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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Pesquisar o projeto formador da Associação Cristã de Moços no Brasil significou 
percebê-lo como parte do movimento expansionista evangélico norte-americano. Somada aos 
diversos missionários da fé reformada que estiveram no Brasil, na segunda metade do século 
XIX,  a  Associação assumiu  a  função  de  contribuir  na cristianização  dos  brasileiros, focada, 
principalmente, na formação de seus associados. Para tanto, com uma estrutura administrativa 
exclusivamente  evangélica,  inserida  em  meio  a  uma  população  marcadamente  católica  e 
resistente  à  massificação  do  protestantismo  no  país,  a  ACM  utilizou-se  de  notáveis 
estratégias.  Termos  como  “ecumênico”  e  “cristianismo”  –  definição  genérica,  sem  vincular 
especificamente à doutrina de alguma religião – foram utilizados pela ACM como forma de 
evitar maiores resistências. Elementos do embate entre protestantes e católicos apareceram no 
jornal O Apóstolo, de orientação católica, do período de 1899 a 1900, porém era praticamente 
inexistente a presença de matérias criticando a Associação Cristã de Moços.  
A  circulação  de  discursos  alinhados  aos  saberes  e  práticas  modernas  e 
modernizadoras,  muitos  deles  representativos  da  cultura  norte-americana,  foi,  também,  um 
elemento  de acolhimento  do  projeto  acmista  no  Rio  de  Janeiro, em  Porto  Alegre  e  em  São 
Paulo.  As  dimensões  moral,  intelectual  e  física foram  temas  intensamente  propagados  pelas 
sedes  da  ACM  em  diferentes  espaços  institucionais,  contemplando  especialmente  os  sócios 
mas  também  os  amigos  e  os  familiares  deles,  especificamente  na  oferta  de  conferências 
populares.  Essa  e  outras  ações  foram  estratégias  que  as  Associações  conceberam  na 
materialização de seu projeto formador.  
O  conjunto  documental  pesquisado  possibilitou  conhecer  pouco  acerca  dos 
primeiros momentos da criação da ACM no Brasil, em 1893. Exceto a tentativa de criação de 
uma sede em São Paulo, em meados de 1890, o movimento acmista no Brasil, nos primeiros 
dez anos, concentrou-se na implantação e consolidação da ACM do Rio de Janeiro. Porém, a 
partir  de  1901,  o  quadro  se  altera.  Cria-se  a  ACM  de  Porto  Alegre  (1901),  a  ACM  de  São 
Paulo  (1903)  e  uma  série  de  Associações  provisórias  –  nos  Estados  do  Pernambuco  e 
Maranhão  – e  Associações acadêmicas. Com  isso, caracterizei o  início do  século  XX  como 
um momento de tentativas da instituição de se expandir pelo território nacional. Sem muito 
efeito,  o  esforço  de  expansão  esbarrou  na  falta  de  estrutura  financeira  e  na  ausência  de 
estrangeiros com experiência na condução da implantação das novas sedes acmistas, as quais 
não se concretizaram. No final da década de 1920, havia, no Brasil, apenas a sede do Rio de 


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Janeiro,  de  Porto  Alegre  e  de  São  Paulo.  Então,  quais  aspectos  e  condições  contextuais 
estavam  presentes  em  São  Paulo,  no  Rio  de  Janeiro  e  em  Porto  Alegre  e  que  não  foram 
encontrados  em  Pernambuco  e  no  Maranhão  a  ponto  de  definirem  a  consolidação  ou  a 
extinção  de  uma  sede?  Essa  é  uma  questão  que  não  foi  possível  desvendar  completamente 
com o conjunto de fontes mobilizadas e com o recorte estabelecido para esta tese. 
Das  três  sedes  que  se  consolidaram  no  Brasil,  foi  visível  a  centralidade  da 
Associação  Cristã  de  Moços  do  Rio  de  Janeiro.  Apesar  de  Myron  Clark  ter  participado  da 
implantação das ACMs do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Porto Alegre, sua presença na 
administração  da  Associação  carioca  permitiu  perceber  que  era,  a  partir  dela,  que  se 
irradiavam  os  saberes  e as  práticas, muitos  deles,  produzidos e  traduzidos  pelo  missionário. 
Ao  serem  divulgadas,  tais  orientações  passavam  a  ser  caminhos  que  deveriam  orientar  os 
hábitos, os comportamentos e as práticas dos associados. Assim, foi relevante pensar a revista 



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