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Em  prol  da  Mocidade:  instruções  sobre  os  trabalhos  das  Associações  Cristãs  de  Moços
 
(CLARK,  1903),  o  qual  apresenta  um  conjunto  de  informações  necessárias  para  aqueles 
interessados em fundar novas sedes da Associação. Como argumento principal, o missionário 
caracteriza as representações que as pessoas comuns, não vinculadas à ACM, possuíam acerca 
das  funções  da  instituição:  uma  delas  vincula  a  Associação  a  um  clube  social,  aonde  as 
pessoas  vão  para  se entregar,  nas  horas  vagas, às  distrações  lícitas;  e  a outra  compreende-a 
como  um  grêmio  de  trabalhadores  religiosos,  os  quais  têm  em  vista  o  próprio 
desenvolvimento intelectual e a conversão dos seus semelhantes.  
Para Clark, “as duas idéias são corretas” (CLARK, 1903, p. 68). No entanto, na 
visão do missionário, se a primeira função possibilita levantar um número maior de sócios, é a 
segunda  que  deve  ser  considerada  a  mais  importante e  fundamental  para  a  consolidação  da 
Associação.  Há,  no  seu  entendimento,  uma  menor  inclinação  das  pessoas  às  questões  da 
religião. Contudo, a formação religiosa e o investimento na conversão dos jovens são os eixos 
centrais  da  existência  da  instituição,  uma  vez  que,  para  ele,  se  a  ACM  estiver  prestando  a 
servir, em primeira instância, como clube social, pouco se poderá esperar dela.  
                                                 
58
 As fontes não esclarecem os temas específicos que eram tratados na palestras preparatórias de Myron Clark. 
No entanto, esse investimento se constituía na explanação acerca dos objetivos e métodos da instituição, assim 
como a exposição dos “perigos da mocidade” (MOCIDADE, nº 257, jul. de 1915, p. 02). 


73 
 
   
A partir dessa centralidade religiosa como eixo da criação de uma ACM, Myron 
Clark  optava  por  não  incentivar  a  criação  de  uma  Associação  se  essa  tivesse  tendência  a 
transformar-se apenas em um clube social: 
 
Si o pastor, ou o official da egreja em autoridade, verificar que aos pretensos 
fundadores fallece completamente este segundo desejo, deve esforçar-se por 
desanimal-os do seu intento, porque sera melhor não organizar a Associação 
em taes condições. (CLARK, 1903, p. 69). 
 
Um  fator  importante  na  implantação  de  uma  sede  era  a  experiência.  Assim, 
tornava-se necessário, no momento de criação de uma ACM, entrar em contato com Myron 
Clark para que, a partir da sua experiência na implantação das Associações Cristãs de Moços 
brasileiras, se construísse uma Associação segundo os seus direcionamentos. Nos momentos 
iniciais,  destinados  a  observar  a  receptividade  do  projeto  e  o  entendimento  dele,  eram 
necessários  aproximadamente  quatro  meses.  Nesse  momento,  faziam-se  reuniões  bíblicas, 
sessões de orações, sessões de palestras e debates, caracterizando-se como formas de perceber 
o  grau  de  interesse  dos  envolvidos  na  sua  fundação.  É  possível  pensar  que  esse  roteiro, 
presente no documento produzido pelo missionário, expondo o movimento inicial de criação 
de uma ACM, representa a própria materialização das ações de Myron Clark como um guia, 
sendo uma forma, encontrada por ele, de difundir o trabalho que executava nos momentos de 
implantação das sedes no Brasil
59

