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Collective Acrobatics.

 



 

 



1. INTRODUÇÃO  

 

O  circo  está  conectado  às  transformações  artísticas,  tecnológicas, 

econômicas,  estéticas  e  culturais  da  humanidade.  Nos  picadeiros  do  Circo 

Tradicional  entre  os  séculos  XVII  e  XX  encontravam-se  diferentes  estéticas  e 

técnicas,  desenvolvidas  principalmente  no  interior  das  famílias,  obtendo  em  cena 

demonstrações de humanos e animais. A manutenção desta arte até os dias de hoje 

foi possível principalmente pela transmissão oral dos conhecimentos (MINISTÉRIO 

DO ESPORTE, 2014). 

O  Circo  Novo  é  resultado  de  sucessivas  rupturas  e  da  abertura  de  um 

universo  fechado  e  rígido  para  outras  expressões  artísticas,  como  o  teatro  e  a 

dança. Caracteriza-se pelo foco nas habilidades humanas, sem inclusão de animais, 

e  deixa  de  ser  transmitido  apenas  no  interior  das  famílias,  possibilitando  o 

surgimento  de  escolas  especializadas  e  de  praticantes  de  diversas  origens,  sem 

necessariamente haver o objetivo profissional na área. 

As atividades circenses podem ser divididas em categorias ou modalidades, 

que  configuram  um  agrupamento  de  técnicas,  tais  como:  acrobacia  de  solo, 

acrobacias aéreas, equilíbrios, técnicas de interpretação e manipulação de objetos. 

Essas  modalidades  exigem  uma  estruturação  da  relação  do  homem  com  o  seu 

corpo e o movimento onde todas fazem parte do universo do Circo (AYALA, MELO. 

2012).  


Segundo Bortoleto (2011), a partir das últimas duas décadas do século XX 

as  atividades  circenses  se  revelaram  como  elementos  de  grande  potencial 

pedagógico,  trazendo  possibilidades  diversas  para  a  educação  corporal,  estética  e 

expressiva.  

Essa  possibilidade  de  promover  uma  vivência  prática  da  cultura  corporal, 

capaz  de  desenvolver  integralmente  um  indivíduo,  fez  o  Circo  aproximar-se  da 

Educação Física e fazer parte de suas perspectivas atuais.  

A  escola  é  um  meio  educacional  significativo  no  que 

diz  respeito  ao  recebimento  de  oportunidades  e  de 

desenvolvimento em relação a todas as capacidades 

do indivíduo, sejam elas sociais, culturais, cognitivas, 

motoras, afetivas (CARAMÊS et al, 2012). 




 

 



Caramês  et  al  (2012)  dizem  ainda  que  as  linguagens  artísticas 

desenvolvidas  com  as  atividades  circenses  possibilitam  às  crianças  expressarem 

seus  sentimentos,  terem  novas  experiências  e  aumentarem  a  autoestima.  Isso 

ocorre  por  perceberem  que  são  seres  capazes  de  realizar  atividades  artísticas  e 

produzir cultura.  

No  Ensino  Médio,  as  aulas  de  Educação  Física  muitas  vezes  não  trazem 

conteúdos  ou  propostas  inovadoras  capazes  de  motivar  os  alunos  para  a  prática. 

Sendo  assim,  as  atividades  circenses  podem  trazer  vivências  de  elementos  da 

cultura corporal de movimento a serem debatidas e apreciadas dentro da Educação 

Física escolar e também em momentos de lazer. As experiências com as atividades 

circenses pelos alunos do ensino médio contrapõem-se às práticas que enfatizam o 

uso  utilitário  do  corpo  e  com  a  preparação  que  a  escola  faz  dos  alunos  para  o 

trabalho.  Elas  podem  ser  parte  de  um  projeto  de  sociedade  onde  os  alunos 

adquiram  autonomia  em  relação  aos  elementos  da  cultura  corporal  e  conquistem 

sua  liberdade  plena,  enriquecendo  e  contribuindo  na  formação  humana  (SILVA, 

2009). 


Para  uma  atuação  que  aproxime  as  artes  circenses  da  escola  no  Ensino 

Médio, propõe-se trabalhar com a Acrobacia Coletiva nas aulas de Educação Física. 

A Acrobacia Coletiva está inserida no agrupamento de técnicas das Acrobacias de 

Solo, e também é conhecida como “Pirâmides Humanas” no universo circense. 

 A  modalidade  chegou  ao  Brasil  por  meio  do  Circo,  mas  fundamentou-se 

como  esporte  no  militarismo  do  país  na  década  de  40.  A  então  “Ginástica 

Acrobática”  foi  difundida  principalmente  pelo  escritor,  acrobata,  paraquedista  e 

professor Charles Astor no Brasil (TANAN, BORTOLETO, 2008). 

Ayala  (2010),  explica  que  a  acrobacia  coletiva  combina  vários  elementos 

ginásticos  (parada  de  mãos,  paradas  de  três  apoios,  pontes,  quatro  apoios, 

esquadros),  em  diferentes  configurações  de  pernas  (carpadas,  grupadas, 

estendidas)  na  construção  de  figuras  e  formas,  em  um  trabalho  cooperativo  e  de 

superação de limites entre os praticantes. 

Tanan  e  Bortoletto  (2008)  reforçam  a  ideia  de  que  a  Acrobacia  Coletiva  é 

uma  modalidade  cooperativa  em  sua  essência,  onde  os  praticantes  podem 

desenvolver  capacidades  físicas  e  habilidades  motoras  básicas  junto  a  relações 

interpessoais,  em  uma  vivência  corporal  que  pode    ser  prazerosa  e  lúdica  e  ainda 

ser agente no desenvolvimento da responsabilidade, confiança e compromisso.  




 

 



Durante a construção das formas, os praticantes assumem papéis diferentes 

de  acordo  suas  características  pessoais:  base  (suporte,  responsabilidade,  força) 

volante (sustentado, coragem, leveza e técnica), intermediário (versatilidade, capaz 

de  exercer  as  duas  funções  em  uma  mesma  figura).  Há  também  os  colegas  que 

auxiliam  na  construção  e  desconstrução  das  figuras  oferecendo  a  segurança 

necessária  para  sua  realização.  O  professor  deve  dar  uma  explicação  detalhada 

sobre  cada  figura,  fornecer  exercícios  de  níveis  de  dificuldades  graduais  para  os 

alunos,  além  de  preparar  o  local  da  aula  com  colchões  que  evitem  impacto  nas 

saídas e possíveis quedas na execução. 

Como  apenas  o  corpo  é  instrumento  da  prática,  ela  se  mostra  bastante 

adaptável aos variados espaços físicos onde são realizadas as aulas de Educação 

Física, possibilitando uma fácil aplicação em qualquer ambiente escolar com pouco 

recurso material. 




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