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jovem rio-grandense F. G. Gaelzer

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 Informações encontradas em um jornal, de nome desconhecido, na matéria Atletismo – o sports nos Estados 
Unidos: alguns minutos de palestra com o jovem rio-grandense F. G. Gaelzer
. O original encontra-se disponível 
para consulta no acervo do Centro de Memória do Esporte da ESEF/UFRGS. 
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 Informações encontradas em um jornal, de nome desconhecido, na matéria Atletismo – o sports nos Estados 
Unidos: alguns minutos de palestra com o jovem rio-grandense F. G. Gaelzer
. O original encontra-se disponível 
para consulta no acervo do Centro de Memória do Esporte da ESEF/UFRGS. 


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Sul, já se notava na Associação Cristã de Moços do Rio de Janeiro, desde o início da década 
de 1910. 
 
A  Associação,  conjuntamente  com  o  Instituto  Central  do  Povo,  está 
presentemente em negociações com a Prefeitura para a cessão de um terreno 
na Quinta da Boa Vista, para servir de campo de Recreio,  onde esperamos 
instalar  aparelhos  apropriados  para  sports,  que  serão  realizados  sob  a 
direcção  especial  de  um  Diretor,  vindo  para  este  fim  dos  Estados  Unidos. 
(ASSOCIAÇÃO CRISTàDE MOÇOS, 1911a, p. 10). 
 
Também o Relatório institucional das ações realizadas pela ACM carioca nos anos 
de 1911 e 1912 apresenta a inauguração do Campo de Recreio no dia 12 de outubro de 1911, 
“mostrando-se installados os respectivos aparelhos” (ASSOCIAÇÃO CRISTàDE MOÇOS, 
1912a,  p.  04).  Todavia,  não  encontrei  indícios  de  quais  aparelhos  e  modalidades  esportivas 
eram ofertadas nesse novo espaço. A escassez de informações acerca dessa ação institucional 
nos órgãos de circulação acmistas sugere que a atuação da ACM carioca na disseminação do 
esporte, fora do espaço acmista, não se constituiu em ação prioritária no projeto acmista dessa 
sede. De todo modo, campos de recreio, tanto na ACM do Rio de Janeiro quanto na sede de 
Porto Alegre, fizeram parte de um projeto de formação física o qual não deveria ser restrito 
aos associados mas ampliado para outros espaços sociais.  
Devo  ressaltar,  novamente,  que  Maurício  Salassa,  que  havia  sido  enviado  dos 
Estados Unidos em agosto de 1911, permaneceu na ACM carioca até seu regresso em 1912, 
sendo brevemente substituído por D. P. Cross, que, com poucos meses, transferiu o cargo para 
Sims. Além dessa inconstância de Diretores de Educação Física na ACM carioca, que poderia 
dificultar  a  construção  de  um  projeto  sólido  de  disseminação  do  esporte  na  Quinta  da  Boa 
Vista,  não  percebi  a  presença  de  um  missionário,  com  formação  em  Educação  Física, 
especificamente  para  tratar  das  ações  no  Campo  de  Recreio,  mas  a  tentativa  de  uma 
duplicidade  de  funções,  em  um  momento  em  que  a  ACM  carioca  necessitava  de  maiores 
investimentos  internos,  devido  à  sua  recente  intensificação  em  prol  das  ações  do 
Departamento Físico, observadas no início da década de 1910.  
A  atuação  da  Associação  Cristã  de  Moços  de  Porto  Alegre  na  disseminação  do 
esporte,  especificamente  por  meio  da  figura  de  Frederico  Gaelzer,  caracterizou-se  diferente 
dos investimentos da sede carioca. Gaelzer contribuiu para a expansão do projeto acmista para 
fora da instituição, especialmente quando atuou no cargo de Inspetor de Educação Física da 
Secretaria de Educação de Porto Alegre, a partir de 1929, contribuindo com a organização de 
cursos intensivos de formação de Professores de Educação Física no Estado do Rio Grande do 


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Sul.  Suas  ações,  no  que  tange  à  atividade  física,  na  escola  ou  fora  dela,  provavelmente 
contribuíram  para  a  circulação  de  uma  concepção  de  Educação  Física,  de  Esporte  e  de 
Atividades Físicas a qual foi construída durante sua formação nos Estados Unidos e em outras 
experiências internacionais. 
 
As  experiências  adquiridas  por  Frederico  Gaelzer  nas  suas  viagens 
internacionais  lhe  conferiram  densidade  argumentativa  para  defender  suas 
idéias.  Em  1930,  comissionado  pela  Prefeitura  de  Porto  Alegre,  fez  uma 
viagem de estudos para a Europa realizando estágios na Escola de Educação 
Física  de  Berlim  (Alemanha),  Copenhagem  (Dinamarca),  Estocolmo 
(Suécia),  Joinville-le  Pont  (França)  e  Hellerau  (Luxemburgo).  (FEIX  e 
GOELLNER, 2008, p. 10). 
 
Para  Feix  e  Goellner  (2008),  Frederico  Gaelzer  acreditava  que  a  prática  de 
atividades  de  lazer  era  um  instrumento  contra  a  delinquência  e  uma  forma  de  qualificar  a 
sociedade.  No  Jardim  de  Recreio  da  Praça  General  Osório,  em  Porto  Alegre,  em  1926, 
Gaelzer  organizou  salas  para  jardim  de  infância,  biblioteca  e  vários  equipamentos  na  área 
externa,  como:  balanço,  escorregador  e  gangorra  assim  como  espaços  para  a  prática  de 
Basquetebol,  Beisebol,  Voleibol,  e  Tênis  (FEIX  e  GOELLNER,  2008).  As  ideias  do  rio-
grandense-do-sul inseriram-se em um momento no qual a prática esportiva e de lazer estava 
em evidência naquele Estado, especialmente pelo movimento da cultura física, que marcou as 
duas primeiras décadas do século XX e que vinculava a prática esportiva com o imaginário da 
modernidade. 
 
Neste  período  as  práticas  corporais  e  esportivas  despontavam  como  uma 
acessível  opção  de  divertimento.  Proliferavam,  na  cidade,  os  clubes 
recreativos, as agremiações, as federações, as regatas, as corridas de cavalo, 
as demonstrações ginásticas, as provas de ciclismo, os certames esportivos, 
os  parques  de  lazer  e  os  campos  de  futebol,  ao  mesmo  tempo  em  que  se 
multiplicavam  os  espectadores  e  os  participantes.  (FEIX  e  GOELLNER, 
2008, p. 03). 
 
Assim, evidencia-se a aposta das três sedes acmistas na constituição de um ethos 
esportivo, salientando a importância das práticas esportivas na formação dos associados. Se, 
desde  as  origens  das  diferentes  Associações  Cristãs  de  Moços  no  Brasil  estava  explicita  a 
preocupação  com  a  promoção  do  “bem  physico”  do  sócio,  a  intensificação  das  ações  do 
Departamento Físico somente foi percebida no início da década de 1920. A Associação Cristã 
de  Moços  influenciou  e  foi  influenciada  pelo  clima  cultural  esportivo  que  permeava  a 
sociedade brasileira desde os anos finais do século XIX. 


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6.3.1 
O esporte como elemento formador nas ACMs brasileiras 
 
 
Como já destacado, a ênfase no esporte começou a fazer parte do discurso acmista 
a partir da década de 1920, sendo veiculado como uma prática que poderia (e deveria) fazer 


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