir  e  entender  mais  sobre  o  funcionamento  do  próprio  corpo, 



compreender a naturalidade do sangue e a necessidade de falar sobre isso com as outras pessoas: 

Nós  esperamos  com  esse  vídeo  que  nós  incentivemos  o  autoconhecimento  […]  Vamos 

deixar umas coisas claras: mulheres menstruam, o sangue existe… E falar abertamente com 

as  amigas,  porque  tem  coisas  que  você  acha  que  só  está  acontecendo  com  você,  mas 

também está acontecendo com sua amiga. Sororidade também, né, gente! 

O quinto vídeo analisado neste artigo é do canal “Victoria Ferreira”, divulgado no dia 3 de abril de 2017, 

com  duração  de  dez  minutos  e  cinquenta  segundos  e  intitulado  como  “PRECISAMOS  FALAR  SOBRE 

MENSTRUAÇÃO  #VEDA3”.  Neste  vídeo,  a  dona  do  canal  traz  como  assunto  principal  as  informações  mais 

importantes sobre o uso do coletor menstrual e quais são as experiências com o uso. Apontando que o coletor 

menstrual  é  mais  econômico  ao  longo  do  tempo,  decorrente  da  durabilidade  do  coletor,  e  menos  poluente, 

favorável à higiene e saúde da mulher, uma vez que o absorvente retém não só o sangue menstrual, mas todo 

líquido e fluidos que estão na vagina, além de fazer com que o sangue entre em contato com o ar, produzindo 

cheiro ruim. 

A  youtuber faz alguns questionamentos sobre o tabu que está presente até mesmo na hora de falar 

sobre a palavra “menstruação”, como se fosse algo inapropriado que deve ser substituído por algumas palavras 

que terão menos impacto, como se estar menstruada não fosse natural e comum:

 

Vim falar  sobre  menstruação,  aliás  nesse  vídeo,  gostaria  de  compartilhar  o  meu  incômodo 



com  as  pessoas  que  não  falam  “menstruação”.  Qual  é  o  problema  com  a  palavra 

menstruação?! As pessoas ficam tipo “Ai, tava naqueles dias…”. Gente, “menstruação” não é 

uma  palavra  feia,  você  fala  que  vai  fazer  xixi,  então  porque  você  não  fala  que  tá 

menstruada?! (Victoria Ferreira) 

Ao finalizar o vídeo, a youtuber relaciona o uso do coletor menstrual com o empoderamento feminino, 

que possibilita a descoberta do próprio corpo e a maior compreensão do que realmente é o sangue menstrual, 

sem todos os tabus e censuras que existem para invisibilizá-lo:

 

Eu  me  sinto  tão  confortável,  eu  não  sinto  o  peso  que  a  menstruação  me  trazia  antes.  E 



transformou a relação com a própria menstruação. Antes eu tinha um nojo que a maior parte 

das pessoas tem e aí eu percebi que é só sangue, porque cê tira o coletor menstrual e vê o 

sangue coletado ali. Você percebe que é simplesmente sangue, ele não tem cheiro ruim, ele 

não tem uma textura grotesca, ele é simplesmente sangue, como se você tivesse se cortado 

em  qualquer  lugar  do  corpo,  entende?!  Então…  É  só  sangue.  E  isso  foi  muito  incrível, 

assim…  Foi  muito  empoderamento,  sabe?!  […]  Criei  uma  outra  relação  comigo  mesma, 

principalmente nesse período de menstruação. (Victoria Ferreira) 

O vídeo “MENSTRUAÇÃO: QUEBRANDO OS TABUS SEM NOJINHO” do canal “DRelacionamentos”, 

foi divulgado dia 2 de maio de 2017, com cinco minutos de duração. Quatro youtubers que compõem o canal 

conversam sobre menstruação, problematizam os tabus, a vergonha e o nojo acerca desse assunto: “Apesar de 

parecer  algo  muito  natural,  ainda  existem  muitos  tabus  sobre  o  tema  […]  E  estamos  em  pleno  2017  e  as 

pessoas têm vergonha de falar sobre menstruação e ao mesmo tempo de dizerem que estão menstruadas”.

