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   CONFORMAÇÃO VERSUS FUNÇÃO



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2.2. 
 CONFORMAÇÃO VERSUS FUNÇÃO 
O  estudo  do  exterior  do  animal  avalia  o  mesmo  partindo  de  conhecimentos 
fundamentais  de anatomia, fisiologia, mecânica e patologia, tendo em  vista  sua  aplicação 
funcional  e,  consequentemente,  sua  importância  econômica.  Neste  estudo,  um  minucioso 
exame  das  partes  exteriores  dos  animais  é  realizado, junto  a  uma  análise  comparativa  de 
suas  características  morfológico-funcionais.  Estão  relacionados  a  essas  características  a 
saúde, temperamento, beleza, função, defeitos, taras, enquadramento, padrão racial, idade e 
índices de desempenho (Camargo & Chieffi, 1971).  
O estudo da forma dos equinos, bem como de outras espécies, está relacionado aos 
recursos  disponíveis  no  momento  histórico  considerado.  Inicialmente,  a  quantificação  da 
forma apresentava-se com uma prerrogativa de artistas plásticos, que desenvolveram regras 
de  proporções  para  descrição  do  corpo.  Essas  regras,  que  não  eram  derivadas  de 
mensurações sistemáticas, baseavam-se no conceito filosófico de uma forma ou proporção 
ideal, em que são observados critérios de simetria e harmonia de partes do corpo entre si e 
com o todo, ou seja, uma relação comparativa (Barbosa, 1993).  
Barbosa  (1993)  relatou  que  para  Leonardo  da  Vinci,  o  cavalo  de  formas  ideais 
poderia  ser  descrito  a  partir  das  relações  existentes  entre  as  diversas  regiões  do  corpo  do 
animal,  tomando-se  como  base  o  comprimento  da  cabeça.  Utilizando  a  mesma  medida 
como referência, Borgelat propôs o primeiro sistema de proporções conhecido que, não se 
prendendo  à  forma  ideal,  criava  um  esquema  de  mensuração  comum  a  todos  os  cavalos. 
Este  sistema  de  proporções  apresentou-se  como  uma  solução  prática  para  o  problema  do 
tamanho  e  da  forma,  até  que  as  ferramentas  matemáticas  estivessem  disponíveis  para 
estudos  quantitativos.  Gradativamente  foram  criados  modelos  para  o  estudo  da  forma, 
levando-se em consideração não apenas o tamanho relativo de diferentes partes do corpo, 
mas sua variação de acordo, por exemplo, com a idade (Zeger & Harlow, 1987).  
No passado, a seleção natural encarregava-se de propagar os indivíduos mais fortes, 
e,  portanto,  melhor  preparados  para  suportarem  as  adversidades  do  meio.  Nos  animais 
domésticos,  a  seleção  é  predominantemente  artificial,  direcionada  pelo  homem,  e  este 



 
precisa estar preparado para selecionar os indivíduos superiores para a reprodução, ou seja, 
aqueles  que  apresentam  elevada  relação  entre  a  conformação  e  o  desempenho  dinâmico 
desejado.  Geralmente,  cavalos  de  melhor  conformação  apresentam  maior  longevidade, 
suportando  com  maior  facilidade  o  estresse  fisiológico  resultante  dos  esforços  físicos. 
Indiscutivelmente,  o  ponto  mais  crítico  desta  seleção  é  aquele  representado  pelas 
compensações dos defeitos, por uma ou mais qualidades (Jones, 1987).  
Segundo  Jones  (1987),  estudos  sobre  “forma  prediz  função”  têm  mostrado 
convincentemente  que a  maioria  das características físicas,  desde a posição  do  olho  até a 
forma  do  dorso,  são  instrumentos  importantes  na  determinação  de  como  um  cavalo  se 
move e atua. Portanto, a morfologia do corpo é fundamental na execução e qualidade dos 
movimentos,  interrelacionando-se  com  a  aptidão  do  animal.  O  padrão  racial  codifica  as 
qualidades morfozootécnicas que visam equilibrar, compensar e harmonizar as partes, bem 
como atingir, dentro da prática zootécnica de seleção, a qualidade funcional (Nascimento, 
1999).  
Na  avaliação  do  exterior  dos  equinos  deve-se  considerar  também  a  existência  de 
compensações.  Já  que  a perfeição  física  é  praticamente  impossível,  regiões  do  corpo  que 
apresentam  defeitos  podem  ser  compensadas  por  qualidades  em  regiões  próximas.  As 
compensações,  situadas  na  mesma  região  defeituosa,  podem  corrigir  completamente  o 
defeito.  Quando  situadas  nas  regiões  limítrofes  podem  atenuar  consideravelmente  os 
defeitos,  mas  quando  aparecem  em  regiões  afastadas  podem  apenas  não  os  agravar  (Cid, 
1999). 
 



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