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Tratado  sobre  o  governo
,  e  complementado  por  Adam  Smith,  na  Teoria  dos  Sentimentos 
Morais
.  Já  no  caso  brasileiro,  essa  ideia  seguiu  os  caminhos  descritos  por  Jean-Jacques 
Rousseau,  no  Discurso  sobre  a  origem  da  desigualdade  entre  os  homens.  Assim,  para  o 
Brasil, Tavares Bastos defendia a necessidade de um Estado forte, que ditasse os caminhos da 
regeneração dos indivíduos, cujos vícios foram produzidos historicamente. Ele acreditava que 
implantar  no  Brasil  um  Estado  forte,  nos  moldes  dos  Estados  Unidos,  seria  a  saída  para  a 
construção do progresso no país (SILVA, 2005). Intelectuais como Barão de Rio Branco, Rui 
                                                 
33
 Aureliano Cândido Tavares Bastos ficou conhecido como “o apóstolo do progresso” (VIEIRA, 2006, 2008) 
algumas vezes rotulado também como “defensor intransigente dos Estados Unidos” (SILVA, 2005). 


50 
 
   
Barbosa,  Joaquim  Nabuco,  dentre  outros,  vão  projetar  nos  Estados  Unidos  o  caminho  para 
alavancar o progresso do país (VENTURA, 2002). 
Na contramão dos intelectuais que defendiam o modelo norte-americano, Eduardo 
Prado aparece como uma das principais figuras que criticavam a presença dos Estados Unidos 
como modelo para o Brasil, principalmente através da obra A ilusão americana, publicada em 
1917
34
.  
 
Pensamos  que  é  tempo  de  reagir  contra  a  insanidade  da  absoluta 
confraternização que se pretende impor entre o Brasil e  a grande república 
anglo-saxônica,  de  que  nos  achamos  separados,  não  só  pela  índole  e  pela 
língua como pela história e pelas tradições do nosso povo. (PRADO, 2002, 
p. 10). 
 
Eduardo Prado (2002, p. 34) afirmava que o “furor imitativo” dos Estados Unidos 
teria sido a ruína da América. Segundo ele, para os Estados Unidos, a América presente na 
ideologia da doutrina Monroe apresentava outro sentido: “A América para os americanos. Ora 
eu  proporia  com  prazer  um  aditamento:  para  os  americanos,  sim  senhor,  mas,  entendamos, 
para os americanos do norte”. 
Sua relação com a possibilidade da presença dos Estados Unidos interferindo na 
cultura  brasileira  era  de  aversão.  A  intervenção  norte-americana  em  diferentes  países  da 
América – central e do Sul – reafirmava, para Eduardo Prado (2002), que o discurso presente 
na  doutrina  Monroe  destoava  das  ações  políticas  dos  Estados  Unidos  em  toda  a  América. 
Assim,  ele  defendia  que  cada  sociedade  deveria  construir  seu  caminho,  guiada  pelas  leis 
construídas como fruto da sua raça, da sua história, do seu caráter e do seu desenvolvimento 
natural. Daí advém sua crítica ferrenha à presença política dos Estados Unidos no Brasil.  
 
Quer-se  apresentar  o  governo  americano  aos  brasileiros  como  o  grande 
amigo  das  nações  deste  continente,  como  o  seu  protetor  nato,  e,  no  furor 
disso  demonstrar,  há  jornais  brasileiros,  de  tão  atrofiado  patriotismo,  que 
chegam  a  colocar  o  Brasil  como  que  debaixo  do  protetorado  americano, 
fazendo do Rio de Janeiro vassalo e de Washington o suserano. É contra esta 
falsa  idéia,  contra  esse  esquecimento  do  pundonor  nacional,  que  queremos 
reagir,  relembrando  aos  nossos  compatriotas  o  que  tem  sido  a  política 
americana. (PRADO, 2002, p. 42). 
 
Eduardo Prado (2002) não estava isolado na crítica das influências estrangeiras no 
Brasil.  Tratava-se  de  um  período  de  valorização  do  patriotismo  e  do  nacionalismo.  Assim, 
                                                 
34
  Utilizei  a  versão  produzida  para  e-book,  em  2002,  digitalizada  da  edição  impressa  da  Livraria  e  Oficina 
Magalhães, 1917. 


51 
 
   
intelectuais  como  Manuel  Bonfim,  Afonso  Celso  e  Paulo  Prado  estão  relacionados  no 
conjunto de personagens que se dedicaram a escrever acerca dessas questões no país
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Manuel Bonfim publicou A América Latina: males de origem em 1905, debatendo 
acerca  da  exploração  das  colônias  pelas  metrópoles  e  dos  escravos  e  trabalhadores  pelos 
senhores  e  proprietários,  caracterizando  o  Estado  brasileiro  de  tirânico  e  espoliador 
(VENTURA,  2002). Manuel  Bonfim também  era  desfavorável  à  extensão do  americanismo 
para o Brasil: 
 
Bonfim atacou o imperialismo dos Estados Unidos, no momento em que este 
estendia sua influência sobre os países do continente a partir da doutrina do 
presidente norte-americano James Monroe (1817-1825), que pregava a não-
intervenção  das  nações  européias  na  América.  Remava  assim  contra  a 
corrente pan-americana [...] (VENTURA, 2002, p. 239). 
 
No caso de Afonso Celso, historiador e político brasileiro, com a obra Porque me 



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