 



O  uso  de  outros  termos  para  mascarar  o  período  menstrual  também  é  enfatizado  no  vídeo:  “Pensa 

quantas mulheres você já ouviu falar: ‘Não… É porque eu to menstruada’. A maioria fala: ‘Não… É porque eu tô 

naqueles dias’”. 

Como  foi  analisado  ao  longo  da  pesquisa,  também  é  abordado  nesse  vídeo  a  representação  da 

menstruação  nas  propagandas  de  marcas  de  absorventes,  que  ilustram  o  sangue  como  um  líquido  azul, 

“Menstruar  é  tão  feio,  tão  feio,  que  até  nos  comerciais  de  absorvente  (que  é  um  negócio  feito  pra  isso)  o 

liquidozinho é azul. […] Já viu alguém menstruar azul?!”. 

Ao  expor  os  comportamentos  que  demonstram  o  quanto  as  pessoas  têm  nojo  da  menstruação,  as 

meninas tentam desconstruir esse tabu: “Não precisa ser motivo de vergonha. Não é pra ser motivo de vergonha. 

É algo natural do nosso corpo e a gente tem que lidar com isso e se desprender um pouco […] Eu acho que o 

melhor jeito da gente quebrar isso aí é a gente conhecer nosso próprio corpo”. 

O último vídeo analisado nessa pesquisa foi divulgado no 26 de agosto de 2016, pelo canal “Neggata” e 

intitulado como “TABUS FEMININOS”, tendo sete minutos e cinquenta e um segundos, no qual duas youtubers 

(Moniquue e Gleici) questionam os tabus impostos às mulheres acerca da menstruação e da depilação.

 

Tratam  a  menstruação  com  naturalidade,  desmistificando  a  ideia  de  que  é  um  sangue  sujo  ou  com 



cheiro ruim, e o fato dele ser eliminado do corpo a cada mês em que a mulher não engravida é um processo 

biológico natural: 

As  pessoas  associam  muito  menstruação  com  uma  coisa  horrível,  ruim.  Porque  desde 

pequena a gente escuta que é a pior época da vida, a época do mês que cê mais vai sofrer 

[…] E na real é tudo uma construção social, né… O que é a menstruação?! A menstruação 

não é a sujeira do seu corpo saindo. É a camada mais limpa e mais rica que seu corpo nutriu 

pra  servir  o  embrião.  Ai  o  que  aconteceu?!  O  embrião  não  chegou,  ai  ela  sai...  Então,  não 

tem nada, não é sujo. Não é sujeira. […] A menstruação em si não tem cheiro, o que deixa 

cheiro são os absorventes. […] (Gleici) 

Nesse vídeo também é abordado sobre o coletor menstrual que possibilita que a mulher conheça mais 

o seu fluxo e a quantidade de sangue que sai na menstruação, fazendo com que vários tabus naturalizados na 

sociedade sejam questionados: 

Eu  senti  uma  grande  mudança,  de  quebra  de  tabu  com  o  coletor  menstrual.  Por  quê?! 

Porque  com  o  absorvente  eu  achava  que  eu  menstruava  horrores,  porque  quando  vem 

assim  o  fluxo  ele  desce,  espalha,  vaza  e  no  coletor  não,  tu  vê  que  tu menstrua  isso  aqui 

sabe?! Dois dedinhos por dia […] Quando tu bota o OB lá dentro, ele acaba absorvendo as 

bactérias que te protegem, porque a gente tem bactéria e fungo que protege a gente dentro 

da nossa vagina. Então, tu bota o absorvente lá e ele absorve tudo, absorve o muco, absorve 

suas  células,  absorve  umas  coisas  que  não  são  necessariamente  legais  de  tirar  de  lá, 

entendeu?! E aí o coletor vem com essa proposta, tu pensa  “Caralho… Eu não sou fedida, 

era aquele produto que me deixava com um cheiro estranho”,  “Puts, eu não menstruo tanto 

assim…”, aí tu tem uma ressignificação do que é a menstruação na sua vida. (Gleici) 

A partir das análises dos vídeos, é possível notar alguns questionamentos e tabus que são citados em 

quase todos eles, como o desconhecimento do próprio corpo, porque a mulher cresce aprendendo que não pode 

se tocar, tem que estar comportada, de pernas fechadas, sempre tomando cuidado para esconder sua vagina. 

