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 História e evolução da música eletrônica



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2.2 História e evolução da música eletrônica 



 

O  primeiro  instrumento  musical  eletrônico  -  o  Telarmónio  -  foi  inventado  em 

1897  por  Thaddeus  Cahill,  engenheiro  elétrico  norte-americano.  O  aparelho 

funcionava a partir da captação de ligações telefônicas, mas acabara por se tornar 

inviável,  visto  que  este  prejudicava  os  diálogos  das  chamadas,  tinha  um  tamanho 

descomunal e era muito complexo de operar (FERNANDES, 2007). 




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A autora também observa que a Primeira Guerra Mundial igualmente marcou 



a  história  da  música  eletroacústica.  Os  avanços  que  se  deram  em  relação  a 

tecnologia  foram  no  sentido  de  deixar  os  instrumentos  mais  acessíveis 

economicamente e mais compactos. Um exemplo das invenções que se destacaram 

na época foi o Thérémin, o qual tinha dois sensores de movimento que controlavam 

a amplitude (volume do som) e a altura (frequência). 

 

Na  realidade,  o  som  eletrônico  é



  capaz  de  fazer  o  que  nunca 

qualquer outro instrumento ou qualquer som tradicional fora é

 capaz. 

Pode  simular,  reproduzir,  criar  atmosferas,  gerar  múltiplas 

subdivisões...  é

  capaz,  enfim,  de  reproduzir  todos  os  sons  da 

natureza,  desde  aqueles  do  universo  fetal  até

  o  som  das  esferas 

(SEKEFF, 2002, p.87). 

 

Souza (2003) aponta que no início do século XX, surgiu um grupo que trazia 



como  principal  ideal  a  livre  expressão  artística,  cujos  participantes  vieram  a  se 

relacionar  com  a  música,  trazendo  formas  não  convencionais  de  produção  e 

harmonização.  

O Futurismo, idealizado pelo poeta italiano Filippo Marinetti, espalhou-se não 

somente no ramo musical, mas por todas as vertentes artísticas. A obra The Art of 

Noises,  de  Luigi  Rossolo,  em  meados  de  1910,  esteve  presente  nesse  contexto 

artístico. No livro o autor propõe a música ser produzida a partir de sons e ruídos do 

meio-ambiente. 

 

Na  verdade,  a  natureza  é  normalmente  silenciosa,  com  exceção  de 



tempestades,  furacões,  avalanches,  cascatas  e  alguns  movimentos 

telúricos  excepcionais.  É  por  isso  que  o  homem  estava 

completamente espantado com os primeiros sons que obteve fora de 

um furo em palhetas ou uma corda esticada (RUSSOLO, 2004, p. 4). 

 

 

O reestabelecimento econômico proveniente da Segunda Guerra Mundial fez 



com que os avanços sobre a tecnologia fossem abundantes, afetando diretamente o 

progresso da música eletrônica. Partindo desse ponto, surgiram duas correntes que 

defendiam a música eletroacústica de maneiras diferentes, e que perduraram até o 

fim do século XX: Musique Concrète Elektronische Musik (SOUZA, 2003)

O  autor  escreve  que  o  pioneiro  do  conceito  Musique  Concrète  foi  o  francês 

Pierre  Schaeffer,  cujas  experimentações  musicais  partiam  da  gravação  e 




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transformação de ruídos e sons do meio-ambiente afim de não utilizar instrumentos 



eletrônicos.  No  início,  as  primeiras  composições  não  chegavam  a  parecer  música. 

Tempos  depois,  Schaeffer  em  parceria  com  Pierre  Hanry  e  Jacques  Poullin, 

produziram,  em  1958,  as  primeiras  melodias  aceitáveis  sonoramente.  As 

composições  Symphonie  pour  un  homme  seul  e  Orpheé  51  foram  as  que  mais 

marcaram essa frente. 

À medida que os instrumentos eletrônicos foram ganhando mais espaço, os 

princípios  de  Musique  Concrète  foram  se  tornando  ultrapassados.  Novos  estúdios 

começaram a utilizar computadores ou outros instrumentos eletrônicos, o que levou 

a uma aproximação do conceito de Elektronische Musik. Brun Hambrauss, Heiss e 

Kagel foram alguns criadores e compositores dessa corrente que se diferenciava do 

movimento  francês,  permitindo  o  uso  de  instrumentos  eletrônicos,  cujo  avanço 

completou  o  desenvolvimento  da  música  eletroacústica  até  a  década  de  1960 

(FERNANDES, 2007). 

Em meados dessa mesma década, o acesso a sintetizadores e computadores 

ainda era muito difícil pelo seu valor e complexidade, fazendo com que as pessoas 

que  quisessem  estudar  a  música  partissem  de  métodos  antiquados,  como  os 

princípios  da  Musique  Concrète.  Com  isso,  os  compositores  começaram  a  fazer 

pesquisas  para  criarem  seus  primeiros  sintetizadores  pessoais.  Morton  Subotnick 

criou  o  primeiro  sintetizador  chamado  Buchla  em  1963  e,  no  ano  seguinte,  Robert 

Moog criou o primeiro sintetizador pessoal que tinha teclado (RATTON, 2002). 

A  popularização  da  música  ocorreu  naturalmente  à  medida  que  o  acesso  a 

computadores  e  sintetizadores  pessoais  foi  se  tornando  mais  viável.  A  primeira 

relação  da  música  eletrônica  com  um  grande  meio  de  comunicação  foi  quando  a 

música do compositor australiano Ron Grainer foi tema do seriado de ficção britânico 



Doctor Who, no final de 1963 (FERNANDES, 2007). 

Surge então, a música industrial, quando os novos estilos do gênero “música 

eletrônica”  começaram  a  aparecer  pelo  mundo,  como  o  Techno,  Eletro,  House, 

Psytrance e muitos outros. 

 

 



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