Apesar  disso,  não  havia  um  planejamento  fechado,  instituído  pela  Comissão 
Norte-americana,  sobre  os  locais  que  deveriam  receber  as  sedes  da  Associação  Cristã  de 
Moços no Brasil. Era essencial respeitar a manifestação das cidades que estavam preparadas 
para receber o projeto acmista, tornando mais eficientes os investimentos nas localidades mais 
propícias à consolidação da Associação. Nesse sentido, a ACM de Porto Alegre pode ter tido 
sua origem nas manifestações locais, especialmente porque o sul do país foi uma região que 
recebeu  missões  protestantes,  inclusive  com  a  presença  de  Chamberlain  –  um  dos 
responsáveis pela vinda de Myron Clark para o Brasil.  
A partir disso, Myron Clark desembarca em Porto Alegre, em 1901, com a função 
de realizar as sessões preparatórias para implantar uma sede da ACM na cidade. Os momentos 
iniciais da sede gaúcha não foram tranquilos: “[...] durante 13 anos a Associação constituiu-se 
uma  espécie  de  clube  educativo,  com  um  quadro  social  de  100  a  200  sócios.  No  fim  desse 
                                                 
59
 Cf. CLARK, 1903. 


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período  estava  a  ponto  de  desorganizar-se  quando  entrava  em  cena  o  Sr.  Gallyon,  o  seu 
primeiro secretário internacional” (MOCIDADE, nº 343, set. de 1922, p. 19). 
Apesar de a Associação, em Porto Alegre, ter permanecido mais de uma década 
de  forma  precária,  a  falta  de  um  quadro  de  missionários  estrangeiros  com  experiência  no 
trabalho  acmista  não  foi  suficiente  para  extinguir  a  Associação  gaúcha.  Por  outro  lado,  a 
caracterização da instituição como sendo um clube educativo indica-nos que ela descumpria a 
função  primeira  definida  por  Clark.  Tornava-se,  assim,  necessário,  com  a  chegada  de  um 
secretário  internacional,  investir  no  fortalecimento  do  campo  religioso  e  da  sua  extensão  à 
conversão, e, para o missionário, o novo secretário estava habilitado a tal tarefa. A presença 
de  um  secretário  internacional  gerou  um  novo  ânimo  à  instituição  e  “no  primeiro  ano  [...] 
atingiu o quadro a 300 sócios. Nos trabalhos sociais a Associação saltou para a primeira linha. 
Os salões ficaram pequenos e, nas reuniões sociais, o prédio era insuficiente” (MOCIDADE, 
nº 343, set. de 1922, p. 19), além de ter ocorrido uma reestruturação dos trabalhos religiosos, 
os quais, no período, tiveram também um aumento considerável. Essa fase da ACM de Porto 
Alegre  foi  publicada  na  revista  Mocidade  como  sendo  “um  novo  surto”  (MOCIDADE,  nº 
343, set. de 1922, p. 19). 
O movimento acmista iniciado no Rio de Janeiro, em 1893, havia-se expandido. O 
país contava, no início do século XX, com três Associações Cristãs de Moços organizadas e 
em fase de consolidação, sendo elas: Rio de Janeiro (1893), Porto Alegre (1901), São Paulo 
(1902)
60
.  Com  as  sedes  organizadas,  houve  a  necessidade  de  se  criar  um  espaço  que 
permitisse  o  contato  entre  as  diferentes  ACMs  do  Brasil:  uma  estratégia  interessante  para 
permitir ajustes que auxiliassem na consolidação das instituições. Criou-se, para esse fim, em 
1903, a Convenção Nacional das ACMs
61
.  
A Convenção cumpria um papel importante na difusão das experiências entre as 
Associações  existentes,  mas,  por  ser  trisanual,  não  possibilitava  um  auxílio  constante  aos 
problemas vividos pelas ACMs brasileiras. Dessa forma, no decorrer da primeira Convenção 
Nacional,  criou-se  a  Aliança  Nacional  das  Associações  Cristãs  de  Moços  no  Brasil,  que 
funcionava como uma instância de apoio para as ACMs brasileiras, sendo composta por sedes 
                                                 