Isso gera a falta de autonomia feminina para se descobrir, falar abertamente sobre o assunto, tirar as dúvidas 

quando começam os primeiros ciclos menstruais e entender as mudanças no corpo. As youtubers desmistificam 

a crença no odor fétido da menstruação, explicando que o cheiro ruim decorre do uso do absorvente. O modo 

como as mulheres lidam com o corpo e entendem o ciclo menstrual é construída por diversos fatores sociais. O 

que é muito apontado nos vídeos, principalmente na publicidade, onde a falta de representação da realidade que 

as mulheres vivem, principalmente pelo sangue que é o líquido azul, mas também pelo padrão das mulheres que 

participam  da  propaganda,  que  não  representa  grande  parte  da  população  e  impõe  um  ideal  de  beleza  e 

liberdade,  impõe  essa  ideia  de  rejeição  do  sangue  menstrual.  A  partir  das  abordagens  feitas  nos  vídeos,  as 

youtubers trazem uma resignificação da forma como a menstruação é tratada e problematizam os diversos tabus.

 

 

4 – Considerações finais: “Nosso sangue não é azul!” 



 

É possível notar que os discursos da mídia hegemônica sobre a menstruação como algo ruim e que 

deve  ser  rejeitado  são  reproduzidos  por  muitas  meninas.  Não  questiono  nesta  pesquisa  a  veracidade  do 



incômodo e das dores consequentes do período pré-menstrual e da descamação do útero e liberação do sangue, 

mas faço uma reflexão sobre como esses incômodos são tratados diferentemente de outros. De acordo com as 

análises feitas, é notável a forma que é tratada a menstruação, como rejeição, necessidade de suprimi-la, sendo 

muito comum a invisibilização do sangue menstrual que faz parte da naturalidade corpórea de grande parte das 

mulheres.  É  possível  ver  essa  vergonha  ao  comparar  a  maneira  como  se  lida  com  o  sangue  menstrual  e  o 

sangue  de  outras  partes  do  corpo,  por  exemplo,  quando  uma  pessoa  se  machuca  e  sangra,  esse  sangue  é 

tratado de outra forma, não há necessidade de rejeitá-lo, escondê-lo e lidar com ele da maneira mais silenciosa 

possível.  Existem  outras  dores  que  as  pessoas  sentem  recorrentemente  que  advém  da  natureza  do  corpo 

humano,  como  a  eliminação  de  fezes,  que  também  pode  causar  dores  e,  em  casos  específicos,  trazer 

incômodos.

 

Ao analisar a rejeição e o silenciamento da menstruação, busco refletir até que ponto essas reações 



não  são  construídas  como  frutos  de  uma  sociedade  misógina  que  censura  o  corpo  feminino  em  todas  as 

instâncias  em  que  ele  não  serve  para  o  prazer  sexual  dos  homens,  e  como  a  menstruação  seria  tratada  se 

fizesse parte da fisiologia dos corpos masculinos também: 

Para que possam ver a raiva como uma bênção, e não como doença, talvez seja necessário 

que  as mulheres  sintam  que  sua  raiva  é  legítima.  Para  que  possam  sentir  que  sua  raiva  é 

legítima,  talvez  seja  necessário  que  compreendam  sua  posição  estrutural  na  sociedade  e 

isso,  por  sua  vez,  talvez  envolva  uma  consciência  de  si  mesmas  como  membros  de  um 

grupo  ao  qual  é  negada  a  plena  participação  na  sociedade  simplesmente  com  base  no 

gênero sexual. (MARTIN, 2006, p. 215)

 

