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o campo da educação physica da A.C.M. e como é determinado
 (1921) – traduzido e adaptado por H. J. Sims; 
Fim  e  Princípios  da  Educação  Physica 
(1921)  –  traduzido  e  adaptado  por  H.  J.  Sims.  Esse  movimento  de 
ampliação  da  prática  esportiva  nas  ACMs,  por  meio  da  sua  incorporação  nas  ações  ofertadas  pela  instituição, 
guarda  relação  com  o  debate  sobre  a  escolarização  do  esporte  percebido  por  Linhales  (2006),  na  Associação 
Brasileira de Educação (ABE). Nesse caso, ABE e ACM foram instituições parceiras na afirmação do esporte 
como uma prática moderna, que participou da construção de um projeto cultural a partir de meados de 1920. 


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coordenação de massas. A Educação Física se torna obrigatória nas escolas, 
mas  as  pessoas  se  exercitam  voluntariamente  em  academias,  associações 
atléticas e na sua própria casa. (SEVCENKO, 1998, p. 569). 
 
A urbanização, o saneamento e a modernização do Rio de Janeiro, que já existiam 
no início do século XIX, intensificam-se nos anos finais do século XIX e início do século XX. 
A cidade deveria expressar sinais dos novos tempos, dos novos intuitos econômicos, de uma 
suposta nova organização política, precisava ter uma nova aparência “civilizada” e “moderna” 
(MELO,  2000,  p.  27).  Para  Sevcenko  (1998,  p.  571),  o  desenvolvimento  dos  esportes,  na 
passagem  do  século,  apresentava  como  propósito  adaptar  os  corpos e  as  mentes  à  demanda 
acelerada das novas tecnologias, assim, “como as metrópoles eram palco por excelência para 
o  desempenho  dos  novos  potenciais  técnicos,  nada  mais  natural  que  a  reforma  urbana 
incluísse também a reforma dos corpos e das mentes”.  
É  nesse espírito  de  regeneração física, intelectual,  social  e  moral-religiosa  que a 
Associação carioca assim como as demais sedes juntaram-se às outras instituições públicas e 
privadas, fazendo circular no Brasil signos alinhados aos avanços da modernidade. O estudo 
de  Linhales  (2006,  p.  31)  destaca  o  esporte  como  dispositivo  de  um  projeto  cultural,  que, 
pretendendo  ser  moderno,  anunciava  elementos  como  a  “regeneração  nacional”  e  a 
“energização do caráter”.  
Em  São  Paulo,  não  foi  diferente.  Sevcenko  (1992)  indica  a  existência  de  um 
“boom”  esportivo  na  capital  paulista,  nas  duas  primeiras  décadas  do  século  XX.  Nesse 
momento, após os impulsos iniciais de inserção do esporte moderno no país, como, em parte, 
pela  comunidade  inglesa  envolvida  na  metropolização  da  cidade,  o  movimento  esportivo 
adquire  forças  próprias, reproduzindo-se  em  múltiplas  direções, possibilitando  o  surgimento 
de Associações, Sociedades e Clubes esportivos por toda a parte e envolvendo os diferentes 
meios sociais.  
 
Sob  o  epíteto  genérico  de  “diversões”,  toda  uma  nova  série  de  hábitos, 
físicos,  sensoriais  mentais,  são  arduamente  exercitados,  concentradamente 
nos  fins  de  semana,  mas  a  rigor  incorporados  em  doses  metódicas  como 
práticas  indispensáveis  da  rotina  cotidiana:  esportes,  danças,  bebedeiras, 
tóxicos,  estimulantes,  competições,  cinemas,  shopping,  desfiles  de  moda, 
chás,  confeitarias,  cervejarias,  passeios,  excursões,  viagens,  treinamentos, 
condicionamentos,  corridas  rasas,  de  fundo,  de  cavalos,  de  bicicletas,  de 
motocicletas,  de  carros,  de  avião,  tiros-de-guerra,  marchas,  acampamentos, 
manobras, parques de diversões, boliches, patinação, passeios e corridas de 
barco,  natação,  saltos  ornamentais,  massagens,  saunas,  ginástica  sueca, 
ginástica  olímpica,  ginástica  coordenada  com  centenas  de  figurantes  nos 
estádios,  antes  dos  jogos  e  nas  principais  praças  da  cidade,  toda  semana. 
(SEVCENKO, 1992, p. 33). 


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Sevcenko  (1992)  afirma  que  muitos  desses  hábitos  e  práticas  já  existiam,  pelo 
menos,  desde  o  início  do  século  XX.  Nesse  momento,  São  Paulo  revelava  uma  nova 
sensibilidade  que  se  ia  definindo  com  uma  cidade  que  crescia  em  escala  fenomenal  e  que 
estava em crise de identidade e mergulhada em um processo modernizador. 
 
São  Paulo  não  era  uma  cidade  nem  de  negros,  nem  de  brancos  e  nem  de 
mestiços;  nem  de  estrangeiros  e  nem  de  brasileiros;  nem  americana,  nem 
européia,  nem  nativa;  nem  era  industrial,  apesar  do  volume  crescente  das 
fábricas, nem entreposto agrícola, apesar da importância crucial do café; não 
era tropical, nem subtropical; não era ainda moderna, mas já não tinha mais 
passado. (SEVCENKO, 1992, p. 31). 
 
É  nessa  cidade  que  esses  hábitos  e  práticas  adquiriram  um  efeito  coletivo, 
inserindo-se  em  uma  rede  de  experiências  do  novo  contexto  social  e  cultural.  Com  isso,  o 
esporte passa a ser fonte de uma nova identidade e de um novo estilo de vida. Seu público era 
chamado  de  “jovens”  –  uma  expressão  que  passou  a  ter  uma  carga  de  prestígio  –  por  ser 
adepto  das  práticas  esportivas  e  de  uma  nova  mentalidade,  a  da  “ética  do  ativismo”.  Para 
Sevcenko (1992, p. 34): “[...] por trás disso tudo a filosofia é: ser jovem, desportista, vestir-se 
e  saber  dançar  os  ritmos  da  moda  é  ser  ‘moderno’,  a  consagração  máxima.  O  resto  é 
decrepitude, impotência, passadismo e tem os dias contados”. 
 
Assim  como  a  fórmula  matricial  “American  way  of  life”,  não  descreve  a 
realidade  empírica  de  nenhuma  comunidade  específica,  o  mesmo  tende  a 
ocorrer com esse seu correlato, que também se poderia chamar de “agitação 
Rio-São Paulo”. Não é preciso estar nos Estados Unidos para sentir e viver o 
“American way of life”, do mesmo modo como não é preciso estar no Rio de 
Janeiro  ou  em  São  Paulo  para  se  imbuir  neste  “Rio-São  Paulo”  [...] 
(SEVCENKO, 1998, p. 567). 
 
Como  uma  caixa  de  ressonância,  como  aponta  Sevcenko  (1998),  essa  mutação 
cultural,  que  atingiu  o  eixo  Rio-São  Paulo,  expandia-se  para  outras  partes  do  Brasil.  Porto 
Alegre, já nas primeiras décadas do século XX, apresentava um movimento esportivo. Feix e 
Goellner  (2008)  indicam  o  despertar  da  cidade  para  o  processo  de  civilização,  rumo  à 
modernização,  que  visava  afastar a  cidade  da  representação  de  cidade  rural,  que  marcava  a 
Porto Alegre dos fins do século XIX. 
 
O  desenvolvimento  industrial,  as  novas  tecnologias,  a  urbanização  das 
cidades,  a  mão-de-obra  imigrante,  as  manifestações  operárias  e  os 
movimentos  grevistas  que  se  desenvolvem  em  vários  estados  da  Nação 


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formam  o  tecido  das  novas  demandas  sociais,  onde  se  mesclam  valores 
conservadores e revolucionários que ora circulam entre a legitimação do já 
instituído, ora procuram a experimentação de novas possibilidades culturais. 
(FEIX e GOELLNER, 2008, p. 02). 
 
Pesavento (1991) afirma que as duas primeiras décadas do século XX marcaram a 
construção  de  um  novo  estilo  de  vida  em  Porto  Alegre,  marcadamente  público,  coletivo, 
eufórico, encampando novas atitudes e práticas, como realçava Sevcenko ao se referir ao Rio 
de Janeiro e São Paulo. Nessa nova configuração, outras possibilidades ganharam espaço com 
o  aparecimento  de  confeitarias,  de  diversos  teatros,  de  Associações  Carnavalescas,  de 
hipódromos e do “footing” da Rua da Praia.  
 
Neste  período  as  práticas  corporais  e  esportivas  despontavam  como  uma 
acessível  opção  de  divertimento.  Proliferavam,  na  cidade,  os  clubes 
recreativos, as agremiações, as federações, as regatas, as corridas de cavalo, 
as demonstrações ginásticas, as provas de ciclismo, os certames esportivos, 
os  parques  de  lazer  e  os  campos  de  futebol,  ao  mesmo  tempo  em  que  se 
multiplicavam  os  espectadores  e  os  participantes.  Como  uma  manifestação 
urbana em franca expansão as atividades esportivas e de lazer imprimiam na 
cidade o imaginário da modernidade. (FEIX e GOELLNER, 2008, p. 02). 
 
Esse movimento esportivo na cidade de Porto Alegre, que segue com o percebido 
no  Rio  de  Janeiro  e  em São  Paulo,  teve  uma  contribuição  do  projeto  de  formação acmista, 
especialmente  por  meio  da  participação  do  gaúcho  Frederico  Guilherme  Gaelzer,  que,  com 
seu  pai  Emílio  Gaelzer,  foi  admitido  na  Associação  Cristã  de  Moços  de  Porto  Alegre,  em 
1915  (MOCIDADE,  nº  258,  ago.  de  1915,  p.  03-04)
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.  Em  1919,  Gaelzer  foi  aos  Estados 
Unidos  para  ingressar  em  um  dos  cursos  de  formação  em  Educação  Física  ofertados  pela 
ACM norte-americana, no “George Williams Colege”, em Chicago.
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Consegui  a  matrícula,  sem  pagar  nada  pela  frequencia  das  aulas  por 
intermédio dos Srs. Long e Clark, que muito se empenharam em me auxiliar. 
Foi  uma  sorte  conseguir  a  tal  “Free  Tuition”  pois  doutra  forma  eu  não 
                                                 
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  Em  1915,  Emílio  Gaelzer  era  coronel  e  ex-intendente  da  cidade  de  São  Leopoldo,  no  Sul  do  país.  Tais 
informações  foram  encontradas,  em  um  jornal  de  nome  desconhecido,  na  matéria  Atletismo  –  o  sports  nos 



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