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partidos políticos, principalmente ao PCB



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partidos políticos, principalmente ao PCB. 
 
Na década de 1950 as Equipes Nacionais da JEC procuraram encorajar os seus 
membros e dirigentes a dar atenção ao meio secundarista e procurar apoiar as estruturas dos 
seus Grêmios estudantis. Mas no fim da mesma década as Equipes Nacionais tinham planos 
de “tomarem de assalto” a UNE e UBES, em níveis estaduais e nacionais. 
 
A partir de 1962, antes da mudança da administração da CNBB, a JEC passa a 
sofrer ataques por uma parte da hierarquia que estava descontente com os rumos que o 
movimento havia tomado. E quando tomamos conhecimentos dos questionamentos feitos 
por estes membros da hierarquia e analisamos os documentos produzidos pelos jecistas em 
sua defesa, vemos que o movimento tinha tomado um rumo que o credenciava a ter seu 
status mudado. 
 
Um movimento como a JEC, ligado a ACB e seus estatutos, com regras e estatutos 
próprios, poderia ser considerado ainda um movimento institucional após 1962?  
Penso que não. Temos que avaliar neste caso a importância da Equipe Nacional 
neste contexto: a JEC era um movimento que, desde a década de 1950, possuía uma Equipe 
Nacional e Equipes Regionais responsáveis por uma “linha de ação” escolhida para ser 
trabalhada durante um ano inteiro. Como podemos ver em seus Estatutos, era dever dessa 
Equipe Nacional fazer a propaganda do movimento e zelar pelo cumprimento das 
atividades propostas durante o ano, fazer o movimento em nível nacional acompanhar as 
decisões do Conselho da ACB, ajudar na expansão de membros do movimento, etc. A JEC 
ainda estava comprometida com o movimento ultramontano e de romanização, e chegou a 


enviar representantes para participar de Congressos em nível internacional desde a década 
de 1940 até o fim do movimento em 1966, mas desde 1962, a Equipe Nacional mudara, e 
os objetivos e estratégias da JEC também. 
As Equipes Nacionais tinham a oportunidade política na década de 1960 do 
conturbado período do governo janguista de aderirem ao movimento estudantil, aliada à 
estrutura de mobilização institucional da própria ICAR (uma das instituições mais 
organizadas da época, com uma estrutura nacional e que chegava muitas vezes a lugares os 
mais inóspitos) e ao marco referencial composto pelo pensamento revolucionário dos 
filósofos Marx-Maritain-Mounier explicitados anteriormente. 
O fato é que aderindo ao movimento estudantil os dirigentes da JEC, principalmente 
nos níveis nacionais e regionais (regiões Sul, Sudeste e Nordeste), acabaram mudando o 
sentido do movimento JEC e os seus objetivos. A sua proposta acabou sendo tão diferente 
da proposta de JEC da ACB inserida no movimento ultramontano que se tornou algo 
diferente: a JEC se tornara um movimento social. 
O que eu considero um movimento social é a mobilização de pessoas em torno de 
uma causa comum por um certo período de tempo. Assim podemos citar, por exemplo, o 
movimento pelos direitos das mulheres no século XX, o movimento pelos direitos sociais 
da década de 1960, o movimento negro do século XX liderado por Marthin Luther King e 
tantos outros movimentos sociais.  
No caso da JEC, ela passara de um movimento institucional, da ICAR (de sua 
criação em 1933 até 1962), ligado a ACB para ser um movimento social (de1962 a 1966), 
se desprendendo dos marcos referenciais ultramontanos e adotando novos marcos 
referenciais, já mencionados acima, apesar de ainda permanecer estruturalmente um 
movimento institucional. 
Como as principais equipes regionais e a nacional estavam envolvidas com a 
criação de uma nova JEC que “mudaria o seu meio” e eram estas equipes que propunham 
os rumos da JEC e os seus objetivos, logo é razoável que nós pensemos que o movimento 
no Brasil todo passara ou a adotar a JEC como movimento social ou pelo menos debater 
sobre a responsabilidade de ser estudante e fazer algo pelo país, o que fosse. 
Também seria leviano da minha parte considerar que todos os membros da JEC no 
período de 1962 a 1964 tomaram parte ativa no movimento nos moldes que a Equipe 