60
 As fontes encontradas sobre a Associação Cristã de  Moços, especificamente os exemplares nº 257 e 343 da 
revista Mocidade, periódico oficial da instituição, datam a criação da ACM de São Paulo no ano de 1902, já que 
os preparativos iniciaram em dezembro do ano corrente. No entanto, somente em janeiro de 1903, iniciaram-se 
as atividades.  
61
  Na  inauguração,  estiveram  presentes  representantes  da  ACM  mundial  e  da  norte-americana,  ministrando 
palestras com temas referentes à formação moral e aos “fundamentos da religião cristã” (MOCIDADE, nº 343, 
set.  de  1922,  p.  10),  colocando,  em  evidência,  a  preocupação  da  instituição  com  o  fortalecimento  desses  dois 
eixos no Brasil. 


75 
 
   
acmistas do país, mas com ligação com as Alianças Nacionais de sedes acmistas do exterior, 
especialmente dos Estados Unidos
62

Uma das ações iniciais da Aliança Nacional foi a estimulação da criação de sedes 
em  outras  regiões  do  Brasil,  como  a  ACM  de  Recife.  A  revista  Mocidade  apresenta  que  a 
implantação  dessa  sede  não  se  deu  por  uma  solicitação  local,  como  sugeria  Myron  Clark 
(CLARK,  1903),  mas  por  “obediência  a  uma  das  resoluções  da  Comissão  Nacional” 
(MOCIDADE, nº 259, set. de 1915, p. 01). Contudo, na primeira ata da Comissão Nacional 
das ACMs (Ata nº 01), datada de 1903, percebe-se a existência de um desejo do missionário 
em visitar a capital pernambucana. Provavelmente, a presença de Myron Clark, representante 
maior  da ACM  no Brasil  e também membro  da Aliança  Nacional,  tenha contribuído com a 
resolução  que  instituía  Recife  como  um  local  a  ser  pensado  para  receber  uma  sede  da 
Associação. 
Diferente  do  Rio  de  Janeiro,  de  São  Paulo  e  de  Porto  Alegre,  a  instituição 
pernambucana  iniciou  suas  atividades  sendo  administrada  por  um  “grupo  aspirante”.  Não 
foram  designadas  pessoas  estrangeiras,  conhecedoras  do  projeto  acmista  norte-americano, 
para  gerir  a  Associação  durante  o  momento  de  sua  implantação  e  consolidação.  Nos 
momentos iniciais, a situação financeira da ACM de Recife era precária, não sendo diferente 
das  demais  sedes  já  fundadas.  As  reuniões  aconteciam  em  salões  improvisados  nas  igrejas 
evangélicas  e  em  Lojas  Maçônicas.  O  problema  financeiro  e  a  ausência  de  um  secretário 
geral,  com  formação  específica  para  administrar  uma  ACM,  e  de  outros  apoiadores 
contribuíram  para  que,  em  1904,  começasse  “o  grupo  aspirante  a  passar  por  suas 
difficuldades” (MOCIDADE, nº 259, set. de 1915, p. 01). 
A segunda Convenção Nacional, que aconteceu em 1906, foi o lugar estratégico 
para expor os problemas da sede pernambucana. Como resultado, Recife conseguiu, por meio 
da  Comissão  das  ACMs dos  Estados  Unidos,  o  envio de  um  secretário  geral,  John Warner, 
com experiência na área, com a função de organizar os trabalhos nessa instituição, visando a 
sua consolidação
63

 
Este prezado amigo aqui chegando tornou em realidade o que aspirava-nos 
havia 3 annos: no dia 26 de dezembro de 1907 realizavamos a nossa sessão 
                                                 
62
  No  processo  de  mediação,  a  Aliança  Nacional  encaminhava  correspondências,  relatórios,  informações  do 
movimento  mundial,  permuta  de  visitas  de  delegados  entre  as  associações,  entre  outras  investidas  que 
facilitariam a resolução de problemas nas diferentes sedes. Cf. ASSOCIAÇÃO CRISTàDE MOÇOS. Estatuto 



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