Dessa  forma,  é  importante  ressaltar  como  a  “contracorrente”  vem  ganhando  força,  através  das 



exposições de arte com sangue menstrual, a venda dos copinhos coletores, as pesquisas, os vídeos e debates 

realizados por mulheres que falam abertamente sobre o assunto e fazem uma oposição constante: de um lado, 

os  absorventes  que  são  associados  ao  mercado,  opressão,  falta  de  autonomia,  falta  de  conhecimento  e 

distanciamento da mulher de seu próprio corpo e, de outro lado, o coletor menstrual que é associado a melhor 

qualidade de vida, maior contato com o corpo, tendo um papel emancipatório na perspectiva das mulheres que 

relatam  sobre  o  uso.  Reconhecer  o  próprio  corpo  e  o  seu  ciclo  torna-se  signo  de  autenticidade  do  eu,  é  tido 

como  uma  forma  de  “libertação”  de  estigmas  e  imposições  sociais,  mas  também  exige  compromissos,  como 

aprender a aderir outros valores, discursos e técnicas corporais.

 

Contudo, a estigmatização acerca da menstruação ainda existe e continua sendo potencializada pela 



mídia.  É  possível  observar  que  esse  assunto  permanece  sendo  um  tema  constrangedor  e  vergonhoso,  o 

desconhecimento  do  próprio  corpo  e  a  rejeição  de  sua  naturalidade  permanecem  vigentes  no  discurso  e  no 

comportamento de muitas mulheres, de diferentes gerações. 

 

 



REFERÊNCIAS 

 

BEAUVOIR, Simone De. O Segundo Sexo. V.1. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2000.



 

FOUCAULT, Michel. O nascimento da medicina social. In: Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

 

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988.



 

LE  BRETON,  David.  Adeus  ao  corpo:  antropologia  e  sociedade.  Trad.  Marina  Appenzeller.  5ª  ed.  Campinas: 

Papirus, 2003.

 

MARTIN, Emily. A mulher no corpo: uma análise cultural da reprodução. Rio de Janeiro, Editora Garamond, 2006.



 

 

CAMPAGNA,  Viviane  Namur;  SOUZA,  Audrey  Setton  Lopes  de.  Corpo  e  imagem  corporal  no  início  da 



adolescência feminina. Boletim de Psicologia, 2006, 56; 09-35.

 



MANICA,  Daniela.  A  desnaturalização  da  menstruação:  hormônios  contraceptivos  e  tecnociência.  Horizontes 

antropológicos, vol.17 n.35. Porto Alegre, Jan./Jun 2011.

 

NATANSOHN,  L.  Graciela.  O  corpo  feminino  como  objeto  médico  e  “médiatico”.  Revista  Estudos  Feministas, 



Florianópolis, 13(2): 256, maio-agosto/2005. 

RATTI,  Claudia  Ramos;  AZZELLINI,  Érica  Camillo;  BARRENSE,  Heloísa;  GROHMANN,  Rafael.  O  Tabu  da 

Menstruação  Reforçado  pelas  Propagandas  de  Absorvente.  Intercom  –  Sociedade  Brasileira  de  Estudos 

Interdisciplinares da Comunicação XXXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Rio de Janeiro - 

RJ – 4 a 7/9/2015.

 

 



CLUBE  DO  BORDADO.  Papo  de  amigas:  Menstruação,  coletor  menstrual  e  tpm.    YouTube.  3  ago  2016. 

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CONEXÃO  FEMINISTA.  Precisamos  falar  sobre  menstruação.  YouTube.  31  mar  2017.  Disponível  em: 



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Menstruação? 

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Disponível 

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NEGGATA. 



Tabus 

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29 


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2016. 


Disponível 

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. Acesso em: 30 de abril de 2017.

 

NUNCA TE PEDI NADA. #PorQueMulher Menstrua Azul? | Episódio 8. YouTube. 30 mar. 2017. Disponível em: 



. Acesso em: 22 de abril de 2017.

 

VICTORIA  FERREIRA.  Precisamos  falar  sobre  menstruação  #VEDA  3.  YouTube.  3  abr  2017.  Disponível  em: 



. Acesso em: 28 de abril de 2017.

 

VIVA  SEM  MENSTRUAR.  Disponível  em:  .  Acesso  em:  2  de  dezembro  de 



2016.

 



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