nacional propunha. Temos que lembrar que muitos jovens do movimento estavam em uma 
faixa etária em que não podemos considerar um “alto grau” de ativismo como prioridade: 
afinal, o movimento fora idealizado para jovens na faixa etária dos 12 aos 18 anos. Mas os 
seus dirigentes costumavam ser mais velhos, e alguns cursavam a faculdade e queriam 
continuar no movimento de alguma forma
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. Também é difícil um estudo do grau de 
envolvimento dos membros da JEC com a política estudantil. Além da identificação destes 
ser difícil pela falta de registros sobre quem fora membro do movimento e quando, seriam 
necessárias muitas entrevistas para determinar o papel de cada envolvido com o movimento 
no tempo. 
Por isso eu penso que, baseado em documentos das Equipes regionais e da nacional, 
muito provavelmente apenas os mais “velhos” dirigentes da JEC se envolveram com o 
projeto de movimento social. O interessante é que eles parecem ser numerosos, e a sua 
influência, ainda que não possamos medi-la precisamente, mas apenas termos uma boa 
noção dela, fora tamanha que motivou o grupo vencedor de bispos da eleição ao comando 
da CNBB em 1964 a decretarem o fim das atividades da JEC apenas nos níveis de 
organização nacional e regional! Ou seja, todos os membros da JEC passavam a ter, no 
máximo, uma coordenação diocesana, ligada às decisões e supervisão direta de um bispo, 
sendo retirada toda a estrutura de mobilização anterior. 
Mas, mesmo que consideremos que a nova proposta de ação da Equipe nacional da 
JEC em 1962 não tivesse sido acolhida pelo movimento todo de imediato (o que é muito 
razoável) não podemos negar que ela teve ressonância em diversos colégios e regiões do 
país. E a continuidade por quase quatro anos (de 1962 a 1966) do movimento trabalhando 
nestes moldes com a manutenção das Equipes nos mostra uma divisão da hierarquia quanto 
ao papel da nova JEC
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. Divisão no sentido de que alguns padres e bispos aprovavam as 
                                                 
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 No depoimento escrito enviado ao Pe. Hilário Dick em 1989, Vera Jaccoud fala que passou a trabalhar na 
JEC após acabar o seu curso universitário, em 1941: “Completado o curso universitário, era minha 
‘obrigação’, como membro da AC, passar para a vida paroquial. Minha presidente Paroquial da JFC e a 
presidente Arquidiocesana da JFC me entregaram o cargo de Delegada Paroquial da JECF (‘porque eu tinha 
jeito e cara para isso’, diziam de brincadeira)”. Isso por que na ausência de pessoas que tivessem um 
conhecimento maior sobre a JECF e JEC a liderança do movimento ficava em mãos dos que tinham maior 
experiência com a ACB, ainda que a sua faixa etária não combinasse em nada com o público-alvo. Isso será 
mudado aos poucos e a média de idade dos dirigentes da JEC tanto feminina quanto à masculina foi 
diminuindo. 
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 Lembrando que a JUC também tomara rumos muito parecidos. Também foi da união de ex-membros da 
JEC e da JUC mais ativistas sociais e políticos que fora criada a Ação Popular – AP. 


ações do movimento e a sua nova linha de ação, ainda que usando recursos da CNBB e da 
ACB para tanto, e desaprovação de um grupo de bispos e padres que não viam sentido na 
existência de um movimento cujos membros começavam a se negar a evangelizar, a 
acatarem as ordens dos bispos, a esquecer o método próprio do movimento, etc. 
Acredito que o que houve com a JEC neste período entre 1962 a 1966 fora uma 
mudança de proposta de movimento: as equipes em nível nacional e regional deram 
seguimento a uma tendência de aumento de envolvimento da juventude com a política, 
separando-se da hierarquia quanto aos seus marcos referenciais, e o movimento se tornou 
predominantemente voltado para as questões políticas e sociais e se dissociando do caráter 
religioso. 
Ainda que usando a estrutura de mobilização da ICAR possamos confundir a JEC 
como um movimento meramente institucional da ICAR
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, não podemos confundi-la com a 
JEC pré-1962: a formação dos novos membros que entravam no movimento já era voltada 
para as questões sociais e políticas, escanteando-se o caráter evangelizador do movimento. 
E como temos um movimento novo e criado a partir do movimento ultramontano da ICAR, 
pelos próprios jovens dirigentes da JEC e que subverte o estabelecido em termos de marcos 
referenciais (ainda que não troque a sua nomenclatura), podemos dizer que a JEC era na 
época um movimento social. E, como veremos, a JEC obterá grande sucesso político a 


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