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Modelo  dos  Estatutos  de  uma  Associação  Cristã  de  Moços
,  publicado  em  1893,  pela 
Comissão Internacional das Associações Cristãs de Moços, em Nova Iorque, e trazido para o 
Brasil  pelo  missionário.  Como  consta  na  apresentação  assinada  por  Myron  A.  Clark,  o 
documento  era  um:  “[...]  modelo  pelo  qual  devem  guiar-se  [...]  dando-lhes  uma  idéia  dos 
pontos mais importantes de que se deve tratar” (ASSOCIAÇÃO CRISTàDE MOÇOS, 1893, 
p. 02).  
O  propósito  central  do  projeto  de  Clark  era  promover  o  “desenvolvimento”  do 
“caracter  christão”  dos  associados  da  ACM  e  a  “utilidade  dos  seus  membros”  assim  como 
“promover  o  bem  physico,  intellectual,  social  e  espiritual  dos  moços”  (ASSOCIAÇÃO 
CRISTà DE  MOÇOS,  1893,  p.  02).  Esse  propósito  alinhava-se  aos  caminhos  instituídos 
pelas  ACMs/YMCAs,  no  ano  de  1855,  na  primeira  Convenção  das  Associações  Cristãs  de 
Moços  Internacional.  Nesse  evento, foi criado  um  documento, intitulado  as  Bases  de  Paris
que representava a padronização dos princípios da ACM no mundo. 
 
As  Associações  Cristãs  de  Moços  procuram  unir  aqueles  jovens  que 
considerando a Jesus Cristo como seu Deus e Salvador, segundo as Sagradas 
Escrituras,  desejam,  em  sua  fé  em  sua  vida,  ser  seus  discípulos  e  juntos 
trabalhar para estender entre os jovens o seu Reino. (Segui, 1998, p. 41)
9

 
A  religião  deveria  constituir  o  princípio  de  um  projeto  acmista,  mas  não 
necessariamente o único. As diferentes sedes da Associação Cristã de Moços no Brasil, com 
pequenas variações, contavam com um eixo de formação que contemplava a religião, o social, 
o  intelectual  e  o  físico.  Myron  Clark,  em  1903,  escreveu  um  texto,  intitulado  Em  prol  da 
Mocidade
, detalhando as diretrizes de um projeto acmista para os interessados em implantar 
novas sedes. Nesse documento, Clark afirma que, “primeiro que tudo, Ella é uma Associação 
Christã”,  e  que,  se  não prevalecesse  a  religião  como  eixo  da  formação, a  instituição  estaria 
                                                 
8
 Sobre os documentos oficiais, cf. Clark (1903) e os Estatutos (1893, 1898, 1901, 1904, dentre outros). 
9
 O texto integral das Bases de Paris encontra-se em Segui, 1998, p. 40-41. 


13 
 
   
descumprindo seu propósito primeiro, sendo, inclusive, melhor extinguir-se do que continuar 
com uma formação que não daria “bons frutos” (CLARK, 1903). 
Com as primeiras ações da sede carioca coordenadas por Myron Clark, percebe-se 
uma  ênfase  nas  ações  religiosas.  Somente  no  início  do  século  XX,  momento  de  criação  de 
outras  ACMs no  Brasil, pode-se perceber  o aparecimento, com  maior  intensidade,  de  ações 
referentes à Instrução e à Formação Física. Assim, procurei, ao longo deste trabalho, mostrar 
que o projeto inicial proposto por Myron Clark, centrado no princípio religioso, vai sofrendo 
alterações no decorrer do percurso de implantação e consolidação das sedes acmistas, o que 
permite pensar que a construção do projeto era dinâmica. Portanto, esta tese ficou atenta às 
negociações,  apropriações  e  rejeições  que  marcaram  o  projeto  formador  das  Associações 
Cristãs de Moços no Brasil.  
Se  havia  determinada  homogeneização  nas  diferentes  sedes  acerca  dos  eixos  de 
formação,  uma  maior  diferenciação  fez-se  presente  quando  me  foquei  nas  ações  planejadas 
pelas  diferentes  sedes,  na  efetivação  do  projeto.  Essa  variação  estava  prevista  nas  Bases  de 
Paris
, que, ao apontar o caminho da formação a ser proposta pela instituição, indicava que as 
Associações  deveriam  apresentar  uma  completa  independência  quanto  à  sua  “organização  e 
métodos de ação” (SEGUI, 1998, p. 40-41).  
Porém,  apesar  da  abertura  a  essa  independência,  a  diferenciação  foi  amenizada 
pela presença marcante de Myron Clark na construção dos documentos norteadores das sedes, 
os quais, quase sempre, eram cópias fiéis dos Estatutos da Associação Cristã de Moços do Rio 
de  Janeiro.  A  criação  da  Convenção  Nacional  das  Associações  Cristãs  de  Moços  do  Brasil 
facilitou,  ainda  mais,  a  homogeneização  das  ações  das  Associações,  uma  vez  que,  nesse 
fórum, as várias sedes brasileiras colocavam em evidência as diferentes experiências para, a 
partir  delas,  nortear  as  ações  de  outras  ACMs.  No  entanto,  nem  sempre  essa  tentativa  de 
homogeneização efetivava-se.  
É da percepção desse movimento de negociações, apropriações e rejeições que é 
possível pensar que o projeto de formação, inicialmente proposto por Myron Clark, quando 
em contato com a dinâmica cultural brasileira – com todos os seus condicionantes religiosos, 
políticos,  econômicos,  educacionais  –,  se  transformou  em  outro  projeto,  redesenhado  e 
adaptado  a  partir  das  disputas  travadas  entre  os  diferentes  sujeitos  envolvidos  na  causa 
acmista.  
 


14 
 
   
II 
 
 
Este estudo é parte do interesse que marca minha trajetória de pesquisador acerca 
das instituições que se dedicaram a formação no Brasil, especialmente as que se destacaram 
por  investimentos  na  educação  do  corpo.  Na  graduação,  participei  de  três  pesquisas  sobre 
algumas instituições de Viçosa, em Minas Gerais: A Educação Física no Colégio de Viçosa 



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