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Instrumentos e Medidas de Empatia



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Instrumentos e Medidas de Empatia 
 
Uma vez que a empatia possui um componente afetivo, que implica em uma resposta 
emocional, seria mais ecológico avaliar essa manifestação no ambiente social dos indivíduos. 
Entretanto, isso não é possível dentro da clínica ou do laboratório. Existem instrumentos que 
procuram  eliciar  respostar  emocionais  a  partir  da  apresentação  de  estímulos,  como  o 
Multifaceted  Empathy  Test  (MET)  (Dziobek  et  al.,  2008),  sendo  em  seguida  solicitado  ao 
participante que descreva ou marque em uma escala o tipo de resposta emocional sentida e 
sua  intensidade.  Esse  tipo  de  estratégia  de  avaliação  é  interessante,  mas,  a  não  ser  que  o 
pesquisador  disponha  de  aparelhos  para  medida  de  respostas  fisiológicas,  como  a  resposta 
galvânica da pele, ou exames de neuroimagem funcional, o nível empático do indivíduo será 
definido, em última instância, pelo seu autorrelato. 
Em sendo assim, devido à praticidade de aplicação em contextos de clínica e pesquisa, 
optou-se  pelo  levantamento  somente  de  escalas  de  autorrelato,  ainda  que  esse  tipo  de 
instrumento esteja sujeito a efeitos de desejabilidade social, mentira intencional, desatenção 
ou  mesmo  distorções  subjetivas  (Ones  &  Viswesvaran,  1998;  Trimmer  et  al.,  2016; 
McKibben & Silvia, 2017), uma vez que as alternativas (medidas fisiológicas e observação no 
ambiente do indivíduo) seriam pouco viáveis. 
 
Um  instrumento  utilizado  com  bastante  frequência  para  avaliar  a empatia, conforme 
levantado  em  revisão  de  literatura,  é  a  Interpersonal  Reactivity  Index  (IRI)  (Davis,  1983). 
Essa escala já foi validada para uso no Brasil (Sampaio et al., 2011) e avalia empatia afetiva e 
cognitiva, porém, inclui as subescalas “Fantasia” e “Angústia pessoal”, com itens que fogem 
do escopo do construto na compreensão atual, o que leva muitos autores a utilizarem somente 
uma  parte  da  escala  ou  mesmo  a  incorporar  os  demais  itens  nas  subescalas  afetiva 
(“Consideração  Empática”)  e  cognitiva  (“Tomada  de  Perspectiva”),  considerando  uma 


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estrutura  de  dois  fatores,  porém,  essa  prática  foi  contraindicada  em  um  estudo  recente 
(Chrysikou & Thompson, 2016). 
O mesmo ocorre com a medida brasileira denominada Inventário de Empatia (Falcone 
et al., 2008), que inclui itens para avaliar aspectos comportamentais que parecem estar mais 
relacionados à compreensão de regras sociais e reatividade emocional do que ao conceito de 
empatia, como “responder a críticas”, “manter conversação” e “expressar opiniões pessoais”. 
Outro  instrumento  que  se  destaca  é  o  Empathy  Quotient  (Baron-Cohen  & 
Wheelwright,  2004),  e  há  estudos  realizados  no  Brasil  que  utilizaram  esse  instrumento 
(Almeida,  Going  &  Fragoso,  2016;  Varella,  Ferreira  &  Pereira,  2016).  Porém,  ele  não 
diferencia  entre  empatia  afetiva  e  cognitiva,  por  consideração  dos  autores  de  que  esses 
aspectos geralmente ocorrem simultaneamente e não poderiam ser facilmente diferenciados, o 
que não é corroborado por pesquisas atuais
A medida Basic Empathy Scale (Jolliffe & Farrington, 2006) parece não incorrer nos 
problemas já citados,  entretanto,  em  um estudo,  apresentou  correlações  não  esperadas  entre 
empatia  cognitiva  e  traços  de  psicopatia,  e  ausência  de  correlação  de  ambas  as  subescalas 
afetiva  e  cognitiva  com  traços  do  Fenótipo  Ampliado  do  Autismo,  demostrando  baixa 
sensibilidade a esse fenômeno (Vachon & Lynam, 2015). 
Na  tentativa  de  solucionar  os  problemas  identificados,  Vachon  e  Lynam  (2015) 
construíram  e  validaram  uma  nova escala  de empatia,  a Affective and Cognitive Measure of 
Empathy  (ACME),  ou  Medida  de  Empatia  Afetiva  e  Cognitiva,  realizando  estudos  de 
consistência interna, análise fatorial, validade convergente e divergente, além de uma série de 
associações com medidas de agressividade, traços de psicopatia e de personalidade, e traços 
do FAA. Os autores partiram de 126 itens iniciais para chegar a uma versão final de 36 itens 
que  fosse  consistente  e  sensível,  fundamentada  em  técnicas  psicométricas  da  Teoria  de 
Resposta ao Item (TRI). 


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Em sua versão final, a ACME apresenta três dimensões: empatia cognitiva (12 itens); 
e empatia afetiva, subdividida em “ressonância afetiva” (12 itens) e “dissonância afetiva” (12 
itens),  com  respostas  graduadas  de  0  a  5  em  uma escala  tipo Likert,  variando  de “discordo 
totalmente”  a  “concordo  totalmente”.  A  proposta  de  discriminar  entre  ressonância  e 
dissonância afetiva teve como objetivo aumentar a capacidade do instrumento de explicar a 
variância  no  comportamento  agressivo,  uma  vez  que  uma  revisão  sistemática  dos  mesmos 
autores  apontou  que  as  medidas  atuais  explicavam  somente  1%  dessa  variância  (Vachon  et 
al., 2014). 
Por tratar-se de uma medida nova e promissora de empatia, que parece adequada para 
medir  tal  construto  em  sua  multidimensionalidade,  além  de  ter-se  mostrado  sensível  para 
predizer traços do Fenótipo Ampliado do Autismo, a ACME foi escolhida para ser utilizada 
no presente estudo. 
 
 
 

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