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A  Educação  Nacional
,  publicada  em  1906,  defendia  a  necessidade  de  uma  ampliação  na 
educação  pública,  por  meio  de  um  sistema  educacional
111
.  Para  o  autor,  somente  uma 
educação  nacional tornaria  possível  extirpar  os  males  da  ignorância  popular,  regenerando  o 
povo brasileiro. Somando-se a esse debate, Carneiro Leão (1916), numa conferência proferida 
em São Paulo, em 1916, dá uma ideia precisa do tipo de educação que se almejava, por parte 
de alguns pensadores, naquele momento: 
 
                                                 
109
 Botelho (1999) afirma que, em 1890, havia aproximadamente 84% de analfabetos na sociedade brasileira. Em 
Viçosa, Minas Gerais, observavam-se iniciativas de formação intelectual, como na criação da Escola Superior de 
Agricultura e Veterinária, em Viçosa (1922-1926), onde o analfabetismo era maciço entre os trabalhadores que 
participavam na construção da instituição (BAÍA, 2006). O norte-americano Peter Henry Rolfs, que coordenou a 
implantação,  apontou  que:  “[...]  em  1922  empregamos  um  total  de  quase  400  trabalhadores  na  construção  e 
noutros  trabalhos,  sendo  que  mais  de  90%  deles  eram  analfabetos  [...]”  (ROLFS,  1928,  p.  12).  Para  a 
implantação do projeto de Peter Rolfs, foi preciso investir na alfabetização dos trabalhadores. 
110
 Apenas para elencar outros, também podem ser consultadas as obras de Tavares Bastos (1975), Ruy Barbosa 
(1947), Oliveira Vianna (2005) e Manoel Bomfim (1993; 1996). 
111
 Utilizei a versão da Editora Mercado Aberto, 3ª edição, publicada em 1985. 


132 
 
   
O Brasil, agora, como sempre, é composto, principalmente de duas espécies 
de criaturas: ‒ de um lado, a maioria, oitenta por cento do povo, analfabeta, 
ignorante  e  incapaz  de  trazer  o  mínimo  desenvolvimento,  a  mínima 
vantagem  ao  progresso  nacional,  de  outro,  uma  parte  mais  ou  menos 
instruída  e  culta,  candidata  perpétua  ao  funcionalismo  e  à  burocracia. 
Classes  produtoras,  industriais,  que  trabalhem  a  riqueza  da  Pátria,  que 
engrandeçam o nosso território, quase não temos. (LEÃO, 1916, p. 22-23).  
 
Carneiro  Leão  (1916)  pregava  uma  educação  popular,  para  todos,  mas  não  uma 
educação livresca e, sim, uma educação para o trabalho, que seria útil para contribuir para o 
desenvolvimento econômico do país. Ele acreditava que a educação livresca estava ligada aos 
cargos públicos, que eram poucos e destinados à elite; portanto, era necessária uma educação 
para o trabalho, de uma educação prática que se pautasse no aprender fazendo. 
 
Hoje se pode medir o valor de um país pelo cuidado que ele tem na educação 
popular.  Tão  forte  é  o  mérito  dessa  educação  que  basta  um  povo  iniciá-la 
para  que  se  comece  a  ver  a  sua  magnífica  ascensão  para  a  civilização  e  o 
progresso. O Japão nos evidencia amplamente esta verdade. (LEÃO, 1916, 
p. 22).  
 
Desse  modo,  civilizado  era  o  país  que  possuía  sua  população  alfabetizada.  A 
ignorância  popular  estava  relacionada  ao  atraso  econômico,  ao  subdesenvolvimento.  Leão 
(1916)  acreditava  que,  somente  através  de  uma  educação  popular  que  extirpasse  o 
analfabetismo,  teríamos  o  Brasil  como  uma  nação  forte,  civilizada,  nos  rumos  do 
desenvolvimento,  o  qual  já  havia  sido  alcançado  por  outras  potências  mundiais.  Segundo 
Souza  (1992,  p.65),  nas  primeiras  décadas  do  século  XX,  a  educação  tornou-se  alvo  de 
interesses  de  diferentes  setores  sociais,  de  forma  que  em  seu  entorno  foi  produzido  um 
imaginário que lhe atribuiu extremo valor social. 
A  Associação  Cristã  de  Moços  no  Brasil  estava  sintonizada  com  esse  debate 
educacional. Esse assunto era um dos temas emergentes no período republicano, como mostra 
Souza  (1992),  no  estudo  Demandas  populares  pela  educação  na  Primeira  República: 
aspectos da modernidade brasileira
, e fazia parte dos interesses formativos acmistas. Para a 
Associação:  “[...]  numa  República  a  educação  é  uma  necessidade  primordial” 
(ASSOCIAÇÃO CRISTàDE MOÇOS, 1916a, p. 05). Nessa perspectiva, a ACM projetava a 
formação de um indivíduo que pudesse contribuir com o engrandecimento da pátria. Para isto, 
a educação era apenas uma das frentes de formação que, com as ações envolvendo a moral-
religiosa e a formação física, completavam as ações centrais da proposta acmista.  


133 
 
   
Mesmo com alguma centralidade da educação nos debates sociais dos anos finais 
do  século  XIX  e  anos  iniciais  do  século  XX,  na  ACM,  a  formação  educacional  foi  uma 
estratégica porta de entrada, tendo em vista que, no projeto acmista, a religião era o propósito 
básico da sua existência. Quando contrastei o discurso com alguns números publicados pelas 
Associações  Cristãs  de  Moços,  pude  perceber  que  a  formação  educativa,  em  determinados 
momentos, possuía mais adeptos do que a formação religiosa.  